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sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Juntando os cacos

Não sei como será viver sem uma religião, sem uma igreja. No momento sinto um imenso vazio.

Por muitos anos, para não dizer minha vida inteira, passei racionalizando minha fé, tentando achar razões que justificassem minha agremiação a essa (católica) ou àquela (evangélica) igreja, apesar de todos os seus desmandos e evidentes contradições.

Admito que em muitas vezes esses racionalismos não passaram de sublimações que mantinham meu consciente satisfeito em detrimento do subconsciente. Um exemplo banal disso, foi a aceitação do dogma de que a Bíblia é a palavra imutável de Deus, sob a explicação de que “afinal, Deus não permitiria tamanha farsa” (caso fosse uma farsa). O fato é, e aos poucos fui me tornando ciente disso, que sob esse argumento teria também que aceitar o Alcorão como livro sagrado.

Quebrada esta e outras vacas sagradas sobra muito pouco daquilo que acostumei a entender e chamar de religião. E Deus sabe como me entreguei sem medir custos ao sagrado – tenha me sido ele revelado, ensinado, deduzido ou simplesmente apreendido.

Mas creio ser justamente essa a intenção de Deus, deixar-me só com o essencial. Mas o que seria esse essencial? A pessoa de Cristo? A cruz? O Espírito Santo? O próximo? Minha alma? Algum novo projeto ou comunidade de fé?

Não sei. O que sei é que no presente momento estou certo de que uma igreja, seja ela qual for, me roubaria sem clemência qualquer dessas opções. Se é que já não roubou…

2 comentários:

Lou Mello disse...

Não foi um roubo, mas uma apropriação indébta. Agora, quem falou que você viverá sem religião, mesmo vivendo sem a religião da igreja?

Juber Donizete Gonçalves disse...

Roger,

Também concordo com o Lou, acho que mesmo estando sem religião, ainda carregamos em nós o espírito religioso. Em todo caso, que Deus te abençoe nesta nova caminhada.

Abraço.