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domingo, 13 de setembro de 2026

Luz na Política

“Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo.” - O Messias

Uma pergunta clara é feita sobre um tema perturbador: o pecado é a causa de todos os males que nos ocorrem?

Costumou-se cravar um jargão para tal questionamento: não pergunte por quê, mas para quê!

De fato, é essa a resposta de Jesus: para quê? Para a glória de Deus.

O fato é a cura de um cego. E contra fatos não há argumentos. O homem está lá, vendo. Era cego desde nascença. Mas agora vê. Não há como negar esse fato.

Mas as pessoas não querem crer nos fatos. Por quê? Porque fé é também querer. É preciso querer acreditar. O que te impede de crer? Seria o seu querer?

A guerra de narrativas da política não pode ultrapassar a linha dos fatos. Escrevi um livro que aborda, entre outros, esse assunto: Esquerda & Direita do Rei no Brasil: Um manual para todo cristão votar bem (ou, pelo menos, pelas razões certas). Esquerda & Direita do Rei no Brasil — Amazon Kindle Ali procuro destacar fatos que nos ajudam a perceber a supremacia da realidade do Reino de Deus sobre narrativas políticas meramente ilusórias.

A política importa. O cristão não pode ser indiferente à justiça, à verdade, à pobreza, à violência, à corrupção ou à dignidade humana. Mas a política não pode ocupar o lugar que pertence ao Reino de Deus. Jesus reina sobre a história, mas declarou que seu Reino não é deste mundo. Por isso, nenhum partido, candidato ou projeto político pode pretender ser a expressão definitiva do Reino de Deus.

O filme Deus Não Está Morto 5 também aborda a importante relação entre cidadania e fé. Ele convoca o cristão a não se omitir do debate público, especialmente quando valores que considera fundamentais estão sendo retirados da arena política. Entretanto, participar da política não significa batizá-la. O cristão entra nela como cidadão, não como sacerdote de um partido.

Quando Jesus cura aquele cego, surge também um confronto com aqueles que afirmavam enxergar. O problema deles não era simplesmente a falta de informação. Eles estavam diante de um fato extraordinário, mas sua interpretação da realidade estava condicionada por seus próprios pressupostos. A cegueira mais perigosa não é aquela dos olhos, mas aquela que nos faz enxergar apenas aquilo que desejamos ver.

Essa advertência vale especialmente para a política. A ideologia pode tornar-se uma espécie de lente através da qual selecionamos fatos, justificamos aliados e demonizamos adversários. Passamos a chamar de “verdade” aquilo que confirma nossa posição e de “mentira” aquilo que a contraria. O resultado é uma cegueira seletiva.

Por isso, não apenas a política, mas também as ideologias e os grupos aparentemente antagônicos precisam ser examinados à luz do Evangelho. O cristão não deve perguntar apenas: “A esquerda está certa?” ou “A direita está certa?”. Deve perguntar antes: “O que, em cada uma delas, corresponde à verdade, à justiça, à misericórdia e à dignidade ensinadas por Cristo?” E, igualmente importante: “Onde estão os meus próprios pontos cegos?”

Essa postura exige humildade. Afinal, somente Deus é absolutamente bom. Jesus mesmo recusou a pretensão humana de estabelecer uma divisão simples entre bons e maus. O Evangelho reconhece a existência do bem e do mal, da verdade e do erro, mas nos impede de transformar nossa preferência política em medida absoluta da bondade humana.

É justamente aqui que o cristão precisa permanecer vigilante. O perigo não está apenas em escolher o extremo errado, mas em transformar qualquer extremo em esperança última. Uns depositam sua esperança no Estado; outros, no mercado. Uns esperam a salvação de uma revolução; outros, da conservação de uma determinada ordem. Uns elegem seus políticos como defensores da fé; outros enxergam nos adversários a encarnação de todo o mal.

Em todos esses casos, a política deixa de ser instrumento e passa a ser objeto de fé.

E quando um político se transforma em messias, o eleitor deixa de ser cidadão e passa a ser discípulo de um homem.

O Evangelho nos chama a algo diferente. Não somos chamados a salvar o Brasil. Somos chamados a seguir o Salvador. Não somos chamados a construir o Reino de Deus por meio de um partido. Somos chamados a viver os valores do Reino onde Deus nos colocou. A luz de Cristo deve alcançar o político, mas também o professor, o empresário, o trabalhador, o estudante, o pai e a mãe de família, o policial, o padeiro e todos aqueles que exercem alguma influência na sociedade. O Reino começa no coração e transborda para a vida.

Por isso, a pergunta decisiva não é: “De que lado você está?”. É: “A quem você pertence?”

Cristo está acima da esquerda e da direita. Ele não precisa ser capturado por nenhuma delas. Ao contrário: ambas precisam ser julgadas à luz dele. Podemos discordar politicamente e continuar amando. Podemos denunciar erros sem odiar pessoas. Podemos defender convicções firmes sem transformar adversários em inimigos absolutos. Podemos votar com consciência sem colocar nossa esperança na urna.

A fé cristã não nos autoriza a fechar os olhos para a realidade. Pelo contrário: Jesus é a luz que nos permite enxergá-la melhor.

E talvez esse seja um dos maiores desafios do cristão na política: manter os olhos abertos sem perder o coração; defender a verdade sem perder o amor; reconhecer o mal sem imaginar que ele existe apenas do outro lado; lutar pela justiça sem acreditar que somos nós mesmos os justos.

A salvação não está na política, nos partidos ou nos candidatos. O Evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. Quem atribui à política aquilo que somente Deus pode realizar está, ainda que involuntariamente, usurpando o trono divino.

Portanto, participe. Vote. Discuta. Questione. Denuncie a injustiça. Defenda a verdade. Mas não entregue sua alma a nenhum projeto político.

Não queira ganhar o Brasil e acabar perdendo a própria alma.

Enquanto estamos no mundo, somos chamados a ser luz no mundo. Não para substituir o Sol, mas para refletir sua luz.

E a verdadeira Luz tem nome: Jesus Cristo, o Rei.

sábado, 17 de fevereiro de 2024

Jesus é A Selfie de DEUS!

 Jesus, a expressa imagem da pessoa de Deus – Heb 1:3

Deus, como inicialmente o conhecemos, é o Papai do céu. Alguém bom que cuida da gente e do mundo. Quando necessário, e abusamos de sua boa vontade e agimos de forma egoísta e má, ele eventualmente nos castiga – a nós todos, a indivíduos e ao mundo.

O problema é que o mundo está cheio de abusos e maldades. Portanto, cheio de castigo, por todas as partes. Guerras, doenças, terremotos etc.

Então o Papai do céu passa de alguém a ser amado, respeitado e temido por sua bondade e santidade a alguém a ser evitado, ignorado e por fim reprimido.

Evidentemente que os mais devotos se alistam para o exército moral de Deus e tentam estabelecer a ordem com as próprias mãos, por meio de uma religião cheia de regras, da qual Papai do céu só se afasta. 

Nessa hora surge um Filho. Nascido de mulher. E Deus mostra-nos realmente como, e sobretudo, quem Ele é.

Esse filho abraça os pecadores. Se mistura com eles. Os cura. Mostra-lhes sua perfeição, sua misericórdia.

Ele nos revela Deus Pai. Um Deus que não está lá longe no céu. Mas que se aproxima. Não um Deus que está condenando e castigando o mundo. Mas que o ama. De forma tão incrível que se deixa até castigar a si mesmo para salvar. Ele se dá, ele per- doa.

Um Deus que é a cara de Jesus. Com Ele vivo e existo.

terça-feira, 23 de janeiro de 2024

Creio ou sei?

"Porque eu sei em quem tenho crido" - 2 Timóteo 1:12

Creio em Deus ou sei que Deus existe?

Eu sei que Deus existe, pois seu eterno poder está manifesto claramente na natureza. A criação manifesta de forma patente e indiscutível a glória de Deus.

Eu creio em Deus, pois a Bíblia me diz que no princípio Ele criou os céus e a terra. Também ela me revela o caráter desse Deus único, que é bom e fiel.

Creio e sei que há vida após a morte?

Sei que há vida após a morte porque quando um grão de café cai na terra e morre, a vida surge numa nova planta que gera outras centenas de grãos.

Creio que há vida após a morte pois aqueles que viram Jesus ressuscitado nos contaram sua experiência.

Se creio e sei, o que vem primeiro: a fé ou o saber?

Quando afirmamos que dois mais dois é quatro, foi porque alguém de confiança me ensinou a chamar as diferentes quantidades por números diferentes. Ele me mostrou a relação de soma entre essas quantidades. Porque acreditei naquela pessoa, pude acreditar na matemática que ela me ensinava. Porque acredito na matemática, sei que ela existe e funciona. Pois a fé sempre precede o saber.

Sei que existe uma "lei da gravidade" ou que "a terra é redonda" porque creio na ciência, na física, na geografia. Creio no sistema educacional, em meus professores.

Mas se a fé vem primeiro, ela é maior? O que me dá mais certeza, minha fé ou meu saber?

De fato a fé é mais segura.

No Natal existem dois personagens: um fictício, papai Noel; e outro real, Jesus Cristo. Adultos sabem que o primeiro não existe porque não acreditam nele. Mas houve um tempo em que acreditavam. E porque acreditavam, sabiam que ele existia. Até que alguém lhes contou a verdade.

Nem todos adultos acreditam em Jesus. Eles não sabem que ele existe, que ele é real, porque não acreditam nele. Mas muitos de nós sabemos da realidade do Filho de Deus, pois um dia acreditamos nele. Paramos de duvidar. Paramos de nos apoiar em nosso próprio entendimento e passamos a confiar de todo coração naquilo que Deus diz, em quem ele é.

O saber e a experiência nunca devem assumir a primazia. O "meu" saber e a "minha" experiência devem permanecer sempre submissos à pessoa real do Deus vivo e sua palavra.

Creio, portanto sei.

domingo, 1 de outubro de 2023

Vós sois Sal conservador e Luz progressista

Não existe polarização no Reino de Deus. O que existe são tensões naturais, saudáveis e por isso desejáveis. 

Ser sal da terra não significa somente dar gosto e sabor à vida nesse planeta. É papel óbvio da igreja cristã traduzir para a sociedade coisas essenciais da vida, como verdade, como justiça, misericórdia, esperança, fé e amor. Tudo isso torna o cotidiano suportável e até mesmo saboroso. Pois assim é vivido para glória de Deus e como tal gera alegria, gozo e contentamento. 

Contudo ser sal significa também conservar. Então uma das tarefas da igreja está em manter valores, costumes e tradições que são atemporais. O processo de putrefação na cultura de uma comunidade se inicia quando os bons valores, os bons costumes e as boas tradições começam a se deteriorar. Nessa hora não adianta queixar-se do governo, dos políticos, dos artistas ou do main stream. A responsabilidade está em nossas mãos. Se perdermos nosso sabor seremos pisados pelos homens. 

Enxergando por esse prisma o cristão é obviamente um conservador.

Mas o viver nem sempre é tão simples assim... ele é multifacetado e um pouquinho mais complexo. Por isso Jesus Cristo afirma que também somos a luz do mundo.

Nesse aspecto o cristão é um progressista. Por quê? Porque assim como a luz penetra na escuridão e dissipa um estado retrógrado de coisas e aponta para um avanço; assim também é papel óbvio da igreja romper com padrões ultrapassados de injustiça, opressão e trevas deste mundo; e promover o progresso rumo à justiça, à libertação e ao bem-estar social. E acima de tudo ao encontro com Deus.

Nossa responsabilidade aqui é de resplandecermos e não ocultar nosso brilho, que evidentemente tem sua origem no próprio Cristo e em seu Evangelho. 

Eventualmente surgirão nesse jogo tensões sérias sobre o que se deve conservar e o que deve ser posto de lado; o que deve ser construído é oque precisa ser desconstruído. 

Mas será nessa dinâmica que o Reino de Deus irá se expandindo sobre a terra, não apesar das tensões, mas por causa delas.