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quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

A Morte - o último inimigo (1)

"Se um punhado de terra é levado pelo mar, a Europa fica menor (...) A morte de qualquer homem rebaixa-me, pois estou envolvido com a raça humana, e, portanto, nunca procures saber por quem os sinos dobram; eles dobram por ti" - John Donne

Foi um livro de Paul Tournier que me chamou a atenção para o fato de que morte é um tabu e que não deveria ser. Ninguém fala com prazer sobre esse tema, mas o problema está no prazer, e não no falar.

Já pensava em terminar hoje a fase funesta deste Blog, que se iniciou em função do falecimento de mamãe. Mas pelo visto esta fase durará, pelo menos até que o Natal chegue mais forte.

É importante vencer este tabu. E como as circunstâncias me conduzem para esse tema sou forçado a permanecer nele por mais alguns dias.

Primeiro, descubro ontem a possibilidade de mudar as cores do Blog para um fundo preto, coisa que já quereria fazer bem antes para caracterizar nosso luto. Então tenho que deixar minha descoberta por mais alguns dias, embora o Rubinho já tenha protestado em favor do colorido contra o preto a monotonia unicolor.

Minha leitura de “Alma sobrevivente” aportou ontem no capítulo “No Leito de Morte”. Nos cinemas da Alemanha está fazendo sucesso uma comédia baseada em uma tradicional peça de teatro que trata do tema - Brandner Kasper (veja o trailer acima).

O filme “antes de partir” também chegou a minhas mãos estes dias... não tive como escapar. Então vai aí mais algumas palavras sobre esse inimigo detestável: a morte.

“A maioria de nós constrói elaboradas formas de se evitar a morte. As academias de ginástica são uma indústria emergente, assim como as casas que vendem artigos relacionados à nutrição e à saúde. Tratamos da saúde física como se ela fosse uma religião, derrubando todos os lembretes objetivos que a morte nos apresenta - necrotérios, unidades de terapia intensiva, cemitérios. Vivendo num período assolado pela peste, Donne não dispunha do luxo da negação. Todas as noites, o som das carroças puxadas por cavalos ecoava pelas ruas, recolhendo os corpos das vítimas daquele dia. Seus nomes - mais de mil por dia, no auge da peste - apareciam em longas colunas nos jornais do dia seguinte. Ninguém podia viver como se a morte não existisse. Como outras pessoas de seu tempo, Donne mantinha um crânio em sua escrivaninha, como um lembrete”. Philip Yancey em “Alma Sobrevivente”

3 comentários:

Georgia disse...

Roger, melhor é falarmos de vida num momento como este. Ou será que a celebracao do nascimento de Jesus já é morte para alguns?

Nao, nao tenho meod de falar sobre a morte, pis ela é certa de vir para cada um de nós a noa ser que Jesus volte na noite de natal, rs.

Mas espero que ela ainda espere um bom tempo antes de aparecer na minha frente. Tenho muita vontade de ver os filhos crescer.

Bom dia!!! Ou melhor boa tarde!!!

Rubinho Osório disse...

Roger,
Não sou contra o preto. Sou contra a monotonia unicolor.
A morte, mesmo deixando de ser tabu, continuará a ser um assunto desagradável. Improdutivo é ter medo da morte, pois para ela nos dirigimos a cada dia. Já lamentar a morte de um ente querido é simplesmente humano. O importante é guardar boas lembranças de quem se foi, e deixar outras quando morrermos. Não é?

Roger disse...

Ok. Entendido... em breve termino esta fase.

Mas aos poucos vou me distanciando da questão pessoal (morte em minha família) e tocando no tema mais de forma geral. E em breve pulo essa página e não voltarei no tema tão cedo (espero!!).

Abraços,

Roger