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domingo, 30 de agosto de 2009

Não assista “Bastardos sem Glória”

Não se iluda com o trailer: o filme não é uma comédia. Não é se quer uma tragicomédia. Também não é um filme de guerra, nem muito menos um filme romântico, se aproxima mas não chega a ser um de terror. Não se iluda com o elenco!

a mensagem do filme seria que não podemos esquecer tão depressa certas coisas que gostaríamos de esquecer logo

Se houver uma segunda opção, assista a segunda opção. Se não, economize sua grana, ou pelo menos não a dê para essa produção, como eu caí na besteira de fazer.

Minha primeira reação ao sair do cinema foi buscar uma boa justificativa por ter ficado 149 min ali vendo aquela “porcaria” – como esbravejou um alemão no final do filme. A única que encontrei foi que a mensagem do filme seria que não podemos esquecer tão depressa certas coisas que gostaríamos de esquecer logo.

Depois fiquei pensando na possibilidade de uma série de filmes americanos sobre a bomba atômica em Hiroshima, e as atrocidades daquele dia. Ou uma série sobre os horrores da Guerra no Iraque e tantas outras. De alguma forma os filmes americanos sobre o Vietnã não trazem à luz a maldade americana.

É muito fácil querer só que os outros não esqueçam seus próprios horrores

Inglorious Basterds” é um filme de exageros, algo do estilo do diretor… Ainda que ofereça surpresas e originalidade, e tudo isso seria os trilhos para deslanchar um bom filme, termina em um fiasco. Não instrui, não diverte, não entretém, não toca em nossa alma. Pelo menos, não de maneira produtiva.

O retrato surrealista que o filme tenta oferecer da segunda grande guerra distorce tanto os elementos cruciais de causa e efeito desse acontecimento trágico da história da humanidade (e em particular a alemã) que o que fica é só a crueldade misturada com riso e prazer. E esse sinal pode ser muito facilmente mal interpretado dependendo de quem o recebe.

Meu conselho é: não assista! De qualquer maneira, você fará mesmo o que você quiser, mas não diga então que não avisei.

3 comentários:

Rubinho Osório disse...

Ok, ok!!! Como diria o "Chaves": não se irrite!!! Vc não quer que eu vá ve-lo, não irei. Pronto!!! Tenho evitado os cinemas devido à gripe...

Márcio disse...

Me desculpe mas um bom teólogo dá a sua opnião, e não dita o que ser feito. E além disso, os teólogos devem instruir as pessoas participarem ou pelo menos conhecer o que nos cerca.
Esta postura ditatorial não combina com o título do blog teologia livre.

Mestre Zen disse...

Eu fiquei receoso com essa crítica quando li, mas o filme estreou e pude dar minha opinião.

Acho que perdeu a idéia central do filme. Além de uma certa catarsi em torno do sofrimento judaico exposto bem no início do filme, Tarantino reimagina a Segunda Guerra por meio da sua própria visão, sempre distorcida, que começa extremamente realista e vai ficando cada vez mais cartunesca, mas a mensagem não se perdeu em nenhum momento, sobre nossas escolhas, planos e como a vingança nos leva a lugares inesperados, sombrios e no mínimo "cômicos".

Sim, porque humor negro não deixa de ser humor e só porque a piada não foi compreendida, não deixa de ser comédia.

O filme é cômico, tem ação e tem uma história ficcional por trás. Mas não é qualquer um que entende a piada por trás da crueldade realmente. De qualquer forma, assistam, analisem e vejam se daqui 10 anos tiverem a mesma sensação revendo ele,tudo bem, senão... reescrevam as opiniões.

É o que eu penso na minha limitada, mas antiga, experiência com cinema. ;]