quarta-feira, 5 de setembro de 2012
Conquanto o curso do rio de nossa jornada terrena nos conduza para um mesmo rumo, cada um de nós – com o fim de que nos desenvolvamos enquanto indivíduos – deverá rumar segundo suas peculiaridades, seus talentos, suas habilidades e deficiências, tudo isto faz parte do processo de crescimento. A comparação não gerará outra coisa senão o aniquilamento do próprio “eu” ou a frustração pessoal diante daquilo que vemos num ser alheio, e que, claro, não vemos em nós...
[Uma postagem inédita que o Beto deixou engatilhada aqui - O Teologia Livre que iniciou-se com a proposta de blogagem coletiva teve o Beto como coautor, assim como outros colaborades, Os intocáveis - meu agradecimento a eles].
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
O Au(di)tor
Beto é um amigo ímpar que está aqui para auditorar esse Blog, ou seja para um exame analítico e pericial que segue o desenvolvimento das operações contábeis, desde o início até o fim. Traduzindo: quando minhas besteiras passarem dos limites ele pode intervir e me ferrar (ou não).
Mineiro, bacharel em Direito pela Faculdade de Direito do Sul de Minas, namorado da Jacque. Um apaixonado pela beleza da vida e por toda a Criação de Deus presenteada a nós, e que crê, com todas as forças, na redenção e transformação INTEGRAL de todas as coisas existentes, em CRISTO JESUS!
Beto nos acompanha como coautor desde o Blog Fraternus. De todos Os intocáveis escolhi manter Betto por perto, pois não gosto e tenho medo da solidão. Foi esse camarada também quem despertou minha atenção para Søren Kierkegaard e sempre me inspirou na vida de blogueiro.
Um dos textos mais acessados e lidos da Teologia Livre veio da pena de Beto: A postura evangélica frente à ditadura militar.
Nas fotos vocês podem vê-lo sendo procurado por alguns fãs (anônimos) que, a todo custo, queriam ser fotografados ao lado dele. Um dia também, se Deus quiser, farei isso também.
Verifique a página: O Au(di)tor e Marcador Humberto
(Assim corrijo uma falha horrível que já me atormentava há meses pelo tamanho da injustiça)
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Herética Ortodoxia
Qualquer estudo honesto sobre a história da igreja nos conduzirá à compreensão de que ela seguiu o ritmo da vida humana, marcada pela instabilidade. A fé que começou como heresia tornou-se religião dominante, elencou as heresias as quais deveria, por sua vez, combater e até mesmo puniu os seus hereges.
Alguns desses hereges tornar-se-iam santos, mártires e líderes de movimentos religiosos mais tarde reconhecidos e que também viriam a se institucionalizar.
Os hereges de outrora vieram a se tornar inquisidores posteriormente. Protestantes foram perseguidos e até mortos pelos católicos, no entanto quando da oportunidade de fazer diferente, não titubearam diante dos novos hereges, os anabatistas. Por questionarem o batismo protestante que ainda mantinha o rito também católico do batismo infantil, os anabatistas (sem batismo) morreram pelas mãos de seus irmãos.
Miguel Serveto, médico espanhol, que negara a divindade de Cristo foi condenado à morte sobre os auspícios de Calvino, já os camponeses germânicos foram mortos em seu surto de revolta pela autorização de Lutero. E assim foi se escrevendo a história da igreja.
Esse é nosso grande risco. O risco da ortodoxia. Temos percebido nestes dias uma premente necessidade de mudança de rumos, de transformações, de reavivamento no seio da igreja. Propor uma nova forma de agir e pensar poderá certamente ser taxada como heresia. Isso é previsível.
O não-previsível é o que podemos nos tornar após a consolidação das nossas “heresias”. Estabelecidos, com uma estrutura de pensamento formada, com nossas regras e costumes firmados, correremos o risco da inquisição legitimada pela ortodoxia. Se assim ocorreu no passado, é importante manter os olhos abertos para esta possibilidade.
Somos todos inclinados à elaboração de sistemas de idéias que nos dêem segurança. Nossas convicções nos mantém a tranqüilidade de percorrer a jornada prevendo percalços e, assim sendo, evitando-os previamente. A incerteza prevê apenas os possíveis vacilos de quem não tem um mapa nas mãos.
Ora, ninguém vive sem um corpo mínimo de pensamentos (doutrina) norteadores que nos facilitem a caminhada. Contudo, flexibilidade, amor e respeito pelos que não comungam das mesmas idéias nos viabilizará não apenas viver em harmonia com o outro, mas também repensar nossas crenças e, quem sabe, até mesmo reformular conceitos.
A vida é cheia de contingências, apresenta-nos o novo a cada dia, somos forjados pelo ambiente em que vivemos e pelos diversos fatores ditados pelas circunstâncias. Nossa fé precisa ser uma resposta atualizada aos anseios da vida. Qualquer resposta não adequada à realidade contemporânea será inócua.
Todo movimento está fadado ao engessamento. À semelhança da vida humana, que envelhece e perde suas articulações biológicas, nossas instituições também seguem o mesmo rumo. Ou entendemos isso ou nos capitularemos à tentação de imobilizar nossa fé, tornando-a inflexível e sem espontaneidade, portanto sem amor e nem liberdade. Pois onde há amor há liberdade, e onde há liberdade há espontaneidade, beleza e flexibilidade. Sigamos então as trilhas do amor!
Escrito por Beto do Visão Integral.
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Efeito Caio Fábio (ou Efeito Evangelho)
Acompanho o site do Caio Fábio praticamente desde que ele surgiu. No período em que o Caio ainda conduzia uma reunião em Copacabana chamada Café com Graça. À época eu ainda estava no processo de libertação mental, participante de uma igreja neopentecostal que outrora fora uma das principais representantes do pentecostalismo clássico no Brasil.Acontece que de lá pra cá, vez e outra fico sabendo da repercussão que o ministério do Caio tem tido num e outro canto. Um pastor amigo meu disse que não usava o link do Blog do Caminho por conta da reação do presbitério.
Um outro amigo fora indagado por uma liderança religiosa pelo fato de “dar ouvidos ao Caio”.
Em algumas igrejas tem se constituído uma espécie de DOPS GOSPEL a fim de saber e retaliar aqueles que tem acompanhado a galera do Caminho.
Algo que sempre leio e ouço o Caio dizer em seus textos e pregações é que ele não tem dito nada de novo, mas simplesmente pregado o que sempre pregou. Eu complementaria que hoje ele tem maior liberdade e leveza para falar com maior clareza possível sobre tudo o que falou no período em que era quase tido como “o papa” dos evangélicos.
O mais incrível é que, diante desse espanto em relação ao Caminho da Graça, muita gente entra na onda e critica aquilo que nem sabe. Coisas pessoais da vida do homem são questionadas como se tivesse a maior importância do mundo, isso quando não se afirmam inverdades absurdas.
Ora, nunca defendi nem preciso defender o Caio. Ele é adulto e inteligente o bastante para fazer isso sozinho. Contudo, me entristece ver que muita gente boa tem entrado na onda da rejeição total de tudo aquilo que se referira ao Caminho da Graça.
Ora, não se precisa concordar com alguém em tudo, não obstante vale a pena ouvir, aceitar pontos de confluência, e ser cauteloso ao criticar.
É incrível como a hipocrisia reina. Ninguém é tido como herege por andar com “profetinhas de fundo de quintal” que chutam mais que a mãe Diná em suas previsões. Ninguém é tratado como mercenário por se assentar nas rodas dos escarnecedores formada pela cúpulas das grandes denominações, que nada decidem a não ser os próximos passos políticos a serem dados.
Não vi até hoje qualquer que fosse chamado de partícipe por contribuir com eleições evangélicos notoriamente corruptos, com manipulações, ameaças e pequenos reinados formados por líderes religiosos que, em semelhança aos do nosso Congresso, se apossam de suas cadeiras em mandados inquestionáveis e intermináveis.
Quando olhamos para a história da Igreja, percebemos algo que todos aceitamos indiscutivelmente: os hereges de hoje são os grandes heróis da fé de amanhã. Os nomes que citamos em textos, nas pregações, que ocupam os perfis de nossos espaços internetianos, salvo raras exceções, foram tratados como hereges incorrigíveis em seu tempo, mas respeitados e reconhecidos como grandes mentores algum tempo depois.
Particularmente, tenho preferido alguns daqueles que têm sido chamados hoje de hereges. E não me furtarei em ouvir qualquer daqueles que eu entenda estar pregando na consciência do Evangelho de Jesus, o Evangelho da Graça de Deus; se as boas novas estão sendo pregadas por alguém, bendito seja este alguém – mesmo que seja um então herege.
sábado, 31 de janeiro de 2009
A Teologia e o esterco

Esterco, se não servir para adubar a terra não presta, apenas fede. Teologia é assim também, se não servir para fertilizar os corações e a vida dos homens, não presta. Torna-se morta. Excremento do intelecto.
É assim que é; simplesmente assim. Só para esclarecer melhor as coisas, vamos continuar a conversa.
Pois bem, gosto de falar de teologia, de ler e escrever sobre; assim como tenho imenso prazer em discutir uma infinidade de coisas e assuntos numa boa roda de conversa.
Acontece que idéias não são nada sem que pessoas dispostas resolvam encará-las e encarná-las, isto é, torná-las concretas. Teoria sem aplicação prática não oferece demonstração convincente da validade do que se está teorizando.
Daí acontece de tal maneira: alguns falam do papel da teologia na libertação das classes oprimidas, dos pobres e marginalizados (Teologia da Libertação); outros, da importância de um pensamento teológico que compreenda o ser humano em sua integralidade (Teologia da Missão Integral); outros retomam o tema da poderosa ação sobrenatural de Deus por meio dos dons espirituais (Teologia Pentecostal); há também os que enfatizam a Soberania de Deus (Teologia Reformada); e por aí vai. É claro que estou simplificando demais e que estas teologias merecem uma conceituação mais detalhada e profunda, que compreenda todas as suas nuances.
Contudo, a idéia que tenho é que enquanto teologamos, estudamos os fenômenos sociais, a ação do pecado na humanidade, os pecados político-socio-estruturais de um povo, a pobreza e a miséria dos homens, eles continuam lá. Eles não se emancipam da sua condição nem são libertos do mal que lhes aflige, seja ele qual for!
Fazer teologia sem fazê-la praticável e praticada é algo semelhante a observação de cobaias em laboratório para satisfação de mero interesse de descrever a situação e os comportamentos do ser examinado em tais circunstâncias.
Jesus não era assim. Observava, sentia as situações, as reais necessidades das pessoas e agia. Ia direto ao ponto central do problema.
Não é à toa que suas palavras permanecem. Onde quer que são praticadas, ali há restauração e vida.
Gosto de plantas; e esterco é sempre muito importante, mas na terra... gerando vida!
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
A postura evangélica frente à ditadura militar
Já faz algum tempo que um amigo e irmão na fé presenteou-me com alguns livros. Ele os havia ganhado de um ex-pastor, contudo, não se interessando pelo tipo de literatura (livros teológicos) decidiu abrir mão deles. Logo que os recebi, dediquei-me, ainda que superficialmente, a vasculhar um por um. Logicamente, alguns títulos chamaram mais a minha atenção do que outros. Entretanto, todos me pareciam muito úteis e de prazerosa leitura.
Recordo-me bem que dentre os livros que pouco chamaram minha atenção estava um de capa muito esdrúxula (um desenho bizarro de um homem na fogueira) e de edição gráfica simples, pois fora datilografado. Com uma folheada breve, percebi que se tratava de relatos acerca de acontecimentos ocorridos no seio da Igreja Presbiteriana do Brasil, no período de ditadura que assolou nossa nação. Eu já havia ouvido pequenos comentários, em pregações, sobre a forma com que determinadas denominações evangélicas se portaram durante este período: talvez o mais tenebroso da nossa história. Porém ainda não havia me dedicado a estudar sobre.
Foi, então, assistindo o filme brasileiro Olga que me interessei em voltar a folhear as páginas de tal livro. Não sei ao certo o motivo deste interesse, mas, ao assistir sobre a luta daquela mulher, me veio à mente a lembrança deste livro e de seus relatos. Pode ser pela proximidade de data entre os acontecimentos tratados no filme e os relatados no livro (arrisco-me a dizer que uma das causas, também, pode ser o fato de que hoje sou membro de uma Igreja Presbiteriana em minha cidade).
O livro é de autoria do pastor presbiteriano Rev. João Dias de Araújo, e se chama Inquisição sem fogueiras¹. Como já mencionado, ele trata, especificamente, dos fatos ocorridos dentro da Igreja Presbiteriana do Brasil.
Reverendo João Dias relata corajosamente o que chamou de inquisitorialismo. Durante um longo período a cúpula da liderança da IPB apoiou o regime ditatorial dos militares, perseguindo severamente membros, seminaristas, presbíteros e pastores que se envolvessem com questões referentes a “justiça social e denúncia dos males estruturais da realidade brasileira.” Outras razões dignas de reprovação eram o ecumenismo e qualquer tipo de pensamento que se alinhasse com a ideologia marxista. A título de exemplificação, vale mencionar que foi expressamente vedada a participação de padres nos púlpitos presbiterianos (ainda que em silêncio); e a participação dos membros da IPB como testemunhas em casamentos realizados pela igreja católica, dentre outras coisas mais. João Dias ainda menciona o fato de que juristas presbiterianos colaboram na confecção de alguns dos atos institucionais, a favor da ditadura.
Segundo os relatos, não poucos ministros foram despojados (expulsos do ministério), e outros acusados pela Igreja de serem subversivos; como, por exemplo, Rubem Alves, que durante muitos anos foi pastor presbiteriano na cidade de Lavras/MG, e também já foi considerado um dos maiores teólogos brasileiros. Depois de ser acusado pela IPB como subversivo, decidiu retirar-se do ministério escrevendo uma carta na qual faz menção à insatisfação em relação aomodus operandi da denominação. O início e fim de sua carta são marcados pelas palavras:“Sempre entendi que o evangelho é um chamado a liberdade. ... Não encontro a liberdade na IPB. É hora, portanto, de buscar a comunidade do Espírito, fora dela”.
É enganosa, entretanto, a idéia de que tais fatos restringiram-se à IPB. Na verdade, o apoio dos conservadores protestantes ao Regime Militar foi um fenômeno que abrangeu grande parte das denominações protestantes brasileiras. Gedeon Alencar em seu livro Protestantismo Tupiniquim (pág. 95), ao citar escrito do sociólogo Paul Freston, faz menção a que um famoso líder Batista, Fanini, prestou apoio à Ditadura Militar por conveniência da concessão de um programa de TV². Intriga-me, no entanto, o fato de que tão raros líderes façam menção a este tempo obscuro do protestantismo brasileiro. Pode-se contar nos dedos os que, de uma forma ou de outra, têm mencionado em suas palestras ou em livros tais fatos. Isso talvez se deva a falta de coragem, ou , quem sabe, falta de interesse de colocar o dedo nas nossas feridas ou pouca compreensão da importância dos fatos. Apesar disso, é compreensível que não haja muitos trabalhos com ênfase especial neste assunto, afinal ele é contemporâneo demais; e quanto mais próximos estamos de um acontecimento histórico mais difícil a sua compreensão.
Não obstante, entendo ser de extrema importância olhar para este passado, ainda que nos doa saber que em nosso meio ocorreram males como estes, dignos de repúdio. A importância de olhar para trás é devido a algo simples: não repetir ou permitir que se repitam atrocidades como as ocorridas. O passado é como um mapa que pode tanto nos mostrar os caminhos que devemos continuar a percorrer como, também, aqueles dos quais devemos nos desviar.
Infelizmente a memória do brasileiro é bem curta, e a dos evangélicos parece ser mais curta ainda, talvez nem exista. Por isso mesmo trago esta reflexão, a fim de que nos voltemos para nosso passado, e isso responsavelmente. Pois é fácil olhar para trás e dizer que nada tivemos com isso. Caso alguém o diga, vale perguntar: qual seria a nossa atitude se fôssemos participantes desse período histórico?
Posso responder apenas por mim. E, com sinceridade, não sei dizer como teria agido, apenas como quero agir nestes dias de minha vida: quero ter coragem para sustentar aquilo que creio, haja o que houver, e ser fiel ao evangelho e à minha consciência, sempre!
1 - A edição do livro que tenho em mãos foi lançada pelo Instituto Superior de Estudos da Religião, em 1985. Creio que somente deva ser encontrado em sebos.
2 - Alencar, Gedeon Freire. Protestantismo tupiniquim: hipóteses da (não) contribuição evangélica à cultura brasileira. São Paulo: Arte Editorial, 2005.
Artigo escrito por Beto em 12.09.2007 para Cidadania Cristã
Olha, o Rubem foi pastor aqui em Lavras de 1962 a 1967. Na epoca não tinha essas idéias de hoje. Já era bem voltado para o enfoque social da igreja, o que naqueles tempos de AI5 não era muito bem visto, inclusive pela cúpula da IPB. Foi denunciado como subversivo, teve de "arrumar" um curso para fazer nos EUA. Sempre foi muito amigo de meu pessoal. (depoimento de um amgio de Lavras)
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
Pecado é não ser humano
O pássaro é livre
na prisão do ar.
O espírito é livre
na prisão do corpo.
Mas livre, bem livre,
é mesmo estar morto.
O pássaro é livre para ser pássaro; não pode um pardal mergulhar em alto mar e se dar bem – não é livre para ser um peixe. O espírito, por sua vez, é livre para ser espírito, e está condicionado a um corpo. Em outras palavras, cada coisa nesta vida é livre apenas para ser aquilo que na verdade é – cada ser tem a permissão divina para ser o que é em sua essência.
De forma que podemos concluir que, enquanto humanos, somos livres para ser plenamente humanos, totalmente livres para desfrutar de nossa humanidade. Não obstante, há que se ter cautela nisso: todo aquele comportamento que fere nossa humanidade – “des-humanizando-nos” – escraviza-nos em uma condição não-humana. Qualquer que seja, não será esta escravidão adequada à escravidão a qual estamos destinados.
Destinados estamos a ser humanos, essa é nossa escravidão, e nossa liberdade também. O que passar disso será a livre escolha de se deixar escravizar por outra condição qualquer menos elevada.
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Inveja
Inveja, esse, sim, é um sentimento mesquinho. É aquilo que às vezes percorre nosso coração quando vemos alguém se dando bem na vida. “Poderia ser eu...” – se traduzido em palavras, estas seriam as que melhor representariam tal sentir. É o que a gente acaba dizendo lá no fundo da alma, sem quase perceber que o que queremos realmente não é o sucesso “como” o outro obteve; mas , ao contrário, desejamos na verdade ter o próprio sucesso do outro, contudo sem percorrer os mesmo caminhos que este percorreu.Estar em uma determinada posição. Ter exatamente o que alguém conquistou, só que isso, claro, sem se submeter a todos os processos e etapas aos quais este teve de se submeter para chegar onde chegou.
A inveja... ela é a preguiça de sermos nós mesmos, a preguiça de lutar e conquistar nossas próprias conquistas. E o contrário da inveja é a alegria fundada no ser, nosso próprio ser. O gozo de ver a si mesmo como um alguém digno, potente e disposto a caminhar seus próprios caminhos, ainda que estes sejam mais difíceis e dolorosos que os caminhos de outras pessoas...
terça-feira, 30 de setembro de 2008
Salvação fora dos nossos quintais?...
Fiz um comentário acerca do vídeo postado pelo Roger – no qual Ricardo Gondim e Jo Mo Sung respondem à pergunta: “A salvação está restrita ao Cristianismo?” Eu disse que preferia a resposta do Caio Fábio.Bem, separei dois textos nos quais ele trata do assunto. Contudo, há muitos outros textos dele tratando do tema no site. Basta ir em busca e digitar “fator melquizedeque”.
Espero que se deliciem, pois a leitura é bem gostosa.
Abraços fraternus a todos.
Qual o significado da Ordem de Melquizedeque?
Um clamor musical da Ordem de Melquizedeque
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Os conservadores, os liberais e os alienados
Conservadores ou liberais? Bem, acho que a maioria dos cristãos no Brasil não faz a menor idéia do que sejam esses dois termos. Basta você perguntar a eles mesmos. As respostas possivelmente serão as mais diversas, algo do tipo: “Eu sou conservador, lá na minha igreja não é permitido usar cabelo curto”; “Eu sou liberal, gosto de beber uma cervejinha nos finais de semana, ir numa balada; e também lá na minha igreja eu escolho a roupa que posso vestir e o corte do cabelo”.
Nem uma coisa nem outra revela nada a respeito de ser ou não conservador. Apenas revelaria algo a respeito dos costumes culturais adotados na comunidade da qual participam.
A maior parte dos cristãos brasileiros está nas igrejas neopentecostais, aquelas do tipo “vem e aqui e sua vida vai mudar, você vai prosperar”. E nesses lugares não interessa se você é conservador ou liberal, interessa mesmo é que você faça uma barganha com a divindade anunciada, que você se comprometa a participar de todas as campanhas, cruzadas, votos etc. Não é muito importante o que você acredita, mas sim o que você faz em relação à igreja (contribui ou não contribui? é dizimista? – isso é o que importa).
Acho que o diagnóstico é esse: no Brasil os conservadores e os liberais constituem minoria, e os alienados são a grande maioria. Ponto final!
Agora só não sei dizer se nesta minoria os conservadores são a maior parte ou contrário. Por isso mesmo vale a pena continuar a enquete...
Quanto a mim, tendo uma noção básica do que é um conversador e um liberal, não quero ser nem uma coisa nem outra; prefiro ser do Evangelho.
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
Caciquismo Evangélico
O caciquismo, assim como o coronelismo e o caudilhismo, remonta ao tempo do Brasil Imperial. No entanto, esta figura sofreu, de certa forma, uma espécie de evolução.
Hoje, o cacique se impõe em determinada comunidade, cidade ou região valendo-se das muitas artimanhas herdadas do coronelismo e do caudilhismo. Dos coronéis, herdou as formas de imposição de sua autoridade pelo medo aos seus subordinados, já dos caudilhos, herdou a jeito astucioso de dominar as massas pelo seu carisma e espírito de liderança autoritário (possui em seu discurso forte apelo emocional). Poderia mencionar vários nomes destes “caciques”, porém isto não se faz necessário, visto que, apresentando estas características básicas, fica fácil discerni-los na sociedade.
Entretanto, o que realmente quero tratar aqui não é a existência e características deste tipo de gente em nossa sociedade. Mas, sim, o fato de que, infelizmente, este traço cultural tem sido recepcionado por muitas denominações evangélicas. A ignorância cultural do povo e a herança da tradição sacerdotal católica, na qual o padre é uma grande figura dotada de poder dominador sobre a sua comunidade, têm favorecido o surgimento de poderosos “caciques” político-religiosos em meio evangélico.
Outro fator que tem corroborado para a existência deste tipo de fenômeno é o ávido interesse (por parte dos evangélicos) de participar da política e galgar posições, quando nela já estão inseridos. Na realidade, o interesse pelo poder político fomentou muitos líderes a assumissem características do “caciquismo”.
O que é dito aqui é comprovado pela forma de fazer política de muitas das denominações brasileiras. Suas práticas podem ser vistas claramente em época de eleições: afirmando que tal pessoa (geralmente um candidato oficial da denominação) será “luz” no congresso nacional, na camara dos deputados estaduais ou na câmara dos vereadores, algumas denominações têm encabrestado seus membros (votos). Há suspeita de, até mesmo, vendas de votos de seus membros para candidatos corruptos. Nestas igrejas, em tempos de eleição, é muito comum ouvir coisas do tipo:
“Vamos orar para que Deus eleja o Fulano!”
“Quem dentre os que aqui estão se comprometem com a candidatura de Cicrano?”
“Quem é do ‘corpo’ vota em quem é do ‘corpo!’ ”
"É preferível errar votando em irmão do que em ímpio!"
Estes são apenas alguns dos chavões existentes dentro destas denominações para encabrestar os membros/eleitores. São realizadas também várias pregações, nas quais se utiliza a vida de José, Daniel, Neemias, dentre vários outros personagens bíblicos, para fundamentar o ardente desejo da liderança da igreja de possuir influência política . E ai de quem se opor à visão da liderança da igreja; este torna-se imediatamente um rebelde.
Infelizmente, este tipo de coisa trás conseqüências drásticas à igreja, dentre várias, eis algumas:
-A falta de interesse por parte dos líderes de proporcionar o crescimento e amadurecimento integral dos membros: uma vez crescidos, maduros e com consciência cristã de seu papel na sociedade, estes se tornariam “problemáticos”, pois, certamente não se deixariam fazer parte de “currais” eleitorais.
-abandono do modelo bíblico quanto a forma de manifestar a igreja. O retorno ao modelo sacerdotal veterotestamentário de liderança: o líder se torna o canal exclusivo da mensagem divina (o porta-voz de Deus): sendo desta maneira mais fácil impor sua autoridade sobre a comunidade de crentes. Havendo, também, com isso, o impedimento do exercício do sacerdócio universal e dons dos crentes.
-adoecimento da igreja. Uma igreja na qual seus membros não exercem o sacerdócio universal (cada crente um ministro), na qual o evangelho não é pregado integralmente, onde os membros não exercitam seus dons é uma comunidade que caminha fragilmente dentro de uma sociedade tomada pelo pecado e que dificilmente se manterá saudável.
-abandono do modelo bíblico de liderança. Segundo o modelo bíblico neotestamentário, o líder não é aquele que subjuga o rebanho para se aproveitar dele, mas, sim, aquele que doa sua vida ao rebanho e o serve. Então, o modelo bíblico de liderança é o do líder-servo (1º Pe 5-2,3).
É imprescindível que levemos a sério esta questão. Talvez, nas comunidades das quais façamos parte esta não seja a realidade vigente, no entanto, se somos mesmo um só corpo, devemos nos importar e batalhar pela saúde da igreja. Podemos fazer isto orando, vivendo a igreja como ela é descrita na Bíblia, pregando e ensinando a fé que uma vez foi entregue aos santos!
Deus nos ajude!
