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terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Como viver sem Bíblia e sem igreja

78018-38cv[1] Se me lembro bem, ao "converter-me" passaram-me uma lista das coisas que deveria então fazer a partir do meu "novo nascimento":

  • oração (falar com Deus)
  • leitura bíblica (ouvir Deus)
  • freqüentar uma igreja (comunhão com outros crentes)

Nesses últimos dias, com uma alma feminina de 3 anos de idade perambulando pelos cômodos de nossa casa, tenho me preocupado mais em aprender ao máximo com ela do que ensinar-lhe algo. Ontem ela me deixou completamente bobo.

Assistíamos um DVD sobre o mito de Noé e sua Arca. Quando Deus falava com Noé, ela não resiste:

- O dele fala, o nosso não!

Ela simplesmente constatou, nem foi uma pergunta.

Infelizmente a Bíblia, que deveria ser a palavra de Deus, contrastada com a experiência deixa evidente que Deus não fala como muitos gostariam ou asseguram.

Por razões óbvias então a oração que é apregoada como uma "conversa com Deus" se torna em um exercício enfadonho: você já tentou conversar com alguém que não te responde e só você fala?

Como o diálogo é a base de todo e qualquer relacionamento essas disciplinas devocionais deixam algo a desejar. A igreja então se mostra como saída, a supostamente nos oferecer um ambiente saudável para desenvolvermos relacionamentos verdadeiros. Doce ilusão…

Ao contrário do Deus da Bíblia (que está em silêncio) encontramos seu "representante" no seu monólogo dominical.

Concluindo eu diria que a aboli a lista que me passaram no início de minha jornada como evangélico. Primeiro porque deixei de ser evangélico, segundo porque ela não tem em si razão de ser. Não, pelo menos, sob os pretextos que me passaram.

E se algum mulçumano abraçasse hoje a fé cristã e me perguntasse o que deveria então fazer eu e lhe diria algo que lhe abriria uma outra dimensão de viver:

- Se você até hoje nunca bebeu e nunca comeu carne de porco, é hora de começar! Recomendo uma feijoada e cerveja, de preferência todas as sextas-feiras.

9 comentários:

Gracinha disse...

Excelente...
O questão é que a religião diz que Deus fala quando a gente fala com ele, nada mais longe da verdade. Nosso Deus é um Deus que fala, em alto e bom som (já falou comigo!), mas quando Ele quer e no tempo dele. Não está a nossa disposição. Nós devemos nos colocar a disposição dele e aguardar: tomando uma cerveja gelada com aquele caldinho de feijão, festejando o fato de nos ter deixado nus, sem nada a oferecer, só servir!

Rondinelly disse...

Seria mais fácil manter tudo como está, mas essas crianças que não sabem fingir, elas acabam com nossas listas de boas ações...

Janete Cardoso disse...

rsrsr que fofura!
Acho que o problema é nosso quando pra simplificar o entendimento, transformamos a inpiração em palavra audível num desenho animado ou num filme.
A Palavra de Deus é viva e é perceptível ao nosso espírito e não aos ouvidos.

Um dia a pequena vai perceber também :)

Janete Cardoso disse...

Ui *inspiração.

Eduardo Medeiros disse...

Oi Roger, beleza? cara, tua alminha feminina de 3 anos é sensacional rssss

Quando oramos, não falamos com deus, falamos com os meandros da nossa própria psique onde de fato, deus habita como deus-imagem.

Eu também já passei da fase dos "não pode" a muito tempo! Minha teologia passou da conservadora pentecostal à uma teologia não-teologia, como diz o Paulo Brabo, visto que não busca sistematizar deus, não busco dizer que deus age assim e assim...

o único deus que percebo e que dá sentido ao meu ser, é o deus que habita em mim, nos recônditos do meu inconsciente.

Não tenho (e ninguém tem) acesso à experiência original de deus. Partindo da própria teologia cristã, digo que deus criou o universo e consequentemente a vida, carimbou na nossa psiqué a sua imagem, e retirou-se solenemente para outras paragens e nos deu a missão de cuidar da terra.

abraços

Rubinho Osório disse...

Vc esqueceu de aconselhar o ex-muçulmano a fazer regularmente um exame de colesterol!!!
O problema não é a lista. O problema é que teu amigo ex-muçulmano vai encontrar com um colega muçulmano e dizer "Agora sou cristão!" E o amigo vai perguntar "E como eu faço pra me tornar um também?" E ele vai responder "Fácil! Coma uma bela feijoada com cerveja toda sexta-feira!". E ambos vão fundar a "Igreja Cristã Ex-muçulmânica Universal do Reino de Deus" e estabelecer o ritual sagrado da "Feijoada santa regada a cerveja" na sexta-feira...
Parece engraçado, mas é triste!!!

Rubinho Osório disse...

Vc esqueceu de aconselhar o ex-muçulmano a fazer regularmente um exame de colesterol!!!
O problema não é a lista. O problema é que teu amigo ex-muçulmano vai encontrar com um colega muçulmano e dizer "Agora sou cristão!" E o amigo vai perguntar "E como eu faço pra me tornar um também?" E ele vai responder "Fácil! Coma uma bela feijoada com cerveja toda sexta-feira!". E ambos vão fundar a "Igreja Cristã Ex-muçulmânica Universal do Reino de Deus" e estabelecer o ritual sagrado da "Feijoada santa regada a cerveja" na sexta-feira...
Parece engraçado, mas é triste!!!

Roger disse...

Rubinho, vc me força com suas provocações a responder-te. Nada novo. rsrs
Se alguma pessoa está sinceramente querendo (virar) e saber o que fazer para virar um cristão, é tarde de mais... ela já virou!
(Não acho nem engraçado, nem triste, essa seria a igreja ideal para os nossos dias, a meus olhos claro :P)
PS: O colesterol alto só faria parte do propósito de se chegar mais rápidamente aos céus!!!

Heldersandro Campos disse...

Boa resposta irmã! Deus só fala com quem tem comunhão com ele, sem pecados e crendo. O pecado faz separação entre Deus e homens