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terça-feira, 9 de março de 2021

Vocês verdadeiros cristãos são os Bem Aventurados

Os Bem Aventurados indicados por Jesus, que hoje somos nós, refletem o caráter do Messias neste mundo. Pois Jesus é O Bem Aventurado: sua vida foi e é a aventura bem sucedida, íntegra, perfeita. Esta é a vida que está em nós, que está sendo formada em mim e em você.

Parte indispensável dessa bem aventurança é ser perseguido por causa d’Ele, do seu nome, da sua pessoa. Não podemos fugir de, ou temer, essa característica intrínseca do discipulado cristão. Pelo contrário, por causa do amor que temos por nosso Mestre, isso se torna inevitável e até mesmo desejável: Sofrer por amor e fidelidade Àquele que tudo deu por mim e por você. (Hoje em dia, o esoterismo crescente e dominante mostra-se disposto a abraçar todos cristãos e com eles até mesmo a doutrina que professam, desde que a pessoa de Jesus fique esquecida num canto comum, de importância secundária, ao lado de Buda e outros gurus quaisquer. Para eles, se a primazia, ou o senhorio de Jesus for negado está tudo bem; nos tornamos ao ver deles inofensivos e, portanto, não mais um incômodo a ser eliminado ou desacreditado). Hoje, mais do que nunca, mantermo-nos fiéis a Jesus e rompermos com uma série de interesses estranhos e hostis ao Evangelho suscita perseguições.

Permitam-me uma analogia: Os planetas de nosso sistema solar iniciam-se com o pequeno Mercúrio próximo ao centro, com altíssimas temperaturas, quase invisível, ofuscado pela da claridade do sol. Paralelamente, vejo as bem aventuranças assim, iniciando-se com a pobreza de espírito, bem ao centro, e sua pequenez ofuscada pela plena e total dependência de Deus, com todo seu calor e claridade. Lá na periferia, chegamos a Plutão, o nono planeta (anão), hoje nem mais considerado planeta... Também ao fim das bem-aventuranças encontramos a perseguição por "minha causa", que às vezes é incorporada à oitava bem aventurança, a perseguição por "causa da justiça". A oitava bem aventurança, que comparo ao oitavo planeta Netuno, um planeta gigante, poderia ainda ser considerado pelo mundo (e pela igreja) uma causa nobre e grandiosa. Ela encontra frieza? Sim. Oferece distância dos dias iluminados? Sim. Mas grandeza humana... Será que ser perseguido abertamente por causa de Jesus caiu em desuso? Saiu de moda? Não seria uma bênção por si só? Plutão orbita solitário e gelado em sua pequenez... Não foram essas as palavras de Paulo, todos me deixaram? E o próprio Jesus, na cruz, Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste? Ser perseguido por causa de Jesus é sentir no âmago a escuridão e a frieza do abandono, da rejeição e da perseguição. Tendo como consolo único a certeza das promessas inabaláveis divinas em sua santa Palavra, mas nada nos sentimentos ou evidências circunstanciais a não ser, paradoxalmente, a própria dor da perseguição.

Mas tanto as bem aventuranças como os planetas formam um todo, um só sistema, unidos por forças gravitacionais cósmicas. Apesar da distância, Plutão não termina sua órbita errante no universo, ele permanece atraído e regido pelo Astro Rei, da mesma forma como todos os outros planetas. Por isso, ser perseguido por causa de Jesus é motivo de grande alegria e não de tristeza ou depressão. Há um galardão celestial no porvir. Há uma identificação honrosa e ímpar com os profetas e com nossos predecessores que também experimentaram os calafrios e os calabouços do ódio alheio. Foi precisamente por isso que, na hora de sua morte, Estêvão, o primeiro mártir da igreja, pode contemplar o Senhor em sua glória, em pé, à destra de Deus.

Ser bem aventurado é ser perfeito como perfeito é o nosso Pai celestial. É ser mais que vencedor por meio daquele que nos amou e deu a sua vida por nós. Sim, é ser misericordioso em toda a grandeza de caráter como a que Deus mostra em sua misericórdia para conosco pecadores. É ser pacificador. É também ser movido pela fome e sede quase insaciáveis por justiça e não se entregar à letargia do conformismo. É ser puro de coração, é ser manso, é sofrer. É verdadeiramente amar, como Ele também amou. E sabendo-se amado pelo próprio Amor, tendo o amor como estilo de vida, amar sem parar.

Bem aventurado sois vós, verdadeiros discípulos de Cristo!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

O reino dos perseguidos

As bem aventuranças vão culminando em perseguição. O perseguido por excelência é Jesus. Quando criança, antes mesmo de ter feito algo prodigioso, já era perseguido pelo rei Herodes. O Cristo é, nesse mundo, perseguido por ser simplesmente quem ele é: o Rei.

Todo aquele (não somente o cristão que vive na Coreia do Norte ou Afeganistão) que quiser viver piamente o evangelho sofrerá perseguição. A razão disto é simples, a presença de Cristo.

Na parábola do semeador, o Rabi nos conta que quando o sol e as intemperes da natureza chegam, só sobrevivem as sementes que lançaram suas raízes mais fundo na terra. Aquelas que estão sobre pedregulhos não suportarão o calor e a sequidão do dia mal. Assim é com o viver cristão. O calor das perseguições chegará, fatal e impiedosamente, na jornada da fé. São forças antagônicas que estão em luta nesse mundo. Porém, o perseguido que lançou suas raízes profundamente passou por cada uma das sete bem aventuranças anteriores. Agora, de forma ativa, encara a perseguição como consequência lógica, líquida e certa pelo seu viver piedoso.

Como diriam lá na esquina "eles podem nem mesmo saber porque estão te batendo, mas você sabe (ou deveria saber) porque está apanhando". Por causa da justiça. E Cristo é a nossa justiça. A graça de Deus nos alcançou. Isso causará instantaneamente inveja, assim como Caim invejou seu irmão Abel. Assim como os irmãos de José o invejaram. Assim como os judeus invejaram Jesus. Por causa da justiça. Deus nos justifica. Nos declara justos. Ele não tem nada contra nós. Nós estamos limpos. Isso incomoda e gera perseguição.

Assim, somos bem aventurados não por causa da perseguição que sofremos, mas por causa do reino que nos pertence. Se este reino pertence também aos humildes de espírito, estes são com os perseguidos um e o mesmo grupo de indivíduos. Ser humilde de espírito é ser perseguido pela justiça e vice-versa. Por isso para suportar a perseguição faz-se necessário estar vazio de si mesmo, a pobreza espiritual, e cheio do Espírito de Cristo. É não ter nada a perder e tudo a ganhar.

Dos perseguidos pela justiça é (Jesus não disse "será" - o verbo volta novamente para o presente) o reino dos Céus. Eles são felizes, bem sucedidos, bem aventurados!

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

Tudo na Santa Paz

Jesus é o pacificador por excelência. O Príncipe da Paz. Paulo nos disse que Ele “é” A nossa paz! Pois, na sua carne Ele desfez a inimizade, fazendo a paz, e pela cruz reconciliou a humanidade com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades. Jesus evangelizou a paz.

Não obstante, o Cristo mesmo disse: “Cuidais vós que vim trazer paz à terra? Não, vos digo, mas antes dissensão”. Ele não hesitou em dizer: “Quem não é por mim é contra mim; e quem comigo não ajunta espalha”. Eis o dilema...

É muito comum, quando você se sente mal entendido, perseguido por alguém ou abandonado ou mesmo odiado, que tentem te consolar com as palavras: “nem Cristo agradou todo mundo”. Mas a questão aqui não é agradar, e nem muito menos todo mundo. Paulo também afirmou que se quisesse agradar a homens, não agradaria a Deus. Mas o dilema é ser ao mesmo tempo um pacificador e semeador de dissensão. Como pode ser uma coisa assim?

Em primeiro lugar, temos que deixar bem claro que, só Cristo pode e poderia afirmar categoricamente isso, que quem não é por Ele, é contra Ele. Todos nós estamos longes desse patamar, pois somos falhos, e, eventualmente, alguém pode até mesmo não ser por nós, e isso, justamente por amor, sendo assim a nosso favor. Por exemplo, quando tomamos a trilha errada, ou aquele caminho que aos nossos olhos parece ser bom, mas seu fim é o de morte, nada como uma palavra ou mesmo uma atitude amiga que aponta radicalmente na direção contrária. Aquilo que a princípio era contra a gente, no fim, mostra-se favorável. Com Cristo é diferente. Pois Ele é a Verdade. Se alguém não é pela Verdade, será fatalmente pela mentira, e, contra a Verdade. Portanto contra o Cristo de Deus. Jesus é a Vida. Quem não é pela vida é contra a vida. E assim por diante. Segundo, basta nos ressaltar que não é Cristo que se torna contrário a alguém, mas a pessoa é que se volta contra Ele.

Jesus é absoluto. Ao ser a nossa paz, quem é contra Ele, está automaticamente posto nas fileiras do adversário, portanto, contrário à paz e contrário a tudo que Cristo representa e é. Assim, o Mestre Judeu não deixa opções: ou é, ou não é, não existe meio termo. Por isso, todo compromisso, toda aliança, toda paz, todo laço, à parte da Sua, são desfeitos em dissensão. Ele é o divisor de águas.

Quando uma pessoa se converte, ela é automaticamente posta à prova em seus relacionamentos mais íntimos: família, amigos, trabalho, etc. É muito comum haver uma reviravolta e começarem a se importar com coisas que nunca importaram antes só porque você se tornou um seguidor de Cristo. Surge um interesse, quase que ciumento, por você; sendo que antes era tudo mais ou menos sem importância nenhuma.

Porém, Cristo, e por consequente, nós os cristãos permanecemos agentes da paz. Da verdadeira paz. Existe uma paz que não é tão profunda. Vendida pelo mundo. Jesus não nos dá assim a sua paz, em troca de algo, Ele nos deixa a Sua paz. Essa paz, dita pelo povo Hebreu, a Shalom de Deus. Meu pai costumava dizer, tudo estava na “Santa Paz”. Assim é a paz de Cristo, uma paz santa, única, íntegra. Algo que custou a Ele tudo, mas nos é dada gratuitamente. Por isso mesmo, paz. Sem surpresas, sem ressalvas, sem cláusulas obscuras. E uma vez recebida, não pode ser roubada ou movida. Todos nós que um dia a experimentamos e lemos as palavras de Paulo, concordamos que ele foi muito feliz em defini-la como “a paz que excede todo entendimento”. Não há como entendê-la por completo. Muitas das vezes ela está presente justamente quando todas as circunstâncias são desfavoráveis e tudo conspira contra ela. Quem carrega em si essa Paz, também a espalha por onde vai. Por isso, pacificadores.

Bem aventurados esses, os promotores da Santa Paz, pois são como anjos, como seres celestiais, como o próprio Jesus, e, como Ele, também chamados filhos de Deus.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Beleza pura ou bela pureza?

A pureza de espírito, a pureza de coração é o que há. A pureza está tão relacionada ao belo, à estética que não se pode desassociá-las. E como amamos aquilo que é belo!

No Paraíso Deus não advertiu ao primeiro casal a se afastar da árvore do conhecimento do bem e do mal. Ele não colocou uma cerca elétrica impedindo ao ser humano de tocá-la. Deus nem mesmo evitou que a serpente adentrasse aquele Paraíso. E o que mais me assombra, Deus não aconselhou seus recém criados filhos a evitarem conversar com estranhos. E nada mais estranho do que uma cobra falando.

O Paraiso é belo. E tudo que Deus criou é bom. Não havia razões para o Pai espalhar medo. Nunca houve e nunca haverá. O verdadeiro amor lança fora o medo, ensinou-nos o ancião em sua carta.

A humanidade ama a beleza de tudo que Deus criou. Mas infelizmente quando Eva, nossa mãe, olhou para o fruto proibido, ela viu que ele era agradável aos olhos. Era meio caminho andado para a cobiça, a concupiscência dos olhos.

Jesus também foi assim tentado, quando Satanás (agora sem disfarces) lhe mostra a glória dos reinos deste mundo e lhe oferece tudo.

Ele, Jesus, é mais belo que os lírios dos campos. Não haveria nenhuma representação gráfica, cinematográfica ou artística capaz de expressar um pingo sequer de sua irresistível beleza. Mas foi sua feiura, na cruz, quando nele não havia beleza alguma, que nos conquistou. Não a feiura dele. Fomos nós quem o tornamos feio. Ele se deixou "einfeiurar", pela maldade dos seres humanos caídos, porque se entregou. Porque não amou a glória desse mundo. Porque foi obediente ao Pai. Porque tendo amado os seus, os amou até o fim. E esse amor, levantado, exposto, de forma desavergonhada, amor incomensurável e incondicional por gente de todo o mundo é o que atrai toda essa gente. Um amor sincero, puro, limpo, belo. Um amor derramado, libertador, purificador.

O sangue de Jesus é a única substância purificadora que foi capaz de purificar o meu coração imundo de maneira que eu, que me encontrava num lamaçal de pecado, pudesse começar a enxergar toda a beleza de um Deus gracioso e bondoso. O Deus glorioso de Israel.

Não foi a religião. Não foi a fé em dogmas. Não foram pensamentos positivos. Não foi a educação nem a cultura cristãs proporcionadas pelos meus pais, família, igreja e sociedade. Foi Jesus, seu Evangelho, sua obra, só Ele.

"Mostra-nos o Pai e isso nos basta" – pediu-lhe seu discípulo Filipe, pouco antes de sua crucificação. "Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido?" Respondeu-lhe o Senhor.

O que nos tem impedido de conhecermos o Pai? Ele está também, hoje e aqui, há tanto tempo conosco por meio do seu Espírito, por meio das criancinhas, por meio de seu corpo, que é sua igreja, por meio dos seus irmãos pequeninos e necessitados...

Deus nos satisfaz, quando nos relacionamos com Ele (quando O buscamos de todo coração). Se estamos focados nos problemas, nas imperfeições, nas impurezas, certamente não conseguiremos vê-lo. Se o foco se volta para Jesus, Deus se revela em sua glória em sua beleza (apesar dos problemas - e muitos são resolvidos ou se não, deixam simplesmente de ser o foco principal de nossa existência). Processo muitas vezes difícil, purificador, como o fogo, mas que ajuda a me "obrigar" a estar focado unicamente em Deus.

Os limpos de coração verão a Deus. Garante-nos Jesus. É beleza pura!