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domingo, 13 de setembro de 2026

Luz na Política

“Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo.” - O Messias

Uma pergunta clara é feita sobre um tema perturbador: o pecado é a causa de todos os males que nos ocorrem?

Costumou-se cravar um jargão para tal questionamento: não pergunte por quê, mas para quê!

De fato, é essa a resposta de Jesus: para quê? Para a glória de Deus.

O fato é a cura de um cego. E contra fatos não há argumentos. O homem está lá, vendo. Era cego desde nascença. Mas agora vê. Não há como negar esse fato.

Mas as pessoas não querem crer nos fatos. Por quê? Porque fé é também querer. É preciso querer acreditar. O que te impede de crer? Seria o seu querer?

A guerra de narrativas da política não pode ultrapassar a linha dos fatos. Escrevi um livro que aborda, entre outros, esse assunto: Esquerda & Direita do Rei no Brasil: Um manual para todo cristão votar bem (ou, pelo menos, pelas razões certas). Esquerda & Direita do Rei no Brasil — Amazon Kindle Ali procuro destacar fatos que nos ajudam a perceber a supremacia da realidade do Reino de Deus sobre narrativas políticas meramente ilusórias.

A política importa. O cristão não pode ser indiferente à justiça, à verdade, à pobreza, à violência, à corrupção ou à dignidade humana. Mas a política não pode ocupar o lugar que pertence ao Reino de Deus. Jesus reina sobre a história, mas declarou que seu Reino não é deste mundo. Por isso, nenhum partido, candidato ou projeto político pode pretender ser a expressão definitiva do Reino de Deus.

O filme Deus Não Está Morto 5 também aborda a importante relação entre cidadania e fé. Ele convoca o cristão a não se omitir do debate público, especialmente quando valores que considera fundamentais estão sendo retirados da arena política. Entretanto, participar da política não significa batizá-la. O cristão entra nela como cidadão, não como sacerdote de um partido.

Quando Jesus cura aquele cego, surge também um confronto com aqueles que afirmavam enxergar. O problema deles não era simplesmente a falta de informação. Eles estavam diante de um fato extraordinário, mas sua interpretação da realidade estava condicionada por seus próprios pressupostos. A cegueira mais perigosa não é aquela dos olhos, mas aquela que nos faz enxergar apenas aquilo que desejamos ver.

Essa advertência vale especialmente para a política. A ideologia pode tornar-se uma espécie de lente através da qual selecionamos fatos, justificamos aliados e demonizamos adversários. Passamos a chamar de “verdade” aquilo que confirma nossa posição e de “mentira” aquilo que a contraria. O resultado é uma cegueira seletiva.

Por isso, não apenas a política, mas também as ideologias e os grupos aparentemente antagônicos precisam ser examinados à luz do Evangelho. O cristão não deve perguntar apenas: “A esquerda está certa?” ou “A direita está certa?”. Deve perguntar antes: “O que, em cada uma delas, corresponde à verdade, à justiça, à misericórdia e à dignidade ensinadas por Cristo?” E, igualmente importante: “Onde estão os meus próprios pontos cegos?”

Essa postura exige humildade. Afinal, somente Deus é absolutamente bom. Jesus mesmo recusou a pretensão humana de estabelecer uma divisão simples entre bons e maus. O Evangelho reconhece a existência do bem e do mal, da verdade e do erro, mas nos impede de transformar nossa preferência política em medida absoluta da bondade humana.

É justamente aqui que o cristão precisa permanecer vigilante. O perigo não está apenas em escolher o extremo errado, mas em transformar qualquer extremo em esperança última. Uns depositam sua esperança no Estado; outros, no mercado. Uns esperam a salvação de uma revolução; outros, da conservação de uma determinada ordem. Uns elegem seus políticos como defensores da fé; outros enxergam nos adversários a encarnação de todo o mal.

Em todos esses casos, a política deixa de ser instrumento e passa a ser objeto de fé.

E quando um político se transforma em messias, o eleitor deixa de ser cidadão e passa a ser discípulo de um homem.

O Evangelho nos chama a algo diferente. Não somos chamados a salvar o Brasil. Somos chamados a seguir o Salvador. Não somos chamados a construir o Reino de Deus por meio de um partido. Somos chamados a viver os valores do Reino onde Deus nos colocou. A luz de Cristo deve alcançar o político, mas também o professor, o empresário, o trabalhador, o estudante, o pai e a mãe de família, o policial, o padeiro e todos aqueles que exercem alguma influência na sociedade. O Reino começa no coração e transborda para a vida.

Por isso, a pergunta decisiva não é: “De que lado você está?”. É: “A quem você pertence?”

Cristo está acima da esquerda e da direita. Ele não precisa ser capturado por nenhuma delas. Ao contrário: ambas precisam ser julgadas à luz dele. Podemos discordar politicamente e continuar amando. Podemos denunciar erros sem odiar pessoas. Podemos defender convicções firmes sem transformar adversários em inimigos absolutos. Podemos votar com consciência sem colocar nossa esperança na urna.

A fé cristã não nos autoriza a fechar os olhos para a realidade. Pelo contrário: Jesus é a luz que nos permite enxergá-la melhor.

E talvez esse seja um dos maiores desafios do cristão na política: manter os olhos abertos sem perder o coração; defender a verdade sem perder o amor; reconhecer o mal sem imaginar que ele existe apenas do outro lado; lutar pela justiça sem acreditar que somos nós mesmos os justos.

A salvação não está na política, nos partidos ou nos candidatos. O Evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. Quem atribui à política aquilo que somente Deus pode realizar está, ainda que involuntariamente, usurpando o trono divino.

Portanto, participe. Vote. Discuta. Questione. Denuncie a injustiça. Defenda a verdade. Mas não entregue sua alma a nenhum projeto político.

Não queira ganhar o Brasil e acabar perdendo a própria alma.

Enquanto estamos no mundo, somos chamados a ser luz no mundo. Não para substituir o Sol, mas para refletir sua luz.

E a verdadeira Luz tem nome: Jesus Cristo, o Rei.

sábado, 17 de fevereiro de 2024

Jesus é A Selfie de DEUS!

 Jesus, a expressa imagem da pessoa de Deus – Heb 1:3

Deus, como inicialmente o conhecemos, é o Papai do céu. Alguém bom que cuida da gente e do mundo. Quando necessário, e abusamos de sua boa vontade e agimos de forma egoísta e má, ele eventualmente nos castiga – a nós todos, a indivíduos e ao mundo.

O problema é que o mundo está cheio de abusos e maldades. Portanto, cheio de castigo, por todas as partes. Guerras, doenças, terremotos etc.

Então o Papai do céu passa de alguém a ser amado, respeitado e temido por sua bondade e santidade a alguém a ser evitado, ignorado e por fim reprimido.

Evidentemente que os mais devotos se alistam para o exército moral de Deus e tentam estabelecer a ordem com as próprias mãos, por meio de uma religião cheia de regras, da qual Papai do céu só se afasta. 

Nessa hora surge um Filho. Nascido de mulher. E Deus mostra-nos realmente como, e sobretudo, quem Ele é.

Esse filho abraça os pecadores. Se mistura com eles. Os cura. Mostra-lhes sua perfeição, sua misericórdia.

Ele nos revela Deus Pai. Um Deus que não está lá longe no céu. Mas que se aproxima. Não um Deus que está condenando e castigando o mundo. Mas que o ama. De forma tão incrível que se deixa até castigar a si mesmo para salvar. Ele se dá, ele per- doa.

Um Deus que é a cara de Jesus. Com Ele vivo e existo.

terça-feira, 23 de janeiro de 2024

Creio ou sei?

"Porque eu sei em quem tenho crido" - 2 Timóteo 1:12

Creio em Deus ou sei que Deus existe?

Eu sei que Deus existe, pois seu eterno poder está manifesto claramente na natureza. A criação manifesta de forma patente e indiscutível a glória de Deus.

Eu creio em Deus, pois a Bíblia me diz que no princípio Ele criou os céus e a terra. Também ela me revela o caráter desse Deus único, que é bom e fiel.

Creio e sei que há vida após a morte?

Sei que há vida após a morte porque quando um grão de café cai na terra e morre, a vida surge numa nova planta que gera outras centenas de grãos.

Creio que há vida após a morte pois aqueles que viram Jesus ressuscitado nos contaram sua experiência.

Se creio e sei, o que vem primeiro: a fé ou o saber?

Quando afirmamos que dois mais dois é quatro, foi porque alguém de confiança me ensinou a chamar as diferentes quantidades por números diferentes. Ele me mostrou a relação de soma entre essas quantidades. Porque acreditei naquela pessoa, pude acreditar na matemática que ela me ensinava. Porque acredito na matemática, sei que ela existe e funciona. Pois a fé sempre precede o saber.

Sei que existe uma "lei da gravidade" ou que "a terra é redonda" porque creio na ciência, na física, na geografia. Creio no sistema educacional, em meus professores.

Mas se a fé vem primeiro, ela é maior? O que me dá mais certeza, minha fé ou meu saber?

De fato a fé é mais segura.

No Natal existem dois personagens: um fictício, papai Noel; e outro real, Jesus Cristo. Adultos sabem que o primeiro não existe porque não acreditam nele. Mas houve um tempo em que acreditavam. E porque acreditavam, sabiam que ele existia. Até que alguém lhes contou a verdade.

Nem todos adultos acreditam em Jesus. Eles não sabem que ele existe, que ele é real, porque não acreditam nele. Mas muitos de nós sabemos da realidade do Filho de Deus, pois um dia acreditamos nele. Paramos de duvidar. Paramos de nos apoiar em nosso próprio entendimento e passamos a confiar de todo coração naquilo que Deus diz, em quem ele é.

O saber e a experiência nunca devem assumir a primazia. O "meu" saber e a "minha" experiência devem permanecer sempre submissos à pessoa real do Deus vivo e sua palavra.

Creio, portanto sei.

domingo, 1 de outubro de 2023

Vós sois Sal conservador e Luz progressista

Não existe polarização no Reino de Deus. O que existe são tensões naturais, saudáveis e por isso desejáveis. 

Ser sal da terra não significa somente dar gosto e sabor à vida nesse planeta. É papel óbvio da igreja cristã traduzir para a sociedade coisas essenciais da vida, como verdade, como justiça, misericórdia, esperança, fé e amor. Tudo isso torna o cotidiano suportável e até mesmo saboroso. Pois assim é vivido para glória de Deus e como tal gera alegria, gozo e contentamento. 

Contudo ser sal significa também conservar. Então uma das tarefas da igreja está em manter valores, costumes e tradições que são atemporais. O processo de putrefação na cultura de uma comunidade se inicia quando os bons valores, os bons costumes e as boas tradições começam a se deteriorar. Nessa hora não adianta queixar-se do governo, dos políticos, dos artistas ou do main stream. A responsabilidade está em nossas mãos. Se perdermos nosso sabor seremos pisados pelos homens. 

Enxergando por esse prisma o cristão é obviamente um conservador.

Mas o viver nem sempre é tão simples assim... ele é multifacetado e um pouquinho mais complexo. Por isso Jesus Cristo afirma que também somos a luz do mundo.

Nesse aspecto o cristão é um progressista. Por quê? Porque assim como a luz penetra na escuridão e dissipa um estado retrógrado de coisas e aponta para um avanço; assim também é papel óbvio da igreja romper com padrões ultrapassados de injustiça, opressão e trevas deste mundo; e promover o progresso rumo à justiça, à libertação e ao bem-estar social. E acima de tudo ao encontro com Deus.

Nossa responsabilidade aqui é de resplandecermos e não ocultar nosso brilho, que evidentemente tem sua origem no próprio Cristo e em seu Evangelho. 

Eventualmente surgirão nesse jogo tensões sérias sobre o que se deve conservar e o que deve ser posto de lado; o que deve ser construído é oque precisa ser desconstruído. 

Mas será nessa dinâmica que o Reino de Deus irá se expandindo sobre a terra, não apesar das tensões, mas por causa delas.

domingo, 16 de julho de 2023

A resposta cristã para a origem do mal #01

E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom - Gn 1:31.

Se Jesus é só bem, o bem mais puro, de onde vem então o mal? Filósofos se encontram aqui diante de um problema insolúvel. Mas não os cristãos. Só há uma resposta cabível para a origem do mal, e ela é dada pela revelação divina.

Gênesis nos guia passo a passo nessa jornada. Deus sempre existiu. Quando Deus cria os céus e a terra, Ele cria o espaço! Dois espaços distintos: céus e terra. E a terra era sem forma e vazia.

Mas teria Deus criado também o mal? Já no primeiro capítulo, no versículo 2, o autor de Gênesis nos informa que havia trevas.

Seriam as trevas já o primeiro indício do mal?

As trevas e as águas aparecem juntamente com os céus e a terra - sem uma menção específica de que surgiram de ato criativo de Deus. Contudo, a física nos ensina que, ao contrário das águas, que é algo físico e palpável, as trevas não passam da mera ausência da luz. Deus não cria categoricamente as trevas, pois em última análise elas não existem. Assim como a luz ainda não existia.

Mas logo na sequência Ele, ainda no primeiro dia, cria a luz.

A obscuridade está na própria natureza do mal. No dia em que tudo estiver claro, as trevas desaparecerão! Isso é o futuro que aguarda aqueles que habitarão na cidade de Deus, um lugar de perfeita luz – "nela não haverá noite" – Ap 21:25.

Deus não diz que as trevas eram más. Vê apenas que a luz era boa e faz separação entre luz e trevas: Dia e Noite. É o início do tempo!

Sob o ponto de vista meramente estético, percebemos algo bom, a luz, e algo ruim, as trevas. Mas ainda estamos um capítulo distantes da questão ética, do bem e do mal – e sua origem.

sexta-feira, 25 de novembro de 2022

Uma verdade evidente por si só (ou: Poderia um cristão perder a sua salvação?)

Existiria alguma verdade que seja evidente por si só? Você é fiel a princípios ou a pessoas?

Em face do fenômeno das fake News, das propagandas em massa, do famoso “2 mais 2 igual a 5” de George Orwell em 1984, fica a dúvida se a verdade, seria mais uma construção social, uma ideologia, uma narrativa, ou seria algo evidente por si só.

Na infância, somos todos tutelados por pais e educadores, que em via de regra nos imprimem seus sistemas de crenças, lógica e valores. Passamos pelos conturbados anos da adolescência onde questionamos e colocamos à prova tais sistemas e por eles também somos questionados e provados. Na idade adulta deveríamos então ser capazes de, por si só, julgarmos o que é verdadeiro ou não. Nos tornamos responsáveis, e deveríamos ser fiéis à nossa própria razão e consciência, pois são elas quem nos dirão a quais valores devemos nos apegar.  

Mas até que ponto, seres humanos tão falhos, imperfeitos e contraditórios, seriam capazes de permanecerem fiéis a alguma coisa? Ou mais difícil ainda, de traírem seu próprio ego, com todos seus mecanismos de auto manipulação e auto sedução?

Aqui vale o recorrente questionamento: Poderia um cristão perder a sua salvação? O qual forçosamente teríamos que reformular para: Poderia um cristão apostatar e mudar suas crenças e valores a tal ponto de rejeitar a pessoa de Deus? E talvez a pergunta mais apropriada ainda: Poderia Deus definitivamente abandonar a pessoa de um cristão genuíno, se esse deixasse os valores e princípios cristãos?

Paulo ensina para Timóteo “que se perseverarmos, com Ele igualmente reinaremos; se o negarmos, Ele também nos negará; mas se somos infiéis, Ele, entretanto, permanece fiel, pois não pode negar-se a si mesmo”.

Curiosamente Deus não pode negar-se a si mesmo; mas Ele exige que nós nos neguemos a nós mesmos. “Aquele que quer ser meu discípulo, negue-se a si mesmo”. O que, a princípio, poderia parecer uma injustiça, que Deus peça para que a gente faça uma coisa que Ele mesmo jamais faria; mostra-se coerente. O que Deus não faz é negar a Deus, e Ele não nos pediria nunca que O neguemos. Negar-se a si mesmo, é negar o pior e o melhor que tenho. O Cristo, exemplarmente, também se negou a si mesmo quando disse, “seja feita a sua vontade e não a minha”. Na verdade, toda sua vida foi um exemplo de abnegação.

Só quando chego ao ponto de negar a mim mesmo, com todos aqueles princípios, valores, razão e consciência que me foram imprimidas desde a infância é que posso submeter-me ao Cristo, a tal ponto que não me resta mais nada propriamente meu que possa me apegar. É afirmar que há um verdadeiro Deus em meu viver, em minha existência, em “meu” universo.

Uma advertência: Aqui, Paul Tournier nos lembra para sermos cautelosos. Não se pode exigir que alguém negue aquilo que nunca se tornou. Devemos incentivar nossos próximos e nós mesmos a nos desenvolvermos e a nos tornarmos alguém e só depois é que se pode pregar a abnegação, o desapego. Ninguém poderia abrir mão de algo que, de fato, nunca possuiu.

Jesus se revelou como sendo a verdade, mas não uma verdade isolada na razão, mas atrelada à vida e ao caminho. Pois a verdade é algo que experimentamos com nossa mente (através da razão), o caminho com nossas pernas e pés (através da vontade), e a vida com nossos corações (através dos sentimentos). A partir da pessoa de Deus descobrimos que verdades só são evidentes para nossa razão, quando casam com vida que pulsa em nossos corações e com caminho que tenho que trilhar dia a dia.

Assim, um cristão genuíno só o é de verdade quando, em dado momento de sua vida, recebe a Jesus como Senhor, por meio da fé. Ele assim, abre mão de sua razão, de seus sentimentos e vontade e os submetem plenamente à pessoa de Jesus. O que equivale a dizer que um cristão genuíno jamais deixaria os valores e princípios cristãos, não por causa de si próprio, mas por causa de seu Senhor.

Concluímos assim que forçosamente somos fiéis primeiro às pessoas (ou aos egos de outros ou ao meu próprio ego). Até mesmo quando nos tornamos fiéis a Deus, tornamo-nos fiéis primeiro à pessoa de Deus e não a seu sistema de princípios e valores. Os quais existem, são perfeitos, confiáveis e úteis, mas sempre subordinados à sua pessoa, que os criou e os sustenta.

sábado, 5 de novembro de 2022

Carta a um amigo que desistiu da perfeição

Meu caro amigo, seu desabafo me fez lembrar o título de um livro, o qual apontava a perfeição como um fardo. Venho ouvindo esse desapontamento já há algum tempo de várias pessoas amigas. Ele assume diversas variantes: a verdade absoluta não existe, justiça não existe etc. Para mim tudo isso equivale a dizer que Deus não existe. E essa afirmação vinda de você torna-se especialmente perturbadora.

Foi o pastor Carlos McCord quem, com o auxílio do missionário Stanley Jones, me abriu os olhos para a necessidade de me reconciliar com a perfeição. Eles partem do princípio de que o centro do Sermão do Monte está no chamado à perfeição:

"Sede perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus".

A pergunta é, o que entendemos como perfeição? O que Jesus queria dizer com perfeição? Não precisamos ir muito longe para acharmos a resposta. Basta consultarmos o texto paralelo do Evangelho de Lucas para ver que ali Jesus está dizendo, “sede misericordiosos, como é misericordioso o vosso Pai celestial”. Nos Evangelhos, perfeição é sinônimo de misericórdia! E o que seria misericórdia senão uma atitude amorosa em relação à imperfeição (alheia ou própria)?

Concluímos que nos Evangelhos – ou seja, nas palavras de Jesus – ser perfeito é admitir, paradoxalmente, nossas imperfeições e darmos a elas uma resposta amorosa. Quanto mais nos aperfeiçoamos nisso, mais nos tornamos semelhantes ao nosso Pai celestial.

Para sermos misericordiosos com nosso próximo, precisamos de alguma forma também ter experimentado a misericórdia. Então, precisamos também estar cientes de nossas imperfeições, e sabermos que somos aceitos graciosamente apesar delas (ou até mesmo, por causa delas). Um Deus perfeito não está nos imputando imperfeições. Ele não as leva em conta, pelo contrário, por sua graça, está removendo-as, cobrindo-as. De maneira tão perfeita, que nem se lembra mais delas. Como alguém já disse, Ele vê em nós o rosto de seu Filho Jesus. Portanto, perfeitos!

Sendo assim, “GRAÇA E PERFEIÇÃO sempre ocuparão o mesmo espaço”. Se há graça, há sinais de perfeição e vice-versa. A graça que recebemos é o que nos permite ser graciosos conosco mesmo e com nosso próximo. Toda culpa e vergonha nos são removidas. Passamos então a nos sentir... como poderia dizer? Perfeitos! E é assim também que nos dispomos a ser e a olhar nossos irmãos (a igreja) e até mesmo nosso próximo (o mundo). Olhamos o mundo ao nosso redor com o olhar da graça. Não com o olhar condenatório. Nosso foco está na perfeição de cada um e não em suas imperfeições. Tornamo-nos capazes, através da obra da cruz, à semelhança de nosso Pai celestial, de enxergarmos o melhor em cada um. E nada mais. E quando a realidade dos fatos prova o contrário, podemos confiantemente deixar o juízo e a vingança plenamente nas mãos de quem verdadeiramente os detém.

Caro amigo, não há como desistirmos da perfeição! Ela é algo de nobre que Deus colocou em nosso DNA. Sei que você é um profundo estudioso da Bíblia. Sei que você conhece as passagens que irei relembrá-lo. Você se lembra? O apóstolo Paulo diz que escreve para os perfeitos e em um mesmo fôlego afirma que quanto a ele ainda não alcançou o alvo, mas prossegue em sua direção.

Você se lembra? A Bíblia está aí para ajudar ao homem de Deus ser perfeito, e perfeitamente instruído. 

Você se lembra? Deus diz a Abrão, anda em minha presença e sê perfeito.

Poderíamos também resumir perfeição como a plena e constante obediência aos mandamentos divinos. Deus nos deu dez indicadores de perfeição! Sempre seremos capazes de nos autoavaliar e vermos como avançamos ou regredimos em nossa performance na busca pela perfeição.

Os Evangelhos deixam claro que os mandamentos se resumem em dois: Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento. E ame o seu próximo como a si mesmo.

Creio que não foi por acaso que, quando o jovem rico pergunta a Jesus o que ele precisaria fazer para alcançar a vida eterna, Jesus pergunta-lhe sobre os mandamentos. Também não creio que foi por acaso que Jesus menciona somente os mandamentos que dizem respeito ao relacionar com o próximo, deixando de lado os que dizem respeito ao relacionar com o Deus.

Tanto o jovem rico como o mestre da lei tinham por certo serem “perfeitos” adoradores de Deus. Mas não eram... Não adiantaria nada Jesus ficar batendo na tecla do “ame ao Senhor”, pois eles diriam (na cara dura), isso já fazemos! Na verdade, foi isso que fez o jovem rico, quando Jesus lhe apresentou a segunda parte dos mandamentos: tudo isso tenho obedecido! Por isso também a resposta cortante de Jesus: Contudo, algo ainda te falta! Ou...

Se queres ser perfeito...

Alcançar a vida eterna é em última análise o “chegarmos à perfeição”. E esse deve ser um alvo constante na vida de todo cristão. E ele deve ser seguido de atividades práticas: “vai, vende os teus bens, dá o dinheiro aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me”. Ou, “vá e faça o mesmo”.

Não costumamos dizer que a vida eterna se inicia aqui? Então a adoração perfeita que apresentaremos a Deus na eternidade, passa necessariamente pelo caminho da misericórdia no trato com o meu próximo aqui.

Se de fato em sua vida não existe mais lugar para perfeição, comece a devolver a ela esse espaço perdido. Ou seria roubado?

Jesus nos lembra que o ladrão vem senão para roubar, matar e destruir. Em nossa sociedade secularizada só dois dos mandamentos se tornaram categoricamente crimes inadmissíveis: o roubo e o assassinato. “Os outros oito mandamentos podem ser até quebrados, mas quando se trata de assassinato e roubo tem que haver um limite, uma punição!”

Mas é no sermão do monte que Jesus nos ensina que as raízes da obediência são muito mais profundas. A justiça exigida por Jesus é bem maior que a justiça farisaica de nossa sociedade.

Sabemos que nenhum homem foi capaz de cumprir os padrões de exigência da perfeição divina, exceto Nosso Senhor Jesus Cristo. Por isso quando buscamos perfeição, em última análise, estamos buscando a face de Cristo. Ele é a perfeição, a verdade absoluta e a nossa justiça.

E lembre-se, foi Ele quem disse, todo o que busca, acha! E quando O encontramos, ao contrário de sermos esmagados por um fardo, somos completamente aliviados. Somos salvos não da perfeição, mas pela e para a perfeição, pela e para a misericórdia.

Fique com Deus e um grande abraço!

segunda-feira, 24 de outubro de 2022

Graça cristã versus propaganda política

Assistimos pelo mundo a fora a luta de duas forças polarizantes radicais. Uma direita nacionalista de um lado e uma esquerda progressista do outro. No Brasil não é diferente. Há elementos a serem condenados pelo cristão em ambos os polos, mas também há outros a serem abraçados. Por exemplo de um lado deseja-se maior justiça social, distribuição de renda e mais atenção às minorias oprimidas; por outro deseja-se mais atenção aos valores sagrados da família e das liberdades individuais. Por um lado, confunde-se aquilo que é decente e moral relacionado à sexualidade, ou ao uso de entorpecentes, e por outro a xenofobia e outras fobias parecem aflorar de forma desavergonhada. Para ficarmos só em poucos exemplos.

A propaganda política de ambas as correntes tende, por natureza, a exagerar na dose. Ao por a tônica nos pontos que se quer chamar a atenção e desconsiderar outros pode se criar uma bola de neve ou uma avalanche de falsas informações. E é isso que acontece... Sabemos que esse Tsunami já está em curso no mundo, e tem sua origem no pai da mentira, Satanás. A questão é como contrapor essa onda? Seria tentando abafar o barulho d’Ele fazendo mais barulho do lado oposto? 

Poderíamos dizer, como C. S. Lewis, que ficar usando o nome de Deus na política é ir contra o terceiro mandamento.

Sem dúvida alguma, a política é uma das ferramentas de resgate e transformação social à disposição do crente. Devemos, sim, nos valer dela, todavia, com o mesmo cuidado que um cirurgião manuseia um bisturi, um piloto maneja os instrumentos de um jato e, por que não dizer, um cozinheiro regula o calor do forno ou a dosagem de sal em sua receita culinária.

Todos queremos mudanças. Um Brasil, um mundo melhor. Parece que essa também é a vontade de Deus, pois Ele deu o seu único Filho, para que todo aquele que n’Ele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna. Os samaritanos em Sicar reconheceram em Jesus o salvador do mundo.

Deus amou o mundo (o Brasil) de tal maneira que Ele optou por mostrar graça. Graça que lhe custou tudo. Uma dor que não podemos de fato calcular, nem pelo lado humano, muito menos pelo lado divino. Fico a pensar se não somos para Deus um “Hobby muito caro”. Mas é bem mais do que isso. Ele resolveu fazer desse “Hobby” um investimento sério. Nós somos, em verdade, a família de Deus!

Deus não somente amou o mundo, salvou o mundo, mas também venceu o mundo.

O mundo, e o Brasil também, que queremos ver salvos é um lugar inóspito para os santos. Por isso mesmo precisa de salvação. Mas também precisa ser vencido, caso contrário – se sairmos por ele derrotados – não temos como auxiliar nada nem ninguém.

E essa é a vitória que vence o mundo. Não nosso discurso, não nosso ativismo. Mas nossa fé. A fé, que de uma vez por todas foi dada aos santos. Pois ela, e não uma bandeira ou credo político é o nosso ponto de confluência. É ela que nos faz enxergar com clareza aonde estamos e para onde queremos e devemos ir. E acima de tudo na companhia de quem.

Jesus não se deu ao trabalho de responder à pergunta sobre a fonte de sua autoridade. Ele agiu com autoridade que lhe era conferida. Mostrando graça e verdade. Ao nos passar o bastão nessa nobre tarefa de propagar as Boas Novas, do perdão dos pecados, Deus lança mão de determinados meios, dos quais a unidade da igreja, além de imprescindível, é o mais estratégico.

Permaneçamos em unidade e não deixemos que a propaganda política cause separação no corpo de Cristo. “Que também eles sejam um em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste”.

sábado, 8 de outubro de 2022

A voz do povo definitivamente não é a voz de Deus

 

“Ó gálatas insensatos! Quem vos enfeitiçou? Ora, não foi diante dos vossos olhos que Jesus Cristo foi exposto como crucificado?”

Poderia uma igreja estar enfeitiçada? Poderia cristãos estarem enfeitiçados? Poderiam crentes serem insensatos?

Foi o missionário Stanley Jones quem cunhou a frase “o que ganha sua atenção, ganha você”.

Venho afirmando que o que importa é que o Senhor nos elegeu. E que nós cristãos devemos concentrar nossas forças no Reino dos quais somos cidadãos eternos. Jesus é a única alternativa.

Não que eu menospreze o exercício do voto. Mas também não quero ver ele sendo supra valorizado.

O valor do voto está em sua individualidade. Quando se torna algo coletivo, um movimento de massa ele já não é mais algo entre você e sua consciência. É algo manipulado por outras forças. Não vote pensando que seu voto irá definir as eleições. Ele não irá! Vote (ou não) em paz com sua consciência.

E talvez a verdade mais dolorida é que ganhando A ou B, a realidade também não mudará nessas proporções que se promete ou assombram. Não. Não é um governante que muda uma nação. Claro que também não quero menosprezar o valor de um ou mais políticos. Mas também não podemos supra valorizá-lo.

E aqui é hora de voltarmos para o verdadeiro Evangelho. O que muda, o que realmente transforma é só o Evangelho da cruz de Cristo.

Não concordo com a esquerda que diz, melhor deixar Deus fora disso (e famílias, e pátria e valores etc.) Isso sinaliza claramente o medo de pessoas que só querem mudar o status quo para elas entrarem na base da força numa zona de conforto da qual se sentem excluídas. Mas também não concordo com a direita que diz Deus mais isso e mais aquilo (família, pátria, valores etc.) Isso sinaliza evidentemente o outro lado de pessoas que querem defender sua zona de conforto. Elas esquecem que o mundo jaz no maligno, e que o amor ao presente século é inimizade com Deus.

Ainda que Jesus desse o devido valor à família e à Nação de Israel, Ele sempre deixou bem claro que o que estava em jogo era incomparavelmente maior e exigia TUDO. Nem família e nem Nação poderia concorrer, fazer frente ou entrar como subelemento no pacote. Era Deus, seu Reino, sua justiça e ponto. A cruz, o negar-se a si mesmo. Sem compromissos.

Por que esse radicalismo de Nosso Senhor Jesus? Porque Ele é verdadeiro. Ele sabe que tudo mais tiraria o foco do Evangelho. Ele disse que toda autoridade “já” lhe foi dada nos céus “e na terra”. Ele já venceu. E com Ele somos mais que vencedores. Reinamos em vida.

Nossa incumbência é irmos e pregarmos o Evangelho. A igreja tem feito isso há dois mil anos e deve focar, concentrar esforços nisso. Essa é nossa luta. Nossa luta não é impor (ou defender) justiça social, nem impor (ou defender) valores. Pregando e vivendo o evangelho nossos valores e nossa justiça ficarão evidenciadas.

Como será o futuro de nosso país?

A resposta para essa pergunta não estará na voz do povo (de Deus) nas urnas a cada quatro anos. Mas na resposta diária que dou ao chamado que o Cristo nos faz. Foi Ele quem nos elegeu e nos designou para irmos e darmos frutos, e que nossos frutos permaneçam. E façamos discípulos e os ensinemos a guardar tudo o que Ele nos ensinou. E uma das primeiras coisas que Ele nos ensinou é a confiarmos TOTAL e EXCLUSIVAMENTE n’ELE. Que assim seja.

sexta-feira, 2 de setembro de 2022

Jesus veio também para destruir

Desconstrução, narrativa, empoderamento, são palavras recorrentes hoje em dia. Elas são empregadas dentro do contexto de minorias lutando contra uma maioria opressora.

Uma criancinha chega para ver um jogo de futebol na TV. Um dos times é mais forte, domina a partida. Por não ter um time favorito, automaticamente ela é lavada a torcer pelo mais fraco. Todo mundo já passou por essa situação e conhece esse sentimento.

Na vida real nem sempre é tão claro qual é o time opressor. Contra quem estamos lutando?

Uma derrota na vida custa o emprego. Uma derrota nos estudos, atrasa a carreira. Uma derrota na vida amorosa custa a estabilidade emocional. Batalhas são travadas dentro da arena da sociedade, e nos esforçamos para vencê-las. Mas e se de repente, na ânsia de ganhar, você não se tornou parte daquele time mais forte, contra o qual por um simples senso de justiça, uma criancinha torceria contra?

Às vezes parece que há um sistema todo conspirando contra a pessoa. Talvez pelo fato de ela ter uma cor de pele diferente, por ter um sotaque diferente, por ter uma outra religião, vir de um outro contexto social ou simplesmente por pertencer a uma minoria?

Uma vez minha filhinha perguntou se o Diabo tinha filhos? Alguém se apressou a responder que não. Dando a entender que o diabo não se procriava. Eu fiz uma ressalva, alegando que o Diabo, sim, também tinha filhos.

Existe um claro confronto entre os filhos do Diabo e os filhos de Deus.

“Irmãos, não se admirem se o mundo odeia vocês”. Nossa expectativa é, erroneamente, que como cristãos nos tornaremos automaticamente em pessoas amáveis na sociedade. Sim, somos amáveis, mas não para este mundo. Para o mundo, cristãos verdadeiros são seres odiáveis.

Com certeza sabemos que os que são do Maligno, como Caim, odeiam com ódio mortal aqueles cujas obras são justas. “O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir.” Vivemos sob fogo cruzado. Não raramente a munição usada pelo Inimigo de nossas almas são mentiras. Narrativas que vem sendo construídas ao longo de décadas, séculos, milênios... Pessoas usam essas narrativas para sua própria vantagem e exercem um poder maligno contra tudo e todos que as contradizem com a verdade. Assim elas roubam bens materiais e imateriais. Elas assassinam fisicamente e moralmente. Elas destroem estruturas físicas, psicológicas e sociais. O ladrão continua roubando, matando e destruindo e fazendo assim suas vítimas.

A batalha, todavia, não é contra as pessoas. Uma luta pessoal seria extremamente contra produtiva. Portanto, devemos nos valer das armas que nos são disponíveis, a saber: a Salvação, a fé, a justiça, a verdade, a Palavra de Deus e o Evangelho - e lutarmos bravamente no campo onde já somos mais que vencedores, ou seja, no espiritual. Na verdade, essa é uma batalha que pertence exclusivamente ao Senhor. Na cruz Jesus já triunfou!

Ali assistimos o time mais fraco vencer de virada. Ali assistimos o poder do pecado sendo quebrado, removido, destruído. Ali aprendemos a verdadeira narrativa que exalta a Deus e traz conforto e salvação para nossas almas. Na cruz, na ressurreição e na ascensão de Cristo somos emponderados para vivermos nesse mundo com bom ânimo, apesar das aflições. Não se deixem enganar! Fazemos parte do time vencedor, que vence por meio da justiça e não por meio da trapaça, ou abuso de poder e força física. Existe um Trapaceiro. E Jesus destrói as obras dele. Pois “para isto se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do diabo” (1 João 3:8). Jesus também veio para destruir. E destrói.

sábado, 16 de julho de 2022

O que é a vida?

Em seu programa #Provoca, Marcelo Tas pergunta a todo entrevistado, bem ao final, a mesma pergunta duas vezes: O que é a vida? Particularmente me interessei pela resposta que dariam dois evangélicos famosos que passaram por lá: a política Marina Silva e o pastor Ed René.

Marina afirma que a vida é um dom de Deus. E que tudo que Deus criou é para sustentar a vida. Ao ser perguntada pela segunda vez, ela faz menção a seu neto. Dando entender que a vida continua e deixa transparecer, não só algo bem pessoal, mas toda importância de sua militância pela sustentabilidade, e responsabilidade pelas gerações futuras.

Fazendo eco a Marina, Ed René também afirma que a vida é dádiva. Na segunda resposta ele é mais enfático ao afirmar que a vida é um presente de Deus a ser desfrutado, repartido e devolvido a Ele com toda gratidão.

Ambos estão absolutamente corretos em suas respostas! Eles mostraram-se bem diplomáticos ao não quererem ser dogmáticos, num programa secular, e optaram por não dar uma resposta categoricamente mais teológica, religiosa, espiritual ou simplesmente cristã.

Todavia, confesso que lamento isso, não ter ouvido algo, de fato, mais evangélico, ou evangelístico. Creio que não ofuscaria em nada o brilho dos entrevistados. Pelo contrário... Além de ter sido uma oportunidade de ouro (perdida) para proclamar e exaltar o santo nome de nosso Senhor Jesus.

Derivada dos lábios do próprio Filho de Deus, que se deu completamente por nós, e afirmou ser Ele mesmo "o Caminho, a Verdade e a VIDA"; a resposta para a pergunta: O que é a vida? É uma só.

Uma frase bem profunda e ao mesmo tempo bem simples: A vida é JESUS.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

Por que homossexualismo é pecado?

É porque agride uma relação pura de amor. Por isso está descrito na Bíblia como tal.

Nem todo amor é puro: no adultério, por exemplo, pode ter amor; pessoas egoístas são amantes de si mesmas. 

O amor é algo santo e caro demais para tolerar imitações baratas.

Devem homossexuais serem punidos?

Nem todo pecador é rigorosamente punido pela sociedade. Adultério é pecado, mas não se pune mais adúlteros com apedrejamento. Todos somos pecadores e necessitamos ouvir o chamado ao arrependimento, à fé e graça para recomeçar.

Devemos então deixar as imoralidades correrem soltas? O pecado causa separação entre o homem e Deus. Só isso já é uma baita punição! O comportamento imoral traz também consigo consequências negativas intrínsecas à sua prática: psicológicas, físicas e sociais. Isto o coibiria.

Quando então o estado deve intervir? O estado (que é falho e eventualmente injusto) tem o dever de, pela força, coibir práticas imorais. Ele nunca deveria ser o agente ou promovedor de imoralidades. Por isso, seus agentes carecem de mais que educação, mas de sabedoria do alto.

Isso significa que Deus é excludente? Não. O Deus judaico cristão deixou-nos um legado moral que não é só para Europa, não só para o ocidente, mas é universal. O século XXI não pode jogar no lixo a boa tradição de nossos pais, avós e dos antigos.


sábado, 15 de janeiro de 2022

Por um Cristianismo sem humanismo

Foi Jesus assim tão humano que só poderia ter sido divino? Podem carne e sangue revelar Deus? A humanidade do Cristo que revela o divino, se baseia na paternidade divina que revela o Filho. A humanidade do Cristo só é divina, pois está em perfeita harmonia e submissão à divindade do Pai.

Quem flerta com o humanismo pode acabar se enveredando por um cristianismo sem o divino, sem o nascimento virginal, sem o escândalo da cruz, sem o Messias ressuscitado, sem esperança no por vir. Querendo ser bem “humanos", acabam desprezando a graça e eliminando o puramente divino, o espirito, que é a fonte de toda humanidade. Antes do Verbo se fazer carne, no princípio, Ele estava com Deus e Ele era Deus.

Pedro flertara com o humanismo. E é então imediatamente repreendido por Jesus: "não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens". Coisas dos homens... "Tenha dó de ti mesmo". Hoje diríamos, pare com isso, Senhor! Pense positivo! Ninguém nasceu para sofrer... Talvez até valêssemos da Bíblia... Ter "dó de si mesmo" é ter autocomiseração. É tirar o foco de Deus, de seu plano, de seu caráter e soberania e focar só em nossa dor, em nós mesmos, em nosso ego. É fazer-se de vítima e ficar buscando culpados. É correr da cruz, e assim desencontrar o Cristo, a ressurreição, a Vida.

As coisas de Deus, as quais Jesus se referia, eram a crucificação, a dor, o sacrifício.

A análise marxista, que é humanista, parte de fatos sociais para chegar a soluções também sociais. Nela Jesus foi assassinado por um sistema político opressor. Eis toda a história, sob a ótica materialista. A luta de Jesus é uma luta revolucionária, de classes, utópica. Isso nunca foi Evangelho e nunca será. Ela propositadamente esquece Isaías que diz: aprouve a Deus moê-lo.

O Evangelho diz que ninguém tirou a vida do Cristo. Foi Ele mesmo quem a deu voluntariamente. O ponto de partida é espiritual, uma vontade superior, acima da vontade humana, um plano divino.

"Foi Deus quem quis...", é uma frase interpretada como conformismo. Mas quando dita com fé, tem o lastro de uma sabedoria popular que sabe que o mundo jaz no maligno e nossa salvação se encontra na paz interior e não nas circunstancias exteriores. Ainda que tudo vá mal, eu o louvarei!

Mas não pense que o humanismo só se encontra no pensamento de esquerda, ele está também no de direita. Na ideia da manutenção do poder político, seja pelo voto ou pelas armas, como meio de se garantir um mundo melhor e mais justo. Na Imposição através do estado de uma cosmovisão, um projeto fundamentalista de poder. Legislar, executar e julgar em todas as instâncias até a suprema corte. Tudo bem "espiritual" recheado de versículos bíblicos e muita oração - ou não. Isto só revela uma inimizade ao escândalo da cruz, onde a dignidade humana teria primazia, e onde os "direitos universais" humanos é que importariam. Pura falácia! Não é a economia de mercado, nem o liberalismo, nem a democracia que asseguram a glória de Deus. É a glória de Deus que está em jogo!

Para tais Jesus continua dizendo ainda hoje, como antes: "Arreda, Satanás! Tu és para mim pedra de tropeço..." O que salva o mundo não é a política deste mundo, não são novas leis, não são bons governantes, nem juízes, por mais justos que sejam. A salvação vem por meio da fé e não por meio de uma sociedade "perfeita" e "justa". Cristianismo prega Jesus e este crucificado.

E é no martírio, no testemunho de amor, que também revelamos o Deus que está em nós.

O humanismo não necessita de Jesus Cristo. Já o verdadeiro cristianismo não existe sem Ele, sem cruzes, sem dores, sem sacrifício, sem perdão. Sem o Senhorio d'Ele não há Reino de Deus. E seu Reino não é deste mundo. Por isso, “venha a nós o TEU Reino". Somente em Cristo o homem, o Filho do homem, é coroado de glória e majestade. Amém.

sábado, 8 de janeiro de 2022

JESUS, o Candidato Eterno

A candidatura do Rei dos Reis não é para um governo nacional. Também não é para um reino deste mundo.

Satanás tentou o Cristo oferecendo-lhe “todos os reinos do mundo, e a glória deles” (Mateus 4:8). Jesus recusou, ali, esta chance de uma vez por todas. O seu trono estava e está nos céus.

Já que entramos neste contexto, vale a pena lembrar que é o Diabo quem oferece algo em troca de adoração e submissão. Deus é e está infinitamente e diametralmente oposto a essa prática ou proposta: “Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares” (Mateus 4:9). Em Cristo, Deus já nos deu TUDO, sem antes mesmo que o conhecêssemos ou muito menos o adorássemos. Nossa adoração é uma atitude de gratidão diante de Sua graça.

Então por que e para que Jesus é candidato? Ele já não reina? E por que eterno?!

Toda autoridade Lhe foi dada, nos céus e na terra. Jesus reina e sempre reinará. Neste sentido obviamente Ele não se candidata a nada e nem nunca se candidatou. Jesus é Deus Filho. Soberano, todo poderoso. Domínio e poder estão em suas mãos. Jesus não foi e nem é eleito pelo voto popular. Não é a maioria que diz se Ele reina ou reinará ou não. Assim, em sentido estrito e amplo nem todo poder emana do povo, mas somente de Deus. Ele é a fonte de todo poder.

Como entramos por essa seara, vale também a pena lembrar que o poder em si é e deve ser algo bom, pois vem de Deus. O poder não é algo mau, em si. Tudo que Deus criou é bom. O poder em si não corrompe. O que corrompe é o pecado, os maus pensamentos, a cobiça, “o que sai da boca, isso é o que contamina o homem” (Mateus 15:11). Nesta categoria de poder poderíamos incluir o dinheiro (riquezas), o saber e a força física. Nada disso é ruim. A não ser que sejam pervertidos.

Neste mundo há muita perversão. Perversão sexual, moral, e também do poder. Encontramos também, não tão frequentemente, o poder sobrenatural. O qual quando exercido sob a graça de Deus é bom. Todavia até esse pode ser pervertido em sua natureza e fins.

É justamente nesse interim que Jesus aparece como candidato. É o famoso, “eis que estou a porta e bato”. Jesus está batendo à porta de igrejas, como fez em Laodiceia, querendo entrar. Ele se apresenta educadamente como uma opção – a única, é verdade – mas Ele não arrobará, nem muito menos a abrirá por fora. Ele se candidata, Ele espera, Ele dá um impulso, faz um sinal e espera a reação do lado de dentro. Um voto de confiança. A fé.

Se em comunidades cristãs, as quais (nominalmente) já lhe pertencem, Ele não força a barra, o mesmo princípio acontece com indivíduos que já são seus discípulos: “Quereis vós também retirar-vos?” (João 6:67) A porta está destrancada por dentro. Somos todos livres. Jesus não prende ninguém, contra sua vontade. Por quê? Às vezes gostaríamos que Ele atropelasse nossa vontade e fizesse tudo por nós e nos eximisse de todo peso de nossas responsabilidades. Ele pensa, Ele faz as escolhas, Ele sente, Ele age... E de certa forma é precisamente esta sua proposta! Ele se candidata para viver Sua vida em nós. Para ser o nosso DEUS.

Assim, Ele se candidata educadamente, já tendo sido eleito eternamente. É um período de tempo em que vamos sendo discipulados e aprendemos cada vez mais a confiar e depender somente dele de Seu Espírito. E nesse processo, não somos jogados para escanteio, pelo contrário, somos resgatados para o jogo, somos salvos e vamos sendo salvos, n’Ele.

Então a expressão “candidatura” de Jesus não sendo algo explicitamente bíblico, nos ajuda, todavia, a enxergarmos o fato de que cada um de nós, uma hora, terá que tomar posição frente a Sua oferta irresistível. E não raramente pessoas resistem ou tomam posição contrária a essa oferta, e por isso permanecem sob juízo. Em outras palavras eles oferecem o seu voto ao candidato da oposição, ao inimigo, ao Diabo.

Se entendemos o sentido do termo candidato, que possui algo de “cândido” em suas maneiras, podemos melhor compreender o porquê do adjetivo “eterno”.

Primeiramente, não é a candidatura que é eterna, mas o candidato. Um dia o período da campanha chegará ao fim. Teremos que fazer um xis na cédula, apertar o botão da urna. Nosso voto será computado. Esse dia é geralmente hoje. Hoje escolhemos se temos Jesus como nosso Senhor, ou se nos rebelamos contra Ele. Se o temos por digno de confiança ou por um charlatão. Essa nunca é uma escolha que pode ser deixada para amanhã. Deixar para amanhã é votar no inimigo.

Feita a escolha, desfrutamos da eternidade de Jesus. E recebemos a salvação de nossas almas – que é eterna. Então percebemos que a campanha ainda está em curso... e de certa forma, num eufemismo, é uma campanha, que eu diria ironicamente, eterna. Ela não terminará, enquanto estivermos nesse mundo e é por um tempo determinado, é verdade. Mas como o próprio Cristo certa feita disse: até quando...

Salmistas clamaram, profetas clamaram, até quando oh Senhor!?

... um pouquinho de tempo! (Não uma eternidade) E o que há de vir virá, e não tardará. Mas o justo viverá pela fé; E, se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele (Hebreus 10:37,38).

Não depositemos nossos votos em reinos deste mundo, em candidatos terrenos e passageiros. Fiquemos do lado vencedor. Busquemos as coisas de cima. “A nossa cidade (pátria) está nos céus” (Filipenses 3:20).

Estou assim pregando contra a política terrena? Não! Amo política... Votemos em quem quisermos, em quem nossa consciência direcionar. Mas quanta energia gasto em promover meu político de estimação e quanta gasto em promover o Reino dos céus? Em pregar o Evangelho? Quanta esperança deposito na paz interior oferecida por Jesus, ou naquela exterior oferecida por um governo secular? Onde está a linha divisória? Até onde flertamos com a mentira, com a distorção de fatos, com prioridades que não são necessariamente aquelas postas por Jesus e pelas sagradas escrituras?

Não percamos o foco! Não percamos nosso tempo! Os problemas nacionais (e até mesmo globais) não deverão sobrepor as soluções eternas propostas pelo candidato eterno: Jesus de Nazaré, o Cristo, o Messias, o Filho de DEUS. Amém.

quarta-feira, 3 de novembro de 2021

O Velório

Há várias noites tenho tido um sonho repetitivo.

Ele se inicia quando me vejo às pressas de viagem para o Brasil para o velório de um grande amigo.

Chego direto do aeroporto para o velório. O cemitério está cheio de velhos conhecidos e vem aquela sensação contraditória de tristeza pelo luto e gostosa de revê-los e poder abraçá-los novamente.

Os primeiros que encontro são os amigos da igreja, depois da universidade, depois do colégio técnico.

Depois começo a abraçar antigos vizinhos de rua e parentes. E choramos muito pela perda daquela querida pessoa. Meus irmãos estão lá. Choramos e rimos nervosos e aliviados com as costumazes piadinhas dessas ocasiões que servem como válvula de escape para toda a tenção do peso da morte.

É nesse ponto do sonho que me ocorre um sentimento – e pelo fato do sonho ser repetitivo -acompanhado de uma assustadora sensação de Déjà Vu: embora eu tivesse tido ao chegar ao velório plena certeza de quem era o amigo falecido, agora eu já não tinha a menor ideia de quem era o morto!

É com esse sentimento quase que vexatório de amnésia que me aproximo do caixão. Vejo na multidão gente amiga daqui da Alemanha. Abraço minha mulher e filhas. Choramos muito e nos beijamos.

Então, em minha mente, não consigo entender a total surrealidade da presença delas ali naquele velório. E olho morrendo de curiosidade e terror para o caixão, para saber afinal de contas quem tinha morrido...

E acordo banhado em suor.

domingo, 24 de outubro de 2021

Para nós alemães


Capital com pais do interior
Escola e os melhores amigos da vida
Não há vergonha nem temor
Futebol, voleibol, infância e acolhida

Casa e teto para morar, uma Sagrada Família
Trabalho na Floresta
Clube, piscina e festa
Parque, serra e monte
Caeté e Sabará, o coração é Belo Horizonte

Corre-corre da Praça Sete
O encontro na esquina e nos bares
Arroz com feijão e omelete
Rodoviária e Confins

Me deste Liberdade
Não fique enciumada
Céu azul e a Serra
Encontrei minha amada
Achei nova terra

terça-feira, 9 de março de 2021

Vocês verdadeiros cristãos são os Bem Aventurados

Os Bem Aventurados indicados por Jesus, que hoje somos nós, refletem o caráter do Messias neste mundo. Pois Jesus é O Bem Aventurado: sua vida foi e é a aventura bem sucedida, íntegra, perfeita. Esta é a vida que está em nós, que está sendo formada em mim e em você.

Parte indispensável dessa bem aventurança é ser perseguido por causa d’Ele, do seu nome, da sua pessoa. Não podemos fugir de, ou temer, essa característica intrínseca do discipulado cristão. Pelo contrário, por causa do amor que temos por nosso Mestre, isso se torna inevitável e até mesmo desejável: Sofrer por amor e fidelidade Àquele que tudo deu por mim e por você. (Hoje em dia, o esoterismo crescente e dominante mostra-se disposto a abraçar todos cristãos e com eles até mesmo a doutrina que professam, desde que a pessoa de Jesus fique esquecida num canto comum, de importância secundária, ao lado de Buda e outros gurus quaisquer. Para eles, se a primazia, ou o senhorio de Jesus for negado está tudo bem; nos tornamos ao ver deles inofensivos e, portanto, não mais um incômodo a ser eliminado ou desacreditado). Hoje, mais do que nunca, mantermo-nos fiéis a Jesus e rompermos com uma série de interesses estranhos e hostis ao Evangelho suscita perseguições.

Permitam-me uma analogia: Os planetas de nosso sistema solar iniciam-se com o pequeno Mercúrio próximo ao centro, com altíssimas temperaturas, quase invisível, ofuscado pela da claridade do sol. Paralelamente, vejo as bem aventuranças assim, iniciando-se com a pobreza de espírito, bem ao centro, e sua pequenez ofuscada pela plena e total dependência de Deus, com todo seu calor e claridade. Lá na periferia, chegamos a Plutão, o nono planeta (anão), hoje nem mais considerado planeta... Também ao fim das bem-aventuranças encontramos a perseguição por "minha causa", que às vezes é incorporada à oitava bem aventurança, a perseguição por "causa da justiça". A oitava bem aventurança, que comparo ao oitavo planeta Netuno, um planeta gigante, poderia ainda ser considerado pelo mundo (e pela igreja) uma causa nobre e grandiosa. Ela encontra frieza? Sim. Oferece distância dos dias iluminados? Sim. Mas grandeza humana... Será que ser perseguido abertamente por causa de Jesus caiu em desuso? Saiu de moda? Não seria uma bênção por si só? Plutão orbita solitário e gelado em sua pequenez... Não foram essas as palavras de Paulo, todos me deixaram? E o próprio Jesus, na cruz, Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste? Ser perseguido por causa de Jesus é sentir no âmago a escuridão e a frieza do abandono, da rejeição e da perseguição. Tendo como consolo único a certeza das promessas inabaláveis divinas em sua santa Palavra, mas nada nos sentimentos ou evidências circunstanciais a não ser, paradoxalmente, a própria dor da perseguição.

Mas tanto as bem aventuranças como os planetas formam um todo, um só sistema, unidos por forças gravitacionais cósmicas. Apesar da distância, Plutão não termina sua órbita errante no universo, ele permanece atraído e regido pelo Astro Rei, da mesma forma como todos os outros planetas. Por isso, ser perseguido por causa de Jesus é motivo de grande alegria e não de tristeza ou depressão. Há um galardão celestial no porvir. Há uma identificação honrosa e ímpar com os profetas e com nossos predecessores que também experimentaram os calafrios e os calabouços do ódio alheio. Foi precisamente por isso que, na hora de sua morte, Estêvão, o primeiro mártir da igreja, pode contemplar o Senhor em sua glória, em pé, à destra de Deus.

Ser bem aventurado é ser perfeito como perfeito é o nosso Pai celestial. É ser mais que vencedor por meio daquele que nos amou e deu a sua vida por nós. Sim, é ser misericordioso em toda a grandeza de caráter como a que Deus mostra em sua misericórdia para conosco pecadores. É ser pacificador. É também ser movido pela fome e sede quase insaciáveis por justiça e não se entregar à letargia do conformismo. É ser puro de coração, é ser manso, é sofrer. É verdadeiramente amar, como Ele também amou. E sabendo-se amado pelo próprio Amor, tendo o amor como estilo de vida, amar sem parar.

Bem aventurado sois vós, verdadeiros discípulos de Cristo!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

O reino dos perseguidos

As bem aventuranças vão culminando em perseguição. O perseguido por excelência é Jesus. Quando criança, antes mesmo de ter feito algo prodigioso, já era perseguido pelo rei Herodes. O Cristo é, nesse mundo, perseguido por ser simplesmente quem ele é: o Rei.

Todo aquele (não somente o cristão que vive na Coreia do Norte ou Afeganistão) que quiser viver piamente o evangelho sofrerá perseguição. A razão disto é simples, a presença de Cristo.

Na parábola do semeador, o Rabi nos conta que quando o sol e as intemperes da natureza chegam, só sobrevivem as sementes que lançaram suas raízes mais fundo na terra. Aquelas que estão sobre pedregulhos não suportarão o calor e a sequidão do dia mal. Assim é com o viver cristão. O calor das perseguições chegará, fatal e impiedosamente, na jornada da fé. São forças antagônicas que estão em luta nesse mundo. Porém, o perseguido que lançou suas raízes profundamente passou por cada uma das sete bem aventuranças anteriores. Agora, de forma ativa, encara a perseguição como consequência lógica, líquida e certa pelo seu viver piedoso.

Como diriam lá na esquina "eles podem nem mesmo saber porque estão te batendo, mas você sabe (ou deveria saber) porque está apanhando". Por causa da justiça. E Cristo é a nossa justiça. A graça de Deus nos alcançou. Isso causará instantaneamente inveja, assim como Caim invejou seu irmão Abel. Assim como os irmãos de José o invejaram. Assim como os judeus invejaram Jesus. Por causa da justiça. Deus nos justifica. Nos declara justos. Ele não tem nada contra nós. Nós estamos limpos. Isso incomoda e gera perseguição.

Assim, somos bem aventurados não por causa da perseguição que sofremos, mas por causa do reino que nos pertence. Se este reino pertence também aos humildes de espírito, estes são com os perseguidos um e o mesmo grupo de indivíduos. Ser humilde de espírito é ser perseguido pela justiça e vice-versa. Por isso para suportar a perseguição faz-se necessário estar vazio de si mesmo, a pobreza espiritual, e cheio do Espírito de Cristo. É não ter nada a perder e tudo a ganhar.

Dos perseguidos pela justiça é (Jesus não disse "será" - o verbo volta novamente para o presente) o reino dos Céus. Eles são felizes, bem sucedidos, bem aventurados!

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

Tudo na Santa Paz

Jesus é o pacificador por excelência. O Príncipe da Paz. Paulo nos disse que Ele “é” A nossa paz! Pois, na sua carne Ele desfez a inimizade, fazendo a paz, e pela cruz reconciliou a humanidade com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades. Jesus evangelizou a paz.

Não obstante, o Cristo mesmo disse: “Cuidais vós que vim trazer paz à terra? Não, vos digo, mas antes dissensão”. Ele não hesitou em dizer: “Quem não é por mim é contra mim; e quem comigo não ajunta espalha”. Eis o dilema...

É muito comum, quando você se sente mal entendido, perseguido por alguém ou abandonado ou mesmo odiado, que tentem te consolar com as palavras: “nem Cristo agradou todo mundo”. Mas a questão aqui não é agradar, e nem muito menos todo mundo. Paulo também afirmou que se quisesse agradar a homens, não agradaria a Deus. Mas o dilema é ser ao mesmo tempo um pacificador e semeador de dissensão. Como pode ser uma coisa assim?

Em primeiro lugar, temos que deixar bem claro que, só Cristo pode e poderia afirmar categoricamente isso, que quem não é por Ele, é contra Ele. Todos nós estamos longes desse patamar, pois somos falhos, e, eventualmente, alguém pode até mesmo não ser por nós, e isso, justamente por amor, sendo assim a nosso favor. Por exemplo, quando tomamos a trilha errada, ou aquele caminho que aos nossos olhos parece ser bom, mas seu fim é o de morte, nada como uma palavra ou mesmo uma atitude amiga que aponta radicalmente na direção contrária. Aquilo que a princípio era contra a gente, no fim, mostra-se favorável. Com Cristo é diferente. Pois Ele é a Verdade. Se alguém não é pela Verdade, será fatalmente pela mentira, e, contra a Verdade. Portanto contra o Cristo de Deus. Jesus é a Vida. Quem não é pela vida é contra a vida. E assim por diante. Segundo, basta nos ressaltar que não é Cristo que se torna contrário a alguém, mas a pessoa é que se volta contra Ele.

Jesus é absoluto. Ao ser a nossa paz, quem é contra Ele, está automaticamente posto nas fileiras do adversário, portanto, contrário à paz e contrário a tudo que Cristo representa e é. Assim, o Mestre Judeu não deixa opções: ou é, ou não é, não existe meio termo. Por isso, todo compromisso, toda aliança, toda paz, todo laço, à parte da Sua, são desfeitos em dissensão. Ele é o divisor de águas.

Quando uma pessoa se converte, ela é automaticamente posta à prova em seus relacionamentos mais íntimos: família, amigos, trabalho, etc. É muito comum haver uma reviravolta e começarem a se importar com coisas que nunca importaram antes só porque você se tornou um seguidor de Cristo. Surge um interesse, quase que ciumento, por você; sendo que antes era tudo mais ou menos sem importância nenhuma.

Porém, Cristo, e por consequente, nós os cristãos permanecemos agentes da paz. Da verdadeira paz. Existe uma paz que não é tão profunda. Vendida pelo mundo. Jesus não nos dá assim a sua paz, em troca de algo, Ele nos deixa a Sua paz. Essa paz, dita pelo povo Hebreu, a Shalom de Deus. Meu pai costumava dizer, tudo estava na “Santa Paz”. Assim é a paz de Cristo, uma paz santa, única, íntegra. Algo que custou a Ele tudo, mas nos é dada gratuitamente. Por isso mesmo, paz. Sem surpresas, sem ressalvas, sem cláusulas obscuras. E uma vez recebida, não pode ser roubada ou movida. Todos nós que um dia a experimentamos e lemos as palavras de Paulo, concordamos que ele foi muito feliz em defini-la como “a paz que excede todo entendimento”. Não há como entendê-la por completo. Muitas das vezes ela está presente justamente quando todas as circunstâncias são desfavoráveis e tudo conspira contra ela. Quem carrega em si essa Paz, também a espalha por onde vai. Por isso, pacificadores.

Bem aventurados esses, os promotores da Santa Paz, pois são como anjos, como seres celestiais, como o próprio Jesus, e, como Ele, também chamados filhos de Deus.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Beleza pura ou bela pureza?

A pureza de espírito, a pureza de coração é o que há. A pureza está tão relacionada ao belo, à estética que não se pode desassociá-las. E como amamos aquilo que é belo!

No Paraíso Deus não advertiu ao primeiro casal a se afastar da árvore do conhecimento do bem e do mal. Ele não colocou uma cerca elétrica impedindo ao ser humano de tocá-la. Deus nem mesmo evitou que a serpente adentrasse aquele Paraíso. E o que mais me assombra, Deus não aconselhou seus recém criados filhos a evitarem conversar com estranhos. E nada mais estranho do que uma cobra falando.

O Paraiso é belo. E tudo que Deus criou é bom. Não havia razões para o Pai espalhar medo. Nunca houve e nunca haverá. O verdadeiro amor lança fora o medo, ensinou-nos o ancião em sua carta.

A humanidade ama a beleza de tudo que Deus criou. Mas infelizmente quando Eva, nossa mãe, olhou para o fruto proibido, ela viu que ele era agradável aos olhos. Era meio caminho andado para a cobiça, a concupiscência dos olhos.

Jesus também foi assim tentado, quando Satanás (agora sem disfarces) lhe mostra a glória dos reinos deste mundo e lhe oferece tudo.

Ele, Jesus, é mais belo que os lírios dos campos. Não haveria nenhuma representação gráfica, cinematográfica ou artística capaz de expressar um pingo sequer de sua irresistível beleza. Mas foi sua feiura, na cruz, quando nele não havia beleza alguma, que nos conquistou. Não a feiura dele. Fomos nós quem o tornamos feio. Ele se deixou "einfeiurar", pela maldade dos seres humanos caídos, porque se entregou. Porque não amou a glória desse mundo. Porque foi obediente ao Pai. Porque tendo amado os seus, os amou até o fim. E esse amor, levantado, exposto, de forma desavergonhada, amor incomensurável e incondicional por gente de todo o mundo é o que atrai toda essa gente. Um amor sincero, puro, limpo, belo. Um amor derramado, libertador, purificador.

O sangue de Jesus é a única substância purificadora que foi capaz de purificar o meu coração imundo de maneira que eu, que me encontrava num lamaçal de pecado, pudesse começar a enxergar toda a beleza de um Deus gracioso e bondoso. O Deus glorioso de Israel.

Não foi a religião. Não foi a fé em dogmas. Não foram pensamentos positivos. Não foi a educação nem a cultura cristãs proporcionadas pelos meus pais, família, igreja e sociedade. Foi Jesus, seu Evangelho, sua obra, só Ele.

"Mostra-nos o Pai e isso nos basta" – pediu-lhe seu discípulo Filipe, pouco antes de sua crucificação. "Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido?" Respondeu-lhe o Senhor.

O que nos tem impedido de conhecermos o Pai? Ele está também, hoje e aqui, há tanto tempo conosco por meio do seu Espírito, por meio das criancinhas, por meio de seu corpo, que é sua igreja, por meio dos seus irmãos pequeninos e necessitados...

Deus nos satisfaz, quando nos relacionamos com Ele (quando O buscamos de todo coração). Se estamos focados nos problemas, nas imperfeições, nas impurezas, certamente não conseguiremos vê-lo. Se o foco se volta para Jesus, Deus se revela em sua glória em sua beleza (apesar dos problemas - e muitos são resolvidos ou se não, deixam simplesmente de ser o foco principal de nossa existência). Processo muitas vezes difícil, purificador, como o fogo, mas que ajuda a me "obrigar" a estar focado unicamente em Deus.

Os limpos de coração verão a Deus. Garante-nos Jesus. É beleza pura!