Páginas

segunda-feira, 21 de março de 2016

Crônica de um Assalto.

Um cidadão comum, poderia ser eu ou você, tem sua casa assaltada. O bandido levou dinheiro e objetos de valor.

Algumas horas após fazer na delegacia o boletim de ocorrência, recebe a notícia que o assaltante foi pego e os bens recuperados. Ele deveria se dirigir novamente à delegacia.

- Boa tarde doutor. Então pegaram o indivíduo?

- Sim pegamos.

- Então, ele é de qual partido político?

- Bem... – o delegado folheou os papeis que tinha em mãos. Aqui consta que ele é do mesmo partido político que o senhor.

O cidadão coça a cabeça pensativo.

- Mas já fui assaltado anteriormente por bandidos do outro partido. O senhor já pegou algum?

- Não. Mas estamos trabalhando no caso. Mas são ainda suspeitas, não há nada provado...

- Desculpe-me doutor, mas de que partido é o senhor?

- Também sou de partido contrário ao teu.

- Sei... Quer dizer que o senhor só prende ladrão que é do meu partido. E os bandidos do seu ficam todos livres.

- Não! A gente cumpre a lei. Ainda vai rolar um processo. Tudo indica que o cara que pegamos foi mesmo o que assaltou sua casa. Ele foi denunciado pelos próprios colegas.

Após um silêncio.

- Doutor, quero retirar a ocorrência. Pode soltar o cara.

- Como assim? Ele assaltou sua casa, levou suas coisas, e você não quer prendê-lo? Você está ciente que amanhã ele estará assaltando no vizinho e até mesmo na sua casa novamente?

- Se ele fosse do partido do senhor, não teria dó. Se ele fosse de um partido que coliga com o nosso poderia trancafiar. Mas gente do nosso partido? Não dá... Tem muita coisa em jogo.

- Mas é por isso mesmo que estamos prendendo. Não é hora de acabarmos com a criminidade aqui em nossa cidade? Foi o seu partido que mais gritou por ética.

- Mas a justiça tem que ser igual para todos. Esses ladrões roubaram, é verdade. Mas o partido ajudou muita gente também. Até eu mesmo fui ajudado. Pode soltar o cara. Eu retiro a queixa.

- E o que faço com as coisas achadas?

O cidadão examina os objetos.

- Aqui tem muita coisa. Nem tudo é meu...

Nisso entra uma outra vítima na delegacia.

- E aí Doutor, de que partido é o larápio?

- Bem... – o delegado folhea novamente os papeis que tinha em mãos. Aqui consta que ele é do partido contrário ao do senhor.

Um comentário:

rubens osorio disse...

Grave erro logo no início do conto.
"O assaltante foi pego e os bens recuperados" está errado.
O certo seria "estamos trabalhando no caso. Mas são ainda suspeitas, não há nada provado..."
Uma grande diferença, percebe?
Uma simples questão de lógica. E justiça.