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quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Por uma boa postura cristã na polis

Assumamos que Bráulia Ribeiro esteja certa e que tudo seja uma questão de liberdade X controlismo.

Assumamos também que Paulo Brabo esteja certo e que seja tudo uma questão de distribuição de renda X manter o status quo.

“Quando ouvi a reclamação e essas acusações, fiquei furioso. Fiz uma avaliação de tudo e então repreendi os nobres”. Neemias

Se você estiver vindo pela mão da injustiça social, na mesma que Neemias se viu, você estará trafegando fatalmente pela esquerda. E nosso amigo paranaense está completamente certo ao reafirmar a tônica comunista comunitária do Evangelho do Reino de Deus.

É um mensagem, então, de libertação, que visa a igualdade. Na via à esquerda não existe uma distribuição, mas uma RE-distribuição, uma devolução, daquilo que foi tirado, roubado, tomado indevidamente.

Os privilegiados pelo status quo nunca irão, por si só, abrir mão de seus privilégios sem que haja uma reforma (ou, como queiram, uma revolução). Foi isso que Neemias deu cabo em Israel atendendo o clamor dos oprimidos.

“Por isso convoquei uma grande reunião contra eles…” Neemias

Cabe ao estado nesse momento, limitar a liberdade de uns, para que os outros ganhem a sua. Cabe ao estado, então, controlar o ganho de uns, para que a perda dos outros não saia do controle. Foi isso que aconteceu em Israel.

Quem trafega na contramão da esquerda, nesse caso, será fatalmente de direita.

“Devolvam-lhes imediatamente suas terras…” Neemias

Cabe lembrar, aqui, que essa é a situação histórica do Brasil. Povos inteiros foram oprimidos, roubados e vendidos como escravos. A sociedade brasileira foi formada com base na opressão do povo europeu (branco) sobre os povos indígenas (cujas terras foram conquistadas) e sobre os povos negros (tomados como escravos). E tudo com a santa bênção do cristianismo das épocas sobre a governança dos papas, bispos e padres.

Assim conseguimos nos tornar hoje em um gigante, com os piores índices de distribuição de renda do planeta. (Meu Deus que vergonha…)

Mas temos que admitir, apesar disso, e ainda que raramente, existem outras realidades. Onde há justiça social e a distribuição de renda é mais ou menos igualitária. E pasmem minhas senhoras e senhores, não penso nem de perto nos Estados Unidos da América – uma nação prima do Brasil que conseguiu através das vantagens pós guerra I e II, do famoso calote no padrão Dolar/Ouro assumir a postura imperialista de sua mãe Inglaterra.

Nesse caso (como na Suíça e em países escandinavos) a coisa muda de figura. (Não irei aqui adentrar-me em David Ricardo e n’A história das riquezas das nações’. E se a Suíça se enriqueceu foi com o dinheiro dos judeus após a guerra, ou como paraíso fiscal guardando propinas de políticos corruptos (sic pleonasmo) da América Latina e do mundo inteiro).

Imaginemos tais nações em seu status-quo hoje, onde há pleno emprego e os salários são dignos. E toda a população goza de dignidade civil.

Aqui se você vier pela mão da justiça social (e desculpem-me não me ocorrer nenhum clássico exemplo bíblico) você estará então trafegando pela direita. Não há o que ser distribuído. O status quo deve ser preservado. E não haveria porque o Estado limitar ou controlar ninguém.

Quem vier na contramão querendo revolucionar a coisa, é de esquerda.

O que me pergunto é de que lado (ou ao lado de quem) eu estou?

E você?

Perguntei a um sábio se ele era de direita ou esquerda, ele escreveu livros. Já uma criança, me respondeu: Depende! de quem vem, ou de quem vai?

Um comentário:

Rubinho Osório disse...

Pior ainda é ser anarquista, pois se ilude querendo um rua de várias mãos (fisicamente impossível), nenhuma sendo esquerda, nem outra sendo direita.
Mas, pra ser prático, num país de direita (como o nosso) sou de esquerda; num país de esquerda (fosse eu escandinavo, de olhos azuis), seria de direita. Fácil, né?
"Hay gobierno? Soy contra!"
Abs