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sexta-feira, 29 de maio de 2009

Conheceria Deus o futuro? (parte 4)

“Deus pode modificar o futuro, mas não pode modificar o passado.” O Conde de Monte-Cristo de Alexandre Dumas

Nosso grande erro intelectual é imaginarmos o futuro como se fosse um espaço de tempo tão estático como o passado. De certa forma nos é bem claro que tanto o passado como futuro não existem e que só temos como realidade dura e crua o presente. O passado é de certa forma real e concreto, evidentemente não existe mais, mas já existiu em outra época. Já foi visto, ouvido, sentido por alguém ou até mesmo várias pessoas. Por isso mesmo pode ser representado, ilustrado, discutido com um grau de precisão bem elevado. Bem, com o futuro a coisa muda completamente.

O futuro não foi ainda sentido ou percebido. Está em construção. No máximo ele pode ter sido pressentido. Mas, quantas vezes nossos pressentimentos nos enganam... Será que Deus teria pressentimentos mais acertados do que os nossos? Será que seus profetas teriam condições de antever esse futuro?

Penso que a observação de Tuco Egg sobre os profetas é bem pertinente para esse tema:

“Não estou falando de previsões do futuro. Quase ninguém sabe disso, mas profecias tem muito mais relação com constatações do óbvio, aqui e agora (e, evidentemente, o futuro é conseqüência do agora) que se passa debaixo de nossos narizes, do que de um futuro distante e informe.”

Esse é um dos dois modos que São Tomás de Aquino afirma que Deus tem para conhecer o futuro. “A presciência divina olha o futuro (...) em suas causas enquanto considera a ordem da causa e seus efeitos”.

Esse também é um sentido que ao homem é dado conhecer o futuro. Uma pessoa sábia, conhecedora das leis de causa e efeito tem melhores condições de prever o futuro. E como gostaríamos de ser sábios a esse ponto...

Leia também:

Conheceria Deus o futuro?
O que afinal de contas Deus não pode? (parte 2)
Conheceria Deus o futuro? (parte 3)

3 comentários:

Clóvis disse...

Roger,

Colocações interessantes. Aliás, a questão se o futuro existe está em debate hoje, entre teístas tradicionais e neoteístas.

O que eu creio é que o futuro existe e é fixo. E creio assim por crer primeiro na onisciência divina. Se Deus sabe perfeitamente todas as coisas, não há como Ele ter previsto uma coisa e acontecer outra.

A propósito de profecia e predição escrevi o artigo A essência da profecia, apreciaria sua consideração.

Em Cristo,

Clóvis

cincosolas disse...

Roger,

Aproveitando, cadê o histórico ou arquivo do blog? Não estou conseguindo encontrar as psotagens que perdi.

Em Cristo,

Clóvis

Rubinho Osório disse...

Roger,
Muito legal, inclusive sua "apropriação" do belo texto do Tuco.
Mas, permita-me focar o passado. Parece-me menos imutável do que vc afirma. Se minha memória não falha, Deus promete Seu perdão de tal forma que é como se nossas transgressões nunca tivessem ocorrido, não é? Não seria isso uma alteração do passado?
Voltando ao futuro, creio ser mais importante a discussão sobre nossa responsabilidade em construir o futuro do que saber se Deus o sabe, pressente, determina, ou não. Isso é coisa que, com certeza vou Lhe perguntar um dia. Por ora, estou mais preocupado em como nós, humanos, vamos nos desincumbir dessa tarefa. Porque até o momento, nosso desempenho tem sido péssimo.