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terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Quarta-feira de cinzas

A honra daquele aposentado estava em jogo. Ele já não tinha mais a coragem necessária de sua juventude para defendê-la. A covardia lhe era tão patente que se trancou em seu quarto, fechou envergonhado as janelas de madeira e as cortinas empoeiradas e tentou chorar.

Como poderia ter caído nessa? Logo ele, sujeito tão esperto e experiente...

Seria impossível se reerguer daquele tropeço. Levaria anos, os quais ele já não tinha mais.

Sempre encarou os conflitos que teve com qualquer um e nunca havia fugido da raia. Mas desta vez faltava-lhe a fé para acreditar que haveria dias melhores.

Ele se sentia naquela idade um pouco mais deus, um pouco mais próximo da eternidade, um pouco mais próximo da morte que lhe daria a imortalidade. Mas o filho da puta lhe havia enganado de forma tão traiçoeira que lhe fez romper com toda ética que havia construído arquitetonicamente com os tijolos de decisões acertadas ao longo de décadas.

O fato é que ninguém poderia ter descoberto. Como isso foi acontecer?

Enquanto duas ou três lágrimas tentavam concorrer com o suor que descia de sua testa pálida e fria molhando-lhe as mãos trêmulas e os joelhos, lembrou-se de orar.

Pediu ajuda.

Suplicou por graça e perdão. Afinal aquilo era o mínimo, sua obrigação e dever mais óbvio. Não esperava receber nada em troca de seus gestos piedosos, a não ser o mais elementar favor divino. Chorou então como um menino, alto, sem se importar com os vizinhos ou com o mundo e adormeceu escuramente.

Na tarde seguinte quando resolveu finalmente abrir as janelas e sair, o vento entrou trazendo-lhe logo novo fôlego, o sol quente, porém, ainda queimava-lhe a nuca.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Reencarnação e Desencarnação

Desde a semana passada esse título e esse tema está martelando na minha cabeça. Esse geralmente é a etapa aonde começo a desenvolver os meus textos, mas dessa vez resolvi fazer diferente, à medida que as ideias começarem a vir, vou escrevendo.


A temática da reencarnação sempre rondou a minha curiosidade, não porque me interesso pela religião que prega isso, mas primeiro, porque a religião que prega isso consegue muitos adeptos e segundo, também não achava satisfatório as respostas de algumas correntes cristãs(não no aspecto teológico, mas na vivência da igreja ao lidar com situações de morte). Geralmente são respostas prontas e cheias de bairrismos e julgamentos.

Quando resolvi pesquisar sobre o assunto na época da faculdade, uma das primeiras questões que veio à minha mente foi a questão do luto. Com certeza, o maior atrativo na doutrina espírita está na negação do luto, digo atrativo porque o luto é um processo doloroso, e nada melhor que alguém lhe dizer que você não tem que passar por isso, porque a pessoa pela qual você está sofrendo não está realmente morta.

No entanto, achava também o determinismo de algumas igrejas inadequado para lidar com o luto. É um tipo de atitude que é destituído da graça de Deus, onde o julgamento leva muito mais em conta a moralidade do que realmente a graça e o amor de Deus.

No que se refere a cosmovisão(visão de mundo) e o destino do mesmo, o cristianismo e o kardecismo oferecem perspectivas diferentes, enquanto o kardecismo confia na renovação e/ou aumento da bondade humana e o aperfeiçoamento do mundo, o cristianismo confia na encarnação do Verbo e na redenção que se encontra Nele, para a partir Dele, por Ele e por meio Dele ocorrer a renovação do mundo, não apenas um aumento de bondade, mas o ápice de aperfeiçoamento que será possível ao ser humano por meio de Jesus Cristo.

Outra diferença, é que no meio desse processo, no kardecismo há a negação do sofrimento, enquanto que no cristianismo o sofrimento é uma espécie de degrau para o fortalecimento espiritual.

Sociologicamente falando, o cristianismo na história da humanidade sempre teve a reputação de ser a religião dos pobres, já o kardecismo, a religião dos superdotados, seja no intelecto ou monetariamente. No entanto, no que se refere a questão emocional, os kardecistas enfrentam barreiras, seu sistema de crença os tornam pouco autruístas pois todo bem que fazem de uma certa maneira está condicionado a um ganho que podem ter com aquele gesto, também se tornam incapazes de lidar com a perda, já que o luto não é trabalhado de forma madura.

E, finalmente, no aspecto teológico, enquanto se afirma a renovação e/ou o aprimoramento da bondade humana, confiando na reencarnação como o processo responsável por essa melhora, a partir desse momento eles se desligam do processo da encarnação do Verbo, pois passam teológicamente pelo processo da desencarnação, da não-necessidade da redenção no Cristo.

Encarar e aceitar a encarnação do Verbo não quer dizer a negação do sofrimento, muito pelo contrário, é passar por eles e superá-los, não é nega-los, mas usa-los como escada para aprimoramento, e um aprimoramento não moral, mas de imagem, cada dia mais próximos a imagem Daquele que se encarnou para que um dia possamos desfrutar a vida eterna, e agora sim, sem sofrimento.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Amar e ser amado (2)

Em alguns tipos especiais e íntimos de relacionamentos, porém, o amor mútuo é pré-requisito indispensável e inegociável para que, acima de tudo, haja uma existência verdadeira de tais relacionamentos.

Por isso mesmo aparecem as crises nos casamentos, nas amizades, nas famílias, nas igrejas… nessas horas, o ser (saber-se e sentir-se) amado é tão importante quanto o amar.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Amar e ser amado

 Jesus nos ensinou que devemos amar todas pessoas e não que deveríamos ser amados por todas as pessoas. Há uma diferença gigante entre um e outro.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Parábola do Gerente Safado





Parábola do Gerente Safado e o Natal

Havia em uma terra distante, certo BANQUEIRO riquíssimo. Ele tinha Sete mil agências bancárias e sete mil Mercedes em suas garagens, das mais belas e valiosas de todos os reinos.
Após uma crise financeira mundial, provocada por maus gestores, aquele sábio homem ficara mais rico ainda, pois havia investido corretamente.
Havia no seu banco um homem forte, chamado Farimoiseu, um contador zeloso e judicioso que não permitia passar uma vírgula das legislações bancárias e não perdoava um centavo sequer nas contas e nos juros cobrados.
Tal homem era celebrado entre todos os diretores financeiros e gerentes.
Todavia, a fome e a miséria se alastraram por entre os clientes das contas de pessoa física do banco, e as dívidas já montavam a milhares e milhões de reais para cada correntista.
Farimoiseu não perdoava um centavo sequer, e enviava diariamente emails e correspondências aos devedores com as contas atualizadas e protestava em cartório os inadimplentes, de maneira que as visitas dos oficiais de justiça se multiplicava.
Farimoiseu deixou um grande manual de operações e foi aposentado.
Compadecido daquela situação, e tendo recursos infinitos, aquele Banqueiro pediu ao seu FILHO que procedesse uma operação sigilosa.
Durante um fim de semana, após o encerramento bancário da sexta feira, o FILHO, com recursos do pai, cobriu o saldo devedor de todas as contas inadimplentes, e já no domingo pela manhã as contas estavam todas zeradas, e ordenou que a partir da segunda feira, os clientes fossem avisados e comunicados, não só do perdão da dívida como do crédito feito nas contas, pois Farimoiseu era absolutamente criterioso e não deixava passar um centavo nas contas e nos juros legais.
Também mandou que fossem destinados recursos ilimitados e automáticos para zerar as contas que ficassem negativas durante o expediente bancário.
Sucedeu que depois de uns tempos, quando os principais diretores e gerentes encarregados da divulgação da Boa Nova deixaram as funções, sobrevieram gerentes malignos que chamavam os clientes devedores e lhes anunciavam o perdão das dívidas, mas passaram a lhes impor certas condições.
Eles anunciavam o perdão da dívida principal, mas continuavam cobrando os juros e as novas dívidas.
Para uns eles pediam que viessem diariamente ao banco, prestar contas e pedir ao banqueiro o crédito para o final do expediente.
Para outros, eles pediam para fazer serviços voluntários no banco, para outros eles pediam para ser funcionários de tempo integral e coordenarem a cobrança de juros e a fiscalização das despesas pessoais dos clientes, serviço este que demandava muito trabalho.
A principal agencia nomeou um diretor geral e a partir dele estabeleceu uma hierarquia globalizada e centralizada.
Outras agências preferiam trabalhar a fiscalização das contas pessoais em grandes grupos os quais eles organizavam em grandes multidões que eram atraídas pela televisão com a promessa de quitação de suas dívidas e ainda com promoções e shows musicais e palestras de grandes investidores, pois além da quitação das dívidas principais e da cobrança de módicos 10% das rendas familiares a titulo de agradecimento, eles prometiam lucros sobre essas aplicações a trinta, a sessenta e a cem por cento.
Então surgiram novas formas de gerenciamento e multiplicação de agências onde eram instituídos grupos de doze pessoas que controlavam outras doze, de maneira que conseguiam fiscalizar as contas de milhares de pessoas através de uma pirâmide de poder e dominação.
Os novos gerentes e funcionários já nem sabiam mais da ordem original do banqueiro. Apenas liam os manuais antigos do Farimoiseu, e negociavam o “perdão” da dívida.
Muitos gerentes ficavam com os lucros para si, ou investiam em novas agências, usando os manuais que eram vendidos em um livro belamente encadernado, o qual era chamado de Palavra do Banqueiro.
Outros, mais espertos, criavam agências autônomas e não prestavam contas a ninguém, usando apenas os manuais do grande e poderoso Farimoiseu
Certo dia aquele banqueiro vendo aquilo que estava sendo feito em seu nome, irou-se e mandou derrubar todas as agências bancárias e destituir aqueles empregados gananciosos.
Mas antes disso, ele ordenou a uns poucos que voltassem a anunciar a Boa Nova que é o perdão de todas as dívidas, de todos os juros e da concessão de crédito ilimitado a todos os clientes indistintamente, independentemente do tamanho da dívida ou de sua origem. Mandou anunciar pela internet e por todos os meios de comunicação.
Aqueles poucos fizeram o que o BANQUEIRO mandou e milhares os seguiram e fizeram uma corrente mundial anunciando a BOA NOVA.
Neste Natal faça a maior corrente de internet do mundo, traduza este email para outros idiomas, mande para toda a sua lista, em homenagem ao FILHO DO BANQUEIRO que todo o santo dia zera a tua dívida, e cujo aniversário é comemorado neste NATAL.
Envie este email para toda a sua lista. Você não vai ganhar nada, não vai ganhar dinheiro, não vai ganhar emprego, não vai ganhar saúde, amor ou riqueza. Você apenas vai repartir de graça o que de graça te foi dado.
(Texto original de Ronald Loma)

Bipolaridade, Esquizofrenia Evangélica e Roberta Close




Este texto foi escrito por mim a propósito da preocupação dos evangélicos em que fazer se a Roberta Close se "convertesse".

Grande é o engano desta religião presunçosa da salvação por qualquer mérito humano, seja ele de entendimento, compreenção, aceitação ou mudança de vida ou de atitude ou ainda de sexualidade.
Não somos nós que aceitamos a Cristo
Ele nos aceitou.
Volto a dizer a todos os amados que tem me lido.
A Raiz do engano é a versiculatria legalista e condenatória. Errais não conhecendo as escrituras nem o poder de Deus, disse Jesus.
Ora, quem discerne as escrituras sempre vai saber que a condenação é certa não só para as Robertas Closes da vida, mas também para os mais farisaicos e alvos crentes, carolas e puros.
Quem discerne o poder de Deus, sabe que ele tem poder para não só perdoar pecados como para purificar o impuro, tirar a cegueira do cego e curar a paralisia do "coxo".
Este cristianismo babilônico e bibliânico não discerniu nem as escrituras nem o poder de Deus, e o que vemos é um tópico como este.
Louvo a Deus por ter discernido estas coisas para poder testemunhar para muitos de vocês que são líderes e tem responsabilidade sobre muitas ovelhas, e tem imposto jugos sobre elas que nem vocês podem carregar.
Quem converte é Jesus. Conversão é quando Jesus vai nos converter de um corpo pecador para um corpo glorificado em sem pecado.
Roberta Close é uma parábola.
O cristianismo vigente é a própria Roberta Close.
Pior, cristianismo fundamentalista é uma Rogéria da vida, é um travesti. É um pecador travestido de santinho.
"Cristão" é pecador e incapaz de qualquer pureza e santidade, e se auto impõe e impõe aos outros a santidade e troca de identidade. Bem igualzinho à troca de sexualidade.
Não, meus irmãos. Não sejamos patrocinadores da bipolaridade e esquizofrenia evangélica. Não sejamos travestis espirituais. Não sejamos transexuais espirituais.
Quem discernirá a Graça de Deus sobre a humanidade?
Quem discernirá o perdão global de 70 x 7?
Quem discernirá o EVANGELHO?
Quem deixará a Babilônia e seguirá a Cristo?
Quem discernirá sua condição de pecador e aceitará a graça para si mesmo?
Quem discernirá a condição de pecado da humanidade e aceitará a graça para os outros?
Quem há de andar na liberdade em Cristo?
Quem há de rejeitar os jugos da religião?
Não meus caros. Não é Roberta Close que aceita a Cristo. É Cristo que aceita a Roberta Close, bem do jeitinho que ela é, e é feminina na sua essência.
O brabo mesmo é ELE aceitar os bizarros travestis góspels, os transformistas evangélicos, os lobos vestidos de ovelhas, os comedores de ovelhas, os que se vestem de pele de ovelha, as ovelhas gordas que se alimentam das ovelhas magra .
O brabo é ELE aceitar aqueles que assumem para si mesmos a tarefa do PASTOR, o título do PASTOR, a responsabilidade do PASTOR.
Mas eis que se a escritura estiver correta, ELE mesmo virá e recolherá as suas ovelhas perdidas, (não convertidas em travestis evangélicos) errantes, quebradas, alquebradas, espalhadas pelos montes, por todas as tribos, línguas e nações.
ELE é o PASTOR. Não entendo a dificuldade desse povo evangélico em aceitar o PASTOR, aceitar o CRISTO, aceitar a obra de REDENÇÃO.
Pois no dia D o PASTOR vai tirar todo o povo dele lá do "Egito" lá a prisão onde foi parar, lá da mão do "Faraó", lá da fornalha sobremodo acesa, do quinto dos infernos, por melhor dizer.
Que grande engano se abate sobre esta religião que se diz cristã.
Ainda bem que tudo isso está acabando.

Texto de Ronald Loma

Comecei e espero terminar ainda em 2009

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Deus x Evolução

Foi Isaac Newton quem disse:

'Na falta de qualquer outra prova, só o polegar já me convenceria da existência de Deus'.

Mas Newton (1643-1727) viveu bem antes de Darwin (1809-1882) e sua teoria da evolução.

A evolução, segundo Richard Dawkins, “é teoricamente capaz de fazer o que, a princípio, parecia uma prerrogativa de Deus”.

Talvez Newton foi simplista demais. Só o polegar é muito pouco como prova da existência de um Deus criativo e todo poderoso.

Já o dedo indicador e as narinas... Como afinal de contas eles poderiam ter precisamente os mesmos diâmetros??

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Senha para Teólogos Livres

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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Uma fé rebelde

blog.cls A palavra rebelde significa: revoltado, opositor, insurgente, indomável e teimoso. Descreve as características de uma pessoa que não se conforma com alguma coisa ou situação, manifestando-a por meio de ações.
A idéia que nós temos sobre rebeldia está condicionada por arquétipos que trazem a idéia de irresponsabilidade, violência, desobediência, ingenuidade, entre outras coisas. Será que o pensamento comum está correto?
Nem sempre o termo define alguém comprometido com a violência ou caos social, alguns agem pacificamente, movidos pela resignação, como é o caso de Martin Luther King, Dalai Lama, Chico Mendes, Nelson Mandela e tantos outros que dignificaram e dignificam a existência humana.
Rogério Brandão escreveu recentemente um artigo neste espaço, “Santa Rebeldia”, que causou repulsa em algumas pessoas, pois não entenderam a essência do texto, que em nenhum momento, em minha opinião, foi inconseqüente.
Percebo que a problemática que se desenrola entre os cristãos, a respeito deste assunto, é a exigência bíblica de submissão às autoridades constituídas. É possível conciliar estes dois conceitos aparentemente antagônicos? Acredito que sim, pois são duas realidades que co-existem nos personagens do Antigo e Novo testamento, basta uma leitura “libertadora” da Bíblia. Ops! Rotular-me-ão como adepto da teologia da libertação?
Em minha frágil leitura neotestamentária percebo que: todo o conceito de submissão às autoridades deve ser pautado pelo viés da obediência primeira a Deus - Porém, respondendo Pedro e os Apóstolos, disseram: mais importa obedecer a Deus do que aos homens. Atos 5: 29.
O texto Bíblico aponta para uma atitude de rebeldia explícita por parte dos líderes da Igreja do primeiro século, ao se revoltarem contra as ações do Supremo Concílio Judaico, que desejava calá-los para não mais pregarem o Evangelho. Eles foram indomáveis e teimosos em defesa das Boas Novas.
Os insurgentes saíram da presença das autoridades, louvando a Deus pelos açoites que levaram na prisão: Retiraram-se, pois, da presença do conselho, regozijando-se de terem sido julgados dignos de padecer afronta pelo nome de Jesus. Atos 5: 41
Os líderes da Igreja primitiva foram forjados pelo exemplo de Jesus, o maior de todos os rebeldes do Novo Testamento. Ele é lembrado pelos Evangelhos se revoltando contra os cambistas do Templo, fazendo duríssima oposição à religiosidade “bancária” dos Fariseus, emprestei o termo de Paulo Freire, não cedendo um milímetro de sua mensagem profética, mesmo tendo a oportunidade de abandonar suas convicções para livrar sua pele, indomável e maravilhosamente teimoso!
Os quadros mais belos, pintados pelos evangelistas, são aqueles que retratam as insolências de Jesus à mesa com pecadores, curando nos sábados, quebrando o protocolo social ao conversar com mulheres em locais públicos e por fim pendurado na Cruz como um subversivo.
Outro exemplo de coragem pode ser encontrado no livro dos Atos dos Apóstolos, que narra vários episódios de insubordinação “santa”. Um deles me chama a atenção mais que os outros, àquele que descreve a prisão de Paulo e Silas em Filipos que, após a extraordinária intervenção do Senhor, exigiram das autoridades retratação pelo erro jurídico que cometeram. Que loucura! Se fosse eu sairia correndo o mais rápido possível. At. 16: 16-40.
A diferença? Uma fé que não se ajoelhava diante das injustiças, que não se intimidava com a perseguição e nem tampouco com a possibilidade de enfrentar as bestas feras nos circos Romanos. O martírio era o coroamento de uma vida consagrada ao senhor, por isso cantavam em direção a ele com hinos de louvores ao Senhor.
Confesso que ficaria feliz se alguns teólogos tivessem a mesma ousadia, com que defendem seus enunciados teológicos, em denunciar uma sociedade insensível à miséria, que mora logo ali ao lado. Agora me denunciei!
Alegrar-me-ia com uma Igreja Viva, que não faz concessões, barganhas, simulacros, dissimulações, entre outras coisas. Não fomos chamados para ser uma comunidade de açúcar, com membros docilmente preparados para a dominação.
Portanto, prefiro uma Igreja que em sua vocação profética coloque o dedo em riste, condenando os sem escrúpulos, que depenam a máquina pública, fazendo perecer milhares de pessoas nas filas dos hospitais, do que uma comunidade que partilha dos despojos com os poderosos.
Que Deus tenha misericórdia de todos nós!

postado por Valdinei Ramos em Fraternus em 01.11.2007

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Será que tudo já foi determinado?

De fato para uma cultura latino americana como a nossa, cuja crença no destino é deveras acentuada, torna-se ainda mais agravante o estado de latência, quando exageramos na doutrina da predestinação e soberania divinas. O equilíbrio faz-se necessário.

Uma consequência prática disso pode ser vista na disciplina espiritual da oração como é abordado no extrato abaixo:

“É fácil sermos derrotados logo de início por nos haverem ensinado que tudo no universo já foi determinado, e assim as coisas não podem ser mudadas. Podemos melancolicamente sentir-nos desse modo, mas não é isso o que a Bíblia ensina. Os suplicantes que encontramos na Bíblia agiam como se suas orações pudessem fazer e fizessem uma diferença objetiva. O apóstolo Paulo alegremente anunciou que “somos cooperadores de Deus” (1 Coríntios 3.9); isto é, estamos trabalhando com Deus para determinar o resultado dos acontecimentos. O estoicismo, e não a Bíblia, é que exige um universo fechado. Muitos, com sua ênfase sobre aquiescência e resignação ao modo de ser das coisas como “a vontade de Deus”, aproximam-se mais de Epícteto que de Cristo. Moisés foi ousado na oração porque acreditava poder mudar as coisas, e mudar até mesmo a mente de Deus. De fato, a Bíblia de tal modo acentua a abertura de nosso universo que, num antropomorfismo duro para os ouvintes modernos, ela fala que Deus constantemente muda de idéia de acordo com seu amor imutável (Êxodo 32.14; Jonas 3.10). Isto vem como um verdadeiro livramento a muitos nós, mas também coloca diante de nós uma tremenda responsabilidade. Estamos cooperando com Deus para determinar o futuro! Certas coisas acontecerão na história se orarmos corretamente. Devemos mudar o mundo pela oração. Que motivação maior necessitamos para aprender este sublime exercício humano?

Richard J. Foster em Celebração da Disciplina O Caminho do Crescimento Espiritual

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domingo, 1 de fevereiro de 2009

O que penso da predestinação (ou respondendo Clóvis – 2)

Caríssimo Clóvis,

Primeiramente tenho que reafirmar que tem sido prazeroso esse intercâmbio contigo. Coisas que somente esse mundo virtual moderno pode nos oferecer e sua gentileza e amabilidade nos proporcionar. Não obstante, pairam nossas diferenças de crenças e interpretação das escrituras. Coisa essa que não seria necessariamente ruim ou indesejável...

Tratei de na primeira resposta assegurar por meio de meus argumentos que creio em um subjetivismo saudável na interpretação das Sagradas Escrituras e que aquilo que Schleiermacher nos legou foi mostrar que a visão de mundo e sentimentos muitas vezes entram nessa interpretação ao lado de nossas faculdades racionais.

Pois bem, em vistas dessas faculdades pensei primeiramente em explorar um pouco mais as questões epistemológicas do termo predestinação que compreende na língua portuguesa quase que um pleonasmo em si mesmo, afinal toda “destinação” é e só pode ser “pré”. O prefixo pré só viria então para reforçar um tempo anterior à criação do mundo, derivação essa, que nossos estudos de grego não nos permite assim automaticamente. Tanto a tradução portuguesa como a inglesa usam um termo que vem do latim “praedestinati”, porém o original grego προοριζω não traz a idéia de “destinar”, mas de “limitar” de “ordenar” a tradução alemã seria mais fiel à idéia original, verordnet, ordenou de antemão. O que Deus teria então ordenado? Se não foi um destino o que então? E quando teria sido este antemão?

A hermenêutica bíblica nos mostra “destinações” ou pré ordenações feitas no “ventre materno” (Is 44:2, Gn 25:23 e Rm 9:11, Gl 1:15, Jr 1:5 dentre outras). Não quero com isso negar o plano traçado antes da fundação do mundo, apenas lembrar que as coisas são mais complexas do que gostaríamos que fossem.

Depois pensei que poderia lhe responder de uma forma que talvez lhe seja menos abstrata, indo diretamente aos textos bíblicos. O problema é que se corre o risco de cairmos na a guerra dos versículos como a Nani bem definiu em seu artigo. Outro problema é que uma resposta com versículo bíblico parece querer fechar a questão e isso está longe de ser minha intenção.

Mas simplificando a conversa vamos aos textos sagrados e recapitular suas perguntas:

a) Você crê que a predestinação é para a salvação?

Conforme Rm 8:29 a predestinação é “para serem conformes à imagem de seu Filho”. Se você entende que ser conforme a imagem de Jesus é ser salvo, então é para salvação.

b) Você crê que a predestinação teve como objeto um número fixo e definido de indivíduos?

Aqui cabem três observações 1) O termo predestinação assume para mim um sentido diferenciado, é menos um alvo, um destino e mais um caminho um estilo (um molde), 2) objeto... sei que não foi essa sua intenção mas o termo trás uma conotação fria que geralmente ronda a teologia da predestinação, não estamos tratando de objetos na mão de um Deus soberano, mas de “sujeitos” nas mãos de um Deus (Pai) amoroso.

Conforme Ap 7:9 não há um número definido nem fixo. (Depois destas coisas olhei, e eis aqui uma multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, que estavam diante do trono, e perante o Cordeiro, trajando vestes brancas e com palmas nas suas mãos;) Estes são os “salvos” as vestes brancas mostram o caráter de Cristo. É um número incontável, uma multidão imensa, que estaria longe de ser um número fixo e definido.

c) Você crê que a predestinação torna certa a chamada, a justificação e a glorificação?

Aqui vou me lembrar de algo que foi ensinado lá nos meus primórdios de crente na igreja batista, a eleição é em Cristo. Em Cristo, Deus viu o tipo de gente que Ele queria ter como filhos. Em Cristo foi fixado os limites de nosso caráter. O fato é que não existe chamado (vocação), nem justificação e nem glorificação fora de Cristo.

Assim faço minhas considerações finais relativas a esta postagem:

Me parece que a perspectiva que encaro a predestinação é bem distinta da de Calvino. Concordo com você que o livre arbítrio não é uma idéia central nem da Bíblia nem dos Evangelhos. Mas penso que a eleição divina também não seja. De maneira geral penso que o primeiro conceito deveria sempre andar de mãos dados com o outro para evitar que descambemos para os extremos.

Penso que a ênfase na soberania de Deus pode tanto levar a um santo temor (quando equilibrada) quanto a um comodismo oportunista (quando exagerada) e é difícil estabelecer a linha divisória, a não ser em casos bem específicos.

A fé sim é um conceito central, tanto da Bíblia como um todo, como do evangelho. Ela é a corda que prende nossas escolhas (tão frágeis, tão humanas, tão relativas e pecaminosas) à rocha (firme, soberana e inabalável) da promessa da voz e da palavra divinas. Alguns conjugam fé com obediência, outros a separam da razão, mas o fato é que esse “ouvir a Palavra de Deus”, que produz a fé, está muito mais associado à nossa razão, às nossas escolhas, aos nossos sentimentos e vontade do que queremos. Afinal ao ouvirmos a Palavra Divina passamos a dialogar com o Criador, a nos interagir com ele, e nessa interação pesa-nos uma resposta. Essa resposta é um conjunto de sentimentos, de entendimentos, de ações que ao longo do tempo e do espaço demonstrarão até que ponto estamos tendo fé, confiando ou não, no caráter dAquele que fala

Por isso creio totalmente no sinergismo de Deus com seu povo e com indivíduos. Para alguém chegar a ser plenamente salvo, envolve uma transação que teve início antes da criação, com um Deus tri uno, passando por toda história da humanidade e todos os indivíduos que se meteram nessa conspiração e se desenrola ainda hoje, com todos nós, onde cada um é peça importante, e chegará à consumação dos séculos e seus desdobramentos.

Um abraço fraterno,

Roger

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