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terça-feira, 13 de julho de 2010

Mentirinhas evangelicais

  1. Por que quando nos convertemos Deus não nos leva direto para o céu? Porque Ele nos deixa (a igreja) aqui no mundo para evangelizarmos! Ou seja, o objetivo da vida é sermos testemunhas e pregar o evangelho. Se não fosse isso, seria melhor sermos arrebatados.
  2. Por que quando nos convertemos Deus não nos leva direto para o céu? Porque estamos num processo de aperfeiçoamento, crescimento espiritual, quando esse processo se finalizar seremos tomados para Deus. Aqui o objetivo, distinto do acima, seria nossa própria salvação, estamos aqui pois Deus ainda não pode nos arrebatar sem que o processo esteja finalizado.

Essas são duas respostas pragmáticas, belas, convincentes porém igualmente falsas e sem base bíblica que os cristãos evangelicais (direi evangelicais pois há tempo que me distanciei da vertente católica para saber se eles por ventura advogariam também essa visão) inventaram sobre a pergunta do sentido da vida.

Não entendo que somos USADOS por Deus, nesse sentido pragmático e quase impessoal. “Deus nos deixa aqui para nos usar no evangelismo”… como se fôssemos um simples objeto. Estou convicto que Deus nos deixa aqui, porque antes de nos querer mortos (ou em algum céu com Ele), Ele nos quer vivos, desfrutando da vida aqui, com Ele.

O problema de pensarmos na vida como um processo de aperfeiçoamento, como uma espécie de carma, é a conclusão lógica que ela acarreta: quem morre cedo, terminou o processo, e os trouxas que alcançam vida longa, são os que ficaram na recuperação. Não tem lógica!

Claro que devemos buscar nossa santificação, e algum tipo de melhora em nosso caráter, mas não é por isso que estamos aqui. Deus nos ama com nossas falhas e elas não nos impediriam de desfrutar de uma eternidade no paraíso. Prefiro pensar que Deus nos quer vivos aqui, e assim podemos exercitar nossas virtudes, as quais tornam a vida mais interessante e palatável.

Não vivamos para evangelizar! Não vivamos para nossa santificação! Vivamos pelo sabor da vida!

Deveria ser plenamente claro que a vida não tem sentido, pois o sentido da vida, em todos os sentidos, é ela mesma.Viver pode ser um meio para muitas coisas, mas nunca se pode esquecer que a grande finalidade é perpetuação da vida, a vida eterna.

Entendo que evangelizar e santificar-se podem contribuir, e muito, para uma vida mais plena. Mas há muitos outros fatores em jogo.

Pensemos em Jesus dizendo ser Ele mesmo a Vida. Quem foca seu objetivo de vida em “adorar a Deus” deveria traduzir isso simplesmente em “adorar a Vida”, pois Deus, Jesus, é a vida.

10 comentários:

Felipe disse...

A forma de pensar evangelical, tal como demonstrada por essas mentirinhas e outras tantas, parece caminhar numa espécie de culto a morte. A vida no mundo chega as vezes à demonização, onde sermões e canções tentam fazer-nos pensar nos não-cristãos como seres totalmente maléficos, na vida secular como sujeita a todo o tipo de "tribulãções", na música e nas artes seculares como influenciadas por demônios. Nesse quadro, a idéia de "igreja" deixa de ser de povo e comunidade, para ser o de local de refúgio dos cristãos.
Assim, viver passa a ser pecado. Acho que em muitos sentidos, o Evangelicalismo ensina-nos a desaprender a viver.
Abraços flaternos!

Neto disse...

Olá Roger!

Eu creio que vc está "meio" certo.

Aquelas perguntas que voce colocou no começo do seu post NÃO são mentiras. o problema é como elas são vistas. Desde já adianto que não creio em "alcançar perfeição" aqui na terra. Devemos buscá-la, mas sabendo que nunca alcançaremos. Parece paradoxal, não?

"Assim, meus irmãos, também vós estais mortos para a lei pelo corpo de Cristo, para que sejais de outro, daquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que demos fruto para Deus. " Romanos 7.4

Dessa forma, "Ele nos quer vivos, desfrutando da vida aqui, com Ele", e esse "desfrutar" produz FRUTOS, e dois desses frutos são "evangelismo" e "santificação".

Além, é claro, da nossa Cruz. Não teremos nossa vida como preciosa.

Um abraço.

Paulo Brabo disse...

Talvez a mentira seja dar a entender que Deus não nos leva direto para o céu, ou que o céu será/seria muito diferente da experiência diária.

Roger disse...

Esse é o famoso dilema entre o sagrado versus o secular, Felipe. É triste constatar isso na igreja, pois essa divisão é carregada nos ombros do legalismo, e não da graça.

Pode até ser que em outras expressões religiosas essa dualidade possa ser vista no espiritual versus o material, o que também é um terrível engano. Mas da igreja esperamos coisas melhores... muitas vezes em vão.

Abraços,

Roger disse...

Já tenho medo de estar "meio" certo, quanto mais de estar "completamente" certo, Neto.

Você está correto, existe um porém no que significa desfrutar a vida; assim também existe um porém no que seja "não ter em nada a vida por preciosa".

O que tentei dizer foi detectado bem pelo Felipe: não devemos cultuar a morte, isso seria um pecado, diante de tanta vida.

Abraços,

Roger disse...

Brabo,

isso seria o mesmo que dizer que quando você é salvo, você ainda não foi salvo...

Não sei se o céu será diferente. Espero que sim. Mas não em tudo.

Lou Mello disse...

Ué? Pensei que os que deveriam ir para o céu já partiram. Nós somos do grupo que não foi, certo?

Roger disse...

Lou, não seria totalmente errado afirmar que o céu é um estado de espírito?

Rubinho Osório disse...

A canção The secret of life do querido James Taylor bem afirma que o segredo da vida é apreciar a passagem do tempo. Por que estamos aqui? Pra viver, e viver plenamente, como Cristo quer, é o viver em Amor, como Ele nos mostrou. Só.

Neto disse...

Roger,eu não creio que "o céu é um estado de espírito".
A história do ladrão da cruz não nos diz o contrário?