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terça-feira, 10 de setembro de 2013

O silêncio

“Quando ele abriu o sétimo selo, houve silêncio no céu por volta de meia hora” - Apocalipse 8:1

Antes da tempesdate cair, antes da primeira núvem se chocar com outra, antes do vento começar a soprar houve silêncio.

Antes do choro da criança, antes dos gritos da mãe, antes das primeiras contrações houve silêncio.

Antes do míssel atingir o seu alvo, antes da ogiva ser despejada, antes dos motores dos aviões serem acionados houve silêncio.

Antes da declaração de amor, houve silêncio.

Antes da noite de amor, houve silêncio.

Houve silêncio, ouça o silêncio.

Após a última pá de terra, e a última lágrima, ouçamos o silêncio.

Após as águas baixarem, após a criança adormecer, após a bandeira branca ser astiada, ouçamos o silêncio.

O silêncio continua a gritar, porque as pessoas ainda conversam sem falar e ainda ouvem sem escutar.

Ouçamos o silêncio dos primeiros raios de sol, que cortam o infinito e viajam até a alvorada de nossos quintais.

Ouçamos o silêncio do por do sol, da estrela vespertina, da escuridão da noite.

Abramos nossos ouvidos atentamente para o silêncio do mudo.

Concentremos nossa audição nas páginas em branco de um livro. De uma carta que não foi escrita, nos vazios das entrelinhas.

Deixemos que o silêncio recreie nossas almas e recrie nosso espírito, antes que chegue o som da trombeta, e o terremoto sacuda a terra.

Porque quando o silêncio tiver ocupado em totalidade seu espaço, assim então, ressurgirá com vigor a palavra, em toda sua força.

E ninguém jamais poderá dizer, não tê-la visto.

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