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quarta-feira, 30 de março de 2016

É ou não é Golpe?

Na mais recente entrevista de Marina Silva no Jô duas teses opostas se encontraram. Marina a favor da impugnação da chapa Dilma/Temer. Jô se mostra assustado com a possibilidade de um “Tiririca” – leia-se Cunha – assumir a presidência da república. Para o entrevistador, melhor e mais justo seria Temer assumir a presidência – caso o impeachment aconteça. Caso…

A pergunta já não é mais, “se” mas “quando”.

Quanto tempo ainda resta para o governo PT antes da queda?

Como se preparar para o tombo de um dos governos que mais contribuiu para a justiça social do país? Como se proteger da derrocada de um governo na mais longa fase democrática da nação?

Democracia… ela sobreviverá ao Impeachment?

Duas outras teses se confrontam nesse momento crítico: o impeachment é um golpe engendrado pelos opositores, sejam eles quais forem? Ou o impeachment é um processo democrático, constitucional e legítimo?

Desfazer esse nó é parte do Para Casa para se chegar a um consenso para o futuro.

Tem gente que acha que o impeachment é um golpe. Pois tais pessoas vêem somente o golpe sentido na perda de poder. Para eles não importa as demais questões. A queda do PT representa o naufrágio de um sonho. Por isso o debate passional. Nesse caso não há um argumento lógico nem para defender nem para combater o impeachment. Tudo se passa pelo nível emocional. Essas pessoas esquecem que o impeachment é um processo previsto na constituição. E que um golpe clássico, como aconteceu em 64, é feito através da força e não do debate parlamentar…

Mas tem aqueles que consideram o impeachment um golpe por não concordar com as acusações, e vêem nelas uma tentativa de manobra política. O argumento se resumiria a, “não há razões jurídicas” para tal. Só que esses esquecem que o impeachment é também um processo político. Por isso ele tramita no congresso e não nos tribunais. E a veracidade das acusações e sua relevâncias serão julgadas pelos deputados e senadores. Os quais representam legitimamente e democraticamente a população brasileira – em tese.

Por fim temos um terceiro grupo que considera o impeachment um golpe. Eles não vêem no congresso, ou nos políticos, os pré-requisitos éticos para julgar a presidente. “Se as pedaladas são crime de responsabilidade fiscal” então todos governadores que a praticaram devem cair”, “quem é Cunha para presidir tal processo? Quem é o Congresso?” – alegam eles. Não há moral suficiente no congresso para julgar uma Dilma, que aparentemente cometeu crime menor. Aquele que não tem pecado, atire a primeira pedra. O problema aqui, semelhante ao anterior, está no poder que foi outorgado àqueles senhores para tomar este tipo (e outros) em nome da nação.

Se nesse caso consideramos esse impeachment um golpe, então temos que considerá-lo um golpe que os brasileiros democraticamente cometem contra si mesmos.

Então cabe-nos escolher entre: Um golpe de um sistema corrupto com instrumentos democráticos contra um sistema corrupto. Ou um golpe de um sistema democrático com instrumentos corruptos contra um sistema democrático.

Até agora temos tolerado a segunda opção.

3 comentários:

rubens osorio disse...

Espero que vc tenha visto a declaração do Lindenberg no video que postei.
A tese de "julgamento político" não se sustenta. A Constituição é clara: o impeachment só acontece por crime de responsabilidade.
A tese de que as pedaladas são crime de responsabilidade não se sustenta: há instrumentos jurídicos concernentes ao caso.
A tese de que a noção de golpe é puramente emocional não se sustenta: o desejo voraz de derrubar o governo eleito democraticamente é o quê? Menos emocional???? Faz-me rir.
Fique vc com sua fé. Outros ficarão com a deles. A isto se resumiu esse imbroglio todo: UMA QUESTÃO DE FÉ.

rubens osorio disse...

Aliás, vc já leu a mais recente postagem na Bacia? Vá lá...

Roger Brand disse...

Claro que li o @saobrabo, mas com todo respeito que tenho pelo camarada, não me convenceu não...