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quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

As pedras sambam

vmo0770 por Alysson Amorim

As recentes alertas do Paulo Brabo, fulcradas em Michel Foucault e Ivan Illich, merecem a melhor atenção dos nossos ouvidos: a Igreja, depois de um tempo, apodrecida pelo processo de institucionalização, torna-se contraproducente, de uma "contraprodutividade paradoxal", no dizer de Illich, porquanto não almejada pelos seus idealizadores.
De uma comunidade saudável, onde há espaço garantido para afirmação da personalidade e vazão da criatividade, é levada ao ponto antípoda de seu projeto inicial, vendo atrofiada sua vocação de espaço emancipador e hipertrofiada as relações de poder que negam o sujeito, objetivando-o.
A graça é assassinada em nome da instituição: a confiança é depositada no objetivo, no quantitativo e na uniformidade, no que resulta a morte da personalidade e a mecanização do homem, no que resulta também na postura frequente de negação da arte na liturgia, ou da redução desta ao utilitário - kitsch. A arte situa-se na esfera da subjetividade, da autonomia, do simbólico, da espontaneidade, das transformações internas, em suma, na esfera da Graça. Quando é negada ou manipulada denuncia a presença dominadora da técnica que escraviza o homem. Eis a crítica situação da Igreja.
Suspeito que as pedras estão clamando ao som do samba que come solto no bar da Esquina: enquanto isso a comunidade pia se reúne para traçar as estratégias que salvarão o mundo, que salvarão estes sambistas inveterados.

Extraído de Fraternus 2007

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Eu e o vento

por Luiz Antonio

Hoje eu senti a dor e o desespero invadirem meu coração. Eu não sabia o que fazer! Não sabia para onde ir! Eu estava tão distante de mim! Eu tentei voltar atrás, achar uma ponte para retornar. Mas eu havia queimado as pontes, não havia como voltar, o jeito seria prosseguir. Mas, às vezes, o fato de não olhar atrás e seguir em frente nos deixa tão vazios. Parece que não se sabe aonde ir. É como dar um salto no escuro, viver de incertezas, não saber o que se é para simplesmente ser.

Emoções à flor da pele. Uma canção que ecoa no silêncio. Um livro tão lindo que não consigo ler. Uma presença ausente que me inquieta. Sentimentos sombrios que me fazem delirar. Verdades que não consigo compreender. Uma vida que não consigo pensar.

Hoje eu olhei para mim.

Vi um menino indefeso. Um garoto inocente. Um rapaz malicioso. Um homem mal. Uma criança encantada. Várias faces, um mesmo ser. Muitas personalidades, uma só pessoa.

Tudo flui.

Não sei de onde venho, nem para onde vou. Como o vento que sopra pela Terra. Com ele eu sigo nessa caminhada de desconstrução, desintegração. Desfazendo-me de mim a cada dia e unindo-me ao Uno que a todos traz vida.

É! Quem quer que eu seja, sou Teu (Bonhoeffer).

“O Vento sopra aonde quer, ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito (Ruah – o Sopro – O Vento).”

Extraído de Fraternus 2007

A eficácia pedagógica de Jesus

por Valdinei Ramos

Os gregos denominavam “pedagogo” os escravos que tinham a nobre missão de conduzir os menores aos seus mentores, portanto, historicamente o termo pedagogia denota, basicamente, a imprescindível “arte de conduzir ao conhecimento”.

Os evangelhos deixam transparecer em suas narrativas que a primitiva característica da pedagogia pode ser claramente percebida na inter-relação de Jesus com as pessoas, em sua rápida, porém significativa, trajetória na palestina do primeiro século.

O caminhar pedagógico do Mestre tinha como objetivo inaugurar um novo modelo de Espiritualidade, requisito indispensável para quem almejasse habitar no benfazejo Reino de Deus, cuja ênfase estava em conduzir homens e mulheres a se apropriarem da verdade libertadora e salvífica.

Evidentemente que para conduzi-los para além de suas cativas existências fazia-se necessário enfrentar algumas estruturas perversas - patriarcalismo, legalismo, ritualismo, dogmatismo, hipocrisia - que aumentavam ainda mais o abismo entre a religião oficial e a as pessoas, em suas reais necessidades espirituais.

Podemos arriscar, com base nos evangelhos, que a pedagogia de Jesus é libertadora, pois proporcionava às pessoas, escravizadas por um sistema religioso sem vida, respirar o ar puro da doce e graciosa misericórdia.

O processo ensino-aprendizagem em Jesus, além de ser desafiador, assume um rosto “festeiro”, ele come, bebe e celebra com “alunos delinqüentes”, refeições que tinham um significado comprometedor, pois significavam declaração irrestrita de profunda amizade.

Outra característica que merece toda atenção na ação pedagógica de Jesus é o diálogo franco, aberto, nivelado e, acima de tudo, problematizador, que conduz as pessoas a fazerem suas escolhas sem qualquer tipo de constrangimento.

O quarto capítulo do evangelho de João, cujo texto descreve detalhadamente o encontro de Jesus com a mulher Samaritana, mostra a eficácia pedagógica de Jesus na construção de um novo paradigma de Espiritualidade.

Ao conversar com uma mulher Samaritana Jesus enfrentou, ou melhor, desprezou as convenções perversas de sua época, pois não era socialmente adequado um homem conversar em público com uma mulher, e não era também menos inadequado um Judeu dialogar com uma desprezível Samaritana, que além de todas estas características indesejáveis, não tinha um currículo moral dos melhores.

Por último, Jesus liberta a mulher e a todos nós da miopia religiosa que vê a presença do Senhor apenas em espaços geográficos específicos e consagrados, confinando-o a determinadas construções humanas, como se fosse possível enquadrá-lo em Templos. 

“Mas vem a hora – e é agora - em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade, pois tais são os adoradores que o Pai procura” Jo 4: 23.

Verdadeiros adoradores, verdadeira Espiritualidade, verdadeira liberdade, onde encontrá-los?

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Teologia da fraqueza...

Hoje eu me pergunto...
Quem sou eu pra escrever no blog "Teologia livre"?
Começo a me lembrar no inicio de tudo...
É verdade que Ele nasceu numa manjedoura, num presépio, sinônimo de simplicidade, mas também de fraqueza?
Um dia, fraco, pensei comigo...
Eu, católico, não sou melhor que meu irmão evangélico! E acho que a partir de então tenho sido instruído no caminho de unidade dos cristãos.
Quando me perguntam qual o segredo do verdadeiro ecumenismo, não hesito em dizer...
Seja fraco!
Por mais assustadoramente simplório que esse conselho possa parecer, ele tem me movido. E sendo fraco tenho chegado a lugares que nunca imaginei estar.
É interessante observar que a fraqueza incomoda muito. Talvez seja por isso que nós cristãos temos andado tão distantes uns dos outros...
"Eu sei que sou fraco, sei que você também é, mas é melhor que cada um fique no seu canto!" Não é assim que pensamos?
Tenho aprendido com o Henri Nouwen que o verdadeiro amor nasce da confraternização dos fracos, pois só assim permitimo-nos transcender à verdadeira força que nos une e que é mais livre que o nosso desejo de sermos fortes.
Ser fraco é atrair essa força unitiva!
Quando me dou conta, já estou tomado dela e ela tomada de mim...
Desapareço, ao mesmo tempo que sou o que nasci pra ser...
Amor que une, simples, fraco como o menino na manjedoura...

O Evangelho “moderno” de Jesus

por Jacqueline Emerich

blog.cls Na arquitetura existe um conceito paradoxal: “Menos é mais”. O autor da frase é Mies Van der Rohe, arquiteto alemão e umas das figuras centrais do Movimento Moderno.
Tudo o que os modernistas não queriam nessa época era repetir o passado, daí a robustez e a simplicidade das obras a partir da década de 20: nada de firulas, nada de ornamentos, nada de rendados no telhado e morte às colunas gregas!
Eles não estavam errados quanto ao conceito: de fato, menos é mais. Porém toda a discussão acerca do menos está muito além de blocos de concreto e painéis de vidros.
O cristianismo contemporâneo talvez tenha muito o que aprender com a simplicidade Moderna. Será que menos ornamentos na fé resultaria emmais pro Reino de Deus? Na arquitetura, o menos tem a ver com plantas livres, espaços abertos, estruturas à vista, a forma seguindo a função. E no cristianismo?
Parece que a fé cristã ainda está vivendo a arquitetura de 1700 e bolinha... É o Rococó Gospel: muita coisa encoberta, muito ornamento, muito emocionalismo, a preocupação em se expressar somente sentimentos agradáveis, as estruturas por debaixo das rendas.
O conforto e a beleza do Rococó nada tem a ver com o evangelho de Jesus Cristo. Pra Ele, menos é mais. Menos teologia, menos grego, menos formas diferentes de batismo, menos teologia relacional, menos predestinação, menos teologia da prosperidade, menos católicos, menos evangélicos, menos, menos, menos!
A simplicidade desconcertante do Mestre põe a baixo todas as formas acadêmicas de se entender a fé. Precisamos aprender com ele. Nada de vãs repetições. Basta de discussões que no final das contas não produzem nada. O “menos” de Jesus diz respeito à vida. Uma vida de fé sem ornamentos, mas repleta de sentido. Uma vida em que o “menos” é mais que “mais”, é acima de tudo Abundante!
Que o Senhor da Simplicidade nos conceda graça pra vivermos o “menos” do evangelho, a fim de que obtenhamos mais pro Reino de Deus.

Extraído de Fraternus 27.10.2007

domingo, 28 de dezembro de 2008

O ateu que (salvo engano) há em nós

Era uma vez quando as fadas e príncipes existiam, quando os anjos pisavama a terra, quando armários abriam mundos mágicos e quando a Bacia das Almas estava aberta para comentários.

Se nesta minha postagem de hoje ou na de ontem te restou ainda alguma dúvida da originalidade do título, quero aqui acabar com todas as suas ilusões e relembrar um fato ocorrido em 09 DE AGOSTO DE 2007, que Brabo entitulou de “O ateu que (salvo engano) existe em mim”. Fato que resultou em nada menos de 74 comentários encerrados com o veredito brabiano “Quanto mais rezo mais crente me aparece. Está fechada esta barraquinha”. Ponto final.

Trago aqui esse assombração para recordar que foi nessa época que me converti para o mundo então bem mais misterioso da Blogsfera. Pouco tempo depois em 05.09.2007 estava dando minha primeira cartada com “Vergonha e honra evangélico-brasileira”.

Não demorou muito para eu descobrir alguns dos principais atores envolvidos naqueles 74 comentários. Alguns dos quais ainda hoje vivem. Mas a descoberta maior foi da pré-história recheadas de batalhas envolvidas na conquista do espaço cibernético. De um lado Ed René - que perdeu parte de sua aura quando Lou tornou público que dividia o sanduiche de mortadela com o cara na época do recreio em um seminário na capital de São Paulo - e Gondim, permanecendo como um dos intocáveis, que foi perseguido pela ala conservadora, tornando assim sua aura mais brilhante e nunca esteve aberto para comentários pebleus plebeus. E P.Purim que provocou o pai e recebeu a resposta do filho numa guerra com propósitos.

Os propósitos… e toda uma camada de verniz determinista foi sendo removida de minha vida espiritual como resultado dessa descoberta. Oxigênio novo começou a ser enjetado a partir de uma nova perspectiva teológica relacional. O que tem me feito muito bem.

No outro lado do campo de batalha estavam gente como Nicodemus, e os outros dois Têmporas, Norma e Nagel (outro conservador foi um tal de Júlio Severo que tomou uma catracada de C. Fábio que fez meu PC ficar vermelho de vergonha. Mas ambos permaneceram à margem das verdadeiras batalhas travadas na blogsfera intelectual evangélica brasileira).

Passada esta carneficina canificina virtual de 2007 e da descoberta do “outro Deus” e toda polêmica que trouxe, pessoas então como Pavarini, Lou e Volney passaram a dar o tom na Blogsfera num contato mais próximo e dinâmico, segundo o meu humilde ponto de vista.

Juntamente com eles outros como Rubinho, Alice e Geórgia e mais alguns seguiram uma linha mais light, de um Blog cristão, de cristãos com seus Blogs com a tônica original (fazendo o Blog funcionar como uma espécie de “diário”). Isso faz com que o contato tão virtual, se tornasse tão mais pessoal e menos “piedoso”.

Assim tendo como referência esse Bairro Nobre, consigo encontrar outros indivíduos no ambiente institucionalizado -"Isso é mais ou menos o que Cristo fez, no seu contexto", disse-me agora o Alysson, "sua relação com Torá e as instituições foi subversiva: é o sábado que deve servir ao homem". Nesse sentido me sinto bem servido.

E como nós, igreja, precisamos disso hoje…

Viveríamos felizes para sempre.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Obrigado Deus é Natal

Oh meu amor nós tivemos nossa parte de lágrimas
Oh meu amigos nós tivemos nossas esperanças e medos
Oh meus amigos esse foi um longo e árduo ano
Mas agora é Natal
Sim é Natal
Obrigada Deus é Natal

A lua e as estrelas parecem terrivelmente frias e brilhantes
Vamos esperar a neve fazer esse Natal verdadeiro
Meu amigo o mundo fará parte dessa noite especial
Porque é Natal
Sim é Natal
Obrigado Deus é Natal  

Por uma noite
Obrigado Deus é Natal sim
Obrigado Deus é Natal
Obrigado Deus é Natal
Pode ser Natal?
Deixe ser Natal
Todo dia

Oh meu amor nós temos vivido em dias confusos
Oh meu amigo nós temos os caminhos mais estranhos
Todos os meus amigos nesse dia dos dias
Obrigado Deus é Natal
Sim é Natal
Obrigado Deus é Natal  

Por um dia
Obrigado Deus é Natal
Sim é Natal
Obrigado Deus é Natal
Oooh sim
Obrigado Deus é Natal
Sim sim sim sim é Natal
Obrigado Deus é Natal
Por um dia


Um Natal muito feliz para vocês todos!!!

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Um conto de Natal (5)

wbm20081017103528 Eu estava ali na pracinha observando aqueles dois homens avaliarem seus selos. O colecionador pegava a lupa e observava selo por selo bem detalhadamente. Depois consultava algum dos muitos catálogos que tinha. Não eram muitos selos, mas muito preciosos. Logo chegaram à conclusão que a pequena coleção valia quase R$ 50.000,00.

O colecionador falou ao velhinho.

- Você quer R$ 50.000,00 pelo envelope com todos selos?

- Sim. Por esse dinheiro o envelope é seu.

- Mas não tenho esse dinheiro todo agora. – Disse o colecionador que sabia que todos os seus selos juntos e sua coleção particular não dariam mais de R$ 25.000,00. E seus selos era praticamente a única coisa que possuia. Aliás, não tinha a menor idéia de como poderia conseguir a outra metade daquela fortuna.

- Então nada feito, estou hoje aqui só de passagem. Viajo hoje a noite. Disse o gringo pegando os selos e guardando-os no envelope.

Nessa altura o colecionador começou a mostrar seu nervosismo com uma leve tremedeira de mãos e voz.

– O que eu poderei fazer é te dar um cheque para semana que vem...

– Não. Eu teria que fechar esse negócio hoje e não aceitaria cheque em hipótese alguma. Disse o gringo guardando o envelope.

- Então nada feito disse o colecionador, com os olhos um pouco lacrimejantes. E visivelmente abalado.

O velhinho já estava se despedindo quando o colecionador tentou seu último trunfo. – Mas e se eu lhe der um cheque de R$75.000,00, o valor da coleção mais a metade?

Então o americano tirou o envelope do bolso. – Se eu puder descontar esse cheque amanhã, por esse valor você recebe a coleção.

- Recebo  o envelopet com toda coleção?

- Claro.

- Então espere, pois terei que dar alguns telefonemas.

O colecionador ligou para alguns outros colecionadores da capital capixaba, um dos diretores da siderúrgica de Tubarão apaixonado por selos e para um filatelista famoso do Rio e alguns outros conhecidos. Após alguns minutos estava assinando o cheque e sacramentando a transação passando-o para o americano.

O brasileiro acabara de vender tudo o que tinha, todos os seus selos, sua coleção particular, alguns pertences e inclusive a nova coleção que acabara de adquirir, com os olhos de boi, tudo. Tudo para chegar à soma de setenta e cinco mil reais, pois ele, na verdade só tinha um interesse.

O americano lhe passou o envelope com os selos, com um riso de canto de boca. Com seu penetrante olhar azul ele observava o brilho nos olhos daquele brasileiro.

imageAquele envelope estava selado com um selo americano autêntico, valor original de um cent, datado de 1868 com a imagem de Benjamim Franklin, conhecido como Z Grill, um dos selos mais caros do mundo estimado hoje em três milhões de dólares. O colecionador da pracinha de Guarapari, homem entendido em filatelia, sabia muito bem disso. E inexplicavelmente aquele velhinho americano também.

Após eu testemunhar toda aquela negociação vi mamãe e papai com meus irmãos que já haviam acordado de seu sono passando pela pracinha. Eles me procuravam para tomar um sorvete. Fomos andando pelo calçadão da praia das castanheiras conversando e rindo sobre algo que já não me lembro mais o quê.

Leia também: Um conto de Natal (1)

Um conto de Natal (2)

Um conto de Natal (3)

Um conto de Natal (4)

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Um conto de Natal (4)

natal 75 A verdade é que quando me lembro de Natal em Guarapari não posso ocultar três fatos marcantes e determinantes de minha espiritualidade:

O primeiro deles está relacionado às missas de Natal na igreja de Nossa Senhora da Conceição, que tem o formato da um barquinho a vela. Gostava de estar ali, cantar as músicas típicas de Natal e sentir aquele vento vindo do mar entrando pela janela. Observava com curiosidade o presépio. Como poderia aquele menino ser Deus? E todos aqueles anjos em meio aos animais criavam um cenário um tanto quanto atípico para alguém nascido e crescido em uma grande cidade.38853827yMIfne_ph

O segundo fato está relacionado aos altos bate papos que tínhamos em família. Certa vez meus tios presbiterianos e eu conversávamos sobre religião. Meu tio mencionou algo sobre a luta entre o espírito e a carne, e a influência que Deus e o Diabo tinham sobre um e outra. Fiquei muito perturbado ao ouvir aquilo. Primeiro não gostava de ouvir sobre o Diabo de forma não abstrata. Depois aquela idéia de espírito e carne com diferentes inclinações era algo novo. Para um mineiro no auge de sua adolescência, ouvir falar de paixões carnais relacionada com o Diabo em suas férias de verão estava completamente fora do script. Custei a tirar aqueles pensamentos da minha cabeça, aquela noite.

Por fim, talvez por não conseguir vencer aquela idéia enxertada por meu tio, me via mergulhado em uma profunda crise existencial. Já não tinha tanto prazer assim nas missas de Natal... Comecei a ler e me interessar por algo sobre o budismo, viagem astral e poder da mente. Em pouco tempo me vi sem referencial. Onde estaria afinal a verdade disso tudo? Como podemos ter certeza que uma religião e certa e a outra não? Essas foram algumas das perguntas que jogava diante do mar, vendo o por do sol alaranjado, ou que fazia em minha caminhada pela manhã quando saía para comprar o pão quentinho.

Foi quando aconteceu o terceiro fato. Conversava com minha  mana mais velha sobre esses grilos, e ela, na época passando por um reavivamento espiritual, ativa na igreja, me afirmava categoricamente que haveria como termos certeza. Mas como? Perguntava eu sedento - Roger, a Bíblia é a Palavra de Deus, o que está ali é verdade. - Mas como você pode garantir isso, Elisa? - Eu revidava. - Deus não nos deixou na mão. Podemos confiar na Bíblia - E ela afirmava de forma tão convicta e amorosa que uma hora acreditei. Não consegui conter as lágrimas. Nos abraçamos e chorei aliviado de alegria. No ano seguinte passei a devorar aquele livro de capa marrom.

natal 80Continua…

Leia também: Um conto de Natal (1)

Um conto de Natal (2)

Um conto de Natal (3)

domingo, 21 de dezembro de 2008

Uma teologia da liberdade (3)

image 2) Atos

Não aquilo que prefiro, mas o correto fazer e ousar, não ficar suspenso na possibilidade, a realidade bravamente agarrar, não na fuga dos pensamentos, apenas nos atos está a liberdade.

Escape do medo da exitação para a correnteza dos fatos, somente pelos mandamentos de Deus e por sua fé ser sustentado, e a liberdade irá com júbilo receber seu espírito.

D. Bonhoeffer em "Estações no caminho para a liberdade".

Veja também: Uma teologia da liberdade (2)

A Morte - o último inimigo (3)

*Comemoramos assim nossa postagem de número 100! São pequenos atos, virtuais, mas reais. Que eles nos ajudem a sermos levados pela corretenza para os braços da liberdade.

Um conto de Natal (3)

natal 74 O colecionador

Na pracinha em frente ao Ed. Caparaó, onde ficávamos por uma quinzena, tinha um coreto. Nele Papai Noel chegava e distribuía balas e chocolate para a criançada.

Também nesta pracinha, que tinha uma banca de jornal e era coberta pala sombra amiga de várias castanheiras, aparecia todo ano um colecionador de selos com sua barraquinha e diversos selos para vender. Fatalmente ali ia parar boa parte do meu dinheirinho.

Observava e namorava aqueles selos dias a fim até não resistir mais à tentação e levar alguns deles para meu álbum.

Lembro como se fosse ontem, era uma tarde de sol quente, quando todos faziam a sesta. Eu desci para a pracinha e estava, como de costume, vendo com as mãos os diversos conjuntos de selos multicores ali expostos. Esses conjuntos eram agrupados às vezes por ano de emissão ou por tema, como Natal, Olimpíadas, ecologia e etc.

Naquela tarde chegou um velhinho na barraca com um leve sotaque de gringo. Ele tinha um envelope selado nas mãos, o qual estava cheio de selos antigos, a maior parte brasileiros, mas alguns estrangeiros, principalmente americanos. O velhinho queria ver se poderia negociá-los.

Logo que viu aquele envelope cheio de selos, os olhos de nosso imageamigo colecionador brilharam. Confesso que fiquei também excitado com aquele tesouro antigo. Mal pude acreditar quando de dentro daquele envelope saíram, dentre outros, três olhos de boi, um selo, na verdade feio, ma o mais raro e caro do Brasil, emitidos na época de D. Pedro II. Somente aqueles três selos valeriam algo em torno de R$ 35.000,00 em valores de hoje. E tanto o velhinho como o colecionador sabiam disso.

Continua…

Leia também: Um conto de Natal (1)

Um conto de Natal (2)

sábado, 20 de dezembro de 2008

Um conto de Natal (2)

natal 72 A magia

Ali em minha “cidade natal” havia uma magia inexplicável. Talvez pura radiação das áreas monazíticas, talvez fosse o sol quente, talvez o mistério do mar…

Aquele movimento das ondas incomodavam descaradamente a certeza imóvel que as serras das alterosas nos ensinavam. O oceano provava que tudo poderia ser diferente do velho jeito rotineiro da capital mineira, com suas obrigações maçantes e previsibilidade.

O Mundo era outro, a rede Globo virava TV Gazeta e nos transmitia religiosamente a sua emocionante mensagem de que “hoje é um novo dia de um novo tempo que começou”!

Ali Papai Noel chegava de forma invisível, driblava nossas armadilhas e deixava um brinquedinho embaixo de nossas camas. Lembro-me até hoje da surpresa que tive ao achar pela manha uma sinuquinha, exatamente como lhe havia pedido em minha cartinha.

Pobres meninos… Pobre Papai Noel que desapareceu também como mágica no dia em que após um interrogatório sem fim, puxado por meus irmãos mais velhos e mais expertos, papai acabou confessando sua dupla identidade e nos desapontando profundamente por mentir, fingir e destruir de forma cruel e sem piedade aquele sonho gostoso do pobre velhinho generoso.

Acho que foi a partir de então que deixamos de ganhar presentes no Natal e passamos a ganhar uma quantia justamente homogênea, fixa e reajustável com a inflação, de 300 cruzeiros.

Mas havia ainda muita esperança, afinal aquele dinheiro poderia ser bem empregado nos fliperamas, nas barraquinhas, nos vendedores de picolé e água de coco, no parquinho e principalmente em meu hobby preferido: nossa coleção de selos.natal 73

Continua…

Leia também: Um conto de Natal (1)

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Celebrar a mensagem de Cristo

image “Estava tristemente certo o cara que disse que o meio é a mensagem, porque o veículo apropriado para a mensagem cristã não é um filme. Não é o celulóide. Não é nem mesmo um livro, porque senão o Antigo Testamento teria bastado. Há na verdade um só vaso (um só meio) que comporta a mensagem cristã: uma vida humana, um corpo humano, um exemplo humano – uma paixão humana. E a vinda, a história e a ressurreição de Jesus são justamente a prova definitiva e irrefutável disso. Jesus redimiu a condição humana ao ponto de tornar um corpo humano um vaso puro capacitado a representar e estabelecer o reino de Deus na terra. Por isso é que celebrar a mensagem de Cristo sem que seja através do veículo que ele nos desafiou a usar (nossa vida, nosso corpo, nosso exemplo), é em última instância insuficiente e – temo – contraproducente.”

 Por PAULO BRABO em A Paixão Humana

Um conto de Natal (1)

image

Costumo dizer que Guarapari é minha cidade natal.

Nasci, de fato, na capital mineira no ano de 1970 da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo. Quando o Brasil ganhava o tricampeonato mundial e no exato dia quando papai fazia seus 38 anos - minha idade hoje.

Todavia, mal chegava dezembro trazendo suas chuvas a Belo Horizonte, já estávamos de malas, frasqueira e trouxas prontas para a viagem de verão. O meio de transporte foi inicialmente uma Vemaguete bege, que passou para um Fusquinha e depois uma Variante azul que custou a variar para uma Brasília. Aí então a família que éramos seis passou para somos sete, e o percurso pela esburacada e desbarreirada BR 262 passou a ser feito ora via Itapemirim, ora via São Geraldo.

E lá bem pertinho do mar, nas praias capixabas comemorávamos nosso Natal. Escrevíamos para e recebíamos carta de Papai Noel. Fazíamos nossa novena de forma religiosa e obrigatória, encenávamos nossos teatrinhos e íamos à missa.

Com o passar das décadas Guarapari tornou-se o ponto oficial de encontro da família de papai e no Natal tínhamos grandes comes e bebes e altos bate papos com tios, primos, irmãos e pais.

Me lembro raramente dos natais que passei fora de Guarapari. Digo Natais de verdade, com letra maiúscula, pois somente na infância é que vivenciamos natais deste naipe.

Continua...

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

O que Rousseau e as histórias de Tarzan e Mogli têm de real

250px-Adventures_of_Tarzan_-_Elmo_Lincoln

“Porque apenas alguém morrerá por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém ouse morrer. Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores.” - Paulo aos Romanos capítulo 5 versículos 7 e 8.

Jesus disse que a maior prova de amor está em alguém dar a própria vida pelos seus amigos. Porém, é sabido que quando Cristo morreu por nós ainda éramos seus inimigos…

Me lembro certa vez ao papear com um grande amigo de infância, o Fred, que falávamos das maldades do coração humano, e ele logo revidou que também há bons tesouros ali escondidos. Não tive como contra-argumentar…

Eis o dilema: afinal é o homem bom ou mau?

Existe o homem bom (ou justo) que por ele alguém ouse morrer? Cristo chamou seus discípulos de amigos, mas Paulo destaca que Ele morreu quando ainda éramos seus inimigos. Eis o dilema: afinal é o homem bom ou mau? Como sair dessa contradição humana?

Não há saída, somos mesmo contraditórios e permaneceremos assim: “miserável homem que sou quem me livrará do corpo dessa morte!” - Exclama o apóstolo dos gentios.

Rousseau ao ser confrontado por Francis Schaeffer é visto como um falso profeta do modernismo, que levou o homem a se afastar de Deus e levou a sociedade européia (e mundo) ao secularismo. Até que ponto as coisas são de fato assim mesmo?

Entendo da seguinte maneira:

1) Rousseau não falhou ao considerar o homem selvagem como puro e bom. Na verdade o homem civilizado também pode ser puro e bom!

2) A falha de Rousseau está em determinar que a civilização seja a causa dos males e da corrupção moral do indivíduo (embora essa obviamente exerça o seu papel para isso). Obviamente o homem seja ele selvagem ou civilizado é mau e se inclina para a maldade independente do seu ambiente.

Como crentes temos como verdade revelada que o homem foi criado bom (e esse é seu verdadeiro estado primitivo). E essa é a marca que permanece nele apesar da queda: Em sua origem mais remota o homem é bom, foi criado à semelhança de um Deus bondoso. A queda não lhe remove essa marca como não lhe remove necessariamente outras características, mas a deteriora drasticamente em diferentes níveis, dependendo de indivíduo para individuo e dependendo de diferentes situações e estados de espírito em cada indivíduo.

Assim o homem caído é mau (ainda os cristãos são maus) e permanecerá mau  até que haja uma total redenção, daí a necessidade de perdoar e de se pedir diariamente perdão pelos pecados, como o Cristo nos ensina na oração do Pai Nosso.

O que Rousseau e as histórias de Tarzan e Mogli têm de real é que o “progresso” das civilizações trouxe consigo males que o indivíduo primitivo (ou os animais) não possui em seu estado natural. Assim como Adão, os índios e também as crianças recém nascidas estão nus.

Nesse sentido a liberdade proposta por Rousseau tem sua razão de ser: Ela me remete para a solidão, para a isolação, para minha nudez original. Afinal, por quê e de quem eu precisarei me esconder e cobrir estando sozinho?

Como FS a definiu: é a liberdade absoluta.

“A liberdade que advogam é autônoma em que nada há a restringi-la. É a liberdade sem limitações. É a liberdade que não mais se ajusta no mundo racional. Apenas espera e tenta fazer pela força da vontade, com que o indivíduo finito seja livre – e tudo o que resta é expressão própria, expressão pessoal.”

À parte dos exageros, essa liberdade é muito importante hoje. Todavia, tem o seu fim quando esse indivíduo necessariamente encontra a comunidade da qual faz parte, o que acontecerá mais cedo ou mais tarde, querendo ou não. Somente nesse alternar de solidão e vida em comunidade é que nós conseguimos sermos nós mesmos, deixar que os outros sejam eles mesmos e melhor nos interagirmos. E assim começamos a desfrutar da verdadeira liberdade.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Amor e Liberdade

by Nani

image “Dois grandes anseios de nossa época: o amor e a liberdade. Nós queremos amar e ser amados. Nós desejamos ser livres. Mas será que amor e liberdade podem andar juntos?
Meu convite para responder essa questão é irmos excluindo as situações em que as duas variáveis não conseguem conviver. E depois, talvez, cheguemos a uma conclusão.
Primeiramente, um amor que aprisiona o outro dentro de uma redoma de ciúmes, desconfiança e possessão. Vemos muitos casos assim todos os dias, seja na vida real ou na ficção. Temos que admitir que isso não é amor, mas sim insegurança, podendo chegar a níveis patológicos.
Por outro lado, temos o amor sem compromisso, sem fidelidade e sem memória no dia seguinte. Isso também não é amor, geralmente é promiscuidade pura e simples. Talvez seja este o tipo de relação entre amor e liberdade que mais tem sido propagado em nossos tempos, provocando danos muitas vezes irreparáveis.
Do mesmo modo, liberdade sem qualquer tipo de amor, de cuidado e de limites não é liberdade, é descaso. Infelizmente, muitas famílias e instituições de ensino têm passado por este tipo de liberalidade que não educa e não traz conforto, simplesmente tira a responsabilidade dos pais e dos professores.
Então, talvez, tenhamos chegado a uma conclusão: amor e liberdade só podem andar juntos. Porque quando não há um, dificilmente há o outro.
Quem ama, liberta. Assim acontece com todos nós quando nos tornamos adultos. Na maioria dos lares, os pais educam seus filhos com amor para a liberdade. E em nenhum momento isso se dá de forma indolor. Durante a infância, é sempre bom lembrar estas palavras: “Eu repreendo e disciplino a quantos amo”. No final, quando chegada a hora da partida, não é sem peso no coração.
Quem liberta, ama. Deus se colocou como o libertador de Israel, dos pequenos, dos pobres e dos oprimidos por causa do amor ao Seu nome e do amor pelo seu povo. De forma similar, Jesus foi a verdade que nos libertou do domínio do pecado através da sua Paixão – não é por acaso este nome! Frente ao jugo deste mundo, o Espírito Santo constantemente nos fortalece e nos capacita em liberdade de consciência e amor ao próximo.
Encerro com uma passagem de Paulo: “Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis então da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pelo amor”.”

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Uma teologia da liberdade (2)

3) Sofrimento 

"Maravilhosa mutação. As mãos fortes e atuantes lhe são amarradas. Impotente, sozinho você vê o fim de seus atos. Porém você suspira e entrega o direito calmamente e consoladamente em mãos mais fortes e vê-se satisfeito. Apenas num piscar de olhos você toca a bem aventurança da LIBERDADE, então você a entrega a Deus, para que ele de forma majestosa a consume."

D. Bonhoeffer em "Estações no caminho para a liberdade".

Veja também: A Morte - o último inimigo (3) e Uma Teologia da Liberdade (1)

sábado, 13 de dezembro de 2008

Honrar a Mãe

As vezes tenho a impressão que na prática, as igrejas de linha reformada e de cunho mais tradicional se prestam a um único papel: ser ANTI alguma coisa.

  • Anti-católica
  • Anti-mariana
  • Anti-ecumênica
  • Anti-socialista
  • Anti-alcoólica

...e por aí vai.

O pior é que se chega a conclusão é que no fim das contas se não houvesse algo a que ela pudesse se opor ela não teria identidade, igrejas que mantém esse tipo de posição não entenderam muito bem o real sentido da Reforma Protestante promovida por Lutero em 1517, por mais que alguns possam discordar, Lutero não queria uma igreja separada da igreja católica, e não estava fundando um movimento que seria contra tudo e contra todos o tempo todo, com o passar dos tempos algumas igrejas que surgiram desse movimento acabaram se apoiando demasiadamente no termo "protestante" e esqueceram da "reforma", ninguém reforma algo do qual não quer usufruir mais ou não quer cuidar, tudo que nos propomos a reformar em nosso dia a dia é para o nosso próprio bem estar, enfatizar demasiadamente o termo "protestante" e protestar contra tudo e contra todos o tempo todo, não é protestar, é "fazer birra", é demonstrar imaturidade ao não querer se adaptar com aquilo que é diferente de você ou pensa diferente de você, é querer ser sempre uma igreja "do contra". E o pior dos "antis" ao meu ver, é ser anti-mariana. 

Não que eu seja a favor da idolatria, não sou a favor da idolatria à qualquer pessoa e objeto que seja, porém uma igreja que diz seguir os mandamentos do Filho se prestar quase que exclusivamente à denegrir a imagem da Mãe, é uma coisa que me intriga e ao mesmo tempo revolta.


Intriga-me a insistência de vários teólogos e pastores de linha reformada em afirmar a não-virgindade de Maria, como se isso fosse de extrema importância à fé cristã. Durante 1535 anos ninguém pôs em cheque a perenidade da virgindade de Maria, é à partir de Calvino e sua tradição protestante reformada que isso é colocado em cheque, nenhuma outra tradição protestante compactua com tal afirmação, ela só vai ganhar apoio depois do surgimento do movimento evangélico. Agora pergunto: QUAL A RELEVÂNCIA DE SE AFIRMAR JUSTAMENTE O OPOSTO? Ao meu ver é uma ofensa barata e picuinha, pois não haveria mal algum se Maria tivesse outros filhos com José, no entanto, a insistência em contrariar uma tradição de 1535 anos é puramente querer ser "do contra", de nada acrescenta de positivo uma afirmativa dessas, muito pelo contrário, pois ao meu ver só se destaca pelo aspecto negativo. Ao afirmar a perenidade da virgindade de Maria, se valoriza o impacto e a importância que a mesma deu ao que aconteceu com ela, como ela mesma se manifesta quando lhe é revelado que ela dará a luz ao Filho de Deus:

"Minha alma proclama a grandeza do Senhor,
meu espírito se alegra em Deus, meu salvador,
porque olhou para a humilhação de sua serva.
Doravante todas as gerações me felicitarão,
porque o Todo-poderoso realizou grandes obras em meu favor: seu nome é santo,
e sua misericórdia chega aos que o temem,
de geração em geração." - Lucas 1:46b-50


Se tal revelação já suscita em Maria tamanha admiração por ter sido a escolhida, todo o processo que ela passou até a concepção de Jesus, só me faz crer que aquele sentimento inicial se tornava cada dia mais crescente quando a promessa se tornava cada vez mais real, dia após dia.

Gostamos muito de ressaltar que quando a bíblia diz "Jesus habitou entre nós", a palavra "habitou" é o mesmo sentido da presença do Tabernáculo quando o povo de Israel andava pelo deserto, dizendo que Jesus "tabernaculou" entre nós. Mas essa presença como Tabernáculo não foi ocupando o mesmo espaço, exceto em Maria, antes de Jesus "tabernacular" entre nós, Ele "tabernaculou" Maria, na figura do Tabernáculo, seria algo como se o "Santo dos Santos" no Tabernáculo, agora fosse Maria, pois nela se encontrava não só a presença de Deus através do Espírito Santo, mas também o próprio Deus através de Seu Filho.

Necessita-se  de um argumento muito mais sólido do que o argumento protestante da "Sola Scriptura" para tentar refutar o argumento da perenidade da virgindade de Maria, pois nesse caso, esse argumento torna-se totalmente obsoleto e irrelevante, pois Maria não é algumas linhas de um escrito, ela foi um ser humano, por isso me chamou a atenção o relato de uma análise que uma psicóloga protestante fez quando se propôs, junto com outros psicólogos protestantes analisar o impacto psicológico sofrido por Maria, devido o fato de ser escolhida para dar à luz ao Messias. Quando digo o "impacto psicológico sofrido", não imputo aí algo de negativo, mas algo de relevante, pois todo e qualquer acontecimento nos causa um impacto psicológico, que pode ser um impacto menor ou maior, positivo ou negativo. E imagino eu, que dada a importância que é ser escolhida para dar a luz ao Filho de Deus, é um grande impacto e portanto, chegaram à conclusão que tamanho impacto poderia sim, marcar uma mulher de tal modo que ela realmente poderia optar por nunca mais ter outro filho. 

Mesmo antes de ouvir essa palestra, a minha opinião já era a favor da perenidade da virgindade de Maria, pois ao meu ver não há nada de positivo em teimar em afirmar o contrário, e a palestra só veio reforçar esse meu pensamento.

Fora esse aspecto, há o aspecto dúbio da exegese quando se fala em irmãos de Cristo (na tradução João Ferreira de Almeida), quando a palavra usada no grego abre precedentes para a possibilidade da mesma palavra grega ser usada para "primos".


E argumento exegético por argumento exegético, onde se encaixa então o fato de Jesus ter apresentado João à Maria e vice-versa? Com certeza ambos se conheciam e não havia necessidade de apresentações formais, principalmente numa situação tão dramática como aquela. A única coisa que podemos entender é que, ali Jesus estava entregando à João, sua mãe, para que ele cuidasse dela, e para que ela não se sentisse só, Jesus apresenta a ela o seu "apóstolo amado". Mas qual seria o próposito disso se Maria já tinha outros filhos e um esposo? Aliás onde estão os irmãos de Jesus quando o mesmo está sendo crucificado? Se caso existiram, que espécies de irmãos eram esses que não compareceram em solidariedade num momento de tanta dor? A Bíblia não diz, a única coisa que a Bíblia nos deixa entender nesse momento é que Maria e João estavam sozinhos à essa altura da vida, por isso que a atitude de Jesus foi necessária. 

Em termos de ética, prefiro ficar com a posição que preserve a integridade de alguém tão importante para a fé cristã quanto foi Maria, do que me empenhar no trabalho de tentar denegrir à sua imagem. Aí você me pergunta:"Como que um esposo ter relações com sua esposa é denegrir a imagem de alguém?". Via de regra não é, mas se somos considerados templos do Espírito Santo e por isso devemos ter uma vida santa(separada), uma convicção muito mais forte(ao meu ver) ficaria no coração de Maria de querer fazer daquela experiência a única. E se José à apoiou no primeiro momento, não teria "porquê" depois ele não a apoiar. Pois aquilo que os unia era algo muito mais elevado que isso. Era o casamento e não apenas uma união carnal. Tão banalizada no mundo hoje, dentro e fora da igreja.

No meio evangélico, por exemplo, casais noivam do dia para noite e adiantam casamento porque não conseguiram manter a sua castidade enquanto casal, sem falar nos casais que casam exclusivamente porque querem manter relações sexuais, esse fenômeno pode ser verificado conferindo a idade média desses casais que variam entre 18 a 22 anos, e fazem isso para tentar encobrir o fato. E no meio evangélico ninguém diz nada à respeito e acha tudo normal.

Ao meu ver é uma grave violação à santidade e importância do casamento.

No entanto, esses mesmos evangélicos não poupam esforços pseudo-exegéticos argumentativos para afirmar a não-perenidade da virgindade de Maria. Fazendo isso, coloco em cheque sem nenhuma dúvida se realmente essas pessoas são seguidoras de Cristo, pois como alguém pode se dizer seguidora de Cristo e ao mesmo tempo se esforçar no papel de denegrir a imagem Daquela que foi escolhida por Deus para que o Seu Filho viesse ao mundo?

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Será preciso morrer

por Paulo Brabo

1187808422"Alcançar a individuação é conciliar consciente e inconsciente, e vivemos doentes os que vivemos adiando essa jornada e esse destino. Porém em geral preferirmos a doença, porque intuímos em nosso silêncio (intuímos corretamente) que para encontrar a individuação é preciso transgredir todos os limites do conforto, dos privilégios e das prerrogativas. Para curar-se da doença é preciso escolher a morte e o esvaziamento. É necessário mendigar o conforto no desmembramento e na tragédia.

Não temos como saber se sobreviveremos à contemplação da nossa imagem na semelhança do espelho; porém, se nossa narrativa deve avançar, será necessário nos despirmos das ilusões e nos vermos como realmente somos.

Ou seja, será preciso morrer."

Fonte: Bacia das Almas, título original: Alcançar a individuação

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

BEM-AVENTURANÇAS - OS QUE CHORAM

Jesus começa a sua pregação para aquela multidão reunida no monte, em torno dEle, apontando situações humanas comuns que caracterizam a caminhada da humanidade ou situações de dor e sofrimento e o tipo de conseqüência que cada situação poderia produzir. Ele como que sensibiliza e prepara o espírito e o coração de seus ouvintes para tudo o mais que Ele iria apresentar. Fala da pureza, da dor e do sofrimento, das perseguições e do prêmio guardado por Deus aos que são fiéis à sua palavra.

HOJE EU, MINHA FAMÍLIA E NOSSOS AMIGOS BUSCAMOS A CONSOLAÇÃO NAS PALAVRAS DE JESUS E O Sermão da Montanha nos inclui no meio dos que CHORAM:

Bem-aventurados os que choram, Porque serão consolados!

Não existe na Bíblia nenhuma passagem que fala que Jesus estava sorrindo, mas há registro de que chorou algumas vezes. Uma delas foi junto de Marta e Maria, diante do túmulo de seu amigo Lázaro. A dor, o sofrimento fazem parte da caminhada dos filhos de Deus aqui na terra. Aqueles que desejam seguir as pegadas de Jesus devem tomar a sua cruz e acompanhá-Lo pois ele disse que estreita é a porta de entrada no Paraíso. Só no céu não haverá mais dor, choro e sofrimento. Aqui estaremos sempre alternando alegria e sofrimento, até a partida definitiva para nossa mansão celeste: a casa do Pai.

01. Análise( Por que e para que)

A dor e o sofrimento nos acordam para as verdades eternas, para a prática do bem, para o que é correto aos olhos de Deus, para nos lembrar a nossa caminhada para o Reino Definitivo e nos ajudam a corrigir nossas imperfeições para alcançar o perdão e a graça de Deus.
São Paulo nos ensina que quando Deus nos corrige é " para sermos participantes da sua santidade "
E mais ainda: "E, na verdade, toda a correção, ao presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza, mas depois produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela ".

02. Exemplo Bíblico »JÓ [36]


Na história de Jô, por meio da fala de Eliú, podemos compreender o sentido da dor e do sofrimento para correção dos filhos de Deus.
Assim ele nos fala:

Eis que Deus é mui poderoso, contudo a ninguém despreza; grande é no poder de entendimento.
Ele não preserva a vida do ímpio, mas faz justiça aos aflitos.
Do justo não aparta os seus olhos; antes com os reis no trono os faz sentar para sempre, e assim são exaltados.
E se estão presos em grilhões, e amarrados com cordas de aflição, então lhes faz saber a obra deles, e as suas transgressões, porquanto se têm portado com soberba.
E abre-lhes o ouvido para a instrução, e ordena que se convertam da iniqüidade.
Se o ouvirem, e o servirem, acabarão seus dias em prosperidade, e os
seus anos em delícias.
Mas se não o ouvirem, à espada serão passados, e expirarão sem conhecimento.
Assim os ímpios de coração amontoam, a sua ira; e quando Deus os põe em grilhões, não clamam por socorro.
Eles morrem na mocidade, e a sua vida perece entre as prostitutas.
Ao aflito livra por meio da sua aflição, e por meio da opressão lhe abre os ouvidos.
Assim também quer induzir-te da angústia para um lugar espaçoso, em que não há aperto; e as iguarias da tua mesa serão cheias de gordura.
Mas tu estás cheio do juízo do ímpio; o juízo e a justiça tomam conta de ti.
Cuida, pois, para que a ira não te induza a escarnecer, nem te desvie a grandeza do resgate.
Prevalecerá o teu clamor, ou todas as forças da tua fortaleza, para que não estejas em aperto?
Não suspires pela noite, em que os povos sejam tomados do seu lugar.
Guarda-te, e não declines para a iniqüidade; porquanto isso escolheste antes que a aflição.

03. Situações de Vida ( Exemplos e Testemunhos) - Aplicação

Sofre alguém dentre vós um contratempo?
Recorra à oração. A oração da fé salvará o doente e o Senhor o porá de pé ; e se tiver cometido pecados, estes serão perdoados...
O Senhor é misericordioso e compassivo....
Orai uns pelos outros para que sejais curados. ( Tiago 5, 13-16 )