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terça-feira, 31 de março de 2009

Se eu fosse como você... Brabo

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Nunca teria entrado nesse jogo de espelhos e satisfazer-me-ia única e simplesmente com a identidade que Ele me deu.

Ah... se eu fosse como você, Brabo...

Nunca teria caído nessa história de “missionário evangélico”...

Mas não sou.

Entrei de cabeça no sistema institucional que me sugou até o que não tinha. Caí no conto do vigário e fiquei a ver navios.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Se eu fosse como você... Beto

blog_humberto_imagem2 Teria há muito feito das tristezas as mais tocantes poesias. Teria encarado de cabeça erguida e hombridade os anos afim que trabalhei como estagiário recebendo uma merreca e sendo tratado como um tolo.

Não teria vacilado na fé, pelo contrário estaria orgulhoso, ao ver meus amigos incrédulos prosperando e eu me refugiando em uma ONG cristã que fazia a missão em sua integridade. Na verdade nunca teria saído de lá. Serviria o Reino denunciando as injustiças em nosso país.

Ah... se eu fosse como você, Beto...

Estruturaria as idéias de tal maneira que qualquer um entenderia do que estou falando e os sentimentos que estão por traz das palavras.

Mas não sou.

Então acumulo por décadas toda essa trouxa de roupa suja para estendê-la no varal da net e esperar que alguns peregrinos simpatizantes gastem seu precioso tempo em tentar decifrar essa loucura.

domingo, 29 de março de 2009

Se eu fosse como você... Alysson

Alysson2 Usaria os adjetivos de forma precisa, buscaria os substantivos exatos e revelaria a angústia vivida no período universitário que se iniciou há vinte anos. Passaria pelas duas vezes que abandonei o curso e tive que recomeçá-lo em outra faculdade qualquer, trocando a PUC pela UNA e esta pela ESAL, fazendo meus pais quase me deserdarem...

Narraria com tal beleza metafórica os anos do mestrado: a admissão marota, embora o fracasso na prova de alemão; contaria das bombas consecutivas ultrapassando os limites dos estatutos, mas milagrosamente toleradas, do sufoco para escrever e traduzir a tese, faria isso com tal destreza que poucos saberiam distinguir a realidade da ficção, absorvendo porém o essencial.

Ah... se eu fosse como você, Alysson...

Extrairia desta terra o melhor que tem de cultura e saber e não perderia tanto tempo arrancando os cabelos pela auto-acusação e medo de ter jogado minha vida ralo abaixo.

Mas não sou.

Então tenho que relatar tudo de forma tão óbvia e comum, sem graça e sem beleza.

sábado, 28 de março de 2009

O MAIS IMPORTANTE É A IGREJA

Dom Robinson Cavalcanti (Revista Ultimato)

A Igreja é o que de mais importante existe no mundo. Criada pela vontade de Cristo, ela é a agência da salvação, ensaio e vanguarda da nova humanidade. Deus havia chamado Israel (obediente “versus” desobediente), e no passado nos falou pelos profetas, guardiões da lei. A função e o “status” de Israel -- a antiga aliança -- cessaram quando o véu do templo se rasgou. Hoje o judaísmo e o islamismo são apenas religiões semíticas monoteístas. A Igreja é o novo Israel, a nova aliança, e, como nos ensina Pedro, herdeira dos títulos e atributos do primeiro Israel: geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de Deus. Entre o antigo e o atual Estado secular de Israel (formado por 90% de ateus e agnósticos) só há em comum a geografia e as mirabolantes teorias de alguns protestantes. Os judeus (e todos os povos) devem ser enxertados no novo povo, porque não há salvação em nenhum outro nome senão o de Jesus.

A crise da Igreja é resultado da sua baixa autoestima, da falta de autocompreensão e conhecimento não somente sobre sua missão, mas também sobre sua natureza e organização -- uma crise de identidade em razão de uma ruptura com sua história, suas raízes. Como povo-instituição de Deus, a Igreja é mais importante do que a família biológica ou adotiva, do que o mundo do trabalho e do lazer, do que o Estado ou qualquer expressão da sociedade civil. Ela é portadora única do sentido para as demais coisas -- o evangelho e o poder do Espírito Santo -- e é nela onde se convive não somente para o tempo, mas para a eternidade. A Igreja não é apenas suas expressões localizadas: as comunidades locais, as tabas religiosas com seus caciques ou as casas de shows para expressão das fogueiras da vaidade. A igreja vive hoje em pecado porque desobedece aos dois princípios basilares a ela destinados pelo seu fundador e Senhor: a unidade e a verdade. O cisma (divisão do corpo) deixou de ser considerado um grave pecado pelo desordenado denominacionalismo; a heresia deixou de ser considerado um grave pecado pela crescente e ilimitada “diversidade” e “inclusividade”. Os cismas são heresias, e as heresias são cismas. Essa tragédia se transformou em rotina ante a indiferença de todos.

“Denominação” é uma palavra que não se encontra nas Sagradas Escrituras nem na obra de nenhum autor relevante da história do pensamento cristão antes do século 18. Não é um termo teológico, eclesiológico, mas apenas sociológico, administrativo, jurídico, humano, corrente nos últimos duzentos anos a partir da realidade da “livre empresa” e do “‘self-service’ religioso” norte-americano. Quando a Igreja una, santa, católica, apostólica e reformada dá lugar a uma miríade de “denominações” ou “ministérios”, o evangelho é parcializado, a missão é mutilada e vivemos na carne, por mais piedoso e espiritualizado que seja o nosso discurso. Afirmar que “Deus me mandou criar um novo ministério” é uma blasfêmia.

A Reforma Protestante foi um dos capítulos mais importantes da história da Igreja, mas o seu desdobramento em correntes extremadas fez com que o bebê fosse jogado fora junto com a água do banho. Ela preocupou-se com a autoridade (das Escrituras) e com a salvação (pela graça mediante a fé em Jesus) e se descuidou da eclesiologia, do estudo da própria Igreja. A instituição que deveria garantir a preservação dessas verdades logo foi atropelada pelo racionalismo liberal ou pelo literalismo fundamentalista. O livre exame, de livre acesso e investigação, deu lugar à livre conclusão. Ao contrário da criação, a Igreja se tornou sem forma e vazia. A releitura das Escrituras pela burguesia europeia, 1600 anos depois, fez os congregacionais tomarem o embrião e os presbiterianos tomarem o feto como se já fosse o ser nascido (institucionalizado) -- fato que a história atesta ter acontecido (muito cedo) somente com a consolidação do episcopado. Por sua vez, a pretensão da Igreja de Roma (e de alguns ramos da ortodoxia oriental) de ser “a” Igreja, em uma visão monocêntrica da história, não faz justiça à verdade policêntrica das sés e dos patriarcados deixados pelos apóstolos em diversas regiões. Foi no Oriente que viveu a maioria dos Pais da Igreja e onde aconteceram todos os Concílios da Igreja indivisa (responsáveis pelo consenso dos fiéis); ainda assim, 1.200 anos de história da Igreja no Oriente (períodos bizantino, pré-calcedônio, pré-efesiano ou uniata) representam apenas algumas notas de rodapé ou algumas linhas nas obras dos historiadores católicos romanos ou protestantes (“anabatistizados”). Ficamos vulneráveis com essa lacuna, em uma época de desprezo pelo passado e de arrogância individualista e imediatista. A universalidade da Igreja, com a multiforme manifestação da graça de Deus em todo o mundo, é mutilada pela hipervalorização (quase exclusiva) do que nos vem do império do momento. Como foi mesmo a definição do cânon bíblico, das doutrinas dos credos, dos sacramentos e do governo episcopal?

sexta-feira, 27 de março de 2009

Se eu fosse como você... Rubinho

Rubens Há poucos dias, enquanto caminhava à margem de uma estrada movimentada, em uma noite de céu estrelado pude observar duas estrelas que se moviam juntas. Minha curiosidade me levou a descobrir via Google que não passava da visita da nave espacial Discovery à Estação Espacial Internacional.

Se eu fosse como o Rubinho faria desse acontecimento uma postagem Classe A, relacionando-a a alguma questão relevante aqui embaixo, seja econômica, social ou ecológica. Ah... se eu fosse como você, Rubinho...

Eu conseguiria descrever minhas experiências espirituais com tal naturalidade que poucos perceberiam o pano de fundo religioso.

Falaria de Deus com tal intimidade que não deixaria transparecer o pavor que tenho d’Ele e os artifícios que crio para tentar acalmar meus nervos ou aplacar a sua suposta ira.

Conseguiria resumir minha saga com uma simples foto que deixa transparecer vida e vivência e um sorriso que não esconde que em tudo sou mais que vencedor.

Mas não sou. E aí vai a minha tentativa trucada de expressar esse capítulo que vou virando nesses dias, relacionados a meu novo emprego.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Cada teologia tem a sociedade que merece

Extraído de Ultimato - Reflexão — Bráulia Ribeiro

image O cristão precisa situar-se no mundo em que vive.
Jesus orou para que, estando no mundo, ficássemos livres do mal, mas parece que insistimos em sair do mundo e continuar com o mal. Afastamo-nos das formas culturais como se fossem malignas por si mesmas, mas permitimos que valores errados nos influenciem, desde que tomem formas religiosas. Afastamo-nos também das indagações do mundo. Como disse alguém: dizemos que Cristo é a resposta, mas para qual pergunta? Já não conhecemos as perguntas que o mundo nos faz.
Vamos investigar uma idéia que é constante no cinema atual: carma ou escolha. Existe o livre-arbítrio ou seguimos um destino pré-determinado? Vários filmes recentes tratam do assunto. Talvez seja um sinal de que esta nossa megacultura ocidental está descobrindo suas fraquezas, precisando se reinventar, e busca subsídios teológicos para isso.

"Alguns teólogos já disseram que se o futuro é conhecido (seja por Precogs ou por Deus), o livre-arbítrio não existe de fato. Tudo obedece a um desenho previamente feito — uma vontade soberana que engole todas as outras vontadezinhas em seu grande útero."

leia mais…

quarta-feira, 25 de março de 2009

Toma que o filho é teu

Você já reparou que o Nazareno se autodenominava muito mais vezes como o “Filho do Homem” do que como o “Filho de Deus”?

São Paulo assim pensou:

“que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz.”

Independentemente de sua filiação humana ou divina, debate esse que sacudia a igreja nos primeiros séculos, Jesus se via como “filho”.

Não sei quanto a você, mas eu odeio quando alguém que não seja meu pai me chama de filho. É a expressão máxima do patronizing, do tutoramento, aquela voz com ar de superioridade como quem quer te proteger, mas ao mesmo tempo subestimando suas mais nobres capacidades, sua autonomia e liberdade. Filho...

Mas Jesus não estava nem aí: como se não já bastasse na trindade fazer o papel de filho resolveu passar por isso também como homem.

Os pais normalmente querem seus filhos independentes, seria com Deus o contrário? Ou reformulando: Será que os pais querem de fato seus filhos independentes?

Vamos agora olhar essa questão por outro prisma. Como Deus absoluto, infinito no tempo e no espaço, Jesus, não tinha muitas escolhas. De alguma forma ele se formou no seio de Maria com um destino traçado: o Messias. Boa parte de sua Odisséia já estava relatada de forma homérica nas escrituras sagradas do judaísmo. Restava-lhe apenas cumprir a risca o plano. Em algum momento de sua existência como homem ele tomou total consciência de sua identidade, de seu papel, do trabalho a ser feito. Obviamente essa descoberta se deu muito cedo, pois ainda criança dizia: vim para cuidar dos negócios de papai.

A carga genética que Jesus trazia (se é que podemos expressar-nos assim, de maneira tão atual um acontecimento de mais 2000 anos) deveria, no mínimo, espelhar a de seu pai terreno José – Jesus, o filho do carpinteiro.

O problema que muitas vezes nos assombra é que esse mesmo carpinteiro de Nazaré foi radical com um dos seus melhores discípulos no que tange às perspectivas meramente humanas (Mt 16:23):

“Ele, porém, voltando-se, disse a Pedro: Para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas as que são dos homens.”

Às vezes nos apressamos em categorizar tudo que é humano como maligno. Mas não é isso que Jesus está a dizer. O ponto crucial aqui está em desprezar a perspectiva divina retendo só a humana.

E nessa passagem vemos de forma clara o lado humano de Jesus. A possibilidade real de sua própria escolha, ao chegar o tentador na pessoa de um de seus melhores amigos. O plano poderia ter ido por água abaixo... mas, isto seria impossível.

Esse é o paradoxo que nos cerca. Jesus poderia (teoricamente) ter fracassado. Suas tentações, a cruz e tudo mais não foram teatro. Obviamente Deus não permitiu que Ele fosse tentado acima de suas forças– e conosco é assim também. E suas forças tinham limites, tanto que Ele morreu. Ele poderia ter pecado, mas isso seria impossível. Ele era o Filho de Deus, exclamou o centurião no Gólgota.

Como homem, Jesus estava limitado no tempo e no espaço. Aqui, conosco, suas escolhas deveriam ser pautadas através de fatores diversos como oração, meditação, estudo das escrituras, mas também raciocínio, vontade, conselhos ou circunstâncias. Jesus melhor do que ninguém era dono do seu próprio nariz. E por isso mesmo poderia ser humilde suficiente para lavar os pés dos discípulos, não aceitar ser coroado como rei ou renegar sua mãe e irmãos em função de sua família de fé. Jesus era livre para fazer suas próprias escolhas e porque fazia suas próprias escolhas era livre.

Mas a sociedade não quer uma pessoa assim. Querem um filho que seja sempre criança, que esteja sempre sobre tutela. Deus não age desta forma.

Por isso que na ressurreição o Pai reafirma sua paternidade sobre Jesus (Rm 1:4). E Ele como que protagonizando a parábola que há pouco saíra de seus próprios lábios, retorna para a casa de seu Pai, agora como homem adulto: eu e o Pai somos um e quem me vê a mim vê o Pai.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Orações sinceras

image “Dá-me paciência, mas rápido!”

“Me ajude a controlar a ira, antes que eu me irrite contigo.”

“Me ajude a não mentir, e prometo não mentir nunca mais…”

"Me faça menos orgulhoso, pois tenho sido tão humilde."

sábado, 21 de março de 2009

Porque creio na reencarnação

Os alemães chamam reencarnação de “wiedergeburt” ou seja, renascimento.

Uma coisa que me intrigava muito após minha “conversão” foi quando encontrava filhos de crentes que não sabiam bem explicar sua conversão. Eles não tinham uma data para seu “novo nascimento”… paralelo a isso havia outra coisa mais curiosa ainda, alguns haviam se convertido mais de uma vez!

Hoje já não sei mais se sou um evangélico. No fundo já não me sinto mais a vontade em uma igreja evangélica. No fundo no fundo acho que nunca me senti. Aliás, a maioria dos que conheci (e procurei sempre ter contato com quase todos) era de inconformados. Os do topo estavam inconformados com os da base e os tratam como crianças irresponsáveis, os da base, por sua vez, inconformados com as ingerências dos líderes. Isso sem  tocar no assunto rivalidades interdenominacionais.

Mas não se apresse em me julgar pensando que virei uma apóstata ou coisa do gênero. Nada disso. Minha fé permanece aqui bem guardadinha: Creio em Deus Pai… (e acima de tudo) na comunhão do santos (e por que não dizer) na santa igreja católica.

Quando falo igreja “católica” você já percebeu que me refiro à igreja universal e não à católica romana. Amo a igreja universal (mas você entende também que não é a do Edir Macedo). A igreja universal é bem maior do que as denominações, seitas, organizações ou instituições. Até penso que esses artifícios meramente humanos tem lá alguma função positiva ou importância. Mas estão muito aquém daquilo que é a expressão eclesiástica verdadeira, a qual pode ser notada claramente na parábola do bom samaritano.

Não foram raras as vezes que caí maltrapilho pelo caminho e fui salvo pela mão de algum samaritano, ou no caso, alguém que acreditava na reencarnação.

Tem 20 anos que me tornei evangélico, somando meus 18 de católico, são 38 anos de igreja e nunca vi alguém interpretar corretamente o que Cristo diz nessa parábola.

Ok, a mensagem em si do altruísmo e mais ou menos clara, mas o que passa desapercebido é algo fundamental: a identificação do “próximo”. Afinal essa é a grande pergunta: Quem é meu próximo? Quem foi o próximo?

Por alguma idiotice qualquer não se consegue responder bem a essa pergunta. Minha teoria é que não queremos ter um samaritano como nosso próximo. Queremos ser os heróis da fé, os superheróis da história, com super poderes e nunca o maltrapilho caído pelo caminho. Existe um triunfalismo(*) que fede nos corredores das igrejas.

Veja bem, vou escrever bem pausadamente para que juntos avancemos de uma vez por todas sobre essa questão:

Jesus pergunta - Lc 10:36:

“Qual, pois, destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores?”

O cara está caído semimorto. Mas ele tem alguém ainda, alguém próximo a ele. Quem? Quem é esse bendito próximo? Ao qual ele ainda pode, deve e precisa amar?

A resposta é fácil? Não. Pois a maioria logo responde: o caído, o maltrapilho é o próximo e o samaritano o amou! Então amemos os caídos, façamos caridade. Falso. Nota zero…

Bom, se você ainda não percebeu eu desisto, talvez em uma outra vida você entenderá. Afinal a reencarnação existe!

Eu creio que a reencarnação existe, de fato, na cabeça de certas pessoas. Muitas delas são bons samaritanos a nos estender as mãos.

(*)triunfalismo
[De triunfal + -ismo.]
Substantivo masculino.
1.Neol. Sentimento exagerado de triunfo.
2.Rel. Atitude daqueles que, na Igreja Católica, tendem a não ver-lhe as falhas históricas, ou suas deficiências em geral.

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sexta-feira, 20 de março de 2009

De como a ideologia matou Tititu

Numa sala apertada, com janelas pequenas e paredes de cal desbotadas, sentaram-se, desiludidos, índios e não-índios.
-- É sempre muito triste. -- disse-me a Lucília na volta.
Ela tinha ido à cidade de Lábrea para a reunião do Distrito de Saúde Indígena (DISEI), da qual participavam a JOCUM e o CIMI, juntamente com órgãos públicos. Lucília sempre ora pela microcidade e por suas mazelas: corrupção, devassidão extrema, doenças, entre outras.
Os habitantes de Lábrea têm os rostos macilentos das muitas malárias e cachaças. Falam sem convicção, parecendo não saber o que dizem. Mas sabem; só não creem mais que algo possa mudar no caos de desserviços que o governo finge prestar àquele arremedo de cidade.
-- Isto é o que mais me dói -- me diz Lucília na volta. -- Os índios baixam a cabeça como animais domesticados à custa de muita dor. O formato da reunião é excludente. Discute-se como em uma repartição pública, e os indígenas não acompanham.
A situação Suruwahá é debatida. Lucília imagina a dificuldade dos técnicos presos no posto distante de tudo. Parece que nem visitar a aldeia eles conseguem. O medo, a pouca educação, o salário menor ainda -- os índios que se virem para chegar até o posto.
E assim foi. No dia 14 de janeiro Naru caminhou sete horas com Tititu nos braços, antes saudável, agora sem vida. A menina estava em péssimo estado e o técnico não sabia como tratá-la. Fez gestos e sons imitando um avião, para mostrar aos pais da menina que ela deveria ser retirada. A noite caiu, a menina piorou. De madrugada o corpinho esfriou e foi endurecendo aos poucos. A alma de Tititu foi para Jaxuwá, no reino onde as bananas são fartas e os peixes, grandes.
Tititu foi escolhida para morrer desde que nasceu. A ideologia que impede os Suruwahá de obter tratamento médico decente prevê que casos de deformidade congênita sejam “eliminados” no nascimento. O pai da menina recusa-se a matá-la ao ver a deformidade com que nasceu. Não conhece a ideologia, ainda se sente gente. Pede ajuda, e Lucília e Moisés conseguem retirá-la da aldeia. Com a oferta de muitos irmãos, ela vai a São Paulo para ser operada no Hospital das Clínicas. Mas a ideologia envia um procurador do Ministério Público, que proíbe a cirurgia. Os médicos ficam chocados com a proibição. A mídia divulga o caso e a pressão aumenta. O procurador desiste do impedimento e a menina é operada. Volta à aldeia, mas precisa de um medicamento mensal. Enquanto a JOCUM está presente, o remédio chega -- agitamos meio mundo, vamos para a Funasa a cada atraso. Até que a ideologia nos impede de voltar à aldeia. Nas mãos da ideologia, os índios não têm chance. Para o CIMI, a Funai e a Funasa eles não são gente. São um construto, uma abstração antropológica, um número nos gráficos. A falta do medicamento na data precisa poderia causar a morte da menina Tititu; morte já prevista, escrita, desenhada e explicada academicamente na voz estridente da ideologia.
É a inexorável força darwiniana. Tristes, imaginamos o sofrimento de Naru, o pai, e de Kusiumã, a mãe, carregando a filha na mata escura para vê-la esfriar de repente ao som de um forró desafinado no barraco de madeira do posto da Funai.
Bráulia Ribeiro

quarta-feira, 18 de março de 2009

A inconfundível voz de Deus

Certo dia estava muito aflito e angustiado. Automaticamente parei tudo que fazia e fui buscar o Senhor em oração. Após alguns minutos de súplica e depois denso e demorado silêncio ouvi claramente em meu coração:

“Leia Joel Capítulo 4!”

Abri em profunda reverência a minha Bíblia.

De alguma forma inconfundível e clara que eu não sei bem explicar ficou óbvio para mim que aquela jamais poderia ser a voz de Deus.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Noticias da terra do Norte (2)

Munique 16 de março de 16 de março de 2009

image Na verdade é um verdadeiro milagre eu ter conseguido um emprego formal e remunerado justamente agora em época de recessão. Mas tenho que também afirmar que foi outro milagre, não menor, eu não ter conseguido um antes. Antes...

Quando antes? Há quanto tempo tenho esperado por esse emprego?

Depende do ponto de partida. Na verdade sempre trabalhei de alguma forma ou de outra, como criança, adolescente, estudante, missionário, imigrante, marido e pai. Resumindo tem uns 38 anos que sempre estive envolvido com algum outro projeto principal e trabalho era uma atividade paralela secundária.

Desta vez o trabalho me absorveu, virando a atividade principal. Virei um “comprador” da firma I.W.T – uma fabricante de máquinas bobinadeiras.

Bobinadeiras servem para enrolar fios para transformadores. Essa técnica em alemão é chamada de “wickeln”, bobinar, enrolar, é a mesma palavra usada para “trocar fraudas”.

Conclusão: continuo na mesma enrolação de sempre.

sexta-feira, 13 de março de 2009

O poder da oração

“As orações me ajudam, e muito…tenho me fortalecido por conta
disso…chego a me sentir uma barata: levo vassouradas, recebo
doses cavalares de inseticida (mortal?), fico com as perninhas
pra cima, o pessoal acha que estou morta,me embrulham com certo nojo,me jogam no lixo…quando acham que está tudo terminado, eu saio lentamente,meio tonta, e eles ficam horrorizados! 
Esse pessoal não tem fé…”

por Raquel via Comentários Grutenses

quinta-feira, 12 de março de 2009

Deus, AONDE VOCÊ ESTAVA?

Gott wo warst du O caso chocou a Alemanha. A chanceler Angela Merkel chamou o ataque de "incompreensível" e que todo o país estava de luto. Em memória das vítimas flores foram depositadas em frente à escola, um homem (provavelmente pai ou parente) segurava um cartaz:

“Deus, AONDE VOCÊ ESTAVA?”

Deixo a resposta para essa pergunta sincera e tão legítima nessa hora, para alguém que se especializou no assunto, “Deus e dor”:

“Nós sabemos onde Deus estava porque ele veio à terra e mostrou a própria cara. Você precisa apenas seguir Jesus de perto e ver como ele respondeu às tragédias de seus dias: com compaixão – o que significa simplesmente “sofrer junto” – e com consolo e cura.” – Philip Yancey

Extraído do sermão pronunciado no culto por ocasião da matança no colégio técnico de Virgínia nos EUA.

quarta-feira, 11 de março de 2009

É um pra frente e dois pra trás

imagePensando no salto de Kierkegaard e naqueles que a vida me obrigou a dar e considerando ainda o último comentário da Márcia (em Lendo a Morte da Razão) sou levado a crer que boa parte da parafernália evangélica está montada, de fato, para forçar um salto ao inverso: fazer que por meio do desespero ou da ansiedade (ou seja lá por qual mecanismo de manipulação) “o crente” pule do religioso de volta ao ético. É um salto de contra fé. É a produção em série e em massa de bons fariseus e péssimos cristãos (se é que poderiam ainda assim ser denominados).

Os fiéis são empurrados para uma falsa ética (legalista), em nome de uma “religião” que nem se quer tange a graça de Cristo.

Evidentemente que para isso também é necessário uma boa dose de irracionalidade.

Desse mal, pelo menos, os chamados “cristãos nominais” estão protegidos e bem vacinados.

De livros e sua falta de leitura

Ivan Lessa
Colunista da BBC Brasil

"Era uma manhã clara e fria de abril e os relógios soavam 13 horas".

Soavam, e não marcavam.

Alguém na distinta platéia reconhece este início de romance tido como um clássico moderno? Alguém no Reino Unido? Não. Pouquíssima gente.

Trata-se da primeira frase do romance 1984, de George Orwell. Isso. Aquele do "Big Brother". Todo mundo fala do livro, quase ninguém leu. Basta pensar nessa tolice inominável televisiva que varre o mundo: a casa do Big Brother.

Quem bolou foi um holandês. Dada a nacionalidade, daria para entender a falta de intimidade com o livro. O Big Brother de Orwell, afinal, é o representante de uma sociedade totalitária onde todos os cidadãos são observados 24 horas por dia. Para conferir que não estejam fazendo besteira. Caso estejam, prisão e tortura, para eles. Tortura ainda que psicológica. Pura "ditabranda", como está sendo dito por aí. Hoje em dia, Big Brother é adotado em "n" países e passou a ser conhecido por suas iniciais: BB5, BB9 e assim por diante.

Não era bem o que Orwell tinha em mente.

Quinta-feira, 5 de março, comemorou-se aqui no Reino Unido o que chamaram de "Dia Mundial do Livro". Os relógios também soaram 13 horas. Uma pesquisa foi encomendada com o objetivo de se saber quem lê e quanto lê. Mas lê mesmo. Afinal de contas, os britânicos, com seus mais de 200 mil títulos novos de livros publicados todos os anos, são tidos como um dos povos que mais lê no mundo. Duro acompanhar esse montão.

O questionário deixou claro que tem gente mentindo para valer. O que é um fenômeno mundial. Vamos dar uma espiada no que foi encontrado.

Perguntados se já haviam se gabado de terem lido um livro quando na verdade não tinham, 65% disseram que sim, que mentiram. Ao menos, com o anonimato garantido de uma pesquisa, não enganaram. 42% admitiram que, apesar de nunca terem sequer aberto o 1984 de Orwell, faltaram com a verdade com o intuito de impressionar alguém.

Na lista das inverdades literárias, segue-se o Guerra e Paz, de Leão Tolstói, com 31% na escala de mendacidade.

33% juraram de pés juntos que nunca passaram perto de uma falsidade livresca: leram tudo que disseram que leram.

Outros livros que se prestaram a uma enganação literária: Madame Bovary, de Flaubert. Os ímpios bateram ponto e bateram feio: a Bíblianão foi lida. Folheada, com boa vontade. Dom Quixote, lá fez sua triste figura. Os chamados populares Thomas Hardy, Dickens e Anthony Trollope? Hum. Sérias dúvidas no ar.

Deixando as hipocrisias para lá: o pessoal lê mesmo são os livros de Harry Potter e do John Grisham. Mais Sophie Kinsella e Jilly Cooper. A primeira, nunca ouvi falar. A segunda, conheço de vista. 99% de mim mesmo não está faltando com a verdade.

Façamos a ponte aérea e partamos para o Brasil, sempre uma viagem agradável. Mesmo tendo apenas umas 3000 livrarias em todo o país, menos do que em Lisboa, com suas 4000, incluindo os alfarrabistas (é sebo, gente), nós não lemos nada. Paulo Coelho, talvez. Jorge Amado, capaz, bem capaz. Os Sertões? Machado de Assis? Graciliano Ramos? Clarice Lispector? Tenho sérias dúvidas. Uns poucos são capazes de citar algumas linhas - sempre as mesmas - de Carlos Drummond e outras de Vinícius, principalmente se tiveram sido musicadas. Paremos por aqui.

Desconfio até mesmo da leitura de Paulo Coelho, que é mais lido na França, na Grã-Bretanha, nos Estados Unidos e nos Emirados Árabes. Nossos quase que 200 milhões de leitores em potencial? Sei não, sei não.

É conhecida a história de que Euclides da Cunha escreveu Os Sertões, e foi logo, tal como hoje em dia, chamado de "gênio da raça". Um ano após sua publicação, se esquecera de que era seu autor. Perguntado se lera Os Sertões, Euclides invariavelmente respondia, "Quê, Quem?".

terça-feira, 10 de março de 2009

Mundinho "sem graça"

Estava vendo TV essa semana, uma quinta à noite(26 de fevereiro/2009), quando passei por um canal evangélico, coisa que não fazia há muito tempo, pois de uns tempos pra cá, o nível dos canais evangélicos caíram bruscamente. Bom, mas continuando, passei por um canal que é daqui de BH e resolvi parar, era um programa pertencente a um ministério de música muito famoso no Brasil.

A primeira coisa que me chamou atenção(e foi isso que fez com que eu parasse no canal) foram as imagens paradisíacas de um determinado local, mas logo o VT parou e a líder desse ministério entrou em um ônibus e em seguida começou a descrever o local, não a cidade em si ou suas atividades, mas o local, no caso, a Praia de Iracema em Fortaleza, na sua descrição parecia que ela estava descrevendo o próprio inferno, o que me deixou bobo é como que alguém que diz ter Deus na vida pode descrever um lugar lindo como aquele sem ao menos fazer algum tipo de ressalva antes. Pois bem, que falasse das atividades ilegais, pecaminosas e nada edificantes que ali acontecem, mas falar só isso? Será que foi o diabo que criou aquele lugar? Na minha Bíblia não diz isso não, na minha Bíblia diz que foi Deus, o Criador.

Eu, antes de falar qualquer coisa a respeito de qualquer atividade nada edificante que ali possa ocorrer, não perderia tempo ao contemplar aquela criação de Deus e depois faria uma observação sobre o que possa acontecer ali de degradante.


Mas continuemos, eu antes de vir para o computador escrever, resolvi dar mais uma chance para não parecer injusto ou fazer um julgamento precipitado, e infelizmente a minha volta a tv não colaborou muito, depois que o vt terminou a apresentadora e líder desse ministério veio com um papo embromation à respeito de demônios territoriais.

Bom, por incrível que pareça, não é muito o lado teológico que me chamou a atenção não, mas a falta de um olhar gracioso, de beleza, pessoas que dizem servir a Deus mas o seu olhar não é o mesmo do olhar de Deus. Não que eu saiba exatamente como seja o olhar de Deus, mas pela Bíblia sabemos que é um olhar amoroso e cheio de graça.

Infelizmente não é a primeira vez que a líder desse ministério esquece de colocar o óculos da graça quando se manifesta a respeito de algum lugar ou de alguém. Em Olinda, num evento que iria acontecer lá, ela relatou com alegria quando falou da morte de um carnavalesco(figura importante para aquela localidade), depois, como pegou mal, ela tentou se retratar, mas o que ficou, ficou, e a sua retratação também não foi tão significante assim.

O que acho peculiar, é que o mesmo olhar que acha demônios e só isso em lugares paradisíacos como a Praia de Iracema, muda ao olhar para Israel,
digo isso porque na platéia desse show várias pessoas impunhavam a bandeira de Israel, e sei que o referido ministério é simpático a essa visão também.

Israel, desde 1947 já matou centenas de milhares, senão milhões de palestinos, a maior parte deles civis, principalmente mulheres e crianças. O principal objetivo desse país tão idolatrado, em todas as suas ofensivas contra a Palestina é o extermínio total do povo desse país, objetivo esse que já foi declarado abertamente.

É óbvio que Israel tem muita importância na história bíblica e da salvação, mas suas ações hoje, nada tem a ver com isso, e não pode ser olhado com vistas grossas. Tem que ser levado em conta, e reprovado por quem se diz verdadeiramente cristão.

Ao meu ver, na pior das hipóteses, as visões teriam que ser invertidas, pois aquela nação que hoje pratica essas barbáries foi o povo escolhido de Deus, não só isso, foi onde Deus escolheu também que Seu Filho nascesse, morresse e ressuscitasse. Israel foi o povo a quem Deus primeiramente se revelou. Eles sabem o que estão fazendo e contra quem estão se rebelando.

No entanto, não posso dizer o mesmo à respeito das pessoas que frequentam de maneira particular aquela praia. Não posso afirmar que todas ali já ouviram falar do amor de Deus ou conhecem o Deus de Israel, e com certeza, chegar como turista numa determinada localidade e ficar ultrajando aquele lugar, principalmente porque foi um lugar que abriu suas portas para que aquele determinado ministério vendesse seus CDs, DVDs, camisas, posters e obviamente os seus ingressos, e cada um desses itens, nada baratos.

Em contrapartida a visão que essa líder nos ofereceu foi extremamente barata, é a visão de uma criança mimada que quando recebe um presente, o desdenha, nada a ser comparado a uma atitude que reconhece que lhe foi entregue um presente que não lhe custou nada, mas custou tudo para quem a presenteou. A falta de beleza demonstrada na descrição do local, que depois fui procurar as fotos pra ver e fiquei bobo de tão bonito que é o local, me fez lembrar imediatamente de um trecho de uma música que eu amo. E podem me chamar do que quiser, mas para mim, não só o trecho, como a música é uma das melhores descrições que ouvi até hoje sobre a graça.

A graça encontra beleza em tudo.(U2)

segunda-feira, 9 de março de 2009

Cuando ellos se convierten en nosotros

extraído de SEXO DIOS - Rob Bell

“Hay momentos en los que el enemigo de repente se vuelve alguien como yo.
En que un soldado se convierte en un hijo.
En que una prostituta se convierte en una madre.
En que ellos pasan a ser nosotros.
En que aquellos se convierten en nosotros.
En que él pasa a ser yo.

Momentos en los que desaparecen todas las formas
en que nos dividimos y calificamos a los demás y nos
convencemos de lo diferentes y mejores que somos con
respecto a ellos, y nos toca enfrentar el hecho de que primero y ante todo somos seres humanos. Aunados. Y que no somos tan diferentes los unos de los otros.

Judío. Gentil.
Infante de marina estadounidense. Iraquí.
Huérfano. Familia.
Pastor. Prostituta.
Podríamos ser ellos.”

sábado, 7 de março de 2009

Boas Notícias das terras do Norte

Munique, 7 de março de 2009

Queridos amigos da blogesfera e eventuais leitores desavisados,

Resolvi hoje largar o teclado e escrever a mão mesmo. É que se trata de algo bem pessoal… Não estranhe, minha caligrafia sempre foi assim mesmo, uma espécie de código secreto que só eu e Deus entendemos na hora da escrita e só Ele entende na hora da leitura!

Para os que tem acompanhado minha saga( emUma Teologia da Liberdade (1) e em Explicando como vão as coisas) trago boas notícias. É, abriu-se uma porta de trabalho pra esse grutense. Agradeço a todos que estiveram nos apoiando, seja em orações ou seja oferecendo o ombro virtual.

O interessante é que alguns fatos curiosos cercaram este acontecimento, os quais gostaria de compartilhar ao longo do tempo com vocês. Só a título de exemplo, ano passado cheguei  ao fim de minhas forças e pus um ponto final na nessa busca maluca por trabalho. Foi exatamente então que as duas últimas entrevistas que fiz tiveram resultado positivo e fui chamado!

Ontem fechei  os últimos detalhes com a opção que julguei melhor e segunda feira recomeço minha vida no mundo capitalista selvagem. Ou seja, precisarei  ainda mais de suas orações.

Para ser bem sincero, acho que o testemunho que tenho para dar nem é da porta de emprego que se abriu (milagrosamente nessa época de crise), ainda que eu esteja super feliz com isso, mas sim dos anos de desemprego em que fiquei  como “dono-de-casa” cuidando de minha filhinha, desfrutando da companhia de minha amada, fazendo amigos (como você) via internet, lendo alguns bons livros, e claro, queimando a cabeça com preocupações de como seria minha vida sem um trabalho :). Mas não seria exatamente nessa hora que Ele, de alguma forma misteriosa, se fazia presente?

Droga, o que quero afinal dizer é que Ele se fez presente de forma muito especial através de todos vocês: Bete,Beto, Jacqueline, Alyson, Alysson, Lucaz, Augusto, Lou, Alice, Rubinho (e Rubão), Brabo, Gondim, Alex, Nani, Márcia, Volney, Pava, Chagas, Valdinei,Renato, Clóvis, Geórgia, Luiz, nossa amiga da Argentina, Vítor, Felipe e todos mais que passam por aqui (ou que me receberam por onde passei) e mostraram sua simpatia e empatia.

Então, eu agradeço a Ele e também a você.

Beijos,

Roger

quinta-feira, 5 de março de 2009

Deprecação total do homem

“Deus e religião são invenções dos homens para que a sociedade mantenha-se sob controle e as pessoas não saiam por aí matando umas às outras.” Disse-me certa vez, na adolescência, um amigo meu, em nossas divagações madrugada adentro em meio a tragadas de cigarro barato e doses de caipirinha e “cuba livre”.

Hoje fico a pensar que tal “invenção humana” não foi lá muito eficaz: a sociedade não está nada sob controle e as pessoas continuam se matando umas às outras (essa semana mesmo, uma vizinha minha de 24 anos e seu namorado morreram carbonizados em uma explosão no apartamento, que chocou o bairro e a cidade. Causa: provavelmente ciúmes).

Nesse contexto a igreja desenvolveu um termo “curinga”. Quando a canastra teológica do “poder e bondades divinas” não fecha bem com as cartas da realidade humana postas sobre a mesa, lança-se mão do curinga, avivamento: “Precisamos de um novo avivamento!”

Conheci um pastor que possuía em sua cadernetinha de sermões um esboço sobre avivamento, copiado de Charles Finney. Já perdi a conta de quantas vezes o vi pregar esse sermão na mesma ou em diferentes igrejas. No fundo era um curinga que ele possuía quando estava sem inspiração. O resultado é que o povo sempre dormia ouvindo aquelas palavras repetidas e vazias.

O mal está por aí e não há como negá-lo e em certa medida nem há mesmo como evitá-lo. A diferença talvez seja que antigamente havia mais esperança. Paul Tournier compara muito bem as épocas quanto diz:

“Os ‘livre-pensadores’ do início do século eram otimistas. Eles podiam rejeitar a Deus com um sorriso, porque eles tinham confiança no homem e pouca consciência de sua culpa. Hoje em dia, os ateus têm um sentido agudo de pecado, e são mais pessimistas sobre o homem que os calvinistas!”

Ateístas estão corretos em afirmar que o código moral fornecido pelas religiões não é nem evidência da existência de Deus e nem prova da utilidade daquelas. Aliás, essa é a lição do Éden: o conhecimento do bem e do mal não é o que nos leva à Vida, ele pode até nos tornar mais parecidos com Deus, transformando-nos em juízes cheios de conhecimento, mas ao mesmo tempo, nos afasta radicalmente do Deus de amor e graça.

Fala-se de total depravação do ser humano e da “natureza humana” como se fosse algo essencialmente maligno e nos esquecemos que Deus se fez homem! Ele mesmo nos lembrou que a própria escritura nos chama de deuses! O salmista exclama estupefato: “Que é o homem mortal para que te lembres dele? e o filho do homem, para que o visites? Pois pouco menor o fizeste do que os anjos, e de glória e de honra o coroaste” (Sl 8:4,5). O mesmo espanto é visto nos lábios de Jó (7:17).

Então o bem está espalhado igualmente pela face da terra e me fez recordar outro grande amigo da infância e adolescência que um dia ao ver meu zelo evangélico de “novo convertido” me alertou: “Roger, no coração do bom homem há também um bom tesouro”.


OBS: A Ultimato confundiu o título do artigo... Deprecação está em referência à total súplica por perdão à humanidade feita por Jesus na Cruz "perdoai-os porque não sabem o que fazem". Ou seja o título é mesmo total deprecação e não total depreciação. A total depreação de Cristo anula a total depreciação.

terça-feira, 3 de março de 2009

Uma teologia da liberdade (4)

  1. Disciplina

“Você está a procura da Liberdade, então aprenda acima de tudo Disciplina dos sentidos e de sua alma, para que a cobiça e seus membros logo logo não te levem pra lá e pra cá.

Castos sejam seu espírito e seu corpo, totalmente submisso a si próprio e obedientes, procurando o alvo, que nele foi posto, ninguém experimenta o segredo da liberdade, a não ser através da disciplina.”

D. Bonhöffer

Estações no caminho à liberdade:

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