Páginas

Mostrando postagens com marcador -Alex. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador -Alex. Mostrar todas as postagens

domingo, 8 de janeiro de 2012

Precisamos desse tipo de desabafo

“Estou cada vez mais convencido de que existe uma enorme quantidade de crentes cansados das igrejas-instituição. Precisamos desse tipo de desabafo e reflexão, pois não se trata de um fenômeno isolado, nem ilegítimo. Há, sim, frustração com a igreja-organização, o que, espero eu, nos encaminhará para o sentido da igreja-organismo.”

Alex Esteves da Rocha Sousa

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Diálogo com o jovem Naor, adepto confesso da Teologia da Prosperidade*

Transcrevo** abaixo o segundo comentário que o jovem Naor (16 anos) fez ao nosso texto “Silas Malafaia e a Conferência Profética Passando o Manto”. O primeiro comentário desse irmão já havia sido respondido por mim no espaço próprio, mas agora, com os argumentos que ele declina, entendo que podemos construir um diálogo mais construtivo, que é nosso interesse neste "blog".
Segue, portanto, "ipsis litteris", o comentário do irmão Naor, com as minhas considerações em seguida, na forma de tópicos:

“Alex,desculpe estava com pressa na hora de escrever.rsrs.
O Apostolo Paulo afirma que muitos pregam o evangelho por contenda,e por ganancia,mas o importante é que Jesus seja pregado.
Sou adepto da Teolgia da Prosperidade(com bases biblicas).Quando Jesus diz que o Reino dos céu é dos pobres,acredito que Ele esteja afirmando sobre pobres de Espirito,humildes etc.
Sou contra a FAMOSA a afirmção:VENHA PRA JESUS ELE TE ENRIQUECERÁ..Pois Jesus nos fala para buscarmos primeiro o reino dos céus,e as demais coisas nos serão acrescentadas.
Jesus fala mais sobre dinheiro nos evangelhos do que outra coisa,e também fala mais sobre o inferno do que sobre o céu.
A prosperidade em que acredito é a emocional,sentimental e financeira.
O salmista afirma que nunca viu o justo mendigar o pão e Jesus também afirma que veio para dar vida e vida em abundância(em todas areas de nossas vidas).
Concordo que não podemos amar ao dinheiro e a Deus ao mesmo tempo isto é pecado de cobiça e idolatria,mas creio que Deus sim levanta ministros para levar sua palavra ministrando cada um em sua area ex.cura,libertação,prosperidade etc.Claro todos com bas na Palavra.
Eu tenho visto os frutos do ministerio do Silas Malafaia,sou contribuinte,e Deus cada vez mais tem me abençoado,tambe´m fui muito impactado com os livros de MURDOCK(esqueci como escreve o nome dele suahusahusa, por isso digo para olharmos os frutos,por que Jesus disse que uma arvore boa não produz frutos maus,e uma arvore má não produz frutos bons.
Vidas tem sido levadas a Cristo,e em tudo o que eles tem ensinado usam como base a palavra.
Sim vemos muitos se pertendo,e cobiçando o que não agrada a Deus,mas não posso crer em Deus que não abençoa o seu povo,vemos na biblia que Deus sempre a abençou seu povo com milagres na area financeira,e sim tem pessoa que Deus não deixa rico,por que Ele não deseja.
os pregadores da prosperidade são exagerados,quando falam deste assunto,mas não chegam a ser heresias,como também muitos tradicionais,só valoriza a pobreza em extremo,o certo eh o temperado:No mundo Tereis aflições,mas tende bom animo pois eu venci o mundo,como disse jesus,e Pualo que disse de tudo ter esperimentado,e saber estar bem em todas as situações.
Meu pai é um Pr.Assembleiano,e acredito que você saiba que els são bem resistentes a esta Teologia,e ele(não que ele seja alguém importante)esta de acordo com que o Sila tem Ministrado,e temos experimentado prosperidade em nosso lar.

Desejo sim crescer com Cristo Alias tem somente 16 anos,e em nenhum momente te julguei por que eu disse:vamos produzir frutos,assim me incluindo também.

Jesus abençoe..

xD”.

Minha resposta, em atenção a cada proposição do irmão Naor:

“O Apostolo Paulo afirma que muitos pregam o evangelho por contenda,e por ganancia,mas o importante é que Jesus seja pregado” [sic].
Creio que o jovem Naor não quis dizer que o Pr. Silas Malafaia prega o Evangelho por contenda ou ganância, mas é razoável entender que seu emprego do texto paulino serve para tentar justificar a pregação a todo custo, como costumam fazer muitas pessoas. É mesmo recorrente usar o texto de Fp 1.15-18 para dizer que vale tudo em nome da propagação do Evangelho, como se Paulo estivesse aprovando o pragmatismo, o evangelho de resultados, dos fins que justificam os meios, à moda de Maquiavel. Mas o texto paulino não diz isso. Se observarmos com atenção toda a passagem de Fp 1.12-26, veremos que Paulo se refere a motivações errôneas, e não a conteúdo errôneo. Paulo jamais vendeu doutrinas e princípios cristãos. O que ele diz é que alguns pregam com sentimentos de inveja, fingimento e porfia, e não que seja válido pregar evangelho adulterado, porque ele mesmo, o apóstolo Paulo, disse que não se poderia aceitar outro evangelho (veja Gl 1.6-9, por exemplo). Em suma: se alguns pregam o Evangelho de Cristo, mas por motivações equivocadas, o importante é que o nome de Jesus seja anunciado, sabendo, por outro lado, que cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus, e isso não é brincadeira, conforme II Co 5.10. Paulo nunca aprovaria a pregação de evangelho diferente! Creio que está claro assim. O argumento do Naor nesse caso foi pragmático.

“Sou adepto da Teolgia da Prosperidade(com bases biblicas).Quando Jesus diz que o Reino dos céu é dos pobres,acredito que Ele esteja afirmando sobre pobres de Espirito,humildes etc” [sic].
Gosto da sinceridade do irmão Naor: reconhece ser adepto da Teologia da Prosperidade. Mas há uma contradição, pois a Teologia da Prosperidade, ligada que é à Confissão Positiva, não tem as “bases bíblicas” referidas pelo irmão Naor. Concordo com a proposição de que os “pobres” são os “pobres de espírito”, os humildes, os que se enxergam como pecadores, os pequeninos, conforme Mt 5.3 e 11.25. Também creio que a “opção pelos pobres”, ensinada pela Igreja Romana, está fundamentada em bases erradas. No entanto, uma coisa não sustenta a outra. Dito de outro modo: o fato de eu crer que a Salvação se dirige a pobres e ricos não faz com que eu acredite que a prosperidade seja o mesmo que riqueza material, nem me induz a buscar bênçãos materiais como distintivo de espiritualidade cristã ou aprovação divina à minha vida. O argumento do Naor nesse caso foi silogístico, pois é como se tivesse dito: “se os pobres de espírito não são os pobres no sentido material, logo o Evangelho faz com que a pessoa deixe de ser pobre. Esse argumento não tem lógica, e por isso eu o chamo de argumento silogístico, lastreado que está em afirmações sem sentido.

“Sou contra a FAMOSA a afirmção:VENHA PRA JESUS ELE TE ENRIQUECERÁ..Pois Jesus nos fala para buscarmos primeiro o reino dos céus,e as demais coisas nos serão acrescentadas” [sic].
Neste item eu concordo inteiramente com o irmão Naor. Creio que a promessa de enriquecimento instantâneo, como ingrediente da Salvação, não merece maiores comentários. O argumento do Naor nesse caso é bíblico, e, por ser bíblico, anda longe da Teologia da Prosperidade.

“Jesus fala mais sobre dinheiro nos evangelhos do que outra coisa,e também fala mais sobre o inferno do que sobre o céu” [sic].
Gostaria que o jovem Naor me mostrasse como chegou a essa conclusão. Ele contou os textos em que Jesus fala de dinheiro? Contou quantas vezes Jesus fala de céu e inferno? Não entendi a relação entre falar mais em dinheiro e falar mais em inferno...O argumento do Naor nesse caso é infundado.

“A prosperidade em que acredito é a emocional,sentimental e financeira” [sic].
A afirmação de que a prosperidade abrange os aspectos emocional, sentimental e financeiro parece muito boa, se extraída, afastada do contexto da Teologia da Prosperidade. De fato, quem não admite que a prosperidade bíblica possa abarcar todos os aspectos da vida humana? Todavia, a frase, tomada isoladamente, não justifica a priorização que se faz do dinheiro, da saúde e do bem-estar. A Teologia da Prosperidade confunde prosperidade com riqueza e ausência de doenças e sofrimento. A Teologia da Prosperidade não tem piedade dos que sofrem, dos que padecem enfermidades e ficam sem cura, dos que morrem sem a solução de problemas. A prosperidade bíblica deve ser entendida como o efeito de uma vida pautada por princípios sagrados (veja o Sl 1), cumprimento das obrigações sociais, pagamento de impostos, respeito aos contratos, valorização do trabalho, esforço, busca de melhores condições de vida. Mas isso não anula a possibilidade do sofrimento, da cura que não vem, dos acidentes e incidentes, da falência, da falta de emprego ou morte na família. O argumento do Naor nesse caso é deficiente.

“O salmista afirma que nunca viu o justo mendigar o pão e Jesus também afirma que veio para dar vida e vida em abundância(em todas areas de nossas vidas)” [sic].
Aqui temos dois textos bíblicos mencionados: Sl 37.25 e Jo 10.10. Nenhum dos dois prega o evangelho da prosperidade. Quando Davi afirma que, em sua experiência de vida, jamais viu o justo mendigar o pão, nem a sua descendência padecer necessidade, ele está se referindo à providência divina, que nos livra da miséria, mas não diz que o justo não pode ser pobre (há vários exemplos bíblicos de justos que foram pobres, como a conhecida “viúva pobre”, de Lc 21.1-4, e a própria família de Jesus, como se depreende de Lc 2.21-24 c/c Lv 12.6-8). Vale dizer que pobreza é diferente de miséria. Quanto ao outro texto, de Jo 10.10, Jesus se refere à plenitude espiritual. O argumento do Naor nesse caso é hermeneuticamente errado.

“Concordo que não podemos amar ao dinheiro e a Deus ao mesmo tempo isto é pecado de cobiça e idolatria,mas creio que Deus sim levanta ministros para levar sua palavra ministrando cada um em sua area ex.cura,libertação,prosperidade etc.Claro todos com bas na Palavra” [sic].
Naor, não existe dom de ministrar prosperidade. Nenhuma lista de dons no Novo Testamento aponta para ministério de prosperidade. Pode procurar. Isso é invenção de certos pregadores norte-americanos. Pense nisso. Por mais que seja agradável ouvir promessas de cura certa e prosperidade financeira, isso não passa de “palavras fictícias” quando a palavra não procede de Deus (II Pe 2.3, na Almeida Revista e Atualizada). Jeremias enfrentou corajosamente falsos profetas que prometiam paz e prosperidade, quando Deus falava de juízo e necessidade de arrependimento (veja Jr 8.11, por exemplo). O argumento do Naor nesse caso não é bíblico.


“Eu tenho visto os frutos do ministerio do Silas Malafaia,sou contribuinte,e Deus cada vez mais tem me abençoado,tambe´m fui muito impactado com os livros de MURDOCK(esqueci como escreve o nome dele suahusahusa, por isso digo para olharmos os frutos,por que Jesus disse que uma arvore boa não produz frutos maus,e uma arvore má não produz frutos bons” [sic].
Em seu livro A Lei do Reconhecimento, Mike Murdock prega disfarçadamente preceitos próprios do Gnosticismo e do Esoterismo. A primeira frase do livro consiste em dizer que o maior problema da humanidade é a ignorância – essa afirmação é gnóstica, e, conforme a Bíblia, entendemos que o maior problema da humanidade é o pecado, pois gera a morte (Rm 3.23; 6.23, por exemplo). Quanto à lei do reconhecimento em si, associada à tal lei da semeadura financeira, não passa de preceito esotérico, como a lei da atração, no bojo das supostas leis místicas que governariam o Universo. Nada disso é bíblico, mas próximo, isto sim, da Confissão Positiva e da Nova Era.
Eu admirava muito o Pr. Silas Malafaia, que, aliás, é de minha denominação (!). Eu o admiro ainda por sua grande capacidade de expressão, articulação e conhecimento bíblico e teológico. Mas passei a discordar de seu trabalho quando ele aderiu à Teologia da Prosperidade, quando passou a discordar de si mesmo, ao defender muito daquilo que antes combatia com tanta veemência. É como se houvesse dois pastores com o nome de Silas Malafaia...
Mas o principal argumento nesse caso é relativo aos frutos, que Naor menciona tendo em vista o texto de Mt 12.33-37, com o paralelo de Lc 6.43-45. O jovem Naor diz que tem sido abençoado ao contribuir, que foi “impactado” com os livros do Mike Murdock – e eu pergunto: isso por acaso são frutos suficientes para que a Teologia da Prosperidade seja aprovada? Veja que não questiono as motivações pessoais de nenhum dos pastores citados, e, por isso, não os julgo (Mt 7.1-5). Mas avalio o conteúdo de sua mensagem, e dela discordo, porque a Bíblia é minha regra de fé e prática (veja o Sl 119 todinho, bem como II Tm 3.16,17). Devemos conferir nas Escrituras para ver se as coisas são de fato como nos dizem (At 17.11). Com relação aos diversos tipos de julgamento, leia-se, por favor, o nosso artigo, neste mesmo “blog”, sob o título “Resposta a um admirador de René Terra Nova e Cia.”

“Vidas tem sido levadas a Cristo,e em tudo o que eles tem ensinado usam como base a palavra” [sic].
Bom, não posso dizer se todas essas vidas têm sido levadas a Cristo. Não posso adentrar a mérito tão profundo, que só pertence a Deus. Mas minhas avaliações são feitas sobre o parâmetro objetivo das Escrituras, e, apoiado nelas, posso afirmar categoricamente que a Teologia da Prosperidade não tem suporte bíblico, em absoluto (veja I Tm 6.3-10; Fp 4.10-23).

“Sim vemos muitos se pertendo,e cobiçando o que não agrada a Deus,mas não posso crer em Deus que não abençoa o seu povo,vemos na biblia que Deus sempre a abençou seu povo com milagres na area financeira,e sim tem pessoa que Deus não deixa rico,por que Ele não deseja” [sic].
Deus realmente abençoa o Seu povo – mas o que é bênção para você? Confunde-se com riqueza, saúde certa, imunidade ao sofrimento? Então, precisamos explicar que Deus, sim, sempre abençoa o Seu povo, mas que o próprio sofrimento pode ser um meio de bênção, como todas as provações (veja Tg 2.1-11; I Pe 1.6-9).

“os pregadores da prosperidade são exagerados,quando falam deste assunto,mas não chegam a ser heresias,como também muitos tradicionais,só valoriza a pobreza em extremo,o certo eh o temperado:No mundo Tereis aflições,mas tende bom animo pois eu venci o mundo,como disse jesus,e Pualo que disse de tudo ter esperimentado,e saber estar bem em todas as situações” [sic].
Ora, os exageros dos pregadores da prosperidade são, sim, heresias, eis que falsos ensinos são heresias. O texto de Jo 16.33 só atesta essa afirmação.


"Meu pai é um Pr.Assembleiano,e acredito que você saiba que els são bem resistentes a esta Teologia,e ele(não que ele seja alguém importante)esta de acordo com que o Sila tem Ministrado,e temos experimentado prosperidade em nosso lar" [sic].
Infelizmente o ser assembleiano não significa mais, em todos os lugares, o combate a heresias, especialmente à Teologia da Prosperidade. Eu sei o que estou dizendo. A Teologia da Prosperidade é um câncer que se abateu sobre muitas igrejas de nosso País, o que certamente não isenta muitas Assembléias de Deus, para minha enorme tristeza e decepção, porque não foi esse o Evangelho que recebi de minha mãe e de meus amados pastores da infância e adolescência (veja I Co 15.1-3; II Tm 1.5).

“Desejo sim crescer com Cristo Alias tem somente 16 anos,e em nenhum momente te julguei por que eu disse:vamos produzir frutos,assim me incluindo também” [sic].
Finalizando, quero elogiar o irmão Naor pela sua gentileza e disposição para o diálogo. Sendo ele um adolescente de 16 anos, tem toda a vida pela frente, e espero, sinceramente, que seu crescimento em Cristo seja um testemunho a muitas pessoas. A humildade que demonstrou em seu segundo comentário, explicando com detalhes a sua posição, depõe em favor de seu bom caráter. Quero aproveitar este momento para dizer que o objetivo deste "blog" é alcançado sempre que se faz o diálogo construtivo ou a exposição de doutrinas bíblicas. No mais, todo aquele que busca pensar merece meu respeito, e foi o que o Naor fez, ainda que tenhamos grandes divergências teológicas, que nos colocam em campos bem distintos.
*As referências ao "blog" têm em vista o http://alexesteves.blogspot.com
**Reproduzi as palavras do irmão Naor do jeito que vieram, e por isso inseri entre colchetes o termo latino "sic". Para esclarecimento a respeito, consulte-se o seguinte endereço: http://www.sualingua.com.br/04/04_sic.htm

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Salvador, tu precisas do Salvador!

No aeroporto que leva o nome do falecido filho do também falecido Antônio Carlos Magalhães, eu, minha esposa e minha filha, assim como todos os demais passageiros, fomos recepcionados por um grupo de "baianas" que saculejavam ao som ritmado que certamente embala sessões de candomblé e congêneres nos muitos terreiros da Cidade. Não gostei nada disso. Esperava chegar sem essa estranha recepção, e sei que, se isso for pago pelo dinheiro público, fico deveras indignado, porque o Estado brasileiro é laico.
É necessário distinguir baianidade, afrodescendência e religiões afro-brasileiras. Baianidade - arrisco-me a definir - seria um traço cultural que mistura alegria, simpatia e acolhimento. Afrodescendência, em minha opinião, não poderia ser designação apenas dos oriundos da África Subsaariana, porque há uma África que não é negra (algo que ouvi certa vez do meu professor Ivan Gonçalves, e que faz muito sentido).
Quanto às religiões afro-brasileiras, não posso aceitá-las como elemento cultural e folclórico porque contrariam a Palavra de Deus, adoram a vários deuses, praticam fetichismo, crêem no animismo, fazem despachos para prejudicar pessoas, tratam com o obscuro mundo da feitiçaria. Não posso chamar isso de simples cultura, pois é, de fato, religião, e, em se tratando de religião, devemos ter sempre em mente que o Estado é laico, e que Cristo é o exclusivo SENHOR.
Com efeito, não se pode confundir cultura e religião, sob pena de se alimentarem preconceitos e medidas políticas que favorecem a desigualdade. Aliás, nesse mundo que exalta o tal pluralismo, só não há espaço para idéias fundamentadas na Bíblia. Para nós cristãos evangélicos, eles negam o pluralismo, o direito de expressão. Isso demonstra que o pluralismo é uma falácia pós-moderna.
É por isso que digo que a Cidade de Salvador precisa do Salvador, do SENHOR Jesus Cristo. Vejo aqui em Salvador uma combinação não-saudável de religiosidade e política. Eu discordaria do mesmo jeito se dissessem que o Cristianismo evangélico seria a religião oficial, como discordo de dias consagrados a santos ou mesmo de dias dedicados aos evangélicos. Nada disso é constitucional, nem creio que seja compatível com a Escritura Sagrada.
Aqui em Salvador eu sou minoria porque minha pele é branca e meus cabelos, lisos. Mas não é assim que vejo o mundo: essa distinção baseada em raças é ridícula, pois todos somos humanos, não há raças entre nós. Somos a Humanidade, devemos defender valores humanos, e não valores negros, brancos, asiáticos ou indígenas. Devemos, sim, defender interesses de pessoas efetivamente prejudicadas, mas não podemos proteger nem prejudicar ninguém em razão da cor de sua pele. É por isso que discordo das cotas e de outras eventuais medidas que partam da premissa de que ser negro é ser necessariamente oprimido. Conheço brancos que são muito pobres e ignorantes, e negros que são ricos e cultos. Conheço, mais do que isso, pessoas mestiças, em cujas características é impossível, a olho nu, discernir que percentual de negritude terão.
Faço referência a isso porque me parece que a defesa da negritude enquanto raça é um aspecto muito forte em Salvador.
Isso não vai gerar no Brasil um "apartheid"? Não estamos vendo o que a não-integração dos indígenas está causando em Roraima? Queremos um País dividido, enquanto Obama, num País realmente dividido, fala em união e harmonia?
Há uma outra coisa em Salvador que me faz ter certeza do quanto ela precisa do Salvador: a Cidade está estabelecida sobre o fundamento de festas carnais, o Carnaval e seus similares. Exalta-se o corpo, o erotismo, o prazer descompromissado. Que sociedade pode se gloriar de um fundamento desses?
Existe ainda um aspecto digno de nota: a extrema desigualdade social. E, em plena área nobre, vejo os muito pobres deitados nas calçadas, pedindo esmola. As favelas também são um retrato dolorido aos nossos olhos, porque ali tem gente excluída mesmo.
Sou baiano, mas não me orgulho dessas contradições. Gosto de ser baiano, mas antes de tudo sou cristão.
O bom mesmo é ver que nem todas as praias foram dominados pelos ricos, e que o mar, o grande mar, é ainda visto por qualquer um de nós, numa equidade emocionante que só pode vir de Deus.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

É necessário "sentir a presença de Deus" para que a oração seja eficaz?

Há poucos dias ouvi, pela Internet, uma mensagem do Pr. Ed René Kivitz, por sugestão de um amigo e irmão em Cristo. O pastor discorreu sobre o texto de Sl 34.8, especialmente sobre a frase "Provai e vede que o SENHOR é bom", e, com bastante propriedade, falou acerca da falsa idéia que temos de experimentar Deus, sentir Deus como se fosse um objeto, como experimentamos uma comida. É que pensamos em provar Deus em termos sensoriais. "Provar", segundo o referido pastor, não é verificar se Deus vai dar resultado, mas, no processo da vida com Deus, perceber que Ele é verdadeiramente bom, conhecer o Seu caráter.
Aproveitando essa reflexão, outra me ocorreu: será que me sinto desmotivado a orar porque nem sempre sinto a presença de Deus? Aliás, o que é "sentir a presença" de Deus? Isso é tão enfatizado em minha igreja - e vem associado a emocionar-se, com ou sem o acompanhamento de línguas estranhas - que pelo menos para mim, que não sou de me emocionar facilmente, a exortação para sentir a presença de Deus se torna algo deveras desafiador!
Será que devo sempre me emocionar? Será que minha oração, para ser eficaz, tem que trazer emoção, aquela comoção que algumas vezes senti em determinado momento na conversa com Deus?
Olha, não se trata de que os pentecostais digam que a oração só vale quando a gente sente a presença de Deus. Não é isso. Todavia, parece-me que a ênfase no sentir acaba sendo tão grande que o cristão se vê obrigado a se pautar pela emoção, pelo sensorial, pela experiência mística. E, quando isso não acontece, vem a desmotivação, a frustração e o desgaste, conjunto este que precede uma solução de continuidade na disciplina da oração.
Em seu ensino, Jesus não disse nada sobre sentir a presença de Deus durante a oração. Por exemplo, em Mt 6.6-8, o Mestre diz que a) devemos orar em secreto, de porta fechada, dirigindo-nos ao Pai, "que vê em secreto" e que "recompensará"; b) não devemos orar com "vãs repetições", como os gentios - ah, os gentios também oravam? c) e devemos ter certeza de que nosso Pai sabe daquilo que precisamos, antes que lhe venhamos a pedir.
É certo que existe a oração no culto público, a oração coletiva, e não preciso detalhar esse caso. O que quero dizer é que no ensino de Jesus a orientação é para que estejamos convictos de que nosso Pai "vê em secreto". Não precisamos esperar uma sensação especial, um falar em línguas, que, se acontecer, terá sido glorioso, mas não essencial à oração.
Orar é dialogar com o nosso Pai. Ele nos vê e ouve. Também fala conosco. A Trindade atua na oração: o Pai ouvindo (Mt 6.9), o Filho mediando (Jo14.13), e o Espírito intercedendo com "gemidos inexprimíveis", porque "não sabemos orar como convém", e nos ajuda "em nossa fraqueza" (Rm 8.26).
Em suma: não precisamos de provas de que Deus está nos ouvindo. Ou cremos ou não cremos. Ou será que não temos a confiança recomendada em I Jo 5.14 e Hb 4.14-16. Jesus é nosso Grande Sumo Sacerdote! Tenhamos confiança diante do trono da graça!

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

O caráter pessoal do Evangelho

A religião cristã é estritamente pessoal. Não há absolutamente nenhum valor numa espiritualidade "cristã" meramente doutrinária, dogmática, confessional, cognitiva. É preciso mais do que isso.
As religiões do mundo são sistemas normativos de crença e conduta com vistas ao sobrenatural, mas de baixo para cima, enquanto o Cristianismo Bíblico é a religião da Pessoa de Cristo com o Homem renascido, a reconciliação (religação) do Homem com Deus (II Co 5.18,19).
Deus é pessoal - três Pessoas. Sua relação com o Ser Humano é comunicativa, dialógica. Há conversa, acordo, proposta e resposta. Há bilateralidade, escolhas, conseqüências. Isso é comunhão, relação interpessoal, pessoalidade.
O Deus que foi amigo de Abraão e falou com Moisés face a face aprecia o contato pessoal. Ele visitava o primeiro casal (Gn 3.8) porque gostava deles, sem a intenção de fiscalizar seus passos, como se fosse um deus policial, retratado em mentes estreitas. O tabu adveio do pecado (Gn 3.10,11).
O Evangelho é diferente de tudo: o SENHOR procurando servos dentre os seres humanos, o Criador adotando filhos dentre suas criaturas, o Deus de todo o Universo, e de fora do Universo, procurando adoradores "em espírito e em verdade" (Jo 4.24).
Por meio de Jesus Cristo, o Espírito Santo, em Pessoa, vem habitar o coração do salvo. Isso vai muito além de assentimento intelectual.
Se entendêssemos verdadeiramente o caráter pessoal do Evangelho, nossas divisões internas se aplacariam. Refiro-me à Igreja. Isso não significa que abandonaríamos as confissões de Fé. Jamais proporia uma coisa dessas, pois devemos estar enraizados no que é fundamental. Mas é necessário dizer que tudo o que é fundamental se resume a Cristo, Sua Pessoa e Obra. Nas demais doutrinas, pode haver alguma divergência, mas é imperioso que formemos consenso quanto à natureza e caráter de Deus em Cristo.

O pecado não faz parte da verdadeira humanidade

A frase "errar é humano" só pode ser admitida como correta se considerarmos a humanidade decaída, degenerada.
Antes da Queda, o Homem era "reto", como está escrito em Ec 7.29. Depois de ter criado o Homem, Deus disse que era "muito bom" (Gn 1.26-31). A isso se chama "estado de inocência".
O pecado não fazia parte do Jardim do Éden. Adão e Eva não precisavam pecar, essa não era uma necessidade física, psíquica nem espiritual. Por isso, quando Deus lhes permitiu comer de toda árvore do jardim, exceto da árvore da ciência do bem e do mal (Gn 2.16.17), não se tratava de uma tortura, pois não se tortura ninguém privando-o de algo desnecessário ou mortífero. É como se Deus dissesse: Vocês podem comer de tudo, menos do que é venenoso. Ora, privar alguém do veneno é efetivamente dar-lhe a vida!
O engano da serpente partiu de uma interpretação negativa do que Deus dissera. Em vez de enfatizar o aspecto positivo do "de toda árvore do jardim comerás livremente" (Gn 2.16), a serpente perguntou: "É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim"? (Gn 3.1). Trata-se de uma forma de manipulação da Palavra de Deus, um jogo de palavras que confunde.
A astúcia do diabo, que usava a serpente, foi seduzir o primeiro casal com a idéia de que se tornariam eles como Deus por meio da desobediência. Além disso, o tentador lançou a semente de que Deus é um torturador, e de que o pecado é não só necessário como atraente e fundamental para alguém se tornar como Deus.
Hoje a estratégia da antiga serpente é a mesma. As pessoas no mundo acham realmente que é impossível viver sem pecar ou sem o prazer do pecado. Cientistas de formação naturalista acreditam que o sexo é necessidade meramente instintiva, como entre os animais, e que a partir da influência dos hormônios na puberdade é impossível o adolescente não se masturbar. Outros dizem que a mentira é necessária ao desenvolvimento nacional. A sociedade ensina a sonegação fiscal, o adultério, a "lei do mais forte", a infidelidade em todos os setores, como se esses pecados fossem inerentes à natureza humana.
Ora, no princípio não foi assim. O pecado não faz parte do plano original de Deus. E foi por isso mesmo que Jesus não pecou, isto é, Ele fez tudo o que tem que ver com a natureza humana, mas não pecou porque isso não foi programado por Deus inicialmente.
Da mesma forma, o pecado não foi planejado para mim nem para você. Podemos renunciar a uma vida de pecado, esse é o convite de Cristo.