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domingo, 16 de outubro de 2011

Uma resposta a um amigo

Um de nossos queridos amigos da Blogesfera tratou, esses dias, da questão da morte sob a perspectiva oferecida por Silas Coutinho em um seminário batista.

Fui carinhosamente citado no texto.

Demorei-me um pouco para manifestar algo, pois foram mais os pontos de desacordo do que os de acordo – e minha franqueza alemã me impede de ficar calado por mais tempo.

Primeiro, tenho que agradecer a preocupação - embora ela tenha assumido, para mim, um tom não pouco… como eu diria… patronizador.

Segundo, o Silas e meu amigo que me perdoem, mas não me convenci nadinha da tese de que as pessoas escolham morrer. Não sei não, isso ficou muito mal explicado.

Mal explicado também devo ter sido eu, se deixei transparecer que questiono Deus por não ter me contemplado com curas ou milagres. Acho que meus questionamentos, e de todo mundo, e de todo mundo que já leu algum dos evangelhos, são bem maiores. Resumindo seria: como pode Deus ser ao mesmo tempo bom e todo poderoso? Um paradoxo que ainda está longe de ser resolvido.

Fiquei muito triste (e na verdade nem entendi o tom da coisa) ao ler (da pena de um bom amigo) que estou me tornando “adepto de um desses malucos apologistas de um Deus que não intervém em um mundo a deriva e ao sabor dos ventos que sopram desde o inferno.”

Acho que quem acompanha esse Blog (e além desse amigo são uns outros dois ou três), sabe que admiro um ou outro maluco por aí (inclusive nosso bom amigo). Já fui adepto de outros, mas não cometo mais esse erro. Só não me declaro um anarquista cristão, para não dizerem por aí que virei adepto de outro deles.

Para finalizar, vai aí um comentário do Tuco Egg que li lá no citado texto, que deveria ser meditado pelo Silas (que nem conheço) e, quem sabe, ser aproveitado em seus seminários sobre a morte:

Passei o fim de semana na casa do meu irmão, um sítio numa cidadezinha rural. Naquela semana um cachorro lazarento tinha devorado todas as 6 ovelhas do sítio. No mês anterior, os porquinhos da índia tinham morrido, talvez picados por cobra ou aranha. No início do ano, morreu a égua. Sei que são bichos, mas esse tipo de vida rural deixa as pessoas muito mais preparadas pra morte do que nos centros urbanos, acho eu. Antigamente, quando o mundo era rural, a morte fazia parte da vida de verdade, o tempo todo. Hoje, é uma exceção pouco tolerada.

3 comentários:

Lou H. Mello disse...

Roger
Assim são as conversas onde o a concordância acaba sendo um detalhe. Não tenho muito a acrescentar ao que já foi dito, ou melhor, escrito. Só desejo ressaltar que o fato de haver quem pensa diferente ou vê por outro prisma. Sempre há esses desmancha prazeres para derrubar nossas teses, muitas vezes, tão bem elaboradas. Fazer o que. Para mim, tê-lo feito pensar em uma outra hipótese já foi um grande ganho. Querer sua concordância seria um grande exagero, sobretudo em questão tão delicada. Não sou amigo só dos que concordam comigo, em verdade, meus amigos discordam de minhas opiniões na maioria das vezes. De qualquer maneira, deixo meu abraço e o meu apreço, como sempre. Beijo na careca.

Rondinelly disse...

O careca aí não poderia ter dito verdade mais verdadeira, Roger. E digo isso na qualidade de grutense (se isso já for, de alguma forma, um amigo...)

ROGÉRIO B. FERREIRA disse...

Caros amigos Lou e Rondinelly,

mais uma vez não concordo, o tempo tem me mostrado que amigos verdadeiros são aqueles que concordam com a gente...

O tempo tem me mostrado, talvez por isso mesmo, que tenho ficado cada vez mais sozinho.

Mas talvez por isso mesmo nossa amizade continua, pois no essencial concordamos: por exemplo, que uma boa amizade necessita de discordância.

Saudações fraternas e beijos nas carecas.