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segunda-feira, 15 de setembro de 2008

O que estão fazendo com o nosso futuro?

Um exemplo do estado caótico de nossa sociedade

É difícil falar de moral nesse mundo sem ser taxado de moralista, ainda mais quando quem fala é um religioso. Tá bom, é verdade que tal preconceito tem seus fundamentos sólidos, afinal, o discurso dos religiosos é realmente moralista (que é diferente de discurso moral) e geralmente é hipócrita e insensível. Pregamos uma moralidade utópica que não praticamos, colocamos um fardo sobre os outros que nós não movemos com nem com um dedo. Além disso, quando um "crente" expõe sua moral, este geralmente o faz sobre bases metafísicas altamente especulativas, não que seja errado alguém orientar sua moralidade em torno de um príncipio absoluto sobrenatural, mas quando se trata da vida social e política, essa moralidade tem que ser traduzida em termos comuns a todos os cidadãos, ou seja, se somos contra a homossexualidade (que é diferente do homossexual) não podemos usar de nosso livro sagrado para fazer com que todos concordem conosco, antes devemos traduzir essa nossa crença em uma exposição racional e fundamentada para sustentar nossa posição.

É necessário sim falarmos de moral sem medo de sermos taxados de moralistas, um teólogo que evita falar de moral provavalmente é um alienado da situação em que o mundo se encontra. Me refiro à vivência no meio no qual a filosofia liberal é vista na prática. O convivio social entre os jovens é um exemplo, um exemplo prático que eu testemunho diariamente e que evita com que eu me seduza por toda essa ladainha que o liberalismo promete.

Mas onde eu quero chegar exatamente com toda essa enrolação é num fato que me chocou e indignou na semana passada ao zapear os canais de TV e parar naquilo que um dia até foi um canal interessante de se ver, a MTV. Se você quer testemunhar a situação em que a juventude atual se encontra, principalmente a norte-americana, basta um dia assistindo MTV, isso se você suportar tamanha futilidade.

Um programa especifíco que eu assisti na quinta-feira passada na MTV, foi A Shot At Love com Tila Tequila. Tila Tequila é uma modelo e cantora vietnamita de orientação bissexual - até ai nada que escandalize, afinal, se alguém ainda se escandaliza com bissexualismo está precisando se atualizar. O que me chocou foi o conteúdo do programa que até agora eu reluto em acreditar que o ser humano tenha chegado a tal ponto de imbecilidade. A Shot At Love é um reality-show onde a tal modelo decide entre 16 homens e 16 mulheres com quais ela vai "namorar "(namorar? preciso me atualizar!). As 32 pessoas ficam na casa da Tila Tequila (Tequila?) competindo em diversas provas ,das mais imbecis que se possa imaginar, para conquistar o "coração" da modelo. É aí que vemos o festival de idiotices, imbecilidades, futilidades etc e tal... Cada prova vale alguns momentos a sós com Tila, nos quais sobram sexualidade, "pegação" e sacanagem. Todos os 32 idiotas fazem coisas idiotas em nome do que eles chamam de amor (???). Somente no programa desta quinta-feira tive o desprazer de ver mulheres tatuando (isso, tatuagem definitiva) o nome da tal modelo no corpo como prova de amor (amor???). O outro em meio a juras de amor, prova seu sentimento andando descalço sobre cacos de vidro! É chocante testemunhar tamanha idiotice por um motivo ainda mais idiota! Mas que ráios fizeram com essa maltratada palavra "amor"? Isso foi apenas em menos de 1 hora de programa! Como não enxergar o futuro negro da nossa sociedade se é esse tipo de lixo que enfiam na cabeça dos adolescentes? As crianças hoje crescem sem o menor senso moral, sem o menor referencial moral, espiritual, de nada! Será que é muito falar que isso não passa de pura sacanagem? "Deus está morto" proferem os pensadores modernos, e é por isso que o mundo inteiro hoje fede, é o cheiro de um cadáver cósmico. Moralidade, por mais que os liberais não queiram assumir, sempre acompanhou a ascensão das grandes civilizações antigas e, da mesma forma, a imoralidade sempre acompanhou o declínio dessas mesmas civilizações.

A TV faz uma violenta apologética ao bissexualismo e qualquer um que ouse questionar os valores morais da nossa sociedade é taxado de moralista, problemático, recalcado - Freud se contorceria no túmulo se ouvisse o que fizeram com sua teoria. A supressão sexual, que é o controle consciente dos impulsos sexuais diferente do recalque (ou repressão), é necessária à nossa saúde física, emocional e espiritual e era exatamente esse o pensamento Freudiano. Pelos menos nós, cristãos, não deveríamos nos render à esses valores e idéias criados por uma sociedade cujo intento, pelo menos parece, é se auto-destruir.

Vale a pena ler esse trecho do livro Deus em Questão: C.S.Lewis e Freud debatem Deus, Sexo, Amor e o Sentido da Vida.

2 comentários:

Roger disse...

Amigo Vítor,

sua colocação

"Tá bom, é verdade que tal preconceito tem seus fundamentos sólidos, afinal, o discurso dos religiosos é realmente moralista (que é diferente de discurso moral) e geralmente é hipócrita e insensível."

é o tempero que faz todo o seu texto ter gosto e sentido. Por quê?

Primeiro, essa parte do seu texto é a principal e não é de forma alguma uma ladainha.

Segundo, o discurso moral não leva a lugar nenhum se não baseado nesses dois elementos: sensibilidade e sinseridade. O insensível e hipócrita é o que difere uma coisa (simples moral) da outra (moralismo).

Terceiro, nele se encontra a chave para rompermos com esse estigma que há séculos vivemos como cristãos, reformados, protestantes, crentes ou seja lá como quiserem nos chamar. Daí o valor, que só o tempo poderá mostrar de cabeças como Brabo e Pavarini .

O versículo chave se encontra em João, para entendermos isso: a lei foi dada por meio de Moisés, mas a verdade e a graça vieram por Jesus Cristo.

Concordo plenamente contigo, e não seria cristão se pensasse diferente: a graça não anula a lei. E a lei traz à luz o pecado. Mas sempre, onde abundar o pecado a graça superabundará. Não a lei. O pecado é tão maligno que ele abusa da lei. E nós "crentes" bobos, damos mais lenha para alimentar sua fogueira! Enquanto deveríamos apagá-la com os jatos de água da graça.

Acho sintomático que a cristandade hoje em dia levante a bandeira anti-homosexualismo, anti-aborto, anti-darwinismo enquanto que esses não são os temas centrais da moral bíblica, profética, neo-testamentária, paulina ou de Jesus Cristo.

Se a questão se resume em direitos coletivos X direitos individuais veremos que há muito mais imoralidade dentro da religião do que fora dela! Aliás essa é a tônica Bíblica: Deus julga os de fora, cabe a nós julgar os de dentro. Tratemos dos problemas de nossa comunidade dentro do ambiente da comunidade, examinando cada caso de acordo com a particularidade de cada caso e cada indivíduo, isto evita generalização, a criação de leis, o legalismo, o abuso de uma maioria sobre um indivíduo, o abuso de uma minoria sobre a coletividade.

Lembre-se da fabulosa igreja de Corinto? Igeja safadinha aquela! Mas por onde Paulo começa tratar? Pelas questões sexuais? Não. E olha que o problema ali não era nada comparado com masturbação, sexo antes do casamento ou até mesmo homosexualismo. A coisa tava feia. O cara tava traçando a madastra. E Paulo, não deixa por menos, e o entrega a satanás. Depois a segunda carta aos Contintios mostra que a coisa se resolveu e Paulo recebe o irmão caído.

Mas Paulo começa a tratar com as carnalidades por outra via. Ele dá prioridade para aquilo que é sintomático: as divisões.

Jesus foi de encontro aos marginalizados. Israel era pra ele um só povo. Não havia judeu e samaritano, santo e pecador, discípulo e multidão. E se por acaso ouvesse essa divisão então estava claro de que lado estava, do lado injustiçado, do mais fraco, do pobre, do marginalizado, do filho pródigo e não do "correto". Isso pra mim é Evangelho, é a graça revelada.

Enquanto a bandeira moralista não for baixada, será muito difícil levantar qualquer bandeira moral. A não ser que ela tenha a ênfase dada por Jesus e demais discípulos: crítica aos religiosos hipócritas e sensibilidade para com aqueles que estão escravisados pelo pecado. Porque aqueles com seu legalismo simplesmente massacram esses.

Gosto do seu estilo, Vítor, e apesar das divergências admiro sua coragem em cursar teologia e certos temas! Obrigado por suas contribuições nesse Blog.

abraços fraternus,

Roger

Rubinho Osório disse...

É um círculo vicioso: a TV reflete a sociedade, que se retrata na TV. Daí a importância de uma TV feita com responsabilidade moral, social e política. É raro, mas existem, felizmente, alguns casos. Casos que não nos deixam perder de todo a esperança.