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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Caminhando nu

De repente estava nu andando pelas ruas de uma cidade que não sabia qual.

Que cidade era aquela?

O que eu fazia ali? E mais implicante ainda quem era eu? E por que sem roupas?

Entrei num prédio, parecia uma repartição, escritórios… “Minha nossa senhora”, exclamou uma senhora e voltou para o cômodo de onde saíra. Continuei até o segundo andar atravessando os corredores. Um homem calvo me seguiu. Sai do prédio rumo ao estacionamento.

Atravessei uma ruela e fui caminhando rumo a orla marítima. As lojas pareciam fechadas. Seria feriado, fim de semana? Seria aquela uma cidade oriental?

As pessoas me observavam próximo ao mar. Não havia praia. Tratei de procurar um caminho mais deserto, para diminuir a vexação. Atravessei um pequeno canal pisando sobre a rasa e gelada água. Voltei para uma ruela e afastei-me do mar.

Ali havia um comércio aberto, talvez uma padaria.

Uma palavra que não sabia se era China ou Chica me fez vacilar entre uma cidade chinesa ou latina americana. As ruas agora eram largas, com pistas para motocicletas e bicicletas. Como se não bastasse o constrangimento pela nudez agora me atrapalhava no meio do trânsito dicíclico.

Onde acharia alguém ou um local que me dessem pelo menos um camisa, uma calça?

Da padaria saia um rosto conhecido. Não seria um ator? Todos deixavam agora seu trabalho e iam para um grande salão.

- Oi, você por acaso não é um ator conhecido?

- Sim. Respondeu ele friamente, parecendo não se importar com minha nudez.

- O que você faz aqui, que lugar é esse?

Não obtive respostas, mas o acompanhei até o auditório. Seria aquilo tudo uma encenação? Uma mega peça de teatro?

À frente, no palco, um pequeno grupo de médicos e psicólogos reunia o grande grupo que começava a chegar. As coisas começaram a ficar claras. Ali em uma cidade estúdio eu era vítima de um tratamento gama do Condomínio; e colocado no estado de inconsciência ativa deveria atravessar a cidade sem roupas.

- Mas como vocês puderam fazer isso comigo? Exclamei irado.

- O senhor não percebe que fez grandes melhoras agora?

- Não percebo nada! Não poderiam ter me manipulado assim, sem meu consentimento. Jamais aceitaria uma coisa dessas.

- Tudo foi para o bem do Condomínio. Nossos somos um só. O nosso consentimento foi o seu consentimento.

- Isso é um absurdo. Não quero fazer parte disso.

- Você faz parte de nós. E o tratamento gama foi um sucesso.

Percebi que estava dominado pelo Condomínio, aquela força espiritual e cega que guardava nossa comunidade. E o pior: no momento não havia possibilidade alguma de escapar daquilo.

2 comentários:

Rubinho Osório disse...

Tchan, tchan, tchan, tchan!!!!
Tem mais?

Rubinho Osório disse...

Há 40 anos a TV passou um seriado no qual o cara tava preso numa ilha, mas ninguém demonstrava saber disso. Era estranho e interessante. Parecido com teu conto...