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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Uma paixão louca e voluntária

A filosofia e a arte da reflexão nos ensinam que, muitas vezes, o problema não se assenta nas respostas, mas, sim, nas perguntas. Portanto, parto do pressuposto que é enganosa uma pergunta do tipo: Podem os homens escolherem naturalmente a Cristo? Um sofisma que leva a falsas conclusões. E assim desvia-se dos reais problemas que Cristo intencionou solucionar.

Verdade é que o contexto e ênfase de João 15 está em outro assunto. Não retiro contudo o direito de qualquer um querer extrair de um versículo isolado uma verdade relevante. Mas parece, no caso, não ser relevante. Senão vejamos:

Quais perguntas poderiam nos guiar a algo mais produtivo?

Enumero pelo menos três:

  1. Quais frutos Jesus espera de seus discípulos?
  2. Quais as condições para um discípulo dar frutos?
  3. Qual o objetivo de Jesus ao dirigir estas palavras a seus discípulos?

Você notará que tudo então girará em torno do amor, amizade, alegria, paz, que são o fruto do Espírito. Esse fruto, que se resume em amor, só tem razão de ser frente a relacionamentos interpessoais. O foco, então, será completamente outro. As bases da teologia serão outras.

Assim, só então, vale a pena meditar no sentido da afirmação do Nazareno, “Vocês não me escolheram, mas eu os escolhi…”, que será repetida logo adiante, “…vocês não são do mundo, mas eu os escolhi, tirando-os do mundo…”

Gosto de pensar que escolhemos as pessoas que amamos. Amor é um sentimento, sim. Infelizmente, não podemos amar uma pessoa, se ao mesmo tempo, sentirmos repulsa por ela. A decisão por amar, deve ser acompanhada de uma correspondência com a alma.

O amor é um ato voluntário e racional, mas também sentimental. Infelizmente nossa teologia, por tentar diminuir a ênfase (tão popular) do amor emocional, acaba por subestimar essa tão importante variante. E isso é perigoso. As pessoas notarão rapidamente se não a amarmos de coração (apaixonadamente). E o inverso será também notório.

Aqui chegamos então ao ponto:

Jesus amou voluntariamente seus discípulos. Foi escolha dele.

Deus amou o mundo, de tal maneira… Deus escolheu amar o mundo.

Deus Pai e Filho se apaixonaram voluntariamente por nós, homens criados à sua imagem e semelhança, mas também por nós, “homens totalmente depravados”. O primeiro movimento nessa direção e nessa questão será sempre de Deus.

Essa é uma clara mensagem de João 15, amor, amizade, alegria, paz, enfim todo relacionamento interpessoal se assenta sobre escolhas pessoais – seria isso o livre arbítrio? Devemos seguir Jesus, e também fazer nossas escolhas: escolhê-Lo, escolher pessoas a serem amadas por nós.

Passando por esse caminho veremos que o homem natural não só pode, como deve, naturalmente, escolher a Cristo. Uma escolha extremamente difícil, que se tornará fácil, quando percebermos que Ele, apaixonada e loucamente, já antes, nos escolhera.

2 comentários:

Rubinho Osório disse...

Gostei, mas... tem um porém (claro, né! quando é que eu não coloco um porém no que vc escreve, certo?).
Deus ama porque Deus É amor. Vc que afirma sempre que Deus não é onipotente, eis a razão: Deus não pode deixar de amar porque Ele é amor!!!

Roger disse...

É verdade, Deus não poderia isso por exemplo.

Mas me parece que, especialmente no caso de Jesus com as pessoas com quem ele escolheu ralacionar-se mais intimamente, há uma canalização ou direcionamente restritivo desse amor. Ou não?

No mais abraços,

Roger