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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Being Paulo Brabo

ERK_PBSendo verdadeiro que “originalidade é a arte de esconder as fontes", nesta bacia das almas você acaba de descobrir uma das minhas mais privilegiadas. Considero Paulo Brabo leitura obrigatória para quem compreende que a teologia não está pronta e tem coragem para enfrentar o desafio constante da ressignificação da fé. – Ed René Kivitz

Dentre os três mosqueteiros da teologia brasileira, Paulo Brabo foi o herói que mais esculachou os cardeais protestantes e suas vacas sagradas.

Até mesmo pelo fato de, ao contrário de Gondim e Kivitz, não fazer parte do clero, Brabo mostrou larga vantagem em suas argumentações. Afinal, sem ter que, dominicalmente, se ajoelhar arrependido diante de qualquer ídolo evangélico-eclesiástico institucional, ele poderia chutá-los inclementemente; e isso fez com classe e sagacidade, ferindo os demônios por trás deles mas nunca os fiéis à sua frente.

Como ícone da blogsfera protestante (no bom sentido do termo), Brabo passou a servir de fonte para, como confessa Kivitz, ressignificação da fé, ou como diz a Bíblia, para renovação do entendimento.

Mais Menos do que isso, ele passou a ser copiado (mais por uns, menos por outros), mas descaradamente por todos nós patifes virtuais e reais [e esse tipo escancarado de contrição, de auto denúncia, já é uma imitação].

O fato é que seu estilo franco e gentil é contagiante. Suas fontes (excetuando-se Borges – que para muitos de nós ainda é um ilustre desconhecido) permanecem bem ocultas, afinal se auto encobertam num panteão infinito de escritos. Portanto o cara consegue, ser acima de tudo, original.

Vai aí alguns dos 7 pecados capitais na escorregadia armadilha que é blogar e seguir diariamente a Bacia das Almas, e agora (eu atrasado – algumas coisas boas ainda chegam primeiro no Brasil do que na Europa), o perigo maior, manusear seus livros (que se multiplicam mais rápido que cogumelos).

Jamais:

  1. Apresente-se como “principal dos pecadores” usando termos marcantes. Ex: patife, canalha, farsa, maltrapilho, etc.
  2. Vincule o Evangelho e escritos sacros com expressões fortes que são normalmente usadas para coisas “profanas”. Ex: rebeldia do Reino, subversão de Jesus, sensualidade da mensagem, transgredir para o bem.
  3. Use, de igual modo, termos chocantes e metafóricos para destacar ideias principais. Ex: prenhe de esperanças, parir escritos, beijar a ferida aberta pela própria pena.
  4. Procure roubar termos da literatura e das ciências literárias. O pior deles ainda é: O protagonista.
  5. Esbanje advérbios ou adjetivos (ou a união dos dois) para deixar claro o modo, a forma e a intensidade do que você quer dizer. Lembre-se sempre de uma contradição de sentidos. Ex. desesperadamente correto, constrangedoramente lúcido, lucidamente constrangedor, vivendo absurdamente na linha do possível.
  6. e 7. (Espaço reservado para você sozinho com sua consciência)

wolfman2Enfim, desde que Paulo Brabo alçou a fama e está em vias de se tornar pop, tanto Kvitz, como o Lou (que por coincidência, ou não, dividiram o sanduiche de mortadela no pátio do recreio do mesmo seminário), ou qualquer um de nós, seremos desmascarados pela nossa falta de originalidade.

Brabo se tornou uma fonte inescondível. E olha que a fama não é tão incompreensível assim quanto a popularidade.

*Imagens e citações tiradas sem todas as devidas autorizações, como de praxis, de acordo com o oitavo mandamento deste Blog que reza, não roubarás mas copiarás.

17 comentários:

Rondinelly disse...

Sacada genial, Roger - principalmente porque (esconde, mas) deixa entender que quando a originalidade de um é uma graça, copiar é uma virtude. Eu, o retardatário católico, que conheci (tarde) todo mundo mais ou menos ao mesmo tempo, vejo o Brabo não como o que dá fogo, mas, permita-me, como a brasa mais incandescente da fogueira que são todos vocês. Permaneçam me aquecendo.

Lou Mello disse...

Estranho só haver um comentário aqui, até agora. Ficou bom demais, pode anotar aí. Sem dúvida, o Brabo é o arquivo de todos nós, a fonte inesgotável e motivação para seguirmos adiante. Talvez até tenhamos criado um ou outro pecado nessa arte, mas prefiro deixar tudo a crédito dele e seguir copiando-o, sem receio de ser hostilizado por aí.
Muito bom, fica com dez.

Rubinho Osório disse...

Como todos sabem, os 3 mosqueteiros eram 4, sendo que o mais importante deles não era mosqueteiro: D'Artagnan. Este é o Brabo. Gondim, Kivitz e mesmo Lou tem carteirinha de mosqueteiro (educação teológica formal e título de "pastor").
Depois de Brabo, o mais genial deles não é mosqueteiro também, e até faz parte dos "guardas de Richelieu" (se Gondim, Kivitz e Lou são protestantes, ele é católico). Sim, refiro-me ao Rondinelly, outro gênio desta blogosfera.
Gosto dos 3 mosqueteiros, mas quem me encanta mesmo são Brabo e Rondinelly...
"Um por todos!!!..."

Will disse...

São muito felizes aqueles que fazem parte dessa grande roda de amigos. Um dia chego lá. Por enquanto, vou me satisfazendo com as migalhas que caem da mesa. Não deve ser por acaso que me senti participante dessa subversão.

Abraços

Alysson Amorim disse...

Roger, impertinente conterrâneo - com o perdão do pleonasmo -, não exponha tão a nu nossa patifaria.

Volney Faustini disse...

Roger da Santa Inquisição,

Conspicuamente irreverente, excedestes em tua cota de saliência. Há uma ligeira, e nem por isso pouco percebida adesão à vida não linear assumida por Brabo, que continuamente inclui seus irmãos (uns mais patifes do que os demais) em seu círculo fraternal.

Creio ser esse o exemplo mais perigoso de todos - tanto na escrita como na vida.

tomfernandes disse...

minha santa heresia, dissecaram o Brabo e o que vi me deu fome. estou na terceira leitura do calhamaço da MC e já há tantas notas e sinais de exclamação e interrogação [duplos, triplos, raios triplos] que anseio ir lá na lojinha pedir minha alma [e dízimos] de volta e rezar a Santantão pra um dia assentar na cabeça essas elocubrações.

pêésse: excelente texto, cara.

Roger disse...

Oi Tom,

para citar Borges,
ele se refere a uma velha lenda, segundo a qual cada leitor mais não é que um capítulo na vida de um livro.

Pelo visto você está dissecando o seu capítulo, ou seja, você mesmo. Bem vindo ao clube.

Roger disse...

Grande Volney,

somente São Brabo para te trazer aqui depois de longa data.

Irreverente?

Isso confirma a tese que eu defendia com outro da espécie: entre todos os sinônimos para impertinente (descabido; inoportuno, inconveniente; importuno, Insolente, rabugento), essa era a qualidade que mais combinava com os mineiros, portanto, a intencionada pelo homem.

Aliás, aproveito para registrar aqui, que inúmeras vezes adjetivaram a mim e minha santa mãe, eu e toda minha família gerações acima e gerações abaixo, ou até mesmo eu e toda a torcida do meu time de futebol. Pela primeira vez fui alvejado para atingir meus conterrâneos das Minas Gerais. Agora só o tempo dirá se foi uma honra ou uma infâmia.

Abraços fraternos, e volte sempre!

Roger disse...

Caro Alysson,

como você pode ver o Volney confirmou nossa tese.

E você confirma o que disse a Tom Fernandes: não desnudei Brabo, se não a nós mesmos.

(Melhor assim. Outro iria, mais cedo ou mais tarde, fazer isso com menos pudor ainda).

Abraços,

Roger

PS. Precisamos agendar aquela viagem a Curitiba. Melhor irmos juntos para não ter meu santo nome tomado em vão em minha ausência. E esclarecermos outros assuntos.

Eclesia disse...

Roger, faltou o ponto 6.
6. Fechar os textos com uma imagem intrigante de um inseto.

:-)

Gostei do post e parabens pelo prórpio Brabo ter gostado tbm!

O cara é fera mesmo, tenho a felicidade de ter mandado meu livrinho pra ele e ele ter respondido.

Abraçao e vamos seguindo subversivamente como Jesus e não caretas como os novos fariseus.

Evandro.

Roger disse...

De vera, Evandro, esses besourinhos é uma marca que ainda me intrigará por certo tempo.

Abraços fraternos,

Roger

Roger disse...

Querido Will,

alguns pingos precisamos colocar nos is:

1. Seria vc então a roubar minhas migalhas?

2. Se a roda é tão grande assim, teria lugar na mesa para nós dois, ou não?

3. Se a mesa é pequena, e penso que é, saiba que sempre fez parte dela.

Enfim, não sei se você conseguiu ser mais contraditório que as frases de efeito de nosso amigo. Ou seja, querendo ou não, você é um dos nossos.

Abraços,

Roger

Roger disse...

Professor Rubinho,

como sempre você colocando o ventilador em minha farofa (em uma próxima postagem eu me apresentaria como D'Artagnan em pessoa. Projeto abortado...).

E como você poderia esquecer o Alysson?? Eu sei, mineiros não passam dessa gente impertinente...
Azar o nosso.

E você? Diga! Quem é você nessa história então? Heim?!

Abraços fraternais, mano, e não esqueça nunca de vir aqui nos "impertinar".

Roger

Roger disse...

Mestre Lou,

com minha não pequena ajuda chegamos já aos quinze pitacos.

Por que duvidastes, homem de pouca fé?

Beijo na careca!

Roger disse...

Obrigado Rondinelly,

suas palavras redimem minha consciência.

Abraços,

Lou Mello disse...

Não sei duvidar, só provocar, ou como diria o Brabo, fazer ofensa vertical.