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quarta-feira, 24 de junho de 2009

Conheceria Deus o futuro? (parte truco - 6)

Se Deus pode de fato prever todo o futuro, Ele é o melhor jogador de truco de toda história.

Basta perguntarmos a Abraão e seu filho Isaque, ou a Jó e sua mulher. Claro que Adão e Eva teriam algo a contar também. Caso a dúvida ainda persista, vamos aos três amigos de Daniel ou a Ester, aos apóstolos ou aos discípulos de Emaus. Chego a desconfiar que cada personagem da Bíblia, e por que não dizer da história humana, teria um causo a relatar de sua jogatina com Deus.

Não é atoa que alguns definem fé como uma jogada de alto (ou seria auto?) risco.

A libertação da estética e dá ética que segundo Kierkegaard nos levaria à esfera religiosa é a saída que nos resta nos momentos de real tensão.

Será que ao abrirmos mão de nossas lógicas e de nossas paixões, sobraria ainda algum ponto de apoio? Ao vir com sua possante Palavra, não estaria Deus atropelando a pessoalidade ou a liberdade de cada um de seus servos?

Continuo achando que existe um meio termo:

Deus nos dá a possibilidade de escolhermos e paralelamentee traça seus planos e vice-versa.

A história da humanidade e os planos de Deus é um emaranhado complexo, e se torna algumas vezes como que um jogo, às vezes divertido, às vezes trágico, de vontades e escolhas.

Em momentos oportunos Deus impôs soberanamente a sua vontade, em outros, espera uma reação do homem, já em outros momentos cede graciosamente.

O inferno então seria o lugar onde o homem não possui mais nenhuma escolha ou liberdade e Deus não interfere mais com sua boa, agradável e perfeita vontade. Seria um lugar sem brincadeiras, sem blefes, sem jogos de truco. Enfim, um lugar sem graça.

Leia também: Conheceria Deus o futuro? (parte 5)

3 comentários:

Tuco Egg disse...

"Seria um lugar sem brincadeiras, sem blefes, sem jogos de truco. Enfim, um lugar sem graça."

Gostei da definição.

Rubinho Osório disse...

Sem graça???? Sem graça é o Senado!!! Seria horrível, isto sim!!!
Esta dinâmica Deus-homem que vc propõe descreve bem como eu me sinto em relação ao assunto: complexo emaranhado.

Rodrigo Arthur D. S. Melo disse...

Interessante ter mencionado Kierkegaard