domingo, 30 de novembro de 2008
sábado, 29 de novembro de 2008
O sorriso lindo de minha mãe
Ontem foi a Missa de 7o. Dia da mãe, celebrada pelo tão querido Padre Samuel, grande amigo e admirador de minha mãe. A Missa foi linda, com direito ao Glória e ao Credo, pois Padre Samuel fez questão de celebrar uma missa alegre, completa, missa que transmitisse a paz, a serenidade, a tranqüilidade que estava no coração dele com a partida de minha mãe. Serenidade, pois era a missa da ressurreição e da certeza de que ela agora está nos braços de Deus. Até a estola ele trocou, ao invés da verde, escolheu a branca, que traz a paz.
A homilia foi linda! Nossa! Como foi bom ouvir palavras tão carinhosas, com tanta admiração e afeto, palavras reconfortantes, que acalentam o nosso coração tão dolorido. Lembrou inclusive das palavras do Rogério, ouvidas por nós no velório, quando Rogério mencionou que a doença de mamãe havia tirado dela o dom da fala. Acrescentando, que ela soube usar esse Dom, com tanta sabedoria e propriedade. A mim, particularmente, tocou muito quando ele mencionou o sorriso lindo de minha mãe. Disse que quando chegou à Paróquia, há 12 anos atrás, até chegou a comentar com o Padre João, que foi logo concordando: “A Rosarinha tem um sorriso lindo! Esse sorriso chegou e ficou no meu coração!” Emocionei, porque a doença de minha mãe já havia arrancado dela esse sorriso há quase dois anos e eu já havia me esquecido dele. Foi tão bom lembrar dela sorrindo! Também encheram meu coração de alegria e conforto quando ele disse que nestes 12 anos, nunca, em momento algum, ouviu o nome de minha mãe envolvido em alguma intriga ou fofoca. É mais um testemunho da pessoa especial que ela foi e do carinho de toda comunidade para com ela. E isso deixa nosso coração mais leve.
As lágrimas voltaram novamente na hora do ofertório, quando Pe. Samuel oferta não só a vida de minha mãe, mas como uma homenagem especial, oferta em agradecimento todas as vezes que minha mãe ia à secretaria da paróquia, quer seja pra marcar uma intenção de missa, levar uma muda de planta ou uma lembrancinha trazida da Europa, e ali ficava, para aconselhar, orientar, bater papo, ajudar. Durante toda a missa, só ouvi palavras de carinho e conforto, e essas palavras sim, acalmam nosso coração sofrido.
As músicas foram lindas, cantadas por Zaíra e suas amigas, as letras escolhidas a dedo. Antes mesmo de a missa começar, elas já cantavam “Sempre no meu coração, perto ou longe estarás...”. A da comunhão me levou aos prantos. Começava com “Pelos prados e campinas verdejantes eu vou. É o Senhor que me leva a descansar. Junto às fontes de águas puras repousantes eu vou”. Assim vi minha mãe, assim acredito que ela foi, ela que gostava tanto de viajar, olhar os campos, Deus a levando a descansar. Quando olhei pro pai, ele também já estava chorando, comovido, com certeza, pela mesma sensação.
Pra terminar, Elisa leu pra gente, do livro Lembranças da mãe, o texto onde ela reflete sofre a dor da perda. Dor, dor e mais dor! Mas também a certeza de um dia chegar ao céu e encontrar Madrinha Chiquinha. Meu coração então ficou ainda mais leve! Ficou em paz.
Mas terminou mesmo foi com o carinho, o conforto, a alegria ao abraçar cada um dos amigos que, deixando seus afazeres e obrigações, foram lá nos confortar e trazer seu carinhoso abraço. Poder se jogar nos braços de amigos tão queridos, meus, da mãe, do pai, dos meus irmãos, abraçar nossos familiares, poder chorar o choro da alegria e da certeza de que a vida tem que continuar e que eles estarão aqui. Pois a cada abraço, me era sussurrado ao ouvido palavras de carinho, e a certeza de que podemos contar com eles, pro que der e vier.
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
Palavras no silêncio da despedida
Talvez o silêncio da morte, da tristeza e da dor, especialmente hoje, esteja cantando vitória em um canto mudo. E isso me incomoda.
A natureza roubou de mamãe através da doença, um dos dons mais preciosos que temos, o de falarmos.
Como toda mulher, mamãe sabia muito bem usar este dom. Sempre cercada de boas amigas ela falava e conversava com prazer e transmitia vida e graça.
Sou grato a Deus e a ela pelas não poucas vezes que usou seus lábios para me consolar em um momento de tristeza. Sou grato pelas palavras de sabedoria em nossa educação na infância e até mesmo na idade adulta, quando em uma crise mais séria recorríamos a ela.
Como adolescente recebi de mamãe uma Bíblia, e ali aprendi que nosso Deus é um Deus falador. Seu Filho Jesus não se fazia calar tão facilmente e é conhecido em todo o mundo por suas palavras de Vida Eterna.
E é justamente essa esperança de vida eterna e ressurreição que consola o meu e o nosso coração hoje.
Mamãe soube usar muito bem todas cinco linguagens do amor: o afeto, o serviço, as dádivas, o tempo em comunhão e as palavras.
Em gratidão por suas palavras e em sua memória, hoje, ao ter que escolher entre o silêncio e o falar, eu preferi o falar.
Palavras que proferi por ocasião do velório de mamãe.
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
Uma Santa d'A Escuridão me Basta
Muito obrigado a todos que deixaram suas preciosas palavras. Vocês nem imaginam o consolo que elas foram. Cada uma do primeiro ao último me comoveu e emocionou e consolou.
Cada um dos comentários foi uma vela ascesa na escuridão que se fez quando uma luz tão preciosa se apagou em nossa estrada. Li a maioria deles com minhas irmãs e meu papai, que também se comoveram. Não preciso dizer que já com as emoções à flor da pele eles nos fezeram derreter em mais lágrimas de cura.
Irei mencionar somente uma pessoa como representante de vocês todos, com os quais tenho me encotrado virtualmente. Ao abraçá-lo me senti abraçando cada uma dessas amizades que conquistamos na Blogsferade de sul ao norte do Brasil.
Quando me vi capotando por não conseguir fazer essa curva perigosa de uma noite escura da vida ajudou-me muito lembrar-me das sábias palavras daquele irmão e ao mesmo tempo no seu rosto ver o rosto de todos vocês, como uma só equipe de resgate. Muito obrigado a todos, muito obrigado Alysson.
Deixo abaixo suas sábias palavras que nos consolaram tanto, ao lado das de Madre Teresa que consolou a tantos.
"Que o Pai Nosso, mas também a Mãe Nossa, a Ave Maria que tua mãe sempre respeitou e amou, a tenha nos braços e nos lábios." - Alysson Amorim
“Se eu alguma vez vier a ser Santa - serei certamente uma Santa da “escuridão”. Estarei continuamente ausente do Céu - para acender a luz daqueles que se encontram na escuridão na Terra.” - Madre Teresa de Calcutá
sábado, 22 de novembro de 2008
Uma Teologia da Liberdade (1)
Viver é bem melhor que sonhar, assim como fazer é bem melhor do que só falar. Disse Caio Fábio que a teologia de alguém expressa o estado de espírito daquela pessoa, sua vida, o drama que enfrenta naquele momento. Minha teologia, então, aponta para a LIBERDADE.
Meus dramas momentâneos são basicamente dois: o primeiro, mais sério, é a doença de mamãe, o segundo, não menos sério é o meu desemprego. Preferira apenas divagar sobre esses assuntos em vez de ter que conviver com eles diariamente. Mas não posso.
Falta-me agora a habilidade da minha infância para transformar em palavras verdadeiras e simples experiências subjetivas desse meu labutar diário.
Talvez em uma redação da escola escrevesse,
"estou muito triste, pois ouvi papai dizer que mamãe está morrendo. [Ou simplesmente], mamãe ficou de repente muda e esquisita, todos meus irmãos e eu rezávamos desesperadamente para Deus curá-la, mas ninguém mais acredita que isso vai acontecer... Ela só piora a cada dia mais e mais."
A quilômetros de distância só me resta o consolo de conviver com o sentimento de culpa por não poder estar perto para abraçá-la, para chorar junto com papai e dividir a carga com meus irmãos. Não que alguém me cobre isso, nem mamãe, com a habilidade que as mães normalmente têm para nos manipular emocionalmente faria isso, pelo contrário, seria a primeira a tirar qualquer grilo da minha cabeça. Porém, a cada dia contabilizo essa minha dívida familiar e peço a Deus para perdoar-me.
Outra grande dívida vou acumulando frente a minha esposa, graças a meu desemprego. Tento amortizá-la desempenhando bem ou mal o papel de “dono-de-casa”. Às vezes forço a barra e tento contabilizar o débito com minha família no Brasil na conta da minha amada, como se estar aqui na Alemanha não tivesse sido uma escolha só minha. Fato esse que só aumenta meu passivo, pois morar aqui foi uma decisão anterior a conhecê-la. Como convivo com esse segundo problema bem de perto, não adianta muito pedir a Deus pelo perdão no final do dia, pois na manhã seguinte ele já me tortura antes mesmo de eu acordar. Talvez na redação do grupo escolar simplesmente colocasse o título, “Deus me dê um trabalho” e escreveria 10 ou 15 linhas expressando minha profunda tristeza, outras exaltando a onipotência divina, sua bondade paterna, e arremataria com algum dizer despretensioso que deixasse escapar a fé simples de uma criança que sabe que Ele tem tudo sob controle.
Mas não tenho mais a valentia das crianças e talvez por isso mesmo esses problemas me assombrem tanto. Também por me faltar a singeleza e a ingenuidade infantis apelo para minhas teologias. Onde foi que a fórmula falhou? Onde está o “outro Deus”, tendo em vista que o conceito tradicional mostrou-se falso? Onde foi que li errado na Bíblia? Qual foi o autor que menosprezei e o que era mesmo que me dizia e preferi evitar?
E assim todos os mapas que lia, todas as placas que apareciam pela caminhada a fora, todos sonhos e pesadelos noturnos apontavam em uma só direção: Liberdade.
Não que a liberdade fosse a solução destes meus problemas. Mais do que isso, ela fazia parte da causa, do problema e da solução.
Fatalmente o primeiro paradigma que tive que romper foi com meu conceito latino americano e "calvinista" de destino ou no popular, “Deus quis”. Deus não quis e não quer isso! E isso não diminui em nada seu poder, pelo contrário só reforça-o. Deus não quer meu desemprego e nem a doença de mamãe. Por definição, acima de tudo, Deus é Amor. E assim removendo um pilar, o novo começa a tomar lugar: o conceito de liberdade. Não existe palavrão mais ofensivo para um moralista do que esse: liberdade (o que na verdade e uma aberração, pois só pode haver moral e ética se houver liberdade).
E aí está o verdadeiro poder de Deus, na liberdade ética. Na escolha moral. Na opção voluntária e consciente pelo bem, pelo amor. E isso não só em sonhos ou palavras, mas em vida e em atos. Traduzir vida em palavras e sonhos é um talento que só as crianças e os poetas tem, mas transformar palavras e sonhos em vida é a plena liberdade dada gratuitamente pelo Criador a todos homens especialmente a cada cristão.
Fotos: Mamãe e a gente nos idos de 70
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Hoje pela madrugada enquanto não conseguia mais recuperar o sono, após a Anna-Lisa (minha filha) ter me acordado às 3 da madruga da Alemanha, fiquei tentando escrever este Post. Provavelmente neste mesmo tempo mamãe estava se encontrando com o seu Salvador e Senhor. Ela foi hoje liberta.
Não entendo muito coisa desta doutrina mas o meu devocional matutino foi Mc 12:18 sobre a realidade da Ressurreição! É fato que Deus planeja muita coisa em nossas vidas. Certamente bem mais do que imaginamos ou de fato cremos.
Pela hora do almoço quando voltei para casa, após sair para passear com Anna-Lisa e vermos a primeira neve deste ano, ouvi o recado de meu pai na secretária do falecimento de mamãe, que sofria de Demência de Pick a uns 2 a 4 anos. Meu irmão me ligou logo em seguida. Hoje viajarei para o Brasil com minha irmã para o sepultamento. Continuem orando pela gente.
Será a primeira vez em 10 anos que estaremos todos novamente reunidos. E a última vez com mamãe. Dou graças a Deus pelos 70 anos que ela esteve neste mundo e pelos 38 que pude desfrutar de seu amor maternal e aprender um pouco de sua fé.
As palavras de Jó me vem ao Coração: o SENHOR o deu, e o SENHOR o tomou: bendito seja o nome do SENHOR!
Obrigado pela amizade que apesar de virtual é bem real e calorosa.
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
Cobertura espiritual, instituições e revolta (3)
E você? Há quanto tempo tem orado pela revolução?
O que está acontecendo?
25 anos e minha vida está parada,
Estou tentando escalar aquele grande morro de esperança
Para um destino.
Eu compreendi rapidamente quando soube que deveria,
Que o mundo foi constituído desta fraternidade de homens,
Para o que quer que isso signifique...
REFRÃO:
E então eu choro às vezes quando estou deitada na cama,
Simplesmente para tirar isso tudo que está na minha cabeça,
E estou me sentindo um pouquinho estranha.
E então eu acordo de manhã e caminho para fora,
E respiro profundamente,
E eu fico feliz de verdade,
E eu grito do máximo dos meus pulmões:
"O que está acontecendo?"
E eu digo "ei, ei, ei, ei"
E digo "ei, o que está acontecendo?"
E eu digo "ei, ei, ei, ei"
E digo "ei, o que está acontecendo?"
E eu tento, oh meu Deus, eu tento
Eu tento todo o tempo nesta instituição.
E eu rezo, oh meu Deus, eu rezo
Eu rezo a cada dia por uma revolução.
REFRÃO
E eu digo "ei, ei, ei, ei"
E digo "ei, o que está acontecendo?"
E eu digo "ei, ei, ei, ei"
E digo "ei, o que está acontecendo?"
25 anos e minha vida está parada,
Estou tentando escalar aquele grande morro de esperança
Para um destino...
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
E por falar em crise financeira
A ética capitalista e o espírito protestante
É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que entrar um rico no reino de Deus. -Mc 10:25
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Como (não) matar uma crise
Na reunião do G-20 enquanto todos apresentavam suas mais variadas propostas para acabarem com a crise, corajosamente explicavam fórmulas mágicas e soluções mirabulantes tanto heterodoxas como ortodoxas para dar um fim na danada, de repente ela, a crise, na forma de um dragão adentra a sala de reuniões. Todos se calam assombrados.
Até que um daqueles homens engravatados a saúda com um sorriso amarelo: "Dona Crise! A senhora não morre cedo, estávamos agora mesmo falando de você!"
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
Pecado é não ser humano
O pássaro é livre
na prisão do ar.
O espírito é livre
na prisão do corpo.
Mas livre, bem livre,
é mesmo estar morto.
O pássaro é livre para ser pássaro; não pode um pardal mergulhar em alto mar e se dar bem – não é livre para ser um peixe. O espírito, por sua vez, é livre para ser espírito, e está condicionado a um corpo. Em outras palavras, cada coisa nesta vida é livre apenas para ser aquilo que na verdade é – cada ser tem a permissão divina para ser o que é em sua essência.
De forma que podemos concluir que, enquanto humanos, somos livres para ser plenamente humanos, totalmente livres para desfrutar de nossa humanidade. Não obstante, há que se ter cautela nisso: todo aquele comportamento que fere nossa humanidade – “des-humanizando-nos” – escraviza-nos em uma condição não-humana. Qualquer que seja, não será esta escravidão adequada à escravidão a qual estamos destinados.
Destinados estamos a ser humanos, essa é nossa escravidão, e nossa liberdade também. O que passar disso será a livre escolha de se deixar escravizar por outra condição qualquer menos elevada.
terça-feira, 18 de novembro de 2008
A Reforma é anti-bíblica (5)
E assim chegamos ao último ponto da série e dos Solas.
4) Menos Glória a Deus – serei bem sucinto neste ponto para evitar qualquer mal entendido e assim irei diretamente ao assunto: Jesus odiou a hipocrisia. Ele combateu e fugiu desse fermento, tão presente tanto na política como na religião.
Lamentavelmente a ênfase da Reforma, tão importante naquela época, desembocou hoje num rio comercial de vaidades, fanatismo e ufanismo. Por quê? Pois há ignorância em relação ao verdadeiro significado do que seja “glória”, em especial relacionada à divindade.
Se a igreja evangélica no Brasil, hoje, desmontasse toda a estrutura que construiu em função de uma suposta “para a Glória de Deus” (templos, gráficas e mídias, seminários, ONGs, gravadoras e etc.) e então começasse algo novo em função somente do Reino de Deus e de sua justiça, experimentaríamos então um novo tempo como nação e povo de Deus. Não seria um desmonte necessariamente físico, mas na mente, no coração, na alma. Temos que entender que nosso grande marco não se localiza há 500 anos, na Reforma, mas bem antes, na chegada do Reino de Deus.
Se você ainda não se convenceu daquilo que estou tentando comunicar nessa série só me resta um último argumento. Em breve estaremos comemorando o Natal. Entre em uma igreja em que houver um presépio. Observe a cena ali representada. Tente observar friamente aquela família judia, ainda que já nos acostumamos tanto com o romantismo e calor daquela situação. Atente para a simplicidade, dores e fatalidades daquele acontecimento. Veja que evidentemente na "aparência exterior" há menos fé, menos escrituras, menos graça, menos Cristo e menos Glória divina. E é justamente por causa destes “menos”, que ali, naqueles personagens (especialmente no bebê) estão presentes ainda que de forma oculta, porém transbordante, se não plenas: a Fé, as Escrituras, a Graça, o Salvador, e a Glória de Deus.
Enfim, pare de tentar reformar o velho, absorva e seja absorvido sem reservas pelo novo!
Leia também A Reforma é anti-bíblica (1), (2), (3) e (4)
domingo, 16 de novembro de 2008
Se a igreja te faz tão bem então tudo bem
por pastor Rubens & Lulu Santos
“As coisa velhas já passaram, eis que tudo se fez novo” (2Co 5.17). “...esquecendo-me das coisa que atrás ficam,... prossigo para o alvo...” (Fp 3.13-14). Foi o apóstolo Paulo quem escreveu estas palavras.
Quando algo ruim acontece, o mais necessário é saber continuar a vida, de ânimo erguido, confiante, com coragem; não continuar de alguma forma preso ao que passou. Seja uma morte que tenha acontecido, uma grande perda material ou moral, seja o que for, é necessário continuar a vida sem abatimento.
Se isso acontece na Igreja, a atitude tem que ser a mesma.
Já temos visto o que acontece em incêndios. Apagado o fogo, vem o rescaldo: evitar que fique algum foco para não reiniciar o fogo, e ver o que sobrou do incêndio e ainda possa se aproveitar – os “salvados do incêndio”.
Quando tenha ocorrido desentendimentos e ficado mágoas, há várias atitudes individuais e familiares recomendáveis. Vejamos algumas.
1- Procurar reconhecer honestamente onde cada um errou. Por que o incêndio não foi evitado? Permitimos, imprudentemente, algum material inflamável escondido? Isso pode ser fatal – não tomamos atitudes preventivas e, por omissão, permitimos o incêndio. Então é preciso aprender a lição, e cada um eliminar os focos de ressentimento.
2- Tomar medidas preventivas agora para não acontecer novamente. Ficar mais atentos, eliminar desde o começo resíduos inflamáveis – um desentendimento que não tenha sido bem tratado, um fato que não ficou bem esclarecido, uma mágoa guardada. “Panos quentes” não resolvem problemas, é preciso um remédio eficaz para um tumor, às vezes, um bisturi para retirar o tumor, antes que cause sofrimento maior.
3- Curar de fato as feridas. Entre pessoas, isso significa “reaproximação”, restabelecimento de amizades estremecidas. As reuniões e momentos de sociabilidade devem ser aproveitadas para esse fim. Conversar com todos, especialmente com quem já tivemos problemas, sem deixar nunca de cumprimentar todos afetuosamente.
Visite aquele com quem é necessário refazer a amizade. É responsabilidade de cada um. Tome a iniciativa; vá devagar; converse sobre o dia-a-dia, assuntos leves, depois sobre os problemas que enfrentam; leia a Bíblia e ore com a pessoa. Convide-o para a sua casa.
4- Levar a sério a vida na igreja, com os irmãos. Precisamos viver unidos, como irmãos, estudar juntos, adorar a Deus unidos, e não apenas reunidos. Não arranje desculpas para não se encontrar com alguém na igreja. O maior prejudicado é você, e também a Igreja, o corpo do qual faz parte.
Quando você se ausenta, deixa de se alimentar com o convívio salutar da igreja; traz preocupação aos irmãos; fá-los pensar que está fraco (e talvez esteja). Isto é ruim para a igreja. Assuma consigo e com Deus o compromisso de ir à igreja . Há quanto tempo não o faz?
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Ela demonstrou tanto prazer
De estar em minha companhia
Eu experimentei uma sensação
Que até então não conhecia
De se querer bem
De se querer quem se tem...
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Mas o teu amor me cura
De uma loucura qualquer
É encostar no seu peito
E se isso for algum defeito
Por mim tudo bem
Tudo bem, tudo bem
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
É preciso saber crer

(Composição: Erasmo Carlos / Roberto Carlos)
Não são poucas as pessoas que sofreram ou sofrem por causa de algum tipo de engodo praticado em um dos seguimentos apresentados.
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Inveja
Inveja, esse, sim, é um sentimento mesquinho. É aquilo que às vezes percorre nosso coração quando vemos alguém se dando bem na vida. “Poderia ser eu...” – se traduzido em palavras, estas seriam as que melhor representariam tal sentir. É o que a gente acaba dizendo lá no fundo da alma, sem quase perceber que o que queremos realmente não é o sucesso “como” o outro obteve; mas , ao contrário, desejamos na verdade ter o próprio sucesso do outro, contudo sem percorrer os mesmo caminhos que este percorreu.Estar em uma determinada posição. Ter exatamente o que alguém conquistou, só que isso, claro, sem se submeter a todos os processos e etapas aos quais este teve de se submeter para chegar onde chegou.
A inveja... ela é a preguiça de sermos nós mesmos, a preguiça de lutar e conquistar nossas próprias conquistas. E o contrário da inveja é a alegria fundada no ser, nosso próprio ser. O gozo de ver a si mesmo como um alguém digno, potente e disposto a caminhar seus próprios caminhos, ainda que estes sejam mais difíceis e dolorosos que os caminhos de outras pessoas...
Salvador, tu precisas do Salvador!
É necessário distinguir baianidade, afrodescendência e religiões afro-brasileiras. Baianidade - arrisco-me a definir - seria um traço cultural que mistura alegria, simpatia e acolhimento. Afrodescendência, em minha opinião, não poderia ser designação apenas dos oriundos da África Subsaariana, porque há uma África que não é negra (algo que ouvi certa vez do meu professor Ivan Gonçalves, e que faz muito sentido).
Quanto às religiões afro-brasileiras, não posso aceitá-las como elemento cultural e folclórico porque contrariam a Palavra de Deus, adoram a vários deuses, praticam fetichismo, crêem no animismo, fazem despachos para prejudicar pessoas, tratam com o obscuro mundo da feitiçaria. Não posso chamar isso de simples cultura, pois é, de fato, religião, e, em se tratando de religião, devemos ter sempre em mente que o Estado é laico, e que Cristo é o exclusivo SENHOR.
Com efeito, não se pode confundir cultura e religião, sob pena de se alimentarem preconceitos e medidas políticas que favorecem a desigualdade. Aliás, nesse mundo que exalta o tal pluralismo, só não há espaço para idéias fundamentadas na Bíblia. Para nós cristãos evangélicos, eles negam o pluralismo, o direito de expressão. Isso demonstra que o pluralismo é uma falácia pós-moderna.
É por isso que digo que a Cidade de Salvador precisa do Salvador, do SENHOR Jesus Cristo. Vejo aqui em Salvador uma combinação não-saudável de religiosidade e política. Eu discordaria do mesmo jeito se dissessem que o Cristianismo evangélico seria a religião oficial, como discordo de dias consagrados a santos ou mesmo de dias dedicados aos evangélicos. Nada disso é constitucional, nem creio que seja compatível com a Escritura Sagrada.
Aqui em Salvador eu sou minoria porque minha pele é branca e meus cabelos, lisos. Mas não é assim que vejo o mundo: essa distinção baseada em raças é ridícula, pois todos somos humanos, não há raças entre nós. Somos a Humanidade, devemos defender valores humanos, e não valores negros, brancos, asiáticos ou indígenas. Devemos, sim, defender interesses de pessoas efetivamente prejudicadas, mas não podemos proteger nem prejudicar ninguém em razão da cor de sua pele. É por isso que discordo das cotas e de outras eventuais medidas que partam da premissa de que ser negro é ser necessariamente oprimido. Conheço brancos que são muito pobres e ignorantes, e negros que são ricos e cultos. Conheço, mais do que isso, pessoas mestiças, em cujas características é impossível, a olho nu, discernir que percentual de negritude terão.
Faço referência a isso porque me parece que a defesa da negritude enquanto raça é um aspecto muito forte em Salvador.
Isso não vai gerar no Brasil um "apartheid"? Não estamos vendo o que a não-integração dos indígenas está causando em Roraima? Queremos um País dividido, enquanto Obama, num País realmente dividido, fala em união e harmonia?
Há uma outra coisa em Salvador que me faz ter certeza do quanto ela precisa do Salvador: a Cidade está estabelecida sobre o fundamento de festas carnais, o Carnaval e seus similares. Exalta-se o corpo, o erotismo, o prazer descompromissado. Que sociedade pode se gloriar de um fundamento desses?
Existe ainda um aspecto digno de nota: a extrema desigualdade social. E, em plena área nobre, vejo os muito pobres deitados nas calçadas, pedindo esmola. As favelas também são um retrato dolorido aos nossos olhos, porque ali tem gente excluída mesmo.
Sou baiano, mas não me orgulho dessas contradições. Gosto de ser baiano, mas antes de tudo sou cristão.
O bom mesmo é ver que nem todas as praias foram dominados pelos ricos, e que o mar, o grande mar, é ainda visto por qualquer um de nós, numa equidade emocionante que só pode vir de Deus.
A Reforma é anti-bíblica (4)
4) Menos Jesus – Se a reforma afirmara naquela época, "salvação somente por Cristo", perguntamos então se hoje seria ainda necessário darmos esta tônica?
Estamos todos cansados dos exageros!
Não estaria o santo nome de Cristo sendo usado em vão?
Não estaria o conceito cristão de salvação sendo deturpado?
Não estaria acima de tudo a pessoa de Jesus sendo interpretada conforme o bel prazer de interesses outros divergentes dos divinos?
Jesus mesmo só colocou o pé no trem da história humana muitos milênios mais tarde, após a criação e queda. Uma vez feito carne, nesse mundo, passou vários dias e anos no anonimato de uma vida pacata. Até mesmo quando mostrou a cara ao mundo, insistia para que aqueles que foram agraciados com um milagre guardassem segredo.
Por que o Verbo encarnado não jogou confetes sobre si mesmo, mas procurou sempre o caminho da simplicidade e da singeleza?
Por que a igreja evangélica de hoje insiste no caminho contrário?
Está passando da hora de nós evangélicos entendermos que o conceito estético arquitetônico vale também para a proclamação do evangelho, onde muitas vezes “menos é mais”.
(continua…)
Leia também A Reforma é anti-bíblica (1)
domingo, 9 de novembro de 2008
Quarenta livros que fizeram a cabeça dos evangélicos brasileiros nos últimos quarenta anos
1. “Mananciais no Deserto” -- Lettie Cowman [Betânia]
Não há outro livro mais amado pelos evangélicos brasileiros. Este campeão de vendagem é um livro de leituras devocionais diárias que conquistou nosso país. O livro é, de fato, bom, mas desconfio que a tradução deu uma mãozinha.
2. “Uma Igreja com Propósitos” -- Rick Warren [Vida]
O maior “best-seller” evangélico de todos os tempos é uma catástrofe literária. É ainda difícil calcular o dano que esta obra equivocada causou e ainda irá causar, com sua filosofia de ministério inteiramente vendida ao “Zeitgeist”, propondo a homogeneização das igrejas e um pragmatismo de dar medo. 3. “A Quarta Dimensão” -- David Paul Yonggi Cho [Vida]
Este livro fez mais pelo movimento pentecostal no Brasil do que qualquer televangelista. O testemunho bem escrito do pastor coreano que vive cercado de milagres causou “frisson” até mesmo nos grupos mais conservadores. Seu modo de ver a vida com Deus e o ministério marcaram as últimas décadas. 4. “A Agonia do Grande Planeta Terra” -- Hall Lindsay [Mundo Cristão]
Calcado no pré-milenismo dispensacionalista de Scofield, este “best-seller” apocalíptico empolgou os profetas do fim do mundo no Brasil, com sua interpretação literalista imprudente e seu patriotismo norte-americano acrítico. Lindsay foi o arauto de três décadas das mais absurdas especulações escatológicas em nossas igrejas. 5. “O Ato Conjugal” -- Tim e Beverly La Haye [Betânia]
Sexo é um assunto importante, e o povo ansiava por uma orientação em face da revolução sexual dos anos 60. Daí o sucesso de um livro bem escrito como este, didático e conservador, ao gosto da moral evangélica, mas sem ser inteiramente obtuso. Mesmo assim, muitos o chamaram de pornográfico. Nada mais injusto. 6. “Este Mundo Tenebroso” -- Frank Peretti [Vida]
A ficção convence mais rápido. Revoluções acontecem inspiradas por romances, e não por tratados filosóficos. Peretti, com seu horror cristão, nos ensinou o significado da batalha espiritual nos anos 80, reencantou o submundo evangélico, inspirou pregadores e, o que não é nada ruim, motivou muitos adolescentes a ler obras de ficção bem melhores. 7. “A Morte da Razão” -- Francis Schaeffer [ABU]
A intelectualidade evangélica adotou este livro como alicerce nos anos 70, para enfrentar o existencialismo, o movimento “hippie”, o marxismo e a contracultura em geral. O livro convencia que o cristianismo não era incompatível com o estudo e a reflexão. É um pena que Schaeffer estivesse tão equivocado em suas idéias centrais. 8. “Celebração da Disciplina” -- Richard J. Foster [Vida]
Este clássico da espiritualidade cristã, escrito por um quacre, fez um tremendo sucesso no Brasil a partir dos anos 80. É excelente, mas será que todos que o compraram de fato o leram? Gostaria de perceber uma maior influência das idéias de Foster em nosso povo, mais oração, silêncio, calma, estudo, empenho, enfim, disciplina espiritual. 9. “De Dentro para Fora” -- Larry Crabb [Betânia]
Os livros devocionais evangélicos de viés psicológico ou de auto-ajuda são os títulos que mais vendem. Dentre eles, alguns se destacam não só por serem campeões de vendagem, mas porque são os melhores do gênero. Crabb é o melhor autor do gênero e este é seu melhor livro, que impactou o nosso povo nos anos 90. 10. “Louvor que Liberta” -- Merlin R. Carothers [Betânia]
Este pequeno e poderoso manifesto em forma de testemunho revolucionou, nos anos 70, o louvor e a adoração no Brasil. O bom capelão ensinou a todos nós a espiritualidade da adoração, o poder do louvor, impulsionando as guerras litúrgicas que marcariam a vida de nossas comunidades a partir de então. 11. “Vivendo sem Máscaras” -- Charles Swindoll [Betânia]
Outro “best-seller” devocional dos anos 90, de viés psicológico e de auto-ajuda, com o vigor característico das obras de Swindoll, escritas a partir de suas pregações. Muitos se sentiram não apenas edificados, mas tocados e transformados. 12. “A Cruz e o Punhal” -- David Wilkerson [Betânia]
Outro opúsculo dos anos 70 que, na forma de um testemunho pessoal, inspirou os jovens evangélicos a uma fé mais comprometida. Curiosamente, não levou as igrejas a um investimento em missões urbanas, idéia que permeia todo o livro. Talvez o Brasil evangélico dos anos 70 não estivesse pronto para missões urbanas. 13. “Crer é Também Pensar” -- John Stott [ABU]
Stott é um ícone no Brasil, um nome respeitado pela sua erudição e sua notável produção literária, apesar de estar invariavelmente sob suspeita de heresia pelos mais neuróticos. O fato é que a qualidade de seus livros varia. Seu excelente “Ouça o Espírito, Ouça o Mundo” merece mais atenção. Já o opúsculo selecionado, tão conhecido desde os anos 70, não tem muito a dizer além do título. 14. “O Senhor do Impossível” -- Lloyd John Ogilvie [Vida]
Outro devocional que emplacou no Brasil nos anos 80, não sem méritos. É o maior sucesso do autor, ainda que inferior a “Quando Deus Pensou em Você”, que o antecedeu. O livro estimula a fé e nos faz mais esperançosos, apesar da teologia rasa. 15. “A Família do Cristão” -- Larry Christenson [Betânia]
Antes de Dobson e tantos outros, Christenson já era “best-seller” nos anos 70. Pioneiro entre os que se pretendem auxiliares da vida familiar cristã, ele foi estudado nos lares por grupos e células, em escolas dominicais etc. Sua eficácia é comprovada. 16. “O Jesus que Eu Nunca Conheci” -- Philip Yancey [Vida]
Os anos 90 assistiram ao aparecimento de um dos mais argutos e estimulantes autores evangélicos de todos os tempos: o audaz Yancey, que começou a apontar para o paradigma emergente em livros como “Alma Sobrevivente”, “Descobrindo Deus nos Lugares mais Inesperados”, “Maravilhosa Graça”, “Rumores de Outro Mundo”, “Decepcionado com Deus” e tantos outros livros excelentes. E o mais conhecido e lido parece ser mesmo “O Jesus que Eu Nunca Conheci”. 17. “O Discípulo” -- Juan Carlos Ortiz [Betânia]
Poucos livros foram tão impactantes nos anos 70 quanto esta obra que, excepcionalmente, não vinha do mundo anglo-saxão, mas da Argentina. Por isso mesmo, Ortiz tinha uma outra linguagem, um discurso que convencia os jovens brasileiros da seriedade e do valor de se tornar mais do que um mero freqüentador de igrejas, um genuíno discípulo de Cristo. 18. “Bom Dia, Espírito Santo” -- Benny Hinn [Bompastor]
O neopentecostalismo brasileiro é, em grande parte, de inspiração norte-americana. Talvez o nome mais importante nesse processo seja o do “showman” evangélico Benny Hinn, que desde os anos 90 assombra os norte-americanos pela televisão com seus feitos espetaculares. Mesmo quem não o leu conhece sua influência no Brasil. 19. “O Refúgio Secreto” -- Corrie Ten Boom [Betânia]
O testemunho desta nobre senhora holandesa encantou também o Brasil, onde seu livro foi um grande sucesso nos anos 70. Suas aventuras durante a Segunda Guerra Mundial, sob o pano de fundo de sua educação em um lar cristão, são comoventes e inspiradoras. 20. “A Autoridade do Crente” -- Kenneth Hagin [Infinita]
Hagin foi um divisor de águas no mundo evangélico, pois desde sua influência os crentes “tomam posse”, “determinam”, “amarram” e “exigem”. Uma nova forma de falar se fez presente, o que gerou muitas novas piadas também. 21. “Entendes o que Lês?” -- Fee e Stuart [Vida Nova]
Que bom que um livro sério como este foi tão lido e estudado no Brasil. Trata-se de um compêndio de hermenêutica bíblica sem complicações, em linguagem acessível, adotado por quase todos os seminários e estudado até mesmo nas EBD’s e pequenos grupos. Este livro fez muito pela educação bíblica dos evangélicos brasileiros. 22. “Culpa e Graça” -- Paul Tournier [ABU]
Não há, com raras exceções, psicólogo cristão que não considere este livro um fundamento e um marco do pensamento cristão. Mas ele não se limita a isso, tendo tido considerável influência na teologia evangélica brasileira nos anos 90, preparando nosso povo para o paradigma emergente do século 21. 23. “Novos Líderes para Uma Nova Realidade” -- Caio Fábio D’Araújo Filho [Vinde]
Este opúsculo foi, se não o mais lido, certamente o mais importante dos numerosos livrinhos do pastor Caio Fábio, fenômeno de popularidade no Brasil nos anos 80 e 90, pastor midiático, influente, contundente, imitado, adorado e odiado. Caio nos ensinou a ver as coisas de outro jeito, e seu legado não vai desaparecer. 24. “Vida Cristã Normal” (ou “Equilibrada”, na reedição) -- Watchman Nee [Editora dos Clássicos]
O controverso evangelista e autor chinês Nee teve muita influência nos anos 70 e 80, com sua visão mística do que significa ser um cristão evangélico conservador. Este livro foi seu maior sucesso, um comentário de Romanos, ainda que seu livro mais objetivo e claro seja “A Liberação do Espírito”. 25. “É Proibido” -- Ricardo Gondim [Mundo Cristão]
Gondim é um dos melhores e mais polêmicos autores evangélicos contemporâneos. Seus livros, como Eu Creio, Mas Tenho Dúvidas, O que os Evangélicos (Não) Falam, Orgulho de Ser Evangélico, são sempre interessantes. Nenhum, porém, foi tão influente e marcante como “É Proibido”, um verdadeiro libelo anti-legalista.
26. “Conselheiro Capaz” -- Jay Adams [Fiel]
Adams era uma pessoa muito simpática. Sua escola de aconselhamento cristão é muito antipática. Diferentemente de Crabb, por exemplo, problemas emocionais têm origem fisiológica ou pecaminosa. Por isso, é preciso confrontar as pessoas e insistir na mudança do seu comportamento. Foi um sucesso nos anos 80. Haja behaviorismo!
27. “Quebrando Paradigmas” -- Ed René Kivitz [Abba Press]
Este livro foi decisivo para que os evangélicos brasileiros começassem a enxergar a outra margem do rio, a margem pós-evangélica do paradigma emergente. Kivitz é um autor surpreendente e notável, de mente dinâmica e arejada, que propõe importantes rupturas e renovações, como em seu outro livro “Outra Espiritualidade”. 28. “O Amor Tem Que Ser Firme” -- James Dobson [Mundo Cristão]
O conhecido “Dr. Dobson” é pensador e autor de grandes qualidades e grandes defeitos. Seus livros, como “Educando Crianças Geniosas”, ajudam famílias e promovem uma espécie de teologia aplicada que merece atenção. Há, porém, muito que não se deveria levar a sério, já que vai contra o que há de mais consagrado na psicologia moderna. 29. “Supercrentes” -- Paulo Romeiro [Mundo Cristão]
O autor de “A Crise Evangélica” tem talento e tem algo a dizer. Seus textos, especialmente o famosos “Supercrentes”, têm apontado para os exageros e enganos de muitas posturas comuns no meio evangélico contemporâneo.
30. “Cristianismo e Política” -- Robinson Cavalcanti [Ultimato]
Trata-se de um clássico. Este livro está nas origens de toda reflexão política evangélica. Robinson é importante por outras questões, como seus livros sobre sexualidade (“Uma Bênção Chamada Sexo”, “Sexualidade e Libertação”), mas sua contribuição permanente é o estímulo que deu à reflexão política evangélica. 31. “O Evangelho Maltrapilho” -- Brennan Manning [Mundo Cristão]
Não há outro autor mais importante no meio evangélico nos últimos dez anos do que Brennan Manning. Seus livros devocionais, como “O Impostor que Vive em Mim”, “A Assinatura de Jesus”, “O Obstinado Amor de Deus”, estão transformando radicalmente a maneira como os evangélicos entendem a vida cristã. Eu fico muito grato. 32. “O Pastor Desnecessário” -- Eugene Peterson [Mundo Cristão]
Peterson é muito estimado no meio evangélico brasileiro e um dos autores mais bem avaliados dos últimos tempos. Responsável por projetos como “The Message” (excelente paráfrase bíblica), tem nos galardoado com obras como “Corra com os Cavalos”, “A Oração que Deus Ouve”, “A Vocação Espiritual do Pastor”, “Transpondo Muralhas”, entre outros. Selecionei o que talvez seja o mais importante. 33. “Poder Através da Oração” -- E. M. Bounds [Batista Regular]
Nos anos 70, quando não havia ainda bons livros sobre oração, como o de Richard Foster ou o de Eugene Peterson, os livros de Bounds sobre oração circulavam de mão em mão, trazendo avivamento às igrejas. Hoje Bounds está quase esquecido. Quase. 34. “Cristo é o Senhor” -- Dionísio Pape [ABU]
No fim dos anos 60 e começo dos anos 70, o nome de Pape se destacava pela espiritualidade, profundidade e sucesso ministerial. Seu opúsculo “Cristo é o Senhor” levou muitos à consagração e ao ministério. 35. “O Caminho do Coração” -- Ricardo Barbosa [Encontro]
Barbosa (junto com Osmar Ludovico, James Houston e outros) é responsável pelo retorno ao interesse pela mística cristã em nosso país. Seus livros nos ensinam uma outra atitude não somente em relação à vida, mas também em relação à teologia. Uma atitude contemplativa. 36. “O Novo Testamento Interpretado” -- R. N. Champlin [Hagnos]
Não privilegiei obras teológicas e comentários bíblicos nesta lista porque tais livros, em geral, não vendem bem e sua influência é pequena. Uma exceção precisava ser feita em relação ao favorito das bibliotecas. O empenho exaustivo de Champlin precisava ser lembrado, pois ainda vende bem e é o comentário primordial dos evangélicos.
37. “Icabode” -- Rubem Martins Amorese [Ultimato]
Este livro pode não ter sido tão lido quanto é citado, mas definiu um novo tipo de reflexão cristã no Brasil, que propõe diálogo com a cultura em outro nível que não o da evangelização, e sim o da discussão de valores e princípios que podem levar nossa sociedade para um patamar melhor ou pior. É uma boa influência. 38. “A Bíblia e o Futuro” -- Anthony Hoekema [Cultura Cristã]
Este estudo do Apocalipse cresceu em importância no Brasil em uma época em que quase não havia obra que fizesse uma defesa do amilenismo, apesar dos pouco conhecidos esforços de Harald Schally. O livro provocou conversões em massa a partir dos anos 80, e a escatologia nunca mais foi a mesma no Brasil. 39. “Cristianismo Puro e Simples” -- C. S. Lewis [Martins Fontes]
Também conhecido como “Mero Cristianismo”, a busca de Lewis pelo denominador comum da fé cristã impacta brasileiros desde os anos 70. Seleciono o livro simbolicamente, já que Lewis não poderia ficar de fora, seja por causa de “Os Quatro Amores”, “Milagres”, “Cartas do Inferno” ou “As Crônicas de Nárnia”. 40. “A Mensagem Secreta de Jesus” -- Brian D. McLaren [Thomas Nelson]
Em 2007 o leitor evangélico brasileiro foi surpreendido por este livro do mesmo autor de “Uma Ortodoxia Generosa”. Fiquei admirado ao ver como todos passaram a conhecer e a comentar a obra de McLaren, que representa melhor do que ninguém o paradigma teológico evangélico emergente. Não dá pra não ler.
• Ricardo Quadros Gouvêa é ministro presbiteriano e professor de teologia e de filosofia.
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
Vida longa, Barack Obama
Para aqueles que crêem que Deus tem tudo planejado e já conhece todo o futuro e que o homem não tem livre arbítrio, as eleições de novembro deste ano nos EUA não passaram de um passa tempo. Afinal já estava determinado, por Deus, qual candidato venceria. Então não resta dúvida nenhuma, Barack Obama é o melhor candidato. Ele foi o eleito de Deus. Por razões que talvez nos sejam desconhecidas Deus quis que Obama vencesse. E isso até mesmo contra a vontade da maioria dos evangélicos daquela nação. Afinal, quantas vezes Deus não agiria assim? Seja feita, então, a sua vontade e não a nossa!
Mas e se Deus em sua longanimidade deixou que os americanos escolhessem e isso de forma democrática? E se Ele resolveu participar das eleições em segundo plano, de forma indireta, deixando que o povo americano por si só determinasse seu próprio futuro? Então a pergunta permaneceria: será que Obama foi o melhor candidato? Será que os americanos fizeram a escolha correta?
Engraçado que esse é o raciocínio em que nos vemos a cada decisão importante de nossas vidas: casamento, emprego, estudos, viagens, relacionamentos e etc. Nosso desejo no fundo é, nas encruzilhadas da vida, decidir irmos pelo caminho que o Pai preparou para nós. Para assim evitarmos as dores de cabeça, as amolações e o sofrimento. Queremos sucesso, ser bem sucedidos em tudo que fizermos.
Creio que a maioria de nós sabe que a soberania de Deus não exclui nosso livre arbítrio. Sabemos também que as escolhas corretas não excluem o fracasso, e até mesmo sejam, em certo sentido as que nos conduzem a isso. Depende de qual parâmetro usamos para medir o sucesso ou o fracasso. O sofrimento ou a falta dele não servem como parâmetro para isso, como a maioria pensaria.
Ninguém tem dúvida que a vitória de Obama é o resultado positivo da luta de muitos contra a injustiça racial. E nisso Deus é glorificado. Martin Luther King, pelos olhos da fé, contemplou esse dia. Quando um afro-americano, cristão, que demonstra caráter chegaria ao poder de forma democrática.
Imagino que o grande medo dos evangélicos que se opuseram a Obama (as questões relacionadas ao aborto, casamento gay e socialismo) se dissipará com o tempo. Alguns certamente se tornarão mais radicais ainda e odiarão mais ainda Barack. Muitos outros, porém, terão a chance de entender que existe uma outra maneira de se fazer política onde os valores morais cristãos penetram na sociedade como luz e sal e não como fogo e espada. Ou como a Bíblia diz, que é pelo Espírito e não pela força ou violência.
Se foi mesmo Deus quem determinou que Obama assumisse esse cargo, eu creio que é para o bem daquela nação e do planeta. Então aproveitemos a nova primavera que se anuncia. Nosso papel como crentes, brasileiros, é orar por ele e pelos irmãos ali e pedir que Deus nos dê sorte semelhante, ano que vem, no Brasil.
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
Agora é o tempo
"Agora é o tempo para transformar em realidade as promessas de democracia.
Agora é o tempo para subir do vale das trevas da segregação ao caminho iluminado pelo sol da justiça racial.
Agora é o tempo para erguer nossa nação das areias movediças da injustiça racial para a pedra sólida da fraternidade. Agora é o tempo para fazer da justiça uma realidade para todos os filhos de Deus."
extraído de EU TENHO UM SONHO, Discurso de Martin Luther King (28/08/1963)
Parabéns Barack! Deus seja contigo!
terça-feira, 4 de novembro de 2008
A Reforma é anti-bíblica (3)
Estamos advogando que Deus não deseja reformar o velho, mas quer um novo começo. Aguardamos novos céus e nova terra onde habitem a justiça e não o velho remendado.
3) Menos Graça – Com isso, a exemplo do que escrevemos sobre menos escrituras e menos fé, queremos dizer apenas menos abuso, menos pseudo fé, menos pseudo palavra inspirada e também menos pseudo graça. (Obviamente quanto mais destas, coisas enquanto autênticas, melhor!)
Contudo o que assistimos com freqüência é o abuso da graça. No mesmo púlpito que se prega a graça, pregam-se leis e mandamentos, listas de faças e não faças, toques e não toques. Assim, aquilo que Deus nos dá gratuitamente começa ser novamente atrelado, condicionado à nossa ação. Pagamos barato por aquilo que deveria ser totalmente gratuito. Queremos reformar o velho enquanto temos total direito ao novo. Se a questão então é vivermos sob ordenanças, que então deixemos a graça em paz, e reassumamos a lei!
Menos “graça”. Menos “graça” se alguns pensam que isso significaria então carta branca para se fazer o mal, para se viver irresponsavelmente e de forma inconseqüente. Deixemos de lado a ênfase semântica na graça, assim como o próprio Cristo, que nem fez uso desta palavra e enfatizemos as verdadeiras exigências morais do Evangelho, e vivamos conforme elas, para que fique bem patente que além de não ser por merecimento é um enorme favor.
(continua…)
Leia também A Reforma é anti-bíblica (1)