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sexta-feira, 5 de março de 2010

Eis a questão

lanterne

Se ser Igreja é ser luz, existiria então um mundo na escuridão (que não é igreja) mas que precisaria dela, dessa luz?

Se ser igreja é ser sacerdócio real, existiria então um povo leigo, não sacerdotes, mas que precisaria dele, do serviço humilde do sacerdócio real?

Se ser igreja é ser sal, existiria então uma terra insípida que (por não ser sal) necessitaria do seu sabor?

Se ser igreja é ser chamado para fora, é ser separado, seria então ao mesmo tempo ser enviado para dentro, para estar misturado?

Se ser igreja é ser coluna e esteio da verdade, existiria uma sociedade, que não sendo coluna nem esteio, todavia está edificada nessa verdade?

Seria a igreja o povo escolhido, salvo, e os sem igreja o povo não escolhido, perdido? Seria a igreja o rebanho de ovelhas, e os sem igreja o rebanho de cabras?

Toda instituição, por mais bem intencionada que seja, ou que se inicie, cairá fatalmente nesses dois pecados:

  1. tentará fazer da igreja de Jesus Cristo um monopólio, uma propriedade privada, um clube de elite fechado. Ali será celebrada com orgulho e alívio "a alegria da (imerecida) salvação", enquanto uma hoste incontável de "coitados perdidos" marcham "estúpida e cegamente" para a tão merecida condenação eterna.
  2. tentará fazer dos "sem igreja", mais um dos seus. Tirando pessoas de sua vida, e tirando a vida das pessoas, o proselitismo torna o inferno mais prolífero.

De fato o institucionalismo não vem do Diabo, ele é o Diabo.

Um comentário:

Rubinho Osório disse...

Pronto! li os 9 osts que deixei de lado durante minhas férias. Adorei o conto do Drummond!!!
Quanto ao Diabo, eita sujeito difícil de definir! Pois pra mim ele é o Capitalismo! Pra vc, o Institucionalismo. Junta os dois: acho que ele é mesmo a Pretensão!!!