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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Reforma de emergência

neo2.1Todos lemos o artigo de Época sobre os evangélicos. Um post aqui e outro ali comentaram a reportagem. Cada um a partir de seu próprio ponto de vista. No geral a repercussão foi positiva.

Pude ver o vídeo de um pregador americano profetizando o fim da igreja emergente.

Como já tem mais de um ano que desliguei-me de qualquer igreja evangélica, no fundo pouco me importo se a igreja emergente vai durar ou não. Mas alguns elementos que ela trás certamente deveriam permanecer e são eles que vejo em destaque na reportagem de Ricardo Alexandre, por isso achei também a reportagem super relevante.

Vou valer-me de uma tabela que roubei lá no Blog Temporas que ilustrava a particular opinião daqueles caras sobre a igreja emergente, para eu também analisar o assunto.

Há dois anos escrevi um série intitulada A Reforma é anti-bíblica (1), (2), (3) e (4) e (5), que passava pelos 5 Solas da reforma protestante. Lá eu argumento, em resumo, que os tempos são outros e já passou da hora de diminuirmos a ênfase nesses pontos. E isso de fato vem de encontro com essa brilhante análise que os “Strongs opinios” fazem da Neo Ortodoxia e com o cerne da reportagem “Novos Crentes”, pois aparentemente há uma tendência no Brasil por parte de alguns grupos, igrejas e pastores justamente nesse sentido.

Não sou nenhum neo-ortodoxo. E nem sei se essa tabela se aplicaria bem a um Karl Barth ou Brian Mc Laren, como pretende os autores daquele Blog. Certamente o sentido que eles dão a ela seria completamente diferente da interpretação que faço. Mas achei interessante aproveitar esse material.

  1. Objetividade X Subjetividade das Escrituras – Quando a Reportagem da Época começa citando Rani Rosique que “prega” por 15 minutos; ou que em outra igreja a “A meditação bíblica dominical é comumente ilustrada por uma crônica de Luis Fernando Verissimo ou uma música de Chico Buarque de Hollanda”; ou em outros exemplos, ela, destaca que as pessoas não querem mais o formalismo ou dogmas, isso só vem reforçar que esse “padrão objetivo” tornou-se flexível. Não porque as escrituras perderam sua força, mas porque sua força está justamente na subjetividade, na capacidade de penetrar na particularidade da alma humana. Infelizmente o que acontece no protestantismo é um abuso do texto sagrado e cada “autoridade pastoral” tenta impor a SUA objetiviade. Por isso meu pedido era Menos Bíblia (e parece que vem sendo atendido).
  2. Unicidade X Pluralidade em função da pessoa de Cristo e sua Mensagem na salvação do homem – Esse é um ponto que não é tratado diretamente na reportagem. Quando eu fiz meu apelo Menos Jesus estava chamando atenção justamente para o abuso que existe em nome de “Cristo” e do nome de Cristo, e isso é tratado amplamente na matéria da Época. O fato é que quando tenta apossar-se e patentear a pessoa de Cristo ocorrerá abusos. Por isso posso deduzir sem medo de errar que a tendência apresentada na Revista indica que há também mais tolerância para outras tradições e espiritualidades, portanto um passo em direção à pluralidade.
  3. Graça dom soberano X Modo de vida – o que enfatizei é que Graça é muito mais para ser vivida e menos a ser teologizada. Nada melhor do que as duas expressões da revista ilustra a busca mais prática e menos teórica da graça: Os novos evangélicos fundaram “uma igreja para quem não gosta de igreja”, “e uma igreja para pessoas de quem a igreja não costuma gostar”. Isso romperia com a tentativa do protestantismo em monopolizar a Graça, sob o pretexto de ser Deus quem soberanamente a distribui, mas na prática traduz-se como sendo as Autoridades Eclesiásticas são quem determinam quem são os agraciados ou não, ou os quesitos para tal. E é justamente esse “patenteamento” que gera uma lista de pessoas que não gosta da igreja, e outra de quem a igreja não gosta.
  4. Fé objetiva X Fé subjetiva: Reflexo dos pontos acima o protestantismo (seja ele neo pentecostal ou não) vem tentando há anos fechar a cartilha do catecismo do Know-how espiritual, seja ele para assuntos morais ou para assuntos sobrenaturais, ou seja lá o que for. A máxima dessa fé é a famosa “única regra de fé”, como se existisse uma “regra” para a fé… Tudo desemboca num pragmatismo morto, faça isso para alcançar aquilo (que como bem diz Gondim o interesse real e único dessa corrente seria, “Alcançar prosperidade ou resolver problemas existenciais”). Como esse autor bem falou é preciso “coragem [para] romper com dogmatismos e com os anseios de resolver os problemas da vida pela magia”. É dessa emergente coragem que Época fala.
  5. Glória a Deus X Glória do homem: Mais uma vez vejo a ressonância do que a revista publicou, com a análise da tabela e sobre o que escrevi: a estrutura monstruosa que se ergueu em função de uma suposta “Glória de Deus” precisa ser desconstruída, pelo simples fato de ela não trazer glória para ninguém, nem para o homem e muito menos para Deus. Alguém pode pensar que isso glorifica alguns poucos líderes, bobagem! Tudo não passa de um grande vexame. Quando porém, através de RELACIONAMENTOS amorosos e verdadeiros, por mais combustível que isso venha a ser, o homem recupera a glória da qual foi destituído, Deus é glorificado. E não através da repetição de mantras piedosos, não importando quantos Aleluias ou versículos bíblicos eles contenham.

Gostaria de crer que a reportagem reflete a realidade e trás uma amostra representativa dos fatos no Brasil evangelical. De fato creio, mas ajudem-me em minha incredulidade.

2 comentários:

Rubinho Osório disse...

Também ignoro como as igrejas tem se modificado, ou não, em função destes outros pontos de vista sobre glória, Fé, Graça, Salvação, Escrituras, etc, pontos importantes que são na definição do que seja "ser cristão".
Mas que algo está mudando no reino da dinamarca, está!!!

Rubinho Osório disse...

Ah! Que lindo ficou o blog!!!