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terça-feira, 22 de setembro de 2009

Dominação da ótica gerencial

Para melhor entendermos o que se passa hoje nas igrejas é essencial um conhecimento mais apurado do que se passou na revolução industrial e seus desdobramentos.

A idéia de que quando o cristianismo chegou à América, virou negócio, tem sua razão de ser. Não é por acaso que um dos temas mais debulhados e menos resolvido nos púlpitos, nos livros e nos seminários seja a questão dos dons espirituais e talentos. Não é de se estranhar essa obsessão pela descoberta “particular” dos dons do Espírito, afinal nossa sociedade começou a partir do século XVII a ser moldada pelos princípios da divisão do trabalho e do mérito da performance.

Outra evidência dessa dominação da ótica gerencial sobre o mundo eclesiástico pode ser vista nas palavras da moda, como: propósito, plano, missão, estratégico e outras do gênero.

Isso quer dizer que para entendermos porque esse edifício está condenado, não precisamos ficar meditando muito na óbvia formalidade suicida da estrutura organizacional de uma igreja, com seus departamentos, budget e etc., basta irmos à coluna mestra que (pelo menos teoricamente) deveria sustentar o espírito administrativo do negócio: sua declaração de propósitos, sua missão, ou seja lá como você queira chamar ela.

Ou seja, os princípios gerenciais que são aplicados no mundo organizacional são absorvidos de forma integral e acrítica no mundo eclesiástico, tanto no nível coletivo como no individual.

As consequências são óbvias: em vez do Corpo Vivo de Cristo, temos um robô bonitinho, bem lubrificado e móbil, porém inanimado.

2 comentários:

Rubinho Osório disse...

Não se esqueça que na Idade Média, com suas indulgências etc, o cristianismo já havia se tornado um negócio político/econômico...

Roger disse...

Ok. Concordo. O Marketing e o franchising já estavam lá, mas nada que se compare à produção em série que se desenvolveu na era moderna.