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segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Por que não olhou para os dois lados?

Sim, a rua era de mão dupla. E ele sabia.

Foi na pressa, foi afoito. Antes, um amontoado de ideias e humores transpassaram seu coração.

Não se sabe até que ponto foram os acontecimentos de ontem ou os de sua infância que o distraíram.

Mas havia dois lados. Ele olhou só para um.

Foi aquela mágoa não resolvida, foi aquela cuspida não engolida. Foi a outra face não oferecida.

Até mesmo aquele triunfo sobrestimado em detrimento de outros que não contaram com a mesma sorte.

A pista por um lado estava livre, e a do outro?

Foi a pressa, a correria. Mas para quê? Um minuto a mais ou a menos… que fossem dez, ou até uma hora! Qual o valor do tempo?

O desencadear de pensamentos, suas preces, seus medos e certezas. Suas contradições.

Viu o caminhão passar e pensou que a rua estava livre.

Mas são os obstáculos que passam, que por breve momento nos cegam, nos impedem de vislumbrar o outro lado da moeda.

E o outro lado existe. E não estava livre.

Agora, estendido no chão de asfalto ensanguentado esperava a chegada da ambulância. Sua identidade seria procurada, seus parentes seriam informados.

A multidão se aglomerando. O motorista do caminhão com olhar apavorado, começava a xingar a vítima.

Lágrimas seriam derramadas.

Tudo porque não olhou para o outro lado.

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