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quinta-feira, 27 de maio de 2010

CULPA, SEXO E CONDUTA MORAL

15469-35hb[1] É mui triste constatar que a religião seja ela qual for, e especialmente as que se pretendem ser mais corretas, estarão assentadas sobre esse tripé.

A conduta moral forjará a tão famigerada lista dos "deve e não deve" e "pode e não pode" anulando toda a graça, levando o sujeito aprisionado pela lei e matando sua própria consciência. O produto é mais um escravo da religião, de um guru, de um livro, de uma filosofia.

O sexo estará invariavelmente no topo da lista da correta conduta moral, seja como "deve" ou "não pode". Ali está o calcanhar de Aquiles de todos que já passaram ou (especialmente) estão passando pela puberdade. Um instinto natural do ser humano será hermeticamente amordaçado até se ajustar à conduta moral dos guardiães da religião seja de forma libertina (como um "deve") ou de forma reprimida (como um "não pode").

A culpa é a consequência natural, tendo em vista que os indivíduos tropeçarão na grande maioria das vezes no quesito sexo, da conduta moral. O mecanismo da culpa é o estrupo da consciência alheia, e manterá os olhos do adeptos longe de pontos mais nobres (constantes da lista ou [provavelmente] não). Mais do que a motivação promovida pelo êxtase (dos coretinhos) em acharem-se alinhados à perfeita conduta moral, ou até mesmo do tesão de poderem pisar sobre os desqualificados, a culpa e o medo de quem acha-se desqualificado é o melhor mecanismo que prenderá o indivíduo àquela religião.

Culpa, conduta moral e sexo, nunca se inventou nada melhor para arrebanhar indivíduos, fundar e manter uma religião, seja ela cristã ou não. Estes três são o motor. Céu e inverno, alegria ou tristeza não passarão de meras engrenagens, serão meras notas de rodapé nos grossos cadernos doutrinários e teológicos.

Nem mesmo o amor, a graça, a fé no impossível e a esperança juntos conseguiram superar a força daqueles três.

3 comentários:

Eduardo Medeiros disse...

Roger, parabéns pelo lúcido texto. As pessoas se deixam dominar por um sistema moralista e produtor de culpas e neuroses achando que assim estão agradando a Deus que não é um ser moral(assim entendo), pois a moral é uma invenção humana que muda de tempos e tempos.

O cristianismo ainda carrega o fardo do medievo onde o sexo era permitido no máximo para procriação, e olha lá! O melhor mesmo era nem olhar para mulher.

abraços

Rubinho Osório disse...

Sinto culpa por concordar com teu texto, afinal, é um tesão de texto, tão sincero quando comparado a esse bando de pastores imorais...
He, he, he... é brincadeira. Mas a situação é grave precisamos enfrenta-la de frente para eliminarmos da fé esses ranços de moralismos.

Eclesia disse...

Um Banco/credor, não quer clientes que paguem em dia. Eles contam com aqueles que atrasam e pagam juros. Esses clientes sentem-se presos, atados ao Banco, sentem-se até mal consigo mesmos por estarem em dívida, mas não deixam de pagar todo mês o juros.
A igreja (instituição)é assim, te impõe diversas culpas, ao ponto de te fazer se sentir mal consigo mesmo e mais dependente dela.

Os que conseguem abrir os olhos e enxergar a realidade logo notam essa relação promíscua e quebra as algemas, mas sào poucos. A maioria são ignorantes e instáveis, e acatam essa servidão cega e podre.

A chave para essa algema chama-se GRAÇA.

Abraços
Evandro
http://blogeclesia.blogspot.com