Páginas

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Vida longa, Barack Obama

Para aqueles que crêem que Deus tem tudo planejado e já conhece todo o futuro e que o homem não tem livre arbítrio, as eleições de novembro deste ano nos EUA não passaram de um passa tempo. Afinal já estava determinado, por Deus, qual candidato venceria. Então não resta dúvida nenhuma, Barack Obama é o melhor candidato. Ele foi o eleito de Deus. Por razões que talvez nos sejam desconhecidas Deus quis que Obama vencesse. E isso até mesmo contra a vontade da maioria dos evangélicos daquela nação. Afinal, quantas vezes Deus não agiria assim? Seja feita, então, a sua vontade e não a nossa!
Mas e se Deus em sua longanimidade deixou que os americanos escolhessem e isso de forma democrática? E se Ele resolveu participar das eleições em segundo plano, de forma indireta, deixando que o povo americano por si só determinasse seu próprio futuro? Então a pergunta permaneceria: será que Obama foi o melhor candidato? Será que os americanos fizeram a escolha correta?
Engraçado que esse é o raciocínio em que nos vemos a cada decisão importante de nossas vidas: casamento, emprego, estudos, viagens, relacionamentos e etc. Nosso desejo no fundo é, nas encruzilhadas da vida, decidir irmos pelo caminho que o Pai preparou para nós. Para assim evitarmos as dores de cabeça, as amolações e o sofrimento. Queremos sucesso, ser bem sucedidos em tudo que fizermos.
Creio que a maioria de nós sabe que a soberania de Deus não exclui nosso livre arbítrio. Sabemos também que as escolhas corretas não excluem o fracasso, e até mesmo sejam, em certo sentido as que nos conduzem a isso. Depende de qual parâmetro usamos para medir o sucesso ou o fracasso. O sofrimento ou a falta dele não servem como parâmetro para isso, como a maioria pensaria.
Ninguém tem dúvida que a vitória de Obama é o resultado positivo da luta de muitos contra a injustiça racial. E nisso Deus é glorificado. Martin Luther King, pelos olhos da fé, contemplou esse dia. Quando um afro-americano, cristão, que demonstra caráter chegaria ao poder de forma democrática.
Imagino que o grande medo dos evangélicos que se opuseram a Obama (as questões relacionadas ao aborto, casamento gay e socialismo) se dissipará com o tempo. Alguns certamente se tornarão mais radicais ainda e odiarão mais ainda Barack. Muitos outros, porém, terão a chance de entender que existe uma outra maneira de se fazer política onde os valores morais cristãos penetram na sociedade como luz e sal e não como fogo e espada. Ou como a Bíblia diz, que é pelo Espírito e não pela força ou violência.
Se foi mesmo Deus quem determinou que Obama assumisse esse cargo, eu creio que é para o bem daquela nação e do planeta. Então aproveitemos a nova primavera que se anuncia. Nosso papel como crentes, brasileiros, é orar por ele e pelos irmãos ali e pedir que Deus nos dê sorte semelhante, ano que vem, no Brasil.

2 comentários:

Rubinho Osório disse...

"escolhas corretas não excluem o fracasso"; "sofrimento ou a falta dele não servem como parâmetro".
Afirmações profundas, dignas de uma reflexão exclusiva sobre o tema: sucesso, fracasso, sofrimento, falta dele... o quê esperamos da vida? O quê precisamos dela?
Mandem brasa!!!

Alysson Amorim disse...

Emocionei-me com o vídeo de King.

Obrigado um grande abraço.