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sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Senhor, não sou digno

Queria muito escrever sobre meus irmãos, nosso reencontro no Brasil...

Quis falar sobre o meu reencontro com o Brasil, depois de um quinquênio... Mas essas são meditações que demandam mais diligência, devido ao volume e à intensidade dos sentimentos e consequências a elas acoplados.

Farei isso se em breve tiver a oportunidade e as condições desejadas.

Agora, tomo tempo somente para pensar em nossa dignidade (que não temos). Aquilo que não merecemos.

Não sei... Mas parece-me que há um crescente sentimento em nossa sociedade de indignação.

Pessoas indignadas com o estado das coisas, com o governo, com a igreja, com a família, com o trabalho, com a cidade, com Deus e com o Mundo. É a sociedade indignada com ela mesma.

“Eu fiquei indignado
Ele ficou indignado
A massa indignada
Duro de tão indignado”

Só que atualmente parece que com o impulso das redes sociais a “mosca sem asas da indignação” está ultrapassando as janelas de nossas casas.

Os tempos mudam. Talvez outrora a mosca da indignação possuía ainda suas asas. Talvez até fosse bem maior que uma simples mosca. E os homens e mulheres faziam séculos afim das ruas campos de batalhas.

E o sangue derramado despertava a consciência para aquilo que era ou não digno de toda aquela indignação.

Hoje estamos indignados por quê? Pela perda de privilégios? Por não termos nosso merecimento reconhecido...

As palavras daquele romano, no primeiro século, me redirecionam a uma perspectiva mais equilibrada daquilo que sou digno ou não:

“Senhor, não sou digno...”

Também quero entender que não sou merecedor. E se o Senhor porventura ousou entrar “debaixo do meu telhado” foi por mera graça sua.

Se eu me conheço bem sei que digno sou de coisa nenhuma. Se conheço bem o homem de Nazaré, deveria estar ciente, como aquele centurião, que somente uma palavra seria mais que suficiente.