Páginas

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Conheceria Deus o futuro? (Parte 11)

x13439190[1] Parece óbvio que seu Joaquim entraria no carro. Óbvio pois não tinha outra saída, óbvio pois a força das circunstâncias o impelia.

Óbvio para nós, que observamos a história pelo lado de cima, a parte, fora do emaranhado que ele se encontrava. Mas para nosso protagonista não era nada tão certo assim:

"Isso é roubo, rapaz, larga essa chave!"

"Você nem sabe dirigir direito, para com essa bobeira!"

Deus sabia o quanto Joaquim queria se ver livre daquela situação e que o montante que ele, o homem, arriscava naquela cartada não se compararia ao provável bônus. Deus porém arriscava muito, e não teria nada a ganhar, a não ser a alegria de fazer mais um amigo. Deus poderia mais uma vez passar pelo vexame de ter mais uma de suas ordens não obedecida, poderia ver a covardia de seu semelhante num olhar sem brilho de quem preferiu sua própria segurança. Para o Onisciente ainda não estava certo, até aquele exato momento, se a isca seria fisgada.

O homem se encontrava livre. Obedecer, ou não, seria sua escolha. A balança estava equilibrada. As forças do bem e do mal se anulavam mutuamente. Por dentro o sabor da aventura o desafiava, mas o medo besta e pecaminoso de uma criatura caída o paralisava. Por fora ressoava uma voz sem palavras, um sentimento alógico que trazia o calor e a segurança amorosa de um Pai eterno. Mas também a voz dura e pétrea que o manteria preso a si mesmo, à força da inércia de sua própria existência e do rumo que sua alma sempre se acostumara a seguir. Rumo esse, que te tão constante, traduzia-se em estática.

Mas seu Joaquim saltou. Saltou para dentro do veículo. Saltou para longe de seus conceitos éticos. Saltou para além de seus padrões estéticos. Como exímio equilibrista fez a proeza da fé. Como artista do picadeiro soltou o trapézio que o sustentava, ao qual, até então, se agarrava obstinadamente. Seu Joaquim pairou no ar, livre, sustentado somente pela força frágil de sua fé e pela monstruosa força gravitacional criadora que o impulsionava e mantinha todo o universo em movimento.

Agora ele acelerava rumo ao litoral sem saber o que haveria de encontrar pela frente. Agora sim, Deus poderia colocar seu plano em ação.

4 comentários:

Tuco Egg disse...

Legal. Ansioso pra ver onde o Joaquim vai parar!

Tuco Egg disse...

Legal. Ansioso pra ver onde o Joaquim vai parar!

Rubinho Osório disse...

Tcham, tcham, tcham, tcham!!! O suspense continua. "O fato" ocorreu!!! Que venham as consequências!!!

Roger disse...

Ledo engano. Sou forçosamente levado pelas leis literárias a regredir algumas décadas no tempo para ver que o fato antes mesmo de ser causa, ele mesmo, não passou de mera conseqüência.