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quinta-feira, 24 de maio de 2012

No meio do jardim tinha uma árvore

Tinha uma árvore no meio do jardim. Lá, onde o dilema divino era apenas trazer o homem ao mundo ético, e isso, de forma ética. Como fazê-lo entender o bem, sem conhecer o mal? Como criar luz, aparte das trevas? Como fazê-lo experimentar a vida, sem antes provar da morte?

Sem o conhecimento do mal, o homem não reconheceria o bem. E sem o conhecimento do bem e do mal o homem seria uma eterna ingênua criança. Ele nunca alcançaria o status de “filho de Deus”, que, como Deus, conhecedor do bem e do mal.

Deus, como bom pai, queria um homem maduro, livre e independente. Um ser consciente de si mesmo e, por isso mesmo, com uma consciência pura capaz de discernir entre o bem e mal.

O primeiro homem, ao sair da forma, não era um ser livre.

Desconhecendo o bem ou o mal, não poderia fazer escolhas pautadas em sua própria consciência. Incapaz de julgar por si mesmo, o homem teria que, para não ser compararado a um robô pré-programado, ser capaz de, no mínimo, agir voluntariamente, de criar suas próprias escolhas.

O fruto da árvore que estava no meio do jardim, seja lá como o entendermos, é que traria poder ao ser humano, para agir no universo ético.

Por ser essencialmente bom, Deus não poderia induzir o homem a provar daquele fruto, pois é claro que o conhecimento ético leva o homem às catacumbas da morte.

Como um criador amoroso, Deus precisava garantir que o homem, criado à sua semelhança, fosse um ser moralmente livre, com vontade livre. Livre para amar, ou odiar. Livre para obedecer, ou desobedecer. Livre para se relacionar, ou para se isolar. Livre para viver, ou para morrer.

sábado, 17 de março de 2012

Deus

De frente para o mar, em algum ponto do litoral nordeste do Brasil, um grupo de homens sentados na varanda de um hotel, em uma tarde de tempo nublado, bebiam um Chianti e conversavam amigavelmente sobre a vida.

O mais velho sugeria que havia uma força, algo superior, por traz de tudo que existia, e que essa força (pessoal ou não) era o que chamavam, Deus.

O mais religioso deles afirmava que mais do que uma força, Deus era espírito, algo transcendente, além do mundo físico e portanto incapaz de definirmos de forma científica natural.

O engenheiro, homem inteligente e de vasta experiência profissional, contemplava as nuvens cinzentas que se aproximavam e a violência das ondas. Afirmou categoricamente que tudo no mundo natural é obra daquele Espírito – ou força – portanto as impressões digitais, o copyright divino estariam impressos em cada coisa, molécula, átomo ou partícula do universo. Tudo era expressão espiritual, antes de ser uma manifestação natural.

O biólogo, um professor cristão, lembrou que, segundo a Bíblia, Deus faz morada em sua igreja, em corpos humanos, e que, em última análise, o “Pai nosso que estás nos céus” estava ali na próxima esquina, no mercado, na praia, habitando em nossos municípios e passeando pelas ruas.

Aqueles homens serviram mais uma rodada do vinho e continuaram sua conversa.

Enquanto isso, ali, ao lado do hotel, na arrebentação, um grupo de meninos e meninas jogavam seus anzóis nas águas do mar e se deliciavam com cada peixe fisgado.

Suas mães, preocupadas com a tempestade que chegava não sabiam se interrompiam a brincadeira das crianças ou a conversa dos maridos, ou ambos.

Quando uma primeira gota de chuva caiu, molhando o oceano.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Revolução Religiosa

“Religião e sociedade não eram instâncias separadas até a alta Idade Média. Dizer que Jesus era um revolucionário religioso-social é pleonasmo.

O mal nosso hoje é justamente esse. Revolução social nada soa de revolução religiosa. Só que do ponto de vista do Império Romano, Jesus era um traidor, que incitava a desordem.”

por Felipe Fanuel

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

E a vida é tudo isso

“Toda vez que alguém para afirmar algo precisa excluir algo, dou um gemido.

Para mim é claro que a postura de Jesus tinha caráter espiritual-político-social-psíquico-religioso- esquimbau... Ele olhava a vida, e a vida é tudo isso!!!“

Rubinho Osório

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Falar de novo nessas coisas

moi_fumando2x“Afinal de contas, uma frase, uma oração, uma ordem, uma palavra, uma lei, nada disso pode fazer o que só uma pessoa de carne e osso pode fazer: suar pra correr pro abraço, saborear um café com bolacha na padaria, irritar-se contra safadeza ou covardia, fumar um cigarro com um amigo, gozar com a pessoa que se ama. Só uma pessoa pode amar, enquanto Deus permanece verbo tá tudo escuro, só quando ele vira carne é que tudo se esclarece.”

Rondinelly

sábado, 24 de dezembro de 2011

O Meio é a Mensagem, a Mesagem é o Meio

O Nascimento de Jesus, um Cordel sobre o Natal

Me lembrou o talento de @tucoegg Tuco Egg, nosso querido amigo artista.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O Circuito fechado da TV e da Vida

É um círculo vicioso: a TV reflete a sociedade, que se retrata na TV. Daí a importância de uma TV feita com responsabilidade moral, social e política. É raro, mas existem, felizmente, alguns casos. Casos que não nos deixam perder de todo a esperança.”

Rubinho Osório

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Eu não sabia que doia tanto

Nós_Quatro.JPG

Acho que é uma estratégia ostensiva de algum deus desesperado, essa saudade espraiada.

Agora sei que não sou só eu...

Saí de casa há um ano, foi quando percebi que só um espectro saiu de casa. Eu mesmo fiquei lá, há anos atrás...

Desde que vi Árvore da Vida a minha dor de saudade tem sido amplificada.

Diferente da sua situação, meus pais e irmãos estão todos vivos;

é a distância que me separa deles, a distância temporal principalmente, dos meus 8 anos de idade:

brincando em casa,

chupando laranja do pé (as lágrimas estão me atrapalhando aqui, só pra constar...),

mainha me arrumando pra igreja,

pra praça,

saindo pra feira com painho,

escutando as histórias dos vizinhos velhos,

sabendo de alguma coisa, mas nunca sabendo saber,

com esse tédio que a consciência carrega ao colo...ai meu Deus como eu soube apenas nesses últimos tempos que a salvação não tem nada a ver com moral, que se Deus salva é pelo reencontro, é só pela possibilidade de eu me reencontrar ali, todo, pleno, com um instantezinho apenas de lucidez e mergulhado de novo no poço indefinido e livre de eu-pequeno...

Perdão o desabafo, mas ainda não consegui dizer isso a um amigo que estivesse por perto, eu tô dizendo a um amigo de longe, cujo ombro só conheço de letras, eu tô dizendo pra ver se meu coração descansa...

Será que onde quer que eu esteja, doravante, vou sempre me sentir exilado? Meu Deus, por que me abandonaste tão longe de mim?

 

Rondinelly e sua mania de superar o prório Post com seus comentários brilhantes

em Luto com o luto

[se o seu coração, amigo, descançou depois dessa, não sei… mas o meu deu uma boa e estranha estremecida]

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Projeções

Quando professor Eduardo viu as brasas nos olhos de Kátia, logo percebeu que não era com ele que ela falava, mas com seu pai, o pai dela:

- O senhor é um incompetente! Um fracassado! Ninguém entende nada do que você fala. Você é um ditador. Ninguém aqui aguenta mais você! O melhor que você faz é sumir, pegue suas coisas e vá embora!

Eduardo não entrou em confrontação, não entrou na defensiva. Quando achou espaço, simplesmente pediu desculpas e disse que estava profundamente entristecido com a situação das coisas:

- Se eu puder fazer algo para reverter as coisas, esteja certa que farei…

Kátia saiu furiosa, cuspindo marimbondos. Tudo que desejava é que aquelas palavras tivessem saído dos lábios de seu pai, e não das do seu professor.

***

Quando Márcia viu da janela de sua casa o menino gritando lá de baixo, da calçada, ela logo percebeu que o problema não era com ela, mas com a sua mãe, a mãe do menino:

- A senhora é uma vaca! Ou você me devolve agora minha bola ou eu chamo a polícia. Quem você pensa que é para roubar os brinquedos da gente?

- Já te falei que sua bola não caiu aqui, meu filho, mas vou olhar mais uma vez. Se eu não achar eu te dou uma nova de presente.

Quando ela chegou ao portão, o menino já havia ido embora, chorando de ódio por ter que ir para casa e se reencontrar com a mãe.

***

Carlos não reagiu, pois ao perceber o tremor nos lábios e mãos de Felipão, sabia que o moleque não falava com ele, mas com Deus.

- Você pensa que é o dono de tudo, não é? Seu filho da puta! Só porque você tem grana, e usa roupinha nova e anda perfumado? Hoje você vai ver que seu poder é de merda. Você vive em seu condomínio fechado e nem se quer olha para gente aqui debaixo… Agora você vai ver quem é que manda nessa porra aqui.

Carlos viu que Felipão iria puxar o gatilho. No último segundo que lhe restou, olhou  ainda bem nos olhos de Felipão e sussurrou uma prece: “Meu Deus, perdoa esse cara que não sabe o que faz”.

Depois, já caído, a última coisa que sentiu foi o sangue lhe encharcar a camisa.

domingo, 9 de outubro de 2011

Alemanha “pós-cristã”

Como se sabe a sociedade “pós-cristã” alemã é governada pela coalizão do CDU-CSU (União Democrática Cristã, e União Social Cristã) com o Partido Democrático Livre.

A atual Chanceler alemã, Angela Merkel (que como também se sabe é filha de um pastor luterano) e sua então ministra da família Ursula Gertrud von der Leyen introduziram desde 2007 uma licença para os pais.

Graças a esta política minha esposa pode ficar em casa desde o nascimento de nossa segunda filha, Marie, recebendo parte de seu salário.

Agora sou eu quem serei agraciado com a licença e o seguro paternidade. Terei o direito de ficar dois meses em casa. Tempo útil para passar com minhas filhas e ajudar minha esposa. Além de aproveitar para recarregar as baterias, já arriadas com os acontecimentos dos últimos turbulentos anos.

Com mais tempo, obviamente voltarei para deitar aqui as minhas costumeiras e não pouco polêmicas inquietações. Quem sabe algumas delas relacionadas a esta terra e sua forma peculiar de viver a fé cristã…

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Travessia infernal

Era noite de lua minguante. O barulho do vento era aterrorizante.

Lá fora o cachorro, fiel guardião da casa, latia incessantemente. Possivelmente um assaltante… ou coisa pior.

Agora, silêncio. O obstáculo, cachorro, certamente já havia sido eliminado. Bolinha, carne com veneno, ou simplesmente um tiro com silenciador, ou coisa pior.

Uma ação rápida fazia-se necessária, frente ao perigo iminente. Toda cautela era pouca.

Prendeu o fôlego. Sorrateiramente ela se descobriu e levantou-se num silêncio titânico. Achegou-se até a porta do aposento, onde tentava horas afim, sem sucesso algum, voltar ao sono. O vento sacudia a velha janela de madeira, que era protegida por uma grade de aço. Ali ladrão ou bicho não entraria, mas a porta da copa oferecia resistência nula. Bastaria um pé-de-cabra e, pronto, o pandemônio estaria feito.

Ficou observando o trinco da porta, talvez ele se moveria. O grito já estava engatilhado na garganta.

Tentou decifrar as sombras que variavam em formas, cada uma mais macabra do que a outra, nos vidros da janela da copa – que também era fortemente protegida por uma grade de aço. Os casos de arrombamento, morte e assassinato no bairro e redondezas não eram escassos.

Agora o cachorro voltara a latir, e mais estridentemente.

Não restava muito tempo.

Numa rápida e corajosa corrida atravessou a copa e chegou até a porta da sala, que era mais escura que a copa. Se o marginal, ou seja lá qual criatura fosse, já tivesse adentrado a casa estaria agora debaixo do sofá. Ou escondido em algum canto ali.

O coração disparou a mil. Voltar para o quarto era impensável e impossível. Tarde demais: a morte seria melhor do que ter que regressar novamente pela copa. Num ímpeto louco, e tirando forças que só Deus sabe de onde, avançou pela longa sala.

Deparou-se então frente à porta do outro aposento. Restava-lhe, agora, a última gota de coragem. Firmou o punho, fechou os olhos e bateu à porta:

- Quem é? Perguntou uma voz sonolenta.

- Sou eu. [Pausa silenciosa…] Não consigo dormir…

- Entra, meu bem.

A respiração e batimentos cardíacos já voltara ao normal. Aconchegou-se então instantaneamente ali, bem no meizim.

Agora, segurando o polegar do papai e sendo acariciado pela mamãe, aquela brava criancinha iria voltar ao seu doce sono, para em poucos minutos ser levada novamente para sua caminha.

Enquanto isso, lá fora, o cachorro percorria heroicamente o quintal, e policiava os gatos da vizinhança.

sábado, 27 de agosto de 2011

Sobre a soberania e missões

Há 13 anos deixei o Brasil para ser missionário em uma Europa, dita, pós-cristã. Hoje meus conceitos mudaram: Missão? Pós-cristã? Islã? Igreja?

Sim, estou convicto, são crises pertinentes ao modelo messiânico, empreendedor e proselitista que abraçamos no passado. Não estou só nesta minha angústia.

Para o velho modelo só encontro saída (ou demanda) lógica, frente ao imigrante islâmico. Mas não seria só uma perpetuação do modelo, além de ser uma dura pedreira?

A alternativa apontada pelo sábio é a promoção da vida para além do modelo catequético, que viu num Centurião homem de enorme fé. Seria então esse nosso desafio no diálogo interreligioso?

Os ares brasileiros se diferem radicalmente dos ares europeus: No Brasil o turnover religioso é enorme, por isso a dinâmica da fé tende a ser mais aquecida, contudo mais efêmera. Na Alemanha a euforia é menor, a fé torna-se inerte, estática, porém mais sólida e substancial. Em uma outra ocasião gostaria de exemplificar isso.

Basta agora lembrar que a fé baseada no determinismo nos faz crer que Deus para tudo tem um plano hermético e detalhado. Toda boa surpresa deste divino destino parece corresponder a uma providência divina, afinal Deus é o o Jeová Jiré, o Deus da provisão.

Todo esse edifício teológico se desmorona entretanto quando as surpresas são desagradáveis. Jó, que viu seus filhos sucumbindo em uma catástrofe, não anda de mãos dadas com Abraão, que teve seu filho restituído das cinzas.

Europeus, acostumados a guerras e catástrofes, onde a fé e a cruz, desde os primórdios andaram abraçadas com a espada, não se iludem mais com um Deus soberano aos moldes gregos. Eles se sabem donos de seu próprio destino. Essa é certamente uma das razões porque o modelo ufanista Americano nunca achou solo fértil no velho continente. E nem achará.

Mais uma vez o sábio destaca que é preciso notar que a inércia religiosa europeia não é fruto da teologia que adotou mas dos movimentos sociais que a promove – materialismo. Portanto, no projeto protestante que autonomiza os indivíduos também existem perigos. E um dos perigos vem do consumismo materialista.

Sei que os desafios missionários na Europa são muitos. Não estão nem longe de serem transpostos. Agora faz-se necessário, porém, detectar quais variáveis que podem contribuir ou obstruir a expansão do Reino aqui.

Sei que Deus está no controle, mas sei mais ainda que Ele não nos trará de bandeja um modelo pronto, uma receita de bolo. A Bíblia não revelará nada de novo sobre o assunto. Em sua santa soberania Ele, Jesus, nos convida a desenvolvermos o novo juntos: o modelo do momento. Um modelo que é eficaz, mas frágil. Que é efetivo, mas passageiro. Que não é uma fórmula mágica, infalível e eterna, mas que seja Vida e a vida em si mesma.

Evidentemente a peteca está em suas mãos; ou, terrivelmente, nas minhas…

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Estranho e misterioso sentimento

PaiEstava eu fazendo o trajeto costumeiro casa-trabalho, em minha velha bicicleta, quando me vi forçado a parar e sentar-me na calçada.

É que há poucos dias, ao ler sobre o falecimento do ex-vice presidente José de Alencar, um estranho sentimento me incomodou deveras, e não sabia exatamente o que era.

Fui surpreendido com a morte do ilustre conterrâneo, pois ele mostrava-se vitorioso em sua longa luta contra o câncer. Mas o fato nem tanto assim me condoeu, visto que os laços afetivos que me ligavam àquele reconhecido cristão quase inexistiam.

Mas senti um nó na garganta seguido de um profundo e obscuro vazio, que não entendia. Então desviei os pensamentos e me agarrei a outro tema qualquer. E os dias se seguiram em sua marcha rotineira.

Mas ontem, no caminho para o trabalho, como que do nada, fui assaltado pela ideia que explicava meu assombro frente ao falecimento de José de Alencar: É que - não sei como explicar isso sem me sentir um pouco ridículo - por alguma ou outra razão, numa conversa e outra com meu falecido pai, surgia a figura de Alencar. (Meu pai havia também há alguns anos lutado contra um câncer e vencido).

Pois é, de repente ficou claro o sentimento que me incomodava e não conseguia decifrar, um desejo natimorto de ligar para o Brasil. Uma vontade louca de pegar o telefone e papear com meu velho. Lamentar a morte do político mineiro, aproveitar para falar um pouco de política, futebol e religião. Contar do trabalho, contar das minhas filhas, da Tânia, e ouvir suas histórias… sobre sua saúde, sobre suas doenças. Ouvir sua voz…

Encostei a bicicleta, sentei-me ali, e as lágrimas foram pingando silenciosamente uma por uma na poeira do caminho.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Assim sem avisar

RogerInglat1Ah amigo
meu doce e bom amigo
sem fazer as malas partiu

Não faça isso assim
fugir sem avisar
sem deixar um adeus
sem dar um abraço

Porventura estava descontente
com esse seu filho negligente
aplicaste tua última disciplina

pagou na mesma moeda
subiu sua colina
tomou seu caminho
e bem sozinho
sumiu
 

Ah a vida
essa traiçoeira inimiga
que nos rouba bons amigos
que abre feridas
zomba da nossa dor
com uma navalha e um corte
ri da nossa sorte
cala uma velha amizade
com a sutileza da morte

Ah meu velho amigo
por que tudo tão de repente
só quis seu último beijo
um último olhar
um último sorriso
que eu sei você me deu
também um dia sem avisar
e eu por não sabê-los últimos
perdi-os todos

lá longe
em algum tempo
em algum lugar

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Naquela mesa ele contava histórias

Naquela mesa ele sentava sempre
E me dizia sempre o que é viver melhor
Naquela mesa ele contava histórias
Que hoje na memória eu guardo e sei de cor
Naquela mesa ele juntava gente
E contava contente o que fez de manhã
E nos seus olhos era tanto brilho
Que mais que seu filho
Eu fiquei seu fã
Eu não sabia que doía tanto
Uma mesa num canto, uma casa e um jardim
Se eu soubesse o quanto dói a vida
Essa dor tão doída, não doía assim
Agora resta uma mesa na sala
E hoje ninguém mais fala do seu bandolim
Naquela mesa ta faltando ele
E a saudade dele ta doendo em mim
Naquela mesa ta faltando ele
E a saudade dele ta doendo em mim

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

São Martinho

Um dos santos mais populares da Europa e pouco lembrado no Brasil.

Protagonista de um famoso episódio com uma capa. Um dia um mendigo que tiritava de frio pediu-lhe esmola e, como não tinha, o cavalariano cortou seu próprio manto com a espada, dando metade ao pedinte. Durante a noite o próprio Jesus lhe apareceu em sonho, usando o pedaço da capa que dera ao mendigo e agradeceu a Martinho por tê-lo aquecido no frio. Dessa noite em diante, ele decidiu que deixaria as fileiras militares para dedicar-se à religião.

Desse episódio, da capa de Santo Martinho também deriva o nome capela.

Martinho exerceu o bispado por vinte e cinco anos e, aos oitenta e um, estava na cidade de Candes, quando morreu no dia 08 de novembro de 397. Sua festa é comemorada no dia 11, data em que foi sepultado na cidade de Tours.

Venerado como Santo Martinho de Tours ele se tornou o primeiro Santo não mártir a receber culto oficial da Igreja.

canção para martinho (dica de Tuco Egg)

icon for podpress  martinho [3:06m]: Hide Player | Play in Popup

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Cristãos [mal] perseguidos

Existiram épocas ou existem locais onde ser cristão significou ou significa risco de vida. No início do milênio passado a igreja foi perseguida por judeus religiosos e depois pelo próprio império.

A raiz da perseguição estava no simples fato de se proclamar um Deus, diferente do “Deus oficial” ou um Senhor, diferente do senhorio do Imperador.

Com o passar dos séculos a perseguição passou a ser exercida pela própria igreja e tinha como alvo “os hereges”, aqueles que proclamavam doutrinas diferentes da oficial. Também eram perseguidos os que não confessavam a fé cristã, como no caso dos judeus.

Mais na história ressente na época da cortina de ferro, nos regimes totalitários comunistas ateístas eram perseguidos os cristãos que procuravam converter outras pessoas ou proclamavam a sua fé. E assim é hoje de certa forma na China e em certos países mulçumanos. Os cristãos podem exercer sua fé lá, mas não podem “converter” outros. E aí de quem se converter!

No Brasil, é verdade, a igreja católica não recebeu de bom grado os primeiros pregadores protestantes. E sabemos que muita discriminação houve (a bem da verdade de ambos os lados) e também ações agressivas.

Mas pelo jeito, a maioria parece concordar (veja e participe Enquete ao lado), a situação hoje no Brasil é bem diferente disso tudo.

Todavia o texto bíblico afirma categoricamente:

E também todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições.

Já que no Brasil os cristãos aparentemente não sofrem perseguição [e que Deus conserve assim] surge-me três hipóteses em face do texto supracitado.

  1. Será que eles não vivem piamente em Cristo?
  2. Será que todo e qualquer desafeto e revés (aos quais todos estão sujeitos e padecem) é uma espécie de perseguição?

Já ouvi falar de casos de pessoas que abusaram do seu direito de expressão provocando e atacando homossexuais, não colocaram os filhos na escola, e tiveram que sair fugido do Brasil alegando perseguição do governo e coisa do gênero. Não conheço o caso a fundo. Mas me parece que existem situações onde nós, por culpa própria, sofremos penalidades seja formais ou informais de autoridades ou não, seja no trabalho, escola ou família, e nos queixamos então que estamos sendo perseguidos. A coisa toda pode ser espiritualizada e alega-se uma perseguição orquestrada pelas forças do mal. Uma espécie de paranoia, psicose espiritual. Então surge a terceira hipótese:

     3. Será que por querermos interpretar a Bíblia ao pé da letra, não acabamos por distorcer a realidade?

Mas não seria a realidade factual que deveria moldar nossa interpretação do texto bíblico? Eu sei o texto bíblico deve também nos auxiliar a interpretar a realidade, que nem sempre é tão objetiva assim, mas não ao ponto de nos tornar alienados.

Se Jesus é mesmo A verdade como, Ele mesmo afirmou, acho que não precisamos, e até não se deve, violentarmos a realidade para “fazer valer” nossa ortodoxia. Salvo engano, seria mais honesto e até mesmo mais santo admitir que a Bíblia em determinados casos não condiz com a verdade, que ela é contraditória ou paradoxal - como queira.

domingo, 8 de agosto de 2010

Dia dos pais – minha homenagem à graça de Chatib

Um coração de Jenin - Em 5 de Novembor de 2005, um menino palestino de 12 anos Ahmed Chatib foi morto por soldados Israelitas no campo de refugiados de Jenin. A despeito de toda dor o pai Ismail decidiu doar os órgãos de seu filho. Hoje, quatro crianças de diferentes cantos de diferentes classes de Israel estão vivas graças ao corajoso ato da família de Chatib, um ato que mostra-nos que um gesto humano de paz é mais forte que mil balas.

- Humildade não é uma coisa que se ganha, mas um conjunto de coisas que se perde -

terça-feira, 13 de julho de 2010

Mentirinhas evangelicais

  1. Por que quando nos convertemos Deus não nos leva direto para o céu? Porque Ele nos deixa (a igreja) aqui no mundo para evangelizarmos! Ou seja, o objetivo da vida é sermos testemunhas e pregar o evangelho. Se não fosse isso, seria melhor sermos arrebatados.
  2. Por que quando nos convertemos Deus não nos leva direto para o céu? Porque estamos num processo de aperfeiçoamento, crescimento espiritual, quando esse processo se finalizar seremos tomados para Deus. Aqui o objetivo, distinto do acima, seria nossa própria salvação, estamos aqui pois Deus ainda não pode nos arrebatar sem que o processo esteja finalizado.

Essas são duas respostas pragmáticas, belas, convincentes porém igualmente falsas e sem base bíblica que os cristãos evangelicais (direi evangelicais pois há tempo que me distanciei da vertente católica para saber se eles por ventura advogariam também essa visão) inventaram sobre a pergunta do sentido da vida.

Não entendo que somos USADOS por Deus, nesse sentido pragmático e quase impessoal. “Deus nos deixa aqui para nos usar no evangelismo”… como se fôssemos um simples objeto. Estou convicto que Deus nos deixa aqui, porque antes de nos querer mortos (ou em algum céu com Ele), Ele nos quer vivos, desfrutando da vida aqui, com Ele.

O problema de pensarmos na vida como um processo de aperfeiçoamento, como uma espécie de carma, é a conclusão lógica que ela acarreta: quem morre cedo, terminou o processo, e os trouxas que alcançam vida longa, são os que ficaram na recuperação. Não tem lógica!

Claro que devemos buscar nossa santificação, e algum tipo de melhora em nosso caráter, mas não é por isso que estamos aqui. Deus nos ama com nossas falhas e elas não nos impediriam de desfrutar de uma eternidade no paraíso. Prefiro pensar que Deus nos quer vivos aqui, e assim podemos exercitar nossas virtudes, as quais tornam a vida mais interessante e palatável.

Não vivamos para evangelizar! Não vivamos para nossa santificação! Vivamos pelo sabor da vida!

Deveria ser plenamente claro que a vida não tem sentido, pois o sentido da vida, em todos os sentidos, é ela mesma.Viver pode ser um meio para muitas coisas, mas nunca se pode esquecer que a grande finalidade é perpetuação da vida, a vida eterna.

Entendo que evangelizar e santificar-se podem contribuir, e muito, para uma vida mais plena. Mas há muitos outros fatores em jogo.

Pensemos em Jesus dizendo ser Ele mesmo a Vida. Quem foca seu objetivo de vida em “adorar a Deus” deveria traduzir isso simplesmente em “adorar a Vida”, pois Deus, Jesus, é a vida.