Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Expectadores da Vida

Escrito por Alice em 6/26/2009

Somos todos expectadores.

Expectadores da vida.

Todos os dias nos sentamos confortavelmente e assistimos a mais um ato.

Um ato de amor ou de ódio, um ato de rancor ou de saudade, um ato de alegria ou vaidade, de tolice ou burrice, ...mais um ato, onde nossos próprios atos nos comprometem e nos denominam.

Abrem-se as cortinas e todos entramos em cena.

Apresentamos nossas melhores falas e usamos nossos mais poderosos olhares, somos tão fiéis aos nossos papéis e sabemos tão bem como interpretá-los que é impossível competirmos entre nós. Não haveria prêmios suficientes para todos.

Mas com o passar dos anos e dos atos apresentados, venho descobrindo que toda nossa interpretação é cada vez mais frágil e solitária, e que nunca seremos o sucesso que queremos ser.

Nós somos a platéia.

Nós somos os expectadores.

Nós nos aplaudimos ou nos vaiamos.

Nós nos emocionamos ou nos detestamos.

Todos os outros para quem pensamos mostrar algo, também estão a interpretar para si próprios.

É mesmo uma super-produção e uma caríssima e belíssima obra essa nossa vida.

Somos todos atores interpretando a nós mesmos e em busca de um final feliz e surpreendente, em busca da aprovação , do amor, do aplauso...em busca dos expectadores que nunca vem.

Então, descobrimos que todo nosso talento será esquecido, o que pensamos ser nosso legado não significará nada, nossa fortuna não será gasta por nós, e os críticos sempre estarão a postos para nos destruir, nos difamar, nos diminuir.

E em meio a esse silencio, e só se houver muito silencio mesmo, é que perceberemos Sua Presença na coxia...

E eu , que queria tanto agradar, que desejava tanto amar e ser amada, que sonhava tanto em fazer algo belo, descubro que é ELE quem tem se agradado de mim, que tenho sido muito amada por ELE , e que é ELE quem tem recebido todos os meus sonhos e cuidado de cada um deles...

Tudo foi ELE quem fez, tudo é ELE que torna agradável, e todo meu amor é DELE que vem.

E eu me silencio e me emociono com Sua doce presença e Seu olhar de amor.

E quando percebo, as luzes se ascenderam, as cortinas se fecharam, o cansaço se acabou, as dores já não existem mais e finalmente não será preciso interpretar.

Posso enfim ser apenas eu e saber que já tenho por quem esperar.

[O que logo me lembro de uma música de Martin Piper: In Deinem Licht – Na sua luz]

Na sua luz você me vê

me reconhece e me chama pelo nome

Você vê meu coração

dor e gratidão

ele está diante de ti aberto, Senhor

Todo meu ser, dia a dia

só faz sentido, quando não sou outra pessoa

Como você me vê e o que você ama em mim

isso eu quero ser e somente isso

Por isso me entrego

o que quero e o que sou

despego e adoro

Pois o seu sim para mim

me faz livre diante de ti

para ser apenas eu mesmo

Domingo, 12 de Julho de 2009

A escuridão destacada na claridade

"Como criança prodígio ele nunca foi uma criança real, e como adulto, em alguns aspectos permaneceu infantil; ao longo de sua vida conheceu a descontração desprendida, apesar de que a dureza da luta pela sobrevivência por último não lhe deixou muito do que rir [..] ele mostrou quase nenhuma dúvida de fé e não foi nem ateísta ou agnóstico; as pessoas partem do princípio que que ele nenhuma divina, mas também nenhuma demoníaca, mas em todos os sentidos apenas música humana escreveu, e aí, sim aí, está o Segredo dessa música, que ela torna ambas ao mesmo tempo audíveis: a claridade e a escuridão, alegria e dor, vida e morte. Ambas obviamente não estavam simplesmente postas lado a lado neutras em equilíbrio e misturadas, mas sim, a escuridão sempre destacada na claridade."

Hans Künk, sobre Mozart

Sábado, 11 de Julho de 2009

Os últimos dias

A Rosa Branca é contagiante. Tocou-me profundamente. Thomas Mann lia os panfletos pela BBC no período da guerra, é um excelente filme que me inspirou nos temas, Santa rebeldia, Santa Rebeldia 2.

A secretária de Hitler, que também era de Munique, e sobreviveu à guerra dá um importante testemunho em um outro filme alemão, Der Untergang: Ao visitar o monumento aos estudantes do Rosa Branca, na Universidade de Munique, ela cai na real e afirma-se indesculpável por sua própria alienação na época: sim houve uma maneira de enxergar tudo.

Os últimos dias de Sophie Scholl pode ser visto na Web com legendas em inglês

Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Crítica aberta a Severo

Resolvi atender à preferência de nosso amigo Clóvis do Cinco Solas, a saber: "ver uma crítica aberta ao Severo, pois tenho minhas reservas à pessoa e ministério dele."
Já que estou pondo fim a meu ecletismo sem limites, agora que Obama venceu e não temos mais fundamentalistas alucinados no topo do poder, agora que aviões cairam e o tempo amadureceu posso gastar esse precioso tempo e espaço para colocar alguns pingos nos is.
A verdade é que fiz poucas visitas ao Blog dele, mas o suficiente para me enojar. Não só pela total falta de ética ou estética, mas pela falta de seriedade e compromisso com o evangelho, camuflados justamente de seriedade e compromisso (com causas, diga-se de passagem que nunca foram as Bíblicas, nem as do homem de Nazaré).
Acho que as melhores palavras ditas a ele foram publicadas na entrevista de Cristianismo Hoje:
  • Quixotesco (o que poderia ainda ser entendido como um elogio)
  • histrônico (que ainda tenho que olhar no dicionário o que é isso)

Mas pela fúria de seus fans nos comentários, parece que a entrevista longa, que não tive saco de ler, fez jus ao Blogueiro que por total falta de noção, torna-se mais ridículo e pecaminoso do que o suposto ridículo e pecaminoso que tenta combater.

Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

A pessoa muda (ou passando a régua)

A Norma finalmente mudou, por isso a pausa.
Não é nehum segredo, na Blogsfera evangélica, que ela se mostrava tão pretenciosa a ponto de estender suas críticas mordazes a teólogos nacionais e intenacionais, como P. Yancey, e isso sem a menor compostura.
Não é também segredo que algumas vezes nos esbarramos virtualmente, e entre um esbarrão e outro ela fez questão de debochar de minha legastimia e desvirtuar minhas ponderações. É verdade que não poucos me alertaram para não navegar por aqueles mares...
Com algum esforço mental ela conseguiu perceber que eu não sou como o Lou, Alysson ou Brabo (realmente não sou digno de desatar as sandalhas dessas feras) – Essa constatação dela chegou a quase me magoar!
Confesso também que a esculhambei, com uma fábula, quando ela e Nagel partiram para cima de Alysson. E depois até tentei me redemir.
No fundo me empenhei para manter um diálogo, ao pensar que poderia extrair, de uma mente tão oposta, algo que nossa própria Weltanschauung não oferecesse. Adimirei também sua coragem e lhe disse isso abertamente. Afinal, como pode alguém escrever tantas bobagens, sem nexo nenhum com a realidade??
Por favor não me entendam mal: Seus texto sobre o cotidiano eram bem razoáveis, mas quando se aventurava por teologia, filosofia, economia ou política... irrg!
Por fim cansei de suas neuras, preferi me retirar de mansinho, sem ofensas, pois imaginei que seu psicólogo recomendaria isso, não contrariá-la. O povo até me perguntou se não era eu quem estava ficando maluco.
Não. Minha intenção era só ver alguma mudança ali.
A pessoa muda. Bom seria (para ela mesmo) se permanecesse mais tempo assim... bem muda.

Esses astuciosos defuntos

"Dizia Kierkegaard que não há ninguém mais astucioso do que o defunto. Não dispõe de nenhuma arma contra nós; entretanto nos força a nos revelarmos a nós mesmos, pela conduta que temos diante dele. O morto não é um objeto real, ensina-nos o filósofo: é apenas uma oportunidade de manifestar o que existe no vivo em contato com ele. É um teste à nossa espera: um teste de amor. Porque (ainda na lição de Kierkegaard) pensar nos mortos é o ato de amor mais desinteressado, mais livre e mais fiel, de todos que possamos conceber. Mais desinteressado, porque nem mesmo o nutre essa esperança de recompensa que os pais depositam inconscientemente no amor ao filho que vai nascer ou já nasceu: não há recompensa nenhuma a esperar de um morto; mais livre, porque o morto não está aí para nos obrigar a qualquer gesto ou sentimento, como a criança que chora, ou o pobre que nos expõe sua pobreza: podemos ingnorá-lo à vontade; e mais fiel, porque mudamos continuamente de gostos e ilusões, mas ele não muda nunca, e amá-lo sempre com o mesmo amor é uma vitória sobre nossa instabilidade sentimental."
Carlos Drummond de Andrade em Os Mortos

Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

Coheceria Deus o futuro? (7)

Às vezes quero crer mas não consigo
É tudo uma total insensatez
Aí pergunto a Deus: escute, amigo
Se foi pra desfazer, por que é que fez?”

Vinicius de Moraes & Toquinho
Ao ver que estava na lista dos que seriam despedidos, seu Joaquim sentiu um nó seco na garganta, uma dor amarga no peito e os olhos azuis acizentados lacrimejarem de indignação.
-Agora fudeu. Desnorteava ele em seu desespero.
O consolo de que havia colegas cujo revés era mais dramático, não lhe ajudava em nada para recompor seu mundo.
O tempo passou e enferrujaram-se as molas no fundo do poço. Essas ao invés de dar-lhe novo impulso pra cima somente prestaram para lhe enroscar ao pescoço e membros, roubando-lhe qualquer eventual possibilidade de escape. Uma dessas molas foi o seguro desemprego e FGTS que, após cobrir alguns meses de aluguel e gastos, foi em parte queimado em sua busca frenética por um novo emprego, em parte, custeou alguns inúteis cursos de atualização profissional e finalmente, em parte, foi bebido no bar da esquina.
Um pensamento porém lhe embalava as noites:
-Meu filho, não se preocupe com o dia de amanhã.
-Pai, você cuidará dele pra mim, não é?
-Claro que não!
-Mas eu pensei que você cuidasse do futuro...
-Jamais te pediria algo, sem antes, eu mesmo, ser-lhe exemplo.
E seu Joaquim cobrindo-se com um ralo lençol, encolhia-se na posição fetal, até que o sono tardiamente chegasse.

Leia também:
Conheceria Deus o futuro? (parte truco - 6)

Terça-feira, 7 de Julho de 2009

No início era a igreja

“No início, a Igreja era um grupo de homens centrados no Cristo vivo. Então, a Igreja chegou à Grécia e tornou-se uma filosofia. Depois chegou a Roma e tornou-se uma instituição. Em seguida, à Europa e tornou-se uma cultura. E, finalmente, chegou à América e tornou-se um negócio” - Ricardo C. Halverso citado por Pe. Inácio José de Val (Professor de História da Igreja)

Monergismo ou Sinergismo? (1)

Um dos principais movimentos no tabuleiro teológico do jogo da salvação é justamente aquele que define quem dá início à partida.
O dilema apresentado está em que, dando Deus início ao jogo e assim salvando alguns, deixaria transparecer certa maldade ao mostrar-se indiferente em relação aos outros, não salvos.
Por outro lado, caso caiba ao homem o primeiro lance, não poderíamos mais falar em graça, mas sim em mérito.
Ambos extremos são, obviamente, incompatíveis com o Evangelho da cruz de Cristo.
Outra possibilidade que paira no ar é a de que a salvação seria universal. Particularmente não vejo razões nem na Bíblia nem no mundo para crer assim.
O dilema então permaneceria, não fosse nossa disposição em mudar de paradigma. Quando ousamos olhar por outra perspectiva, adotando outros modelos, ele, o dilema, se desfaz facilmente como fumaça no ar.
Jesus, o rabi do primeiro século, é quem nos expõe sua doutrina sobre o assunto. Todo seu ensino é englobado por um grande pacote denominado, por Ele mesmo, "Reino de Deus".
Sob a visão d'O Reino de Deus' pode-se compreender de forma clara os papéis humanos e divinos no processo de salvação e evitar erros doutrinários que causam eventualmente, desvios e transtornos ao desenvolvimento espiritual normal.