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domingo, 15 de agosto de 2010

Gerencia do movimento evangélico

Sobre a inquietação e a intenção de Caio Fábio em partir para este tipo de crítica frenética não me cabe julgar. Sei que foi toda passional e típico CF, mas sei também que não foi correta.

Não que eu ache baixaria, não. Acho que ele pode chamar de bundão quem ele quiser, e de fato há muitos bundões por aí a fora, especialmente no meio religioso. São pessoas que não querem mudar o status quo e se beneficiam dele. De certa forma já fomos todos bundões, e Caio Fábio já foi o bundão mor quando estava à frente da AEVB.

Quando a turma conservadora dá chiliques ao ver nomes progressistas ganhando destaque frente à opinião pública nacional, não há nada para se estranhar. Pelo contrário isso é só um respaldo, uma confirmação de que tudo está indo no rumo certo. Mas quando a essas vozes soma-se a de Caio Fábio, fica um ponto de exclamação, ou de interrogação.

Não me cabe julgar se é algum tipo de ressentimento, com as pessoas que lhe “abandonaram” no episódio de sua queda. Paul Freston, por exemplo, questionou sua atitude em demorar em tornar a coisa pública enquanto faturava com seus títulos. Todos sabemos que críticas não faltaram ao fundador da “Fábrica de Esperança”. Caio certa vez debochou (justamente?) de R. Cavalcanti querer buscar sua linhagem episcopal pela história anglicana a dentro. Sem dúvida os colaboradores da Ultimato não foram os melhores colaboradores do caído cacique evangélico brasileiro.

Não me cabe julgar se Caio Fábio foi tomado por algum sentimento tão humano como a inveja, ao ver os holofotes da Globo lançados sobre outros nomes; ou pelo duro golpe de ver outros sendo escolhidos como voz representante do movimento frente à mídia.

O que me cabe é avaliar se o que ele fala é correto ou não, de acordo com meus princípios e valores (que como já disse, não são universais, e quando muito funcionam somente em minha vida).

Pois bem, Caio diz que não há nada de novo no protestantismo brasileiro. Mas o fato, e a reportagem mostram bem, é que há. [Quem quer apostar comigo que o Caio é capaz de apontar “o Caminho” como sendo “a única coisa verdadeiramente nova” no cenário brasileiro?] Ainda que conservadores se contorçam e tentem propor que o elemento novo está do lado do neo-pentecostalismo, o fato é que a reportagem da Época trás de forma pertinente aquilo que a Pós modernidade tem trazido de positivo para a engessada instituição protestante. Ricardo Gouvea salientou bem, todas as instituições sérias se vêem frente a este desafio: achar o seu papel no mundo de hoje, se reinventar frente à nova sociedade que está aí. Claro que isso não significaria abandonar todas as tradições, mas a mudança de paradigma é inevitável. Daí a cautelosa percepção de Gondim ser corretíssima.

“Estamos vivendo um momento de mudança de paradigmas. Ainda não temos as respostas, mas as inquietações estão postas, talvez para ser respondidas somente no futuro.”

Isso pra mim significa que não haverá um Caio Fábio, Edir Macedo, Nicodemus, um Kwitz, um Gondim, um Brabo ou um Lou ou quem quer que seja para apontar a trilha a percorrer. As respostas serão construídas pelo rebanho, na prática do dia a dia, pois a igreja não acontece nos domingos nos cultos, nem na internet, ele acontece em casa, na cozinha, no trânsito, nas fábricas, no campo, no escritório, na escola, no dia a dia de cada cristão. Essa é a pós-modernidade na qual pessoas como Caio Fábio ainda não ousaram entrar.

12 comentários:

Humberto Ramos disse...

Roger,

Algumas coisas deveriam ser questionadas:

- O que o Caio sabe sobre a vida de pessoas como Ricardo Gondim, Ricardo Quadros e outros mais citados no artigo, acerca dos quais ele não tem informação acerca de suas vidas diárias nem mesmo testemunha suas ações?

- Acerca de outros caras, como Ed René, seu amigo - pelo menos o era até este Edição da Época - ele chegou até a convidar para prefaciar livros seus pós-ministério presbiteriano (como o próprio Robinson Cavalcanti), parece-me que ele se magoa pelo fato de que estes não decidiram o acompanhar. Será isso?

- O Caio é democrático, é respeitador, é reverente diante da diversidade? Teoricamente, sim. Fala tanto de liberdade, mas na prática, não sei. Já viram alguém conseguir discordar dele em seus programas sem ser engolido pela sua verborragia? Algum mentor do Caminho pode pensar diferente dele, pode propor algo distinto daquilo que ele propõe?

- O Caio não estaria instituindo uma ditadura intelecto-espiritual? Uma ditadura na qual ele esmaga seus opositores (ou mesmo os que andam de forma diferente da dele) não pela força institucional, mas apenas com seu, ainda forte, carisma e poder argumentativo incansável?

- Eu tenho acompanhando o Caio desde 2002 na net e até frequentando uma Estação do Caminho - além de que uma delas se reúne na casa de meus pais, em Minas -, mas tenho me surpreendido pela postura pornofônica da qual ele não se mostra nem um pouco preocupado mas também se gaba dela... Será que as taras que ele tanto trata no site dele não fazem parte de sua própria vida? Será que ele entende tanto dessas taras e doenças sexuais por experiência própria?

Jônatas disse...

Olá Roger.

Sobre o comentário do Caio, ele foi exagerado. Gosto bastante dele, mas não significa que concordo com tudo. O ideal seria ter um debate entre ele e os envolvidos, para esclarecer o assunto.

Sobre o movimento:
Verdadeiramente, não há uma gerência na qual possa ser considerada como militante neste cenário de transformação no cristianismo "protestante" brasileiro.

Em minha opinião, acredito que não devemos ter um caminho apontado para ser seguido, o ideal é termos um grupo de pessoas das quais pensam juntas e ajudam o endireitamento do movimento.
Nomes como Brabo, Gondim, Kivitz, Caio, são ótimos, mas existem muitos outros, espalhados e desconhecidos, de forma geral.

Deus o abençoe,

Jônatas - infierivita.blogspot.com

Alex Fajardo disse...

Para quem ouviu o que disse o Caio, eu pensei, nem Freud explica ... então me disseram, "explica sim, ele vive na fase anal ainda"

Uma pena, por tudo o que ele foi, agora parece um velho ranzinza gagá.

Roberto disse...

Humberto, o Caio falou que havia no texto alguns anonimos que ele não conhecia e que deviam ser diferentes dos que ele estava criticando, de modo que se há aqueles dos quais "ele não tem informação acerca de suas vidas diárias nem mesmo testemunha suas ações" tais pessoas devem fazer parte dos "anonimos" e não dos criticados.

bill disse...

‎"é porque narciso acha feio o que não é espelho" Veloso

Juber Donizete Gonçalves disse...

Roger,

Achei o vídeo do Caio desnecessário. O Humberto Ramos em seu comentário lembrou bem que o Caio, a partir de 2002, quando em sua nova fase ministerial, lançou os livros "O Enigma da Graça" e "Sem Barganhas com Deus", quem os prefaciou, foram Ed René e Robinson Cavalcanti, respectivamente. No início do seu site em 2003, a igreja do Ed René, era uma das apoiadoras da sua página na internet. Por isso, que ficou estranho sua atitude nesse vídeo.

Um abraço.

Rubinho Osório disse...

Reforça a minha impressão ("eu posso estar redondamente enganado, eu posso estar correndo pro lado errado") que a parte mais sã da Igreja hoje está mesmo "fora" da igreja. Um fato pós-moderno, sem dúvida, mas nem por isso menos importante.
A revista menciona os "sem igreja", mas acaba focando a tal "reforma" naqueles que estão nas igrejas, e por isso continuam no paradigma vigente e ultrapassado.
E o Caio, me desculpe o Caio, mas ele "já era", assim como aqueles a quem ele critica.
Vc diz que não serão eles que apontarão a trilha, mas o rebanho. Eu, pós-modernamente afirmo que não há trilha... só há o caminhar.

Lou Mello disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lou Mello disse...

Enfim descobri onde se comenta aqui. Não ligue, velhinhos têm essas dificuldades. No caso, a Bíblia está certa, de novo, um abismo chama outro abismo e o cara não consegue parar de pisar na bola. Nessa estou com o Rubinho, chega de centralizações, seja de igrejas, organizações e organismos ou de "líderes", coisa que a Globo adora criar. Chegou a era do cristianismo vivido, ou ele desaparecerá.

Anônimo disse...

Até gosto de algumas coisas que o Caio Fábio tem denunciado. Agora; que o Caio Fabio está vivendo um momento de crise meio que "narcisica", isso está. Só não ver quem não quer. O cara não está bem. Ele pensa o que da vida? Até pouco tempo ele se colocava de modo implícito como o centro do movimento "evangélico" do Brasil (mesmo dizendo que não queria nada com o mundo evangélico), agora, o cara tem passado dos limites, ele tem se colocado como o centro do Cristianismo, não só para os cristãos Brasileiros, mas para o mundo (vejam a fala dele de acusação aos citados da revista Época: Não olhar para Constantino, Calvino, etc..etc). Ora, será que ninguém ver que o Caio está meio bobo?
O cara realmente está "cagando fora do pinico" - só não ver quem não quer. Só um cego para seguir a risca as ideias do Caio.
Na boa, o que ele tem produzido e que eu jugo ser proveitoso eu tenho aproveitado. Agora; aceitar tudo o que o Caio Fábio diz, aí é pedir atestado de ignorância ou de fanatismo. Isso que vem acontecendo nada mais é do que um reflexo típico do mundo evangélico brasileiro - essa mania de querer ter um "guia", um mentor espiritual/intelectual ou que seja. Uns escolhem os "Malafaias e Macedos da Vida", outros, escolhem os "Gondins e Kwitzs", a famosa dupla Marx e Engels gospel. Outros, por sua vez, ainda insistem em seguir o Caio Fabio. Estes, em sua ignorância causada pela cegueira e necessidade de um mentor mistico/revolucionário reclamam de todos e de tudo, todos estão errados, mas o Caio não, para este, o Caio é o cara...rrrs. Francamente!
Ora, pra mim já deu. Não sou nenhum menino para ficar seguindo esses caras. Independência meus amigos, independência! afinal, já tenho "barba" o suficiente para ficar seguindo homens. Essa fase já passou. Deixo isso para os meninos agora. O único que ainda dou crédito é o Jesus Cristo, porque este, conforme a teologia/filosofia ceristã, era/é Deus. Ainda creio na sua divindade!
Quanto aos demais...paciência. Dar um desconto.

Abraços,

Waldir disse...

Eu lamento que as coisas chegaram a este nível. Todos nós somos passíveis de críticas e inevitavelmente em algum momento seremos elogiados ou massacrados. Porém, quando esta crítica parte de alguém que conhece o Senhor deveria haver mais comedimento e amor. É o que falta ao Caio e a tantos outros.
As pessoas quanto mais parecem informadas e bem formadas mostram um distanciamento do Evangelho, tanto os que praticam atitudes reprováveis quanto os críticos. Lamentável tudo isto. O Caio virou um boxeador sem misericórida e rancoroso. Isto é mal.
Waldir Martins.

Neri disse...

"é porque narciso acha feio o que não é espelho." Veloso #2