Páginas

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Um demônio a beira de ser salvo - Parte 2

Quando Cléber viu Notus tomou um susto tão grande que caiu no chão e gritou desesperado o nome de Jesus. Se arrastou até sua Bíblia e apontou-a para o demônio gritando:

- Saia em nome de Jesus!

Notus deu uma risada satânica que fez Cléber arrepiar e tremer de medo.

- Não tenha medo, sou seu anjo da guarda.

- Meu anjo da guarda? Uma ova, você é o capeta!

Notus deu mais uma risada.

- Não se esqueça que capetas já foram anjos um dia. Pois é… sou seu capeta da guarda. Me dá mais um pouco desse chá aí.

Cléber estendeu o líquido a Notus que tomou tudo num trago só. Ele ficou observando com asco aquela criatura, que, apesar de assustadora, deixava transparecer certo temor nos olhos.

- Pensei que demônios fugiam ao ouvir o nome de Deus…

- Deus… nosso Deus é Lúcifer, amanhã temos uma festa no inferno e temos que nos apresentar perante Lúcifer. Esse mete-me medo. Você num tem uma música aí não?

Cléber colocou um CD do Raul Seixas e acendeu um baseado, e relaxou com a idéia de que tudo aquilo não passava de uma má viagem.

Notus começou a viajar. Viu Cléber se transfigurar em um demônio também, com olhos vermelhos chamejantes e risada maligna. Notus percebeu em Cléber a sua própria miséria.

- Vejo que você também é um demônio.

- Que isso, cara, você tá é viajando.

- Mas você é um crente, não é?

- Mais ou menos… meus pais são crentes.

- Então você é um demônio crente.

- Você tá viajando, cara. Não sou demônio.

- Já sei, você é meu anjo da guarda… Não venha me repetir.

Cléber deu um trago no bagulho e prendeu a fumaça. Notus se aproximou da janela e viu que a casa estava rodeada de anjos.

- E pintou sujeira. Tenho que sair daqui.

- Calma lá, camarada. Vamos fazer mais um chá.

- De jeito nenhum. Isso me fez mal. Além disso, se esses caras descobrem que estou aqui tô perdido.

- E você vai para onde? Vai lamber os pés de Lúcifer?

Notus se lembrou da festa do dia seguinte. Daria tudo para se livrar de toda aquela humilhação.

- Cléber, se nós dois nos ajoelhássemos aqui e rezássemos juntos Deus poderia mudar minha sina?

- Ih… Cara! Você tá falando como minha mãe. Sei lá… eu pensei que vocês entendiam dessas coisas? Você já não foi anjo um dia?

Notus sentiu vergonha, afinal ele era um demônio respeitado. O que estaria acontecendo com ele? Olhou novamente pela janela e viu que a barra tava limpa.

- Vou nessa. Quando virou-se para Cléber, viu que o rapaz estava dormindo na cama.

Notus viu a Bíblia. Hesitou um pouco. Certificou-se que não havia mais nenhum demônio no pedaço e a abriu. Seus olhos bateram num texto que dizia “Lembra-te donde caíste, arrepende-te e volta”. Ele sentiu um tremor no seu corpo de demônio. Caiu de joelhos e gritou:

- Deus! Se você é todo poderoso me livra desse inferno. Eu prometo não mais fazer maldades.

Notus olhou para Cléber caído na cama. Certificou-se de que estava vivo. Cobriu-o. Abriu a gaveta da escrivaninha e recolheu toda droga que ali estava. Foi ao banheiro e jogou tudo na privada e deu descarga. No banheiro mesmo caiu de joelhos.

- Jesus, sei que sou um demônio perdido, mas você é Deus, não quero mais passar toda a eternidade sem te contemplar. Permita-me te ver mais uma vez. Deixa-me ser humano, viver essa miserável vida humana, que é miserável mas é vida, depois pode-me mandar novamente para esse inferno novamente. Prometo que então ajudarei a esses jovens a largarem as drogas…

Notus percebeu a insanidade de suas palavras. Lembrou-se que com Deus não se barganha. Pensou em uma forma de se matar. Algo que, a propósito, já tinha feito milhares de vezes e só o aproximava mais de Lúcifer. Lembrou-se que queria sair dali. E se foi.

No dia seguinte, acordou nu nas margens de um lago. Seu corpo havia se transformado em corpo humano.

Uma menina que passava ali gritou – olha mãe, um homem pelado.

Notus levantou-se e mirou-se no espelho das águas, certificou-se que não estava possuindo ninguém. Era ele mesmo. Respirou alegre o ar. Lavou o rosto e bebeu um pouco de água.

Quando viu que já se juntava uma pequena multidão blefou:

- Socorro fui roubado, alguém me ajude.

- Olha meu irmão toma aí. Um estudante lhe estendeu uma toalha. Vem comigo eu moro aqui perto e posso de dá uma roupa. Você mora onde?

Um demônio a beira de ser salvo Parte 1

4 comentários:

ROBSON SILVA disse...

Estamos seguindo este BLOG... Faça-nos uma visita em prossigo.blogspot.com
Graça e Paz!

Elixander Silva disse...

Estou aguardando ancioso a próxima árte.

Rubinho Osório disse...

Putz! Só falta vc dizer que o estudante que deu a toalha pro demozinho faz parte da ABU...

Anônimo disse...

eu já orei uma época pelos demônios que tavam atazanando minha vida, foi uma das orações mais legais que já fiz
(ass.: bete)