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domingo, 5 de dezembro de 2010

Um ídolo despencou de meu panteão

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Dentre o turbilhão de ideias e lembranças que me vem ao coração nessa hora tão triste, escolho duas para deixar registradas aqui em meu Blog.

Uma é o fantástico sabor que tive, por 40 anos, de comemorar meu aniversário juntamente com papai. Nem sempre estivemos por perto, mas sempre estivemos juntos no 21 de agosto. Como minha mamãe dizia, ela foi mala de mais para acertar meu nascimento no dia de aniversário do velho.

Teve um ano que somamos nossas idades e vimos que juntos comemoraríamos 100 anos, foi uma boa festa.

Não sei como vai ser agora… Soprar as velinhas sozinho, sem meu xará de aniversário. De alguma forma eu já começava a amargar essa fatalidade, que no próximo agosto me alcançará.

Um outro episódio diz respeito a uma viagem de avião em minha infância. Por alguma razão que não me lembro, meu pai me privilegiou em voltar com ele de avião. Viajávamos de retorno de férias. O resto da família foi de carro e eu e papai de avião, um avião pequeno. Eu deveria ter uns 4 ou 5 anos. E o medo chegou, antes daquele bicho levantar voo. Com um frio na barriga, esperei e esperei: “Papai, porque não voamos?” “Já estamos no ar a muito tempo!” Falou ele rindo. Deitei a cabeça no colo dele e disparei a chorar.

Meu pai foi um homem bem ativo, cheio de realizações, tanto no âmbito familiar como público, as quais não precisarei citar aqui. Também foi conhecido por seu testemunho de fé e posicionamento ético.

Recordo porém esses dois fatos em particular num mero desejo, quase que inconsciente, de tê-lo de novo, de novo só para mim; pois expressam algum tipo de exclusividade, um momento, uma experiência que era dividida só entre ele e eu.

Com o seu falecimento a gente começa a ver o chão sumir, e a procurar onde segurar. É como se no meio do voo o colo onde derramava seguro minhas lágrimas sumisse. É como se aquela voz alegre que cantarolava o parabéns por mais um ano de vida sumisse no meio da festa.

Mas posso todavia  enxergar que os principais apoios deixados não foram materiais, ainda que ele zelasse incansavelmente por esses. Mas seu afinco esteve primordial e inquestionavelmente naqueles, dos valores, das crenças, daquilo que não se abala nunca.

Um ídolo cai, e ergue-se o espírito de um cristão que foi e é, como todos nós deveríamos ser, digno de ser imitado.

14 comentários:

Eduardo Medeiros disse...

Perder um pai é sempre difícil. caminharemos no entanto, com todas as boas lembranças e com o afeto que nos deram.

abraços

Lou Mello disse...

Você descobrirá que um pai como o teu não morre jamais.

Clóvis Gonçalves disse...

Roger,

Meus sentimentos pelo passamento de seu pai. Já escreve e reescrevi tantas coisas a serem ditas. Todas elas tolas, ainda que sinceras.

Como os amigos de Jó, sento ao seu lado e silencio.

Em Cristo,

Clóvis

Alex Esteves da Rocha Sousa disse...

Roger,

Você escolheu palavras belas para falar de sua relação com o seu pai, justamente como tem que ser.
Certa vez, eu disse a meus alunos na escola dominical que aquilo que marca as nossas vidas é o que se poderia resumir em poucas palavras, como num epitáfio. Assim, de tudo o que fazemos, só o que efetivamente marca é que ficaria naquelas poucas palavras. Vejo que seu pai foi um grande homem.
Forte abraço,
Alex Esteves da Rocha Sousa.

Roger disse...

Obrigado pelo carinho das palavras amigas.

Graça Serrano disse...

Roger, seu pai agora está dentro de você...

Tuco Egg disse...

Roger. Deixo aqui um desses abraços gelados de internet. Mas um abraço gelado bem apertado.

Rubinho Osório disse...

Roger, meu coração está com o teu...

Francisco Chagas disse...

Paradoxal. Somos chamados a sofrer nossas perdas. Ao delinear nossa reta, esquecemos das curvas. Às vezes destino e/ou causualidade se cruzam no universo e não entendemos as razões nem porquês. O que nos resta é enxergar honestamente a realidade.

Felipe disse...

Roger,
Meus sinceros pêsames, pela perda deste grande homem que foi o seu pai.

Neto disse...

Olá Roger.

É um momento difícil, mas inevitável.

Que Deus te dê forças e consolo.

Roger disse...

Oi Solano,

muito obrigado, temos precisado muito de forças e consolo, e Ele tem dado.

Saudaçoes fraternas,

Roger disse...

Graça, ele sempre esteve! Obrigado!

Tuco, pode ter saido gelado... chegou aqui quentinho, muito obrigado.

Rubinho, agora entao eu sei porque sentia alguma coisa boa aqui perto, dentro. Abraçao, amigo.

Amigo, Chagas, palavras acertivas, queria tanto que ele deixasse minha reta seguir do jeito que planejei... mas a curva tava la.
abraco para ti, caro colega.

Obrigado, Felipe, eu e minha familia somos sinceramente agradecido.

Marlene de Fatima disse...

Conhecendo há muitos anos sua tia Helenice Terezinha,pude ler uma carta que seu pai escreveu a ela por ocasião de seus setenta anos.É incrível a visão poética transparente.
Uma perda consome muito,contudo restará uma saudade que o tempo encarregará de fazê-la gostosa.