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sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Carta a um amigo cristão de direita

Meu caro amigo,

você e eu passamos pelo movimento estudantil na universidade e tínhamos afinidade em nossas visões políticas. Lembra-se, você PSDB apaixonado e eu, não filiado, sem carteirinha mas simpatizante do PT. Eram os anos 90. Tínhamos acabado de pintar a cara e tirar um presidente e o FHC incomodava nossa classe cortando o orçamento da educação.

Tínhamos também afinidade espiritual. Você participante do grupo católico fé e política e eu da ABU.

Em nossa luta partidária estava claro que os radicais do PCdoB, em seu fanatismo cego, estavam desvirtuando a lógica da representação estudantil no Campus, para fins meramente politiqueiros.

Juntos conseguimos derrotá-los e passar por duas gestões do DCE e influenciar nossa Universidade de forma notoriamente positiva. Bons tempos aqueles!

Você sempre foi uma voz de dentro da esquerda que sabia criticar os exageros da esquerda. Especialmente as maluquices antropológicas do governo e as questões indígenas te indignaram demais. Suas críticas estavam cada vez mais impiedosas. Tudo isso te empurrou para os braços de formadores de opinião fundamentalistas e reacionários… Há muito já estava óbvio para todo mundo que o caldo tinha entornado para você.

Hoje fiquei sabendo que você resolveu assumir-se de “direita” e isso mexeu comigo. Conto porque:

Primeiro, você diz que cansou “das propagandas que pretendem explicar direita e esquerda com clichés mentirosos  que idealizam a esquerda e demonizam a direita. Entendo perfeitamente seu cansaço. No fundo parece-nos que essa dicotomia só cabe mesmo à nossa geração que vivenciou a cortina de ferro. Hoje o mundo é outro. Não demora muito chegará o tempo que esses clichés não farão mais sentido nenhum. E para muitos com certeza, já não faz. Mas como você poderia esquecer que a direita usou e usa das mesmas armas propagandistas nesse jogo?

Segundo, ano que vem é ano de eleições e você sabe que como líder que você é sua postura influenciará outros. Penso que o PSDB (do Aécio) seria a melhor via para o Brasil reassumir sua trajetória econômica.  Sou entusiasmado com a distribuição de renda que o PT proporcionou, creio até mesmo que a Dilma faz bem o seu papel, e até mereceria uma reeleição. Mas suas falhas não nos são ocultas e o partido de forma geral esgotou-se. Foram 12 anos… É hora de revezar. Até onde sabemos o PSDB ainda é de “esquerda”, ainda que tenha uma linha mais concentradora de renda do que a do PT. Mas como você se posicionará agora?

Terceiro, tomo como exemplo a Alemanha. Pelas possibilidades do sistema aqui, pude votar esse ano tanto na “direita” CSU/CDU como na “esquerda” SPD. E tudo indica que ambos construirão uma coligação. Ou seja, a União Cristã parece ter se cansado do antigo aliado, o Partido Liberal (que está mais à direita), e se “livrou” dele. Agora está a ponto de se coligar com os socialista. O SPD defende claramente algumas intervenções na economia, como aumento da alíquota de imposto para ricos, criar um salário mínimo (coisa que não existe na Alemanha) e limite para salários de “top managers”. Isso para que haja maior divisão da renda e mais recursos para os cofres públicos. O CDU advoga que sua política “liberal” tem garantido à Alemanha os fundamentos para sobreviver à crise do Euro, mas de fato tem faltado dinheiro para manter a tão moderna e pesada infraestrutura que a Alemanha já possui e a lacuna entre ricos e pobres tem aumentado. A Alemanha e seu sistema político possibilita aquilo que vivenciamos no DCE, um esquerda moderada, de centro. Você riscou completamente de suas opções a causa esquerda então com qual partido você se simpatizará agora?

Do grupo fé e política e da teologia da libertação você abençoaria o que então hoje, uma TFP e uma teologia da prosperidade?

Penso que seja lá qual for a base teórica que se adote para conceituar uma coisa ou outra; sejá lá quais as formas que tanto um lado como outro encontram para tomar e permanecer no poder; não poderemos nunca abrir mão de três coisas:

  • da ética
  • do estado democrático de direito, tendo como base os direitos fundamentais do homem (liberdade de expressão, de crença, de ir e vir e etc); e
  • da garantia e fomento à justiça social e do amparo aos pobres.

Na verdade esses três pontos independem da linha ideológica, se progressista ou conservadora. Ambos os lados irão fatalmente negligenciar essas três coisas devido à própria força e sedução do poder. Por isso minha posição particular é que, o que garantirá o sucesso de um governo está muito mais relacionado à “pessoa” que governa, suas qualidades morais, humanas, sociais, do que à competência meramente técnicas ou político-ideológicas.

Na Alemanha costumo porém dizer que, como vim de um país com um dos piores índices de distribuição de renda do mundo, sou forçosamente levado a optar pela esquerda, cuja principal bandeira é a redistribuição. Como vivenciamos recentemente uma crise econômica cuja origem se deu na especulação e imoralidade do setor financeiro americano, sou forçado a protestar contra esse “liberalismo de direita”.

Lembre-se, ninguém poderá segurar duas mãos invisíveis de senhores diferentes, ou você segura a de Deus ou a do mercado.

Saudações fraternas,

Roger

domingo, 23 de junho de 2013

Sequestraram o Brasil

O momento é especial, é delicado.

Há um sentimento de que o Brasil (seus recursos, suas riquezas, sua força) estava em mãos erradas. Um maníaco o havia sequestrado e o Brasil estava ao longo dos anos sendo abusado e maltratado por esse maníaco. E agora seria finalmente a hora de devolver o pais para seus verdadeiros donos.

O sentimento é de que os reais donos da nação estariam nas ruas para reivindicar aquilo que lhes pertencem por direito. Ledo engano…

Não voltarei aqui no “Descobrimento”, nem na Inconfidência, não precisamos falar da “Independência”, Abolição, nem da República, nem das múltiplas revoluções e muito menos da Ditadura, da Abertura, do Impeachment e tudo mais. Você e eu sabemos muito bem que o Brasil, apesar de todas conquistas, nunca foi nosso, nem dos nossos pais, nem dos pais dos nossos pais…

Que uma coisa fique clara: o poder econômico não sequestrou o Brasil. O Brasil sempre foi deles. E ainda é. Se há sequestradores, nesse momento, somos nós.

Os verdadeiros donos do Brasil, esses que sempre mandaram e desmandaram aqui (sim me sinto mais presente do que nunca) não abrirão mão desse quinhão tão precioso assim tão facilmente – e isso não é, por favor não me entendam mal, um chamado à luta armada.

De mão beijada ninguém abrirá mão de seus privilégios, de suas regalias, de suas vantagens, de seu patrimônio. Sim, porque para manter a posse disso tudo, muita propina precisou ser paga, muito recurso desviado, muito subsídio garantido.

Gandhi precisou ser uma alma iluminada (dessas que aparecem uma a cada milênio) para conseguir arrancar a Índia e o Paquistão das mãos dos ingleses. Sobrou-lhe imaginação para idealizar protestos pacíficos que demonstrassem um ideal melhor de sociedade para aqueles povos. Um ideal de liberdade. E foi assassinado sem ver a unificação que queria.

Também não precisaremos passar por Martin Luther King e outros tantos grandes revolucionários para chegarmos à conclusão de que para se realizar um sonho é preciso muito mais do que um sonho e belas palavras – ainda que ambos sejam imprescindíveis.

As palavras de Jesus na Palestina de Herodes foram precedidas da cabeça de João Batista e sucedidas pelo seu próprio corpo crucificado.

Duro é o penhor a ser pago no resgate de um povo, de uma nação.

Quem deseja sequestrar toda uma gente, precisa estar consciente de que se não houver coisa melhor a ser oferecida aos sequestrados, eles logo vão querer voltar para as mãos de seus antigos donos.

A delicadeza do momento está na exatidão do cálculo dos custos necessários para se atingir o resultado esperado: justiça, liberdade, paz, prosperidade. Nada disso será galgado sem sacrifício. E quem estará disposto a pagar tão alto preço? Aqueles que já não possuem nada?

O momento é especial pois obviamente não se repetirá tão cedo. O gigante logo, logo se cansará e adormecerá de novo, e só Deus sabe  quando, e nos braços de quem, ele acordará novamente.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

O jurista e o discriminado

Poucas coisas são mais justas do que o "olho por olho, dente por dente"; a graça, o amor e a misericórdia são algumas delas.

Lá estava ele mais uma vez sentado na roda de pecadores, seus amigos: publicanos, prostitutas, e gente da mesma laia, gente discriminada.

Isso já era demais para um certo jurista religioso de sua época (e ainda é demais para os de nossa), o qual montou uma arapuca:

“Mestre, o que eu tenho que fazer?”

A velha mentalidade mecanicista, “qual botão deve-se apertar, qual alavanca puxar?” Me diga, e eu simplesmente faço! Como formularia a Nike milênios mais tarde: just do it!

Mas o galileu de sandálias chutou a arapuca:

“O quê está escrito (exegese)? Como você lê (Eisegese)?”

Porque para Jesus as duas coisas claramente distintas deveriam andar juntas.

O jurista, eufórico, aproveita para recitar seu catecismo e não percebe que o Rabi, com os mesmos pauzinhos, a poucos chutados, refaz a arapuca, na qual o jurista acabava de cair:

“Bravo! Perfeito! Então não há pergunta… just do it…”

Já engaiolado, o jurista pia mansinho: “Mas pelo amor de Deus, quem é este cara que se chama próximo? Como você, Mestre Jesus, lê isso?” [Como se a cena por si só não oferecesse uma resposta].

A conversa assume, então, outro tom.

Os discriminados pelo sociedade judaica, prostitutas e publicanos, que naquele momento gozavam de prazer com a cara atordoada do jurista, fixaram seus olhares ávidos no contador de histórias.

“Um homem descia de Jerusalém para Jericó…”

sexta-feira, 27 de abril de 2012

O Supremo e as Cotas

Às vezes pensamos que, ou foi de má fé, ou foi burrice; e não vemos que foram ambas; quando alguns conservadores aparecem, por aí, com uns argumentos frágeis demais da conta. No caso contra a votação do STF.

Um deles é querer apelar para a coerência do STF: “então, já que não é o mérito que conta, que se faça cotas para as cadeiras do STF!”

Como uma idéia dessa é tão fraca, torna-se difícil tocá-la sem que ela se esfarele em nossas mãos. Mas tentemos:

O mérito vocacional ou profissional, como sabemos, não vem só no DNA, mas é algo extremamente ligado à rede de conexões do indivíduo e não poucas vezes da família e grupo social (e isso sem mencionarmos o ponto óbvio, em questão, que é uma justa e digna formação acadêmica).

Possibilitemos ao maior número possível daqueles que foram por séculos discriminados a chance de adquirirem esse mérito. Esse dano não será reparado, logo, demorará gerações. Mas com decisões como essa chegaremos lá. Teremos um Supremo mais representativo possível.

Outro argumento estranho é dizer que as cotas beneficiam uns em detrimento de outros…

É verdade -  admitamos.

A única alternativa para contornarmos tal incômodo seria então criar vagas extras nas universidades públicas, para que os brancos não percam as suas. Como se sabe, os cofres públicos (que estão nas mãos de brancos) não comportariam isso. Contudo ninguém paga uma dívida sem doer no próprio bolso!

Então a medida é mais uma vez acertada.

O problema é que a direita já pensa burramente, de má fé.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

O Racismo no Brasil

cartaz_pqueno (21 x 30) FINAL...

Que o Brasil é e sempre foi um país racista, não há que se discutir.

O racismo é uma doença que vem no DNA humano e poucos são os privilegiados que nascem imunes a ele.

O cristianismo, um dos mais reputados e renomados inimigos do Cristo, teve muito a contribuir para o racismo. Desde o início, suas raízes judaicas se ramificaram no substrato em decomposição da separação de raças, tribos e nações.

Apesar de tudo que a suposta Palavra de Deus e de Cristo e de seus apóstolos fizeram para combater essa peste, ela só fez mais que proliferar-se e isso em solos sacro-cristãos.

E hoje não é diferente.

Não seria na Noruega, país que carrega a cruz em sua bandeira, em que um ultra fundamentalista cristão cometeria um atentado contra aqueles que se empenhavam em abolir fronteiras raciais e nacionalistas?

Não seria na Católica e Protestante Alemanha, que o nazismo encontrou solo fértil? Hoje governada pelo partido cristão, tendo uma filha de pastor e um pastor evangélico nos mais altos postos executivos, a nação assiste ainda escandalizada um grupo de neonazista planejarem e friamente assassinarem 10 estrangeiros.

Klu Klux Klan nos Estados Unidos, apartheid na Africa do Sul, assassinatos a aborígenes na Austrália, atentados no mundo árabe, muros em Israel, guerra civil com massacres e purificações raciais na África, Iugoslávia, Camboja, Índia, Paquistão, China, Japão ou Siri-Lanka, nada disso diminui a seriedade e nem minimiza a gravidade do problema em solos brasileiros.

O Cartaz da Campanha da Fraternidade da CNBB é um ótimo [ou péssimo] retrato do racismo, porque retrata a realidade da qual não podemos fugir, agora, mas somos obrigados a mudar.

Não estou aqui para julgar o cartaz, nem falar que a CNBB é racista - meu Deus do céu - não é nada disso! (No máximo foram infelizes no que se diz a estratégia de Marketing e ideologia). Não é um julgamento, mas mera constatação de um retrato que, por sua vez, também é uma constatação: médicos são geralmente brancos e saudáveis (estudados e bem remunerados), pacientes são geralmente mestiços (nem sempre bem remunerados, nem sempre estudados, e por isso mesmo, muitas vezes, doentes).

Observe o cartaz, observe os noticiários, as novelas, as repartições públicas, as escolas os parlamentos. Observe os outdoors na rua. Não precisaremos dizer mais nada.

Somos um país cristão. Mas no princípio não foi assim… Não quero, nem preciso entrar no mérito das atrocidades que Tamoios e Tupis faziam uns contra os outros, ou que Africanos cometiam entre si. Mas eles não se denominavam cristãos e não ostentavam ter um Deus que se dizia amor, e nem queriam fazer-se conhecidos como pacificadores, misericordiosos ou simplesmente: pobres de espírito.

Todos sabemos, ou deveríamos saber, sobre a dívida moral que a nação colonizadora portuguesa e por herança seus descendentes brancos acumularam frente aos colonizados.

Índios foram torturados, violentados, esquartejados, assassinados e por fim massacrados – e isso, que deveria ser uma página “negra” e passada de nossa história, ainda ousa nos assombrar no noticiário vespertino.

Negros foram comercializados como animais e trazidos nas piores condições possíveis do continente Africano para o Americano, em navios negreiros, para aqui serem ainda pior tratados.

O prejuízo moral, o arrombo econômico e os danos e traumas advindos de uma história dessas não são de se resgatar em poucas décadas. Portanto quanto mais rápidas e ágeis forem as ações em prol do resgate e do reparo de tal calamidade, melhor.

O assistencialismo e a caridade não são as medidas que restaurarão às classes desprivilegiadas do Brasil a sua dignidade, a sua honra e justiça outrora sequestradas.

Tudo e todos que se acomodam ao status quo, e temo que este que aqui escreve se inclua, não passam de racistas passivos. Ainda que tenham as melhores das intenções.

Urge uma restituição radical.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Revolução Religiosa

“Religião e sociedade não eram instâncias separadas até a alta Idade Média. Dizer que Jesus era um revolucionário religioso-social é pleonasmo.

O mal nosso hoje é justamente esse. Revolução social nada soa de revolução religiosa. Só que do ponto de vista do Império Romano, Jesus era um traidor, que incitava a desordem.”

por Felipe Fanuel

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Meu perfil político

Não sou nenhum simpatizante especial do PT, Dilma ou Lula. Também não sou um decepcionado. Sobre Serra, Aécio e FHC também não trago grandes afetos ou desafetos.

Me agrado de poder ver o Brasil avançando em questões que dizem respeito à democracia, liberdade de expressão, distribuição de renda, e etc, um processo longo e demorado que vem sendo desenvolvido mais explicitamente desde as eleições indiretas de Tranquedo Neves e as diretas de Collor – ou seja, com o fim da ditadura militar.

Como todo brasileiro com uma mínima consciência social lamento que as mudanças não ocorram mais rapidamente. Como qualquer brasileiro com uma considerável consciência política lamento que os culpados por essa lentidão sejam nós mesmos, em primeira linha, e os políticos que colocamos lá, como nossos representantes.

Assim carregamos uma dupla responsabilidade: somos lentos nas mudanças naquilo que deveria ocorrer na sociedade privada, independente do governo; somos lentos naquilo que diz respeito ao governo, sendo que nós, ou fazemos parte da máquina governamental executiva, ou porque elegemos o legislativo.

Tendo a ter certa paciência com os governantes pois, de alguma forma, sou consciente dos perigos sedutores do poder e o peso de suas grandes (ir)responsabilidades.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O Circuito fechado da TV e da Vida

“É um círculo vicioso: a TV reflete a sociedade, que se retrata na TV. Daí a importância de uma TV feita com responsabilidade moral, social e política. É raro, mas existem, felizmente, alguns casos. Casos que não nos deixam perder de todo a esperança.”

Rubinho Osório

domingo, 18 de dezembro de 2011

Reinaldo Azevedo e coisas do gênero

É sabido que Reinaldo Azevedo não é flor que se cheire. Diz meu amigo @rondinellysm que existem mais uns dois ou três que se comparem a ele, em seu reacionarismo. Graças a Deus não conheço os sujeitos e evito de divulgar seus nomes aqui. Já é suficiente o nome de Reinaldo.

Esse tipo de gente me assusta, sejam eles de direita ou de esquerda, pois eles por um lado se julgam tão racionais, tão lógicos em seus argumentos e de repente soltam uma aberração lógica que é redondamente incompatível com aquilo que eles arrogam ser. E não adianta apontar a contradição. Eles não querem vê-la ou vendo-a, não podem e por isso não querem adimití-la.

O que me chamou atenção esses dias foi uma artigo seu: Uma análise absolutamente objetiva e fria da pesquisa CNI-Ibope. Ou: Um governo ruim, mas bom!

Ainda que eu não tenha nenhuma queda especial pelo PT ou Dilma, me assustou a gritante ignorância e parcialidade de Reinaldo ao tratar da análise da pesquisa CNI-Ibope. Análise essa que ele tem a coragem cretina de chamar de absolutamente objetiva.

O cerne da tese de Reinaldo se resume na pergunta:

Como pode ter taxa tão expressiva de aprovação geral um governo reprovado nos itens tomados individualmente?

Ainda que sua argumentação possa parecer para uma análise subjetiva a apaixonada correta, ela desaparece diante de um raso exame, que seja porém verdadeiramente objetivo e razoavelmente inteligente.

Basta um conhecimento da situação social do Brasil ou de matemática e média ponderada.

E aqui vão as taxas:

A forma como Dilma governa é aprovada, diz a pesquisa, por 72%.

O governo é aprovado em apenas três áreas:

1) combate à fome e à pobreza (56% a 39%);
2) combate ao desemprego (50% a 45%);
3) meio ambiente (48% a 44%).

O governo é reprovado em seis áreas:

1) Saúde - 67%;
2) impostos - 66%;
3) segurança - 60%;
4) taxa de juros - 56%;
5) combate à inflação - 52%;
6) educação - 51%

Se sabemos que fome e pobreza, desemprego e meio ambiente, são os principais problema vividos pela população. Se a população avalia positivamente o governo nessa área, evidentemente a avaliação geral será positiva.

Em outras palavras, não adiantaria nada termos uma educação maravilhosa e taxas crescentes de mortalidade infantil por subnutrição. Nada resolveria ruas super seguras, e taxas de desemprego exorbitantes e crescente, e população sem dinheiro para comprar comida ou roupa. Nada resolveria uma inflação super baixa e insatisfação geral com o meio ambiente.

De fato em face da fome, da pobreza e do emprego. Os demais itens:  saúde, impostos, segurança, juros, inflação e educação ficam em segundo plano.

Acho que não é difícil de entender…

Se essa avaliação positiva do povo é correta… Se o governo Dilma tem ajudado de fato a combater a fome, a pobreza e o desemprego, e se tem sido eficiente quanto ao meio ambiente, essa já é, porém, outra questão.

domingo, 9 de outubro de 2011

Alemanha “pós-cristã”

Como se sabe a sociedade “pós-cristã” alemã é governada pela coalizão do CDU-CSU (União Democrática Cristã, e União Social Cristã) com o Partido Democrático Livre.

A atual Chanceler alemã, Angela Merkel (que como também se sabe é filha de um pastor luterano) e sua então ministra da família Ursula Gertrud von der Leyen introduziram desde 2007 uma licença para os pais.

Graças a esta política minha esposa pode ficar em casa desde o nascimento de nossa segunda filha, Marie, recebendo parte de seu salário.

Agora sou eu quem serei agraciado com a licença e o seguro paternidade. Terei o direito de ficar dois meses em casa. Tempo útil para passar com minhas filhas e ajudar minha esposa. Além de aproveitar para recarregar as baterias, já arriadas com os acontecimentos dos últimos turbulentos anos.

Com mais tempo, obviamente voltarei para deitar aqui as minhas costumeiras e não pouco polêmicas inquietações. Quem sabe algumas delas relacionadas a esta terra e sua forma peculiar de viver a fé cristã…

sábado, 27 de agosto de 2011

Sobre a soberania e missões

Há 13 anos deixei o Brasil para ser missionário em uma Europa, dita, pós-cristã. Hoje meus conceitos mudaram: Missão? Pós-cristã? Islã? Igreja?

Sim, estou convicto, são crises pertinentes ao modelo messiânico, empreendedor e proselitista que abraçamos no passado. Não estou só nesta minha angústia.

Para o velho modelo só encontro saída (ou demanda) lógica, frente ao imigrante islâmico. Mas não seria só uma perpetuação do modelo, além de ser uma dura pedreira?

A alternativa apontada pelo sábio é a promoção da vida para além do modelo catequético, que viu num Centurião homem de enorme fé. Seria então esse nosso desafio no diálogo interreligioso?

Os ares brasileiros se diferem radicalmente dos ares europeus: No Brasil o turnover religioso é enorme, por isso a dinâmica da fé tende a ser mais aquecida, contudo mais efêmera. Na Alemanha a euforia é menor, a fé torna-se inerte, estática, porém mais sólida e substancial. Em uma outra ocasião gostaria de exemplificar isso.

Basta agora lembrar que a fé baseada no determinismo nos faz crer que Deus para tudo tem um plano hermético e detalhado. Toda boa surpresa deste divino destino parece corresponder a uma providência divina, afinal Deus é o o Jeová Jiré, o Deus da provisão.

Todo esse edifício teológico se desmorona entretanto quando as surpresas são desagradáveis. Jó, que viu seus filhos sucumbindo em uma catástrofe, não anda de mãos dadas com Abraão, que teve seu filho restituído das cinzas.

Europeus, acostumados a guerras e catástrofes, onde a fé e a cruz, desde os primórdios andaram abraçadas com a espada, não se iludem mais com um Deus soberano aos moldes gregos. Eles se sabem donos de seu próprio destino. Essa é certamente uma das razões porque o modelo ufanista Americano nunca achou solo fértil no velho continente. E nem achará.

Mais uma vez o sábio destaca que é preciso notar que a inércia religiosa europeia não é fruto da teologia que adotou mas dos movimentos sociais que a promove – materialismo. Portanto, no projeto protestante que autonomiza os indivíduos também existem perigos. E um dos perigos vem do consumismo materialista.

Sei que os desafios missionários na Europa são muitos. Não estão nem longe de serem transpostos. Agora faz-se necessário, porém, detectar quais variáveis que podem contribuir ou obstruir a expansão do Reino aqui.

Sei que Deus está no controle, mas sei mais ainda que Ele não nos trará de bandeja um modelo pronto, uma receita de bolo. A Bíblia não revelará nada de novo sobre o assunto. Em sua santa soberania Ele, Jesus, nos convida a desenvolvermos o novo juntos: o modelo do momento. Um modelo que é eficaz, mas frágil. Que é efetivo, mas passageiro. Que não é uma fórmula mágica, infalível e eterna, mas que seja Vida e a vida em si mesma.

Evidentemente a peteca está em suas mãos; ou, terrivelmente, nas minhas…

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Quem comigo não ajunta

Não sou nenhum corta-jaca*, como alguém já insinuou, não tenho razões nenhumas para isso. Nem precisava ficar aqui me explicando… Existe certa proximidade, certa afinidade de idéias. Fora isso estamos a quilômetros de distância. Nem nunca trocamos um aperto de mão ou olhar.

Alguns ataques pesados que o Ricardo recebe, dos que tive e tenho notícia, acabam contudo, de uma maneira ou de outra, me atingindo. Conto porque.

Mas antes sinto-me forçado a salientar que, na questão da Ultimato, sentiria a mesma indignação e revolta, ainda que o fato ocorresse com alguém com quem não tenho afinidade quase nenhuma, como Augusto Nicodemos - por exemplo. Suponhamos que a Mckenzie o dispensasse, da noite para o dia, alegando não concordar com algo que ele escreveu, sei lá, a favor do vinho, por justificar a presença de professores liberais, ou por ter se sentado à mesa com Sérgio Pavarini… não importa. Acharia, da mesma maneira, a decisão arbitrária e contra a liberdade de expressão. Veria, da mesma forma, a máquina institucional atropelando a individualidade, na pessoa de um indivíduo (para ser enfático).

Ou seja, a questão vai muito mais além do que um gosto ou afinidade pessoal, quando tomo meu tempo para opinar sobre essas perseguições e fogueiras (que agora são chamadas de “micro ondas”).

No caso do Caio Fábio, a história é longa e tentei explicá-la aqui: Caio Fábio - O fim de alguém que já foi alguém (pra mim). Mas a questão é a mesma, o Caio quer proclamar um Deus que controla tudo… um deus que para mim já não existe mais, e para isso desse o pau no que eu creio. Não, não meu amigo, assim não.

Todos aqueles ataques (e isso não é diferente desse último vindo de Tom Cavalcanti**) é que eles tocam primeiro em Gondim, claro, mas acabam mexendo com minha fé e naquilo que acredito. Eles ferem minhas crenças, minhas idéias. E não preciso ficar lendo ou ovindo isso calado (para isso que existe hoje Internet, Blog, Tweeter e essas coisas - Como disse meu irmão, antigamente você tinha uma boca e dois ouvidos, hoje você tem dois ouvidos e dez dedos).

Já escrevi alguma vez sobre isso, não se engane: Um debate sempre será pessoal e subjetivo! Não combatemos ideias, combatemos pessoas.

Quando penso nos três pontos gondinianos, e te convido a pensar com a gente, veremos que eles estão no cotidiano de nossa fé, de nossa prática:

  • Um Deus de liberdade e consequentemente amoroso, que não controla tudo; (já refletimos fartamente esse tema aqui)
  • Garantir ao próximo (seja ele gay ou não) o direito à liberdade (via estado) de serem donos de sua própria história e não serem discriminados por isso;
  • Não rotular a Europa tão rapidamente como pós-cristã, mas reconhecer ali um avanço dos valores do Reino que se mostram na cidadania.

Nesse terceiro ponto, que Flávio Cavalcanti** arremata seu texto, me incomodei. Aliás o texto todo é horrível! Até pensei em pegar parágrafo por parágrafo e mostrar, pela própria Bíblia, pelas próprias passagens citadas por ele, como Deus esteve em cada caso em diálogo com os homens e que nunca a coisa foi assim imposta, absoluta, de cima para baixo como Cavalcanti quer dar a entender… Mas como alguém comentou lá, (exegese rasteira, generalização boba). Desisti, não vale a pena. Mas quero tocar na questão da Europa.

Pois bem, escreveu ele:

Como diriam os caipiras mineiros: […] cristianismo triunfante é aquele que ninguém vai mais à igreja.

Primeiro: caipira mineiro é a avó! [Estou brincando.]

Esta questão de ir ou não à igreja é, em minha opinião, algo super importante a ser revisto pelas igrejas institucionalizadas. Hoje não vou mais à igreja, e não me sinto melhor nem pior do que ninguém.

Eu vivo na Europa (já morei um ano na Áustria, um na Inglaterra, Holanda e vivo há mais de 10 na Alemanha) e sei do que falo. Aliás vim para Europa com a finalidade de falar de Jesus para uma geração “pós-cristã”. Te digo, ouça bem: Isso não existe! O Lou e o Beto já me aconselharam sobre isso, escrever sobre as igrejas na Alemanha. Ainda farei isso, mas terei que separar a Igreja das instituições – tarefa nada fácil.

Queria ver o que seria dos espiritualistas brasileiros se os “humanistas” europeus parassem de enviar suas ofertas, ajudas humanitárias, staff e etc. Sem dúvida muitas igrejas, ONGs, escolas e hospitais fechariam as portas. Não quero aqui entrar no debate, colonialismo, imperialismo, teoria da dependência, e etc. Só quero chamar a atenção para que não pensemos que o cristianismo evangélico brasileiro seja melhor ou mais espiritual do que o atual cristianismo Europeu.

“Para alguns autores, a decadência do protestantismo na Europa não é, verdadeiramente, uma decadência, mas o cumprimento de seus objetivos: igrejas vazias e cidadãos cada vez mais cidadãos, mais preocupados com a questão dos direitos humanos, do bom trato da vida e do meio ambiente.” R. Gondim

Tem muito para ser dito sobre o assunto, até mesmo passando pela Renascença, pelo Iluminismo, pela a Revolução Francesa, talvez até pela própria Reforma Protestante. Precisaríamos voltar à colonização dos Estados Unidos e entendermos um pouco mais da fonte, do tipo de cristianimso evangelical, que bebemos hoje. Com menos frequência do que aqui n’A Teologia Livre’ faço isso com calma lá no Blog em que releio duas das obras de Francis Schaeffer.

Mas evidentemente existe também o gosto e a afinidade pessoal. Até mesmo porque, segundo cremos - e nisso o filósofo e blogueiro Paulo Brabo há de concordar comigo (ainda que ele me julgue um impertinente, que nega a raça e desça do muro se envolvendo em polarizações) – o evangelho é a crença, não em uma cartilha (ou catecismo), mas em uma Pessoa. E mais do que a confissão dessa crença é o relacionamento com essa Pessoa.

Ninguém melhor que Jó expressou o que esse relacionamento pessoal, essa amizade, deveria significar e até onde ele deva ir – mesmo não se tratando de nenhum desesperado e de nenhum apóstata, a citação fala alto. Mas temos visto o oposto. A história se repete, é de se lamentar.

“Um homem desesperado deve receber a compaixão de seus amigos, muito embora ele tenha abandonado o temor do Todo-poderoso. Mas os meus irmãos enganaram-me” - Jó

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*Se gostou aqui vai mais alguns adjetivos do Aurélio para bajulador: adulador, adulão, aduloso, babão, baba-ovo, banhista, cafofa, chaleira, chaleirista, cheira-cheira, chupa-caldo, corta-jaca, engrossador, enxuga-gelo, escova-botas, incensador, lambedor, lambe-botas, lambe-cu, lambe-esporas, lambeta, lambeteiro, louvaminheiro, puxa-saco ou puxa-sacos, sabujo, xeleléu, xereta

** Dizem que trocar o nome é pior do que matar o home

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Os gays e a Bíblia

por Frei Betto

É no mínimo surpreendente constatar as pressões sobre o Senado para evitar a lei que criminaliza a homofobia. Sofrem de amnésia os que insistem em segregar, discriminar, satanizar e condenar os casais homoafetivos. No tempo de Jesus, os segregados eram os pagãos, os doentes, os que exerciam determinadas atividades profissionais, como açougueiros e fiscais de renda. Com todos esses Jesus teve uma atitude inclusiva. Mais tarde, vitimizaram indígenas, negros, hereges e judeus. Hoje, homossexuais, muçulmanos e migrantes pobres (incluídas as “pessoas diferenciadas”...).

Relações entre pessoas do mesmo sexo ainda são ilegais em mais de 80 nações. Em alguns países islâmicos elas são punidas com castigos físicos ou pena de morte (Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Iêmen, Nigéria etc). No 60º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 2008, 27 países-membros da União Europeia assinaram resolução à ONU pela “despenalização universal da homossexualidade”.

A Igreja Católica deu um pequeno passo adiante ao incluir no seu catecismo a exigência de se evitar qualquer discriminação a homossexuais. No entanto, silenciam as autoridades eclesiásticas quando se trata de se pronunciar contra a homofobia. E, no entanto, se escutou sua discordância à decisão do STF ao aprovar o direito de união civil dos homoafetivos.

[..]São alarmantes os índices de agressões e assassinatos de homossexuais no Brasil. A urgência de uma lei contra a violência simbólica, que instaura procedimento social e fomenta a cultura da satanização.

[…]Há que passar da hermenêutica singularizadora para a hermenêutica pluralizadora. Ontem, a Igreja Católica acusava os judeus de assassinos de Jesus; condenava ao limbo crianças mortas sem batismo; considerava legítima a escravidão;e censurava o empréstimo a juros. Por que excluir casais homoafetivos de direitos civis e religiosos?

Pecado é aceitar os mecanismos de exclusão e selecionar seres humanos por fatores biológicos, raciais, étnicos ou sexuais. Todos são filhos amados por Deus. Todos têm como vocação essencial amar e ser amados. A lei é feita para a pessoa, insiste Jesus, e não a pessoa para a lei.

fonte: Internet

domingo, 22 de maio de 2011

Ultimato, Hereges e perseguidos no Brasil

Ultimato – Assim que virei crente passei a ler a Ultimato. Algo há cerca de uns 20 e poucos anos atrás. Com o tempo passei a respeitar o não bairrismo da revista. O chamado à unidade, embarcando até católicos, e isso a contra gosto de outros leitores. Achava a revista uma peça interessante para a reflexão da fé. Informativa, ousada, mas equilibrada (segundo meu ponto de vista). Achava…

Hereges – De certo tempo para cá, algo em torno de 2 ou 3 anos. Deixei de ser evangélico. (Se morasse no Brasil, hoje, seria católico, se é que quem não é nada no Brasil, é católico). Faço minhas reflexões aqui no Blog, leio a minha Bíblia, faço as minhas orações (não necessariamente nessa ordem) e vou de vez em quando à missa ou culto. E todos, que estão por aqui, sabem as pessoas da Blogesfera que respeito. Gente como Lou, Rubinho, Alysson, Beto, e etc. E claro, os escritores famosos P. Brabo e R. Gondim. A maioria de nós (deles) com um Q de herege.

Perseguidos no Brasil – Tem um tempo que coloquei uma “inquiete” aqui na Teologia Livre, para saber o que o pessoal achava sobre a perseguição de cristãos no Brasil. A maioria 56% mostrou-se convencida, como eu, de que no Brasil não há perseguição. Um quinto pensou, como eu, e disse que somente às vezes (em situações especiais) há perseguição. E uma pequena parcela, 5%, marcou, como eu, que frequentemente há perseguição ao cristão.

Sobre essa minoria que eu quero falar.

De fato o cristão é frequentemente perseguido. Desde que, diferente de mim, e da grande maioria de nós, seja frequentemente coerente com aquilo que crê e com aquilo que de mais elementar Jesus pregou: o amor ao próximo.

Um bom mau exemplo é a atitude da revista Ultimato, frente a seu antigo parceiro, Ricardo Gondim. Ultimato, não se sente mais confortável em ter alguém no seu corpo de colaboradores, que não seja contra o casamento homossexual, que não acredite que Deus esteja no controle (por trás) de toda tragédia e maldades humanas, e tacha de humanista quem vê na justiça social e cidadania um importante aspecto do cumprimento do evangelho.

Se a coisa ficasse só no desconforto, seria nobre. O problema é que para o conforto de uns, um é sacrificado. O que mais me "assusta" é a pressão interna: imagino os caras orando e chegando a essa belíssima resposta e orientação "divina": Afinal, qual herege foi jamais queimado sem antes uma cerimônia religiosa? Depois se reúnem e planejam ir a São Paulo lhe comunicar a coisa (graças a Deus não foi por E-mail ou telegrama).

Claro que esse tipo de perseguição velada não se compara com a da família que foi assassinada na Turquia, nem com os que foram sequestrados na Indonésia. Mas estas não diminuem os danos morais daquela. Quando é você quem está na pele, debaixo de fogo cruzado, e vê amigos dizendo que não te conhecem, que nunca te viram e praguejando, você sente o desconforto, a chateação e a dor moral disso tudo.

É triste.

Mas é isso que se deve esperar, se é que a Bíblia tinha razão, e eram os deuses, não astronautas, mas simples homens de pele e osso, carne e sangue, como você e eu.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Wannsee: conversando que a gente se entende

Nada como um grupo de homens sérios reunidos para discutirem e buscarem uma solução final para um grande problema.

Assim foi o começo de uma trágica página da história: o Holocausto.

Acima a primeira parte do filme em inglês.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Rebelde não é o povo

A fé é o assentimento a dados que não são derivados da razão, mas da revelação. Portanto, seu conhecimento, ainda que possa ser altamente provável, nunca é seguro. Uma maneira de medir o grau de probabilidade dos dados da fé é através do uso da razão e do julgamento. Se o que é dito se opõe a qualquer julgamento e razão, deve ser tido por menos provável. É por isso que Locke se opõe ao que ele chama de "o entusiasmo fanático" daqueles que acreditam que tudo que eles dizem é baseado na revelação divina. E pela mesma razão defende a tolerância religiosa. A intolerância resulta da confusão entre juízos de probabilidade sobre questões de fé e a certeza da razão empírica.

Além disso, a tolerância religiosa é baseada na mesma natureza da sociedade. Em qualquer comunidade, não há autoridade legítima além da que seus membros nomearem e delegarem. Além disso, uma vez que a liberdade é uma parte essencial do ser humano, ninguém tem o direito de renunciar a ela, ou de estabelecer entidades que a neguem. As leis têm de expressar o sentimento dos membros da comunidade. Aquelas que assim não procedem são ilegítimas. A diferença entre um verdadeiro rei e um tirano é que o primeiro aceita os limites que a vontade do povo impôs ao seu poder, enquanto o segundo os rejeita.

Em caso de tirania, o povo pode recorrer à força para depor o tirano. E então o rebelde não é o povo, mas o déspota que se rebelara antes contra os limites do seu poder.

John Locke (1632-1704) visto por Justo L. Gonzales em “A Era dos Dogmas e das Dúvidas”

terça-feira, 8 de março de 2011

Frango a la Carte

Infelizmente esse filme não é uma ficção

Sem palavras…

domingo, 13 de fevereiro de 2011

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Isso será um segredinho nosso

Disse ele depois que abusou de mim. O silêncio fez de mim uma vítima por uma vida inteira.

Quem quebra o silêncio, quebra o poder do criminoso. Nunca é tarde para falar do abuso sexual.

Campanha alemã contra o abuso sexual

Campanha alemã contra o abuso sexual

Campanha alemã contra o abuso sexual