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sábado, 21 de janeiro de 2012

Clube da Capa Encardida

  

Anno MMLII

O Clube da Capa Encardida, conhecido também como Movimento da Capa Envelhecida, foi um movimento originado principalmente, mas não exclusivamente, na igreja evangélica brasileira, do final do milênio passado e início do atual.

O movimento foi obtendo dinâmica especial, e descentralizada, com a interação oferecida pela então recém chegada internet e suas redes de relacionamentos, com Blogs e mini-blogs.  Hoje, há mais de quinhentos anos de distância e, principalmente, devido ao seu caráter predominantemente anárquico, é difícil rastrear quais seriam os principais expoentes daquele movimento cristão brasileiro.

Uma lista fatalmente injusta e totalmente incompleta é aqui proposta: Tuco Egg, Rondinelly, Alysson Amorim, Volney Falstini, Ricardo Q. Gouvêa, Elienai Cabral Jr., Paulo Brabo, Rubinho Osório, Lou Mello, Ricardo Gondim, Nelson Costa e Roger Brand dentre tantos outros.

Servindo de orientação para uma linha de ideias relativamente novas e revolucionárias para a sua época, seus autores advogavam justamente a tese de que não havia nenhuma linha nova de ideias e que, eles mesmos, não eram orientadores de nada.

Os representantes daquela corrente de opinião insistiam em bater na tecla de que havia algo de errado com o cristianismo vivido no final do milênio passado (uma era de transição entre a modernidade e a pós-modernidade). As lógicas internas do paradigma evangelical brasileiro, da primeira década deste milênio, sopravam ventos institucionais muito rígidos, pois estavam amarradas aos ditames do sistema capitalista norte americano com seu consumismo maluco e a teologia (ideologia) que brotava deste solo competitivo, coorporativo e triunfalista.

O movimento em si não foi um movimento cismático mas de abandono. Abandono de lógicas e dogmas aprisionadores, em prol de uma liberdade mais individual (ou monástica), mas nem por isso, menos coletiva.

A teologia adotada de contornos mais literário e narrativo veio primeiramente complementando, depois embarcando e por fim suplantando a racionalidade do modernismo.

O abandono até mesmo, por muitos, da instituição “igreja” (como era então compreendida) não significou contudo o desleixo com tradições (a por G.K. Cherteston dita: voz democrática das gerações passadas), mas sim, a troca dos confortos da igreja formal e suas tradições (meramente de homens) pelo terreno não-mapeado do cristianismo secular.

O nome “Capa Encardida”, comumente interpretado de forma pejorativa e depreciativa pelos opositores do Movimento,  derivou da (arte gráfica e) cor da capa dos livros de alguns dos principais de seus autores.

“Heresias novas são na verdade tradições muito antigas” - Pablo Brabo

encardido - [Part. de encardir.] - Adjetivo.
1. Que se encardiu; que adquiriu cor acinzentada ou amarelada pela velhice:
papel encardido.
2. Bras. Carregado, ameaçador:
3. Bras. Diz-se de coisa sobre a qual é difícil opinar.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Por que nem sempre é melhor ser feliz do que ter razão

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Já tive diferenças com pessoas pela internet, normalmente em comentários de Blog, geralmente discutindo algo ligado à teologia.

Não me conformo com as explicações simplistas para a causa de tais conflitos. Não creio que seja simplesmente "má fé" de um ou outro lado - como sempre deixa-se transparecer. Também discordo da afirmação de que seja só orgulho nosso... ainda que eu saiba que o orgulho nos acompanha, a nós todos, nesse exercício de blogar e discutir a fé.

As divisões não são por diferenças teológicas, mas por orgulho – Vaughan Roberts

Sei que religião é uma das três paixões que, juntamente com futebol e política, não se deve discutir. E isso já se explica bastante o porque dessas diferenças. Mas havia um outro elemento que me incomodava nessas discussões. Já discuti futebol e política com várias pessoas e sempre consegui me divertir apesar das irritações.

A predisposição negativa com a qual embarcamos nessas discussões é um elemento que me veio a tona essa semana. Tornou-se claro para mim, de fato, quando entramos com nossos preconceitos é muito difícil levar a coisa para o lado bom. Estamos predispostos a ler o que bem quisermos e denegrir a opinião alheia. Admito, também sou assim.

De grosso modo, a arena teológica brasileira atual está bem dividida entre liberalismo e fundamentalismo. Procuramos de antemão enquadrar o interlocutor em uma ou outra banda e, pronto, tempera-se tudo o que for dito. Basta uma simples provocaçãozinha para o caldo entornar.

Em minha última investida. Percebi que o pessoal fundamentalista está jogando a toalha quanto ao racionalismo e chegando à conclusão que “não sabem” tudo, que há limites para a lógica e assumindo a possibilidade do mistério. Pois bem, entrei num site que discutia o assunto e joguei minha isca e esperei a turma morder.

O que fiz foi dizer que Francis Schaeffer não era chegado no mistério [o que poderia fazer dele um racionalista sem fé, ou não]. Todos sabemos que Schaeffer é um dos progenitores do fundamentalismo, e que a todo custo queria provar que o cristianismo não era incompatível com o estudo e a reflexão.

Minha intenção foi somente levantar a poeira… recebi pauladas de todo tipo:

“só posso lamentar [sobre isso]…, [você se] contradisse…, erro grosseiro de lógica…, você leu Schaeffer muito mal…, [venha com] menos mepareces…, [pare de] emitir opiniões sem a fundamentação adequada, ou mesmo flagrantemente contraditórias…

Recomendo fortemente que você comece a argumentar de modo decente…”

E depois de tanto baterem, ainda me acusam de me auto-colocar como vítima:

“Você não sabe conversar sem se colocar em posição de vítima da intolerância fundamentalista o tempo todo? Isso é muito desagradável. Cresça, meu caro!”

E os adjetivos prosseguiram até o ápice:

“confusão mental…”

Sim, uma vez que rotulamos nosso interlocutor, ou somos rotulados, tudo que se diz deporá contra si mesmo.

Tenho, porém, que frisar que essa rotulação será evidentemente mais dura, ou agressiva, pelo lado fundamentalista (ou conservador – como queiram). E isso pela simples razão de que o fundamentalismo odeia meio termos. Eles anseiam por um rótulo, por uma definição, por uma norma ou regra. Eles se sentem mal diante de algo nebuloso. Eles se contorcem e chiam diante de algo indefinido. E não os culpo ou acuso por isso, é uma mentalidade que pode até ter sua validade.

Creio que esse fator, justamente a dicotomia, o conflito, entre definição e indefinição, absoluto e relativo, é o elemento que causa o principal ruído das discussões que protagonizei e assisti na Blogsfera. Conservadores não trabalham com sínteses. Tudo será requerido na base da, ou é tese ou antítese.

Por isso, esses pseudo-diálogos serão como conversa entre duas  pessoas de línguas diferentes, um conversa em russo o outro em chinês; ou o diálogo entre dois sistemas operacionais distintos, um programa Linux tentando rodar no Windows.

  • Falamos cinza, eles querem preto ou branco (principalmente em se tratando de fé, moral, Deus, eles não aceitam tal incerteza)

  • Falamos “me parece”, eles querem fundamento

  • Falamos diversidade, eles perguntam por argumentos universais

  • Falamos flexibilidade, eles respondem rigidez

Tenho que denunciar também que, ao contrário daqueles com tendências liberais, os conservadores estão mais predispostos à caça às bruxas, pois há uma ortodoxia a ser defendida. O liberal quer obviamente defender seu liberalismo e pode também chegar ao belicismo, mas é, por razões óbvias, mais tolerante. Diria que o fundamentalista briga pelo conteúdo da discussão, o liberal pela forma da discussão. Um quer defender o ponto “soberania de Deus”, o outro quer defender as diversas formas de se entender “soberania de Deus”.

Apesar desse agravante “caça a Bruxas”, o que impede mesmo o diálogo – assim entendo – é a incompatibilidade de sistemas argumentativos. São duas frequências diferentes e não há sintonia e não há como ter. Aliás, o conservador tem na argumentação belicosa algo desejável, uma luta intelectual que, a seu ver, irá fortalecer os músculos de seu cérebro e enriquecer seu próprio arsenal lógico. Quanto mais se argumenta mais se refina e mais se separa o branco do preto. Apologética é tipicamente fundamentalista!

Eu particularmente não gosto disso. Me esforço por ver as diferenças de nuanças. Me alegro ao ver que a mistura de cores produz algo novo. Por isso o liberalismo (ainda que eu não me veja como um liberal) está à procura do diferente, para oferecer-lhe espaço.

Eu sei que minha interpretação é limitada e falha em alguns pontos. Mas é a “minha”.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Eu não sabia que doia tanto

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Acho que é uma estratégia ostensiva de algum deus desesperado, essa saudade espraiada.

Agora sei que não sou só eu...

Saí de casa há um ano, foi quando percebi que só um espectro saiu de casa. Eu mesmo fiquei lá, há anos atrás...

Desde que vi Árvore da Vida a minha dor de saudade tem sido amplificada.

Diferente da sua situação, meus pais e irmãos estão todos vivos;

é a distância que me separa deles, a distância temporal principalmente, dos meus 8 anos de idade:

brincando em casa,

chupando laranja do pé (as lágrimas estão me atrapalhando aqui, só pra constar...),

mainha me arrumando pra igreja,

pra praça,

saindo pra feira com painho,

escutando as histórias dos vizinhos velhos,

sabendo de alguma coisa, mas nunca sabendo saber,

com esse tédio que a consciência carrega ao colo...ai meu Deus como eu soube apenas nesses últimos tempos que a salvação não tem nada a ver com moral, que se Deus salva é pelo reencontro, é só pela possibilidade de eu me reencontrar ali, todo, pleno, com um instantezinho apenas de lucidez e mergulhado de novo no poço indefinido e livre de eu-pequeno...

Perdão o desabafo, mas ainda não consegui dizer isso a um amigo que estivesse por perto, eu tô dizendo a um amigo de longe, cujo ombro só conheço de letras, eu tô dizendo pra ver se meu coração descansa...

Será que onde quer que eu esteja, doravante, vou sempre me sentir exilado? Meu Deus, por que me abandonaste tão longe de mim?

 

Rondinelly e sua mania de superar o prório Post com seus comentários brilhantes

em Luto com o luto

[se o seu coração, amigo, descançou depois dessa, não sei… mas o meu deu uma boa e estranha estremecida]

domingo, 9 de outubro de 2011

Alemanha “pós-cristã”

Como se sabe a sociedade “pós-cristã” alemã é governada pela coalizão do CDU-CSU (União Democrática Cristã, e União Social Cristã) com o Partido Democrático Livre.

A atual Chanceler alemã, Angela Merkel (que como também se sabe é filha de um pastor luterano) e sua então ministra da família Ursula Gertrud von der Leyen introduziram desde 2007 uma licença para os pais.

Graças a esta política minha esposa pode ficar em casa desde o nascimento de nossa segunda filha, Marie, recebendo parte de seu salário.

Agora sou eu quem serei agraciado com a licença e o seguro paternidade. Terei o direito de ficar dois meses em casa. Tempo útil para passar com minhas filhas e ajudar minha esposa. Além de aproveitar para recarregar as baterias, já arriadas com os acontecimentos dos últimos turbulentos anos.

Com mais tempo, obviamente voltarei para deitar aqui as minhas costumeiras e não pouco polêmicas inquietações. Quem sabe algumas delas relacionadas a esta terra e sua forma peculiar de viver a fé cristã…

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Quem comigo não ajunta

Não sou nenhum corta-jaca*, como alguém já insinuou, não tenho razões nenhumas para isso. Nem precisava ficar aqui me explicando… Existe certa proximidade, certa afinidade de idéias. Fora isso estamos a quilômetros de distância. Nem nunca trocamos um aperto de mão ou olhar.

Alguns ataques pesados que o Ricardo recebe, dos que tive e tenho notícia, acabam contudo, de uma maneira ou de outra, me atingindo. Conto porque.

Mas antes sinto-me forçado a salientar que, na questão da Ultimato, sentiria a mesma indignação e revolta, ainda que o fato ocorresse com alguém com quem não tenho afinidade quase nenhuma, como Augusto Nicodemos - por exemplo. Suponhamos que a Mckenzie o dispensasse, da noite para o dia, alegando não concordar com algo que ele escreveu, sei lá, a favor do vinho, por justificar a presença de professores liberais, ou por ter se sentado à mesa com Sérgio Pavarini… não importa. Acharia, da mesma maneira, a decisão arbitrária e contra a liberdade de expressão. Veria, da mesma forma, a máquina institucional atropelando a individualidade, na pessoa de um indivíduo (para ser enfático).

Ou seja, a questão vai muito mais além do que um gosto ou afinidade pessoal, quando tomo meu tempo para opinar sobre essas perseguições e fogueiras (que agora são chamadas de “micro ondas”).

No caso do Caio Fábio, a história é longa e tentei explicá-la aqui: Caio Fábio - O fim de alguém que já foi alguém (pra mim). Mas a questão é a mesma, o Caio quer proclamar um Deus que controla tudo… um deus que para mim já não existe mais, e para isso desse o pau no que eu creio. Não, não meu amigo, assim não.

Todos aqueles ataques (e isso não é diferente desse último vindo de Tom Cavalcanti**) é que eles tocam primeiro em Gondim, claro, mas acabam mexendo com minha fé e naquilo que acredito. Eles ferem minhas crenças, minhas idéias. E não preciso ficar lendo ou ovindo isso calado (para isso que existe hoje Internet, Blog, Tweeter e essas coisas - Como disse meu irmão, antigamente você tinha uma boca e dois ouvidos, hoje você tem dois ouvidos e dez dedos).

Já escrevi alguma vez sobre isso, não se engane: Um debate sempre será pessoal e subjetivo! Não combatemos ideias, combatemos pessoas.

Quando penso nos três pontos gondinianos, e te convido a pensar com a gente, veremos que eles estão no cotidiano de nossa fé, de nossa prática:

  • Um Deus de liberdade e consequentemente amoroso, que não controla tudo; (já refletimos fartamente esse tema aqui)
  • Garantir ao próximo (seja ele gay ou não) o direito à liberdade (via estado) de serem donos de sua própria história e não serem discriminados por isso;
  • Não rotular a Europa tão rapidamente como pós-cristã, mas reconhecer ali um avanço dos valores do Reino que se mostram na cidadania.

Nesse terceiro ponto, que Flávio Cavalcanti** arremata seu texto, me incomodei. Aliás o texto todo é horrível! Até pensei em pegar parágrafo por parágrafo e mostrar, pela própria Bíblia, pelas próprias passagens citadas por ele, como Deus esteve em cada caso em diálogo com os homens e que nunca a coisa foi assim imposta, absoluta, de cima para baixo como Cavalcanti quer dar a entender… Mas como alguém comentou lá, (exegese rasteira, generalização boba). Desisti, não vale a pena. Mas quero tocar na questão da Europa.

Pois bem, escreveu ele:

Como diriam os caipiras mineiros: […] cristianismo triunfante é aquele que ninguém vai mais à igreja.

Primeiro: caipira mineiro é a avó! [Estou brincando.]

Esta questão de ir ou não à igreja é, em minha opinião, algo super importante a ser revisto pelas igrejas institucionalizadas. Hoje não vou mais à igreja, e não me sinto melhor nem pior do que ninguém.

Eu vivo na Europa (já morei um ano na Áustria, um na Inglaterra, Holanda e vivo há mais de 10 na Alemanha) e sei do que falo. Aliás vim para Europa com a finalidade de falar de Jesus para uma geração “pós-cristã”. Te digo, ouça bem: Isso não existe! O Lou e o Beto já me aconselharam sobre isso, escrever sobre as igrejas na Alemanha. Ainda farei isso, mas terei que separar a Igreja das instituições – tarefa nada fácil.

Queria ver o que seria dos espiritualistas brasileiros se os “humanistas” europeus parassem de enviar suas ofertas, ajudas humanitárias, staff e etc. Sem dúvida muitas igrejas, ONGs, escolas e hospitais fechariam as portas. Não quero aqui entrar no debate, colonialismo, imperialismo, teoria da dependência, e etc. Só quero chamar a atenção para que não pensemos que o cristianismo evangélico brasileiro seja melhor ou mais espiritual do que o atual cristianismo Europeu.

“Para alguns autores, a decadência do protestantismo na Europa não é, verdadeiramente, uma decadência, mas o cumprimento de seus objetivos: igrejas vazias e cidadãos cada vez mais cidadãos, mais preocupados com a questão dos direitos humanos, do bom trato da vida e do meio ambiente.” R. Gondim

Tem muito para ser dito sobre o assunto, até mesmo passando pela Renascença, pelo Iluminismo, pela a Revolução Francesa, talvez até pela própria Reforma Protestante. Precisaríamos voltar à colonização dos Estados Unidos e entendermos um pouco mais da fonte, do tipo de cristianimso evangelical, que bebemos hoje. Com menos frequência do que aqui n’A Teologia Livre’ faço isso com calma lá no Blog em que releio duas das obras de Francis Schaeffer.

Mas evidentemente existe também o gosto e a afinidade pessoal. Até mesmo porque, segundo cremos - e nisso o filósofo e blogueiro Paulo Brabo há de concordar comigo (ainda que ele me julgue um impertinente, que nega a raça e desça do muro se envolvendo em polarizações) – o evangelho é a crença, não em uma cartilha (ou catecismo), mas em uma Pessoa. E mais do que a confissão dessa crença é o relacionamento com essa Pessoa.

Ninguém melhor que Jó expressou o que esse relacionamento pessoal, essa amizade, deveria significar e até onde ele deva ir – mesmo não se tratando de nenhum desesperado e de nenhum apóstata, a citação fala alto. Mas temos visto o oposto. A história se repete, é de se lamentar.

“Um homem desesperado deve receber a compaixão de seus amigos, muito embora ele tenha abandonado o temor do Todo-poderoso. Mas os meus irmãos enganaram-me” - Jó

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*Se gostou aqui vai mais alguns adjetivos do Aurélio para bajulador: adulador, adulão, aduloso, babão, baba-ovo, banhista, cafofa, chaleira, chaleirista, cheira-cheira, chupa-caldo, corta-jaca, engrossador, enxuga-gelo, escova-botas, incensador, lambedor, lambe-botas, lambe-cu, lambe-esporas, lambeta, lambeteiro, louvaminheiro, puxa-saco ou puxa-sacos, sabujo, xeleléu, xereta

** Dizem que trocar o nome é pior do que matar o home

domingo, 22 de maio de 2011

Ultimato, Hereges e perseguidos no Brasil

Ultimato – Assim que virei crente passei a ler a Ultimato. Algo há cerca de uns 20 e poucos anos atrás. Com o tempo passei a respeitar o não bairrismo da revista. O chamado à unidade, embarcando até católicos, e isso a contra gosto de outros leitores. Achava a revista uma peça interessante para a reflexão da fé. Informativa, ousada, mas equilibrada (segundo meu ponto de vista). Achava…

Hereges – De certo tempo para cá, algo em torno de 2 ou 3 anos. Deixei de ser evangélico. (Se morasse no Brasil, hoje, seria católico, se é que quem não é nada no Brasil, é católico). Faço minhas reflexões aqui no Blog, leio a minha Bíblia, faço as minhas orações (não necessariamente nessa ordem) e vou de vez em quando à missa ou culto. E todos, que estão por aqui, sabem as pessoas da Blogesfera que respeito. Gente como Lou, Rubinho, Alysson, Beto, e etc. E claro, os escritores famosos P. Brabo e R. Gondim. A maioria de nós (deles) com um Q de herege.

Perseguidos no Brasil – Tem um tempo que coloquei uma “inquiete” aqui na Teologia Livre, para saber o que o pessoal achava sobre a perseguição de cristãos no Brasil. A maioria 56% mostrou-se convencida, como eu, de que no Brasil não há perseguição. Um quinto pensou, como eu, e disse que somente às vezes (em situações especiais) há perseguição. E uma pequena parcela, 5%, marcou, como eu, que frequentemente há perseguição ao cristão.

Sobre essa minoria que eu quero falar.

De fato o cristão é frequentemente perseguido. Desde que, diferente de mim, e da grande maioria de nós, seja frequentemente coerente com aquilo que crê e com aquilo que de mais elementar Jesus pregou: o amor ao próximo.

Um bom mau exemplo é a atitude da revista Ultimato, frente a seu antigo parceiro, Ricardo Gondim. Ultimato, não se sente mais confortável em ter alguém no seu corpo de colaboradores, que não seja contra o casamento homossexual, que não acredite que Deus esteja no controle (por trás) de toda tragédia e maldades humanas, e tacha de humanista quem vê na justiça social e cidadania um importante aspecto do cumprimento do evangelho.

Se a coisa ficasse só no desconforto, seria nobre. O problema é que para o conforto de uns, um é sacrificado. O que mais me "assusta" é a pressão interna: imagino os caras orando e chegando a essa belíssima resposta e orientação "divina": Afinal, qual herege foi jamais queimado sem antes uma cerimônia religiosa? Depois se reúnem e planejam ir a São Paulo lhe comunicar a coisa (graças a Deus não foi por E-mail ou telegrama).

Claro que esse tipo de perseguição velada não se compara com a da família que foi assassinada na Turquia, nem com os que foram sequestrados na Indonésia. Mas estas não diminuem os danos morais daquela. Quando é você quem está na pele, debaixo de fogo cruzado, e vê amigos dizendo que não te conhecem, que nunca te viram e praguejando, você sente o desconforto, a chateação e a dor moral disso tudo.

É triste.

Mas é isso que se deve esperar, se é que a Bíblia tinha razão, e eram os deuses, não astronautas, mas simples homens de pele e osso, carne e sangue, como você e eu.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Três pastores e um mico, ou: Reparando um erro comigo mesmo

“O destaque de Martin Luther King foi evidente na esfera político-social, mas no campo eclesiástico ele não se sobressaiu: nunca teve um pastorado produtivo de uma igreja; nunca trafegou na esfera teológica com pertinência; não deixou legado expositivo da Palavra de Deus.” (em King o homem e o Mito)

Imagem5Como todos devem saber, leio (ou agora posso dizer, lia) com certa frequência masoquista, o Blog supra linkado. Como já expliquei outras vezes, me justifico pela última vez agora:

  1. Meu ecletismo mineiro
  2. Minha herança católica que divido com o ex-presidente Lula, em achar que, mesmo entre visões opostas pode-se chegar a um denominador comum.
  3. Minha ingenuidade em pensar que no meio cristão, seja lá como se entenda esse termo, deveria haver tolerância, generosidade e cooperação.
  4. Achar que o total desprezo é pior do que uma singela crítica ácida.
  5. etc, etc, etc.

E assim passava naquele sítio vez por outra para conferir o que pensam os conservadores internautas desse Brasil de Deus.

Mas hoje cheguei no ponto final desse descaminho. E a citação acima selou a coisa toda. Foi a gota d'água.

Não li a postagem toda e sei que isso poderia (em condições normais de temperatura e pressão) ocorrer numa injustiça. Mas desse mal não morro.

Talvez por outras vozes, alguém outro, me faça entender como um cristão – filho de Deus - pode se destacar no campo político-social e ao mesmo tempo não no eclesiástico? (E estamos falando, minhas senhoras e meus senhores, de alguém da envergadura de um Luther King). Quais indicadores medem a eficiência de um viver cristão, dentro de uma igreja, senão os políticos sociais vistos fora dela?

  • Pastorado produtivo: um pastorado produtivo significa que no mínimo o indivíduo deve ser um multiplicador (daí, produtivo). Plantador de igrejas, igrejas que crescem, e vai por aí a fora. Nesse quesito, nosso Jesus [dos olhos azuis] receberia nota zero. Nunca plantou uma igreja e por consequência óbvia desse erro primário, nunca as pode ver crescer.
  • Trafegar na esfera teológica com pertinência: (ih! pobre de nós mineiros…) Acho que o Rabi de Nazaré também seria reprovado, ou no máximo receberia uma boa recuperação, por todas as heresias (ou impertinências, como queira) que ensinou e praticou, sendo a maior delas ter se metido, contraditoriamente, no campo politico-social. Se fosse mais esperto teria gastado seus dias escrevendo sobre a Torá.
  • Deixar legado expositivo sobre a Palavra de Deus: que provavelmente é a mesma coisa do item acima dita, porém, com outras palavras. O coitado de Jesus, que ficou contando parábolas, curando, fazendo milagres e passando as noites com um grupo de 12 homens suspeitos e outras dezenas de pecadores, poderia ter frequentado mais as sinagogas e quem sabe ter-se concentrado em um livro só. Talvez deveria ter-se detido sobre Miqueias, Oseias, Provérbios ou quiçá Cantares e ali exposto todo o sentido teórico filosófico dos mistérios divinos. Uau! Que legado não teria nos deixado!

E eu, tolo, que deveria ter escrito o que planejava (a groriosa menção de nosso nome na Bacia das Almas, ou sobre a incrível história das ideias circulares, ou um poema para meu falecido papai), fiquei aqui puto com o mico pagado por aqueles caras, que nem pastores são (a propósito nunca acredite 100% em tudo que eu escrevo aqui).

A partir de hoje não passo mais por lá. Não mais os molestarei (os autores daquele Blog) com meus comentários picantes.

Bom para eles, melhor para mim.

Erro de percurso reparado. Nova rota sendo calculada…

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

(Não) Gaste seu dinheiro com certas bobagens

Roger_e_família.JPG“Em casa estávamos, como eu ia dizendo, longe de sermos ricos, e a rígida filiação de meus pais à ética protestante impedia que caísse nas mãos de nós, filhos, qualquer dinheiro que pudéssemos gastar “com bobagem”. Na prática isso significava que nunca – jamais, senhoras e senhores – levávamos dinheiro para comprar lanche na escola; que nunca abrilhantávamos a fila do pátio com o mais novo modelo de tênis ou os cadernos da moda; e – no que me diz respeito muito mais sério – que não lembro ter experimentado uma única vez aqueles bem-aventurados pães-doces nos anos em que moramos naquela rua.

A centrada economia de meus pais, por outro lado, permitia que convivêssemos com engenhos com que o pessoal da rua nem sequer sonharia: TV em cores, telejogo, microscópio, máquina fotográfica Minolta, telescópio desmontável, um número obsceno e sempre crescente de enciclopédias e livros. Esse tipo de bobagem.”

Paulo Brabo

Um depoimento que, com uma ou outra correção, poderia ter sido escrito por mim ou qualquer um dos meus quatro irmãos.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Sobre comentários

Um comentário deve ser suficientemente provocativo para gerar uma discussão e ao mesmo tempo suficientemente elegante para não gerar uma discussão.

Quem saberá a dosagem certa?

Para se interpretar um comentário faz-se necessário a devida graça para aceitar críticas e a devida hombridade para não se aceitar críticas.

Quem saberá a dosagem certa?

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Argumentação sem mestre

Vença qualquer discussão!

Aqui vão as misteriosas dicas para você derrotar seus adversários em qualquer debate teológico.

Elas vêm na forma de um pequeno texto de onde você pode extrair os assim chamados argumentos killers (que estão em vermelho).

Memorize simplesmente a metade deles e você estará preparado para, em um âmbito evangélido piedoso, defender suas idéias, sejam elas quais forem, e derrotar idéias contrárias.

Peguemos um tema qualquer como exemplo:

"A importância de vencer debates teológicos".

O diabo não quer que você vença seus debates teológicos, portanto fará de tudo para que você não escute essas palavras.

Alguns tem dito que não é importante vencer uma discussão. Se essa idéia fosse levada até as últimas consequências teríamos que abrir mão de tudo que acreditamos ou pensamos ser verdade. Mas a ciência já provou que quem vence um debate é mais feliz. Por isso o que Deus mais quer para seus filhos é que eles sejam vitoriosos.

De fato no juízo final, quando você se apresentar perante Deus, Ele te fará somente uma pergunta: "Meu filho porque te envergonhaste de minha palavra e não usaste a espada que te dei?" A Bíblia diz "quem me confessar diante dos homens..."

Muitos acham que não é importante vencer uma discussão. Infelizmente esses estão sempre tentando entender as coisas de Deus com a razão humana. A heresia de menosprezar um debate certamente foi forjada no inferno.
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Não seja portanto mais um bocó, a partir de hoje vença todas as suas argumentações.

PS: Obviamente quanto mais você falar ou escrever menos chance dará aos seus adversários de reagir. Portanto, abuse das palavras!