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terça-feira, 30 de setembro de 2008

Salvação fora dos nossos quintais?...

Fiz um comentário acerca do vídeo postado pelo Roger – no qual Ricardo Gondim e Jo Mo Sung respondem à pergunta: “A salvação está restrita ao Cristianismo?” Eu disse que preferia a resposta do Caio Fábio.

Bem, separei dois textos nos quais ele trata do assunto. Contudo, há muitos outros textos dele tratando do tema no site. Basta ir em busca e digitar “fator melquizedeque”.

Espero que se deliciem, pois a leitura é bem gostosa.

Abraços fraternus a todos.

Qual o significado da Ordem de Melquizedeque?

Um clamor musical da Ordem de Melquizedeque

A Salvação só estaria no cristianismo?

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

A primeira vez em uma mesquita

image Visitei ontem uma mesquita. Minha primeira vez. Fui convidado por um conhecido mulçumano.

Observei que havia muito mais pessoas lá, do que no culto da igreja luterana que havia visitado pela manhã. O que não é para se estranhar. Aquela comunidade, que é composta por estrangeiros, como eu, funciona não somente como lugar de reunião religiosa, mas como local de encontro e comunhão de patrícios, no caso, turcos. Se compararmos a população de turcos que vive em Munique, na verdade, havia pouca gente lá.

Fiquei tentando desligar a tecla do preconceito e olhá-los como Deus os olha, pelas lentes do amor. Vi que eles têm uma devoção e disciplina invejável. Meu amigo me explicava que o ramadã que tem hoje seu último dia, é adiantado a cada ano em 10 dias. E quando é feito, então, no verão é muito difícil, principalmente por causa da sede, pois os dias são mais longos e conseqüentemene também o jejum de comida e bebida que vai até o por do sol.

Meu conhecido, não querendo me constranger, enfatizou que eu não precisaria participar do ritual de oração. Expliquei pra ele que fazia questão de participar: “Há um só Deus!” disse, e ele riu e completou, "eu sei". (Até onde sei Alá é o vocábulo árabe para Deus).

Já faz um bom tempo que planejava ir a uma mesquita e não sabia como, onde. O Yunus ficou feliz que eu logo atendi ao convite dele, e não cansava de me perguntar por que eu tinha tanto interesse. Não expliquei pra ele que vim como missionário para a Alemanha. Também não falei que enquanto orava pedia para Jesus se revelar a Eles. Também não falei que era por uma simples questão de consciência relativa à máxima de Jesus, fazei aos outros o que você quer que eles façam a você - como ficaria feliz se ele viesse um dia ao nosso culto (se bem que já está suficientemente difícil convencer a mim mesmo de “assisti-lo”). Então limitei-me a explicar que onde nasci, em BH, nunca vi uma mesquita e que depois dos 30 anos as novidades na vida são poucas, e que estava ali experimentando algo bem novo! Teria algo para contar para velhos companheiros. Também falei que através da mídia nos é passada uma imagem totalmente distorcida do que é o islã, e que muitos falam sem conhecimento de causa. E eu queria (como bom pesquisador que já fui) ver com meus próprios olhos.

imageClaro que a Mesquita que visitei não foi tão bonita como as das fotos. O que meu amigo ressaltou várias vezes. Só lhe assegurei que arquitetura é de fato bom, mas o que interessa mesmo são as pessoas dentro dentro dos prédios.

Foi uma experiência agradável. Eu e minha mulher já combinamos como a família de Yunus para estar nos encontrando mais vezes. E eu quero voltar à mesquita outras vezes. Afinal Deus continua buscando verdadeiros adoradores, que o adorem em Espírito e em verdade.

domingo, 28 de setembro de 2008

O evangelho é primeiramente para os pobres

image "En el Nuevo Testamento, y en la iglesia de los primeros siglos, aparece frecuentemente el tema de que el evangelio es primeramente para los pobres, y que los ricos tienen mayores dificultades en entenderlo o seguirlo. De hecho, la cuestión de cómo una persona rica podía ser salva preocupó a los cristianos de los primeros siglos. Pero ahora, a partir de Constantino, la riqueza y el boato empiezan a ser tomados por señal del favor divino."

Justo L. González em Historia del Cristianismo

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Sobre o proselitismo

Com certeza, o proselitismo é um mal insuperável entre os protestantes brasileiros hoje. Dizem que querem ganhar as pessoas para Jesus, mas, na verdade, querem fazê-las mudar de religião e se tornar membros de igrejas evangélicas.

Estudando sobre o mundo neotestamentário, a gente observa que o cristianismo recebeu uma série de influências filosófico-religiosas. Definitivamente, se queremos entender a cabeça daquelas pessoas que aparecem no Segundo Testamento da Bíblia cristã, seja como autores ou personagens, não podemos ignorar pelo menos duas influências principais, a saber, a filosofia e a religião gregas.

Atualmente, num tempo onde os chamados “evangélicos” pretendem caminhar contra a cultura no Brasil, é extremamente urgente voltar a ler o Novo Testamento, com lentes histórico-críticas. Afinal, somente assim, poderemos ver que o cristianismo, em sua gênese, não trucidou a cultura, mas apropriou-se dela para levar sua mensagem.

O proselitismo fere esse princípio, pois desconsidera por completo as experiências religiosas do outro. Aquilo que a outra pessoa viveu, e para ela ainda faz sentido, merece o nosso respeito e a nossa consideração. Olhando para a nossa situação atual, é possível notar que cada pessoa produz seu sistema de sentido diferente de outrem. É nessa realidade sócio-antropológica que o cristianismo se insere como um sistema de sentido que respeita as diferenças, absorvendo influências com as quais aprendemos sempre de maneira crítica.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Os conservadores, os liberais e os alienados

A propósito da enquete do blog, eu gostaria mesmo é de ter um espaço mínimo apenas para uma pequena consideração. Uma consideraçãozinha, na verdade! Mas não tem como (ninguém escreveu um texto sobre a enquete), e como eu quero falar... acho que tenho que escrever algo mais do que um minúsculo comentário e postar.

Conservadores ou liberais? Bem, acho que a maioria dos cristãos no Brasil não faz a menor idéia do que sejam esses dois termos. Basta você perguntar a eles mesmos. As respostas possivelmente serão as mais diversas, algo do tipo: “Eu sou conservador, lá na minha igreja não é permitido usar cabelo curto”; “Eu sou liberal, gosto de beber uma cervejinha nos finais de semana, ir numa balada; e também lá na minha igreja eu escolho a roupa que posso vestir e o corte do cabelo”.

Nem uma coisa nem outra revela nada a respeito de ser ou não conservador. Apenas revelaria algo a respeito dos costumes culturais adotados na comunidade da qual participam.

A maior parte dos cristãos brasileiros está nas igrejas neopentecostais, aquelas do tipo “vem e aqui e sua vida vai mudar, você vai prosperar”. E nesses lugares não interessa se você é conservador ou liberal, interessa mesmo é que você faça uma barganha com a divindade anunciada, que você se comprometa a participar de todas as campanhas, cruzadas, votos etc. Não é muito importante o que você acredita, mas sim o que você faz em relação à igreja (contribui ou não contribui? é dizimista? – isso é o que importa).

Acho que o diagnóstico é esse: no Brasil os conservadores e os liberais constituem minoria, e os alienados são a grande maioria. Ponto final!

Agora só não sei dizer se nesta minoria os conservadores são a maior parte ou contrário. Por isso mesmo vale a pena continuar a enquete...

Quanto a mim, tendo uma noção básica do que é um conversador e um liberal, não quero ser nem uma coisa nem outra; prefiro ser do Evangelho.

Miscellanea ou samba de uma nota (final) só?

aula O QUE SERÁ QUE AS PESSOAS PENSAM DE MIM? Será que vivo na Dependência da opnião alheia ou de seu afeto? Elogios não me elevam, críticas não me rebaixam... Sou o que sou e não o que acham! Será mesmo?

Não seria mera BANALIDADE tratarmos de tais questões? Mas e quando elas são vividas por um gay ou por uma adoslecente que se vê grávida e o aborto por uma razão ou por outra se mostra racional? O “princípio” da igualdade poderia muito bem sofrer abusos sofismáticos e ser mais uma "nomia" na estante das regras.

“Nomia” surge com a dificuldade humana de não saber conviver com a tensão entre forças transcendentes, externas e internas.

Existem poderosas pressões sociais (que se manifestam como pressões psicológicas dentro de nossas consciências) que nos fazem nos conformar com as visões e crenças de nossos próximos. Essa é precisamente a experiência de Cristãos vivendo numa cultura dominantemente secular.

Mas tal pressão pode perfeitamente ocorrer, e geralmente ocorre de forma mais intensa numa cultura sacralizada ou num Universo paralelo.

Por isso digo, bem aventurados os disciplinados, com força de vontade e responsáveis, porque nunca contrariarão ninguém. Mas para pessoas como Eu, o Indisciplinado, sobra muita censura e pancada.

Assim vou também Aproveitando a deixa... e também perguntar:

Até quando você vai ficar usando rédea, Rindo da própria tragédia? Até quando você vai ficando mudo? Muda que o medo é um modo de fazer censura, Até quando você vai levando porrada, porrada?

Screwtape: O demônio mentor * nos castiga nos lança sobre a armadilha para nos tornarmos quem somos. Mas quais lições estou aprendendo com meus fracassos, quem está me passando as regras do jogo, quem está dando a nota final, afinal de contas? Quem está corrigindo o meu dever de casa?

E se invertêssemos o sistema e o dever fosse dado em casa para ser resovido fora de casa: dever de fora de casa? Talvez a experiência de uma Educação familiar e tecnológica possa ser a saída para uma sociedade neurotizada consigo própria e alienada de suas instituições.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Screwtape: O demônio mentor *

“Morra! Antes de morrer, não há nenhuma chance de morrer depois.”

C. S. Lewis

A libertação plena começa abandonando o clamor da vontade própria, uma vez feito isso, a natureza humana encontrará restauração e satisfação em Deus.

Fronteiriço, cito o termo fronteiriço – sem conhecer a definição – porém, entendo, de forma leiga, tratar-se de uma área da psicologia que reza sobre um círculo da mente desequilibrada, uma espécie de transtorno psíquico, e a normalidade.

Quem é você? O que levaria uma pessoa ao descontrole? Podemos destacar vários sintomas evidenciados: falta de afetividade, falta de relacionamentos saudáveis e, conseqüentemente, falta de aceitação, crise nervosa, críticas, julgamento etc. Daí percebe-se, em algumas pessoas, esconderem-se sob a aparência saudável. Recorrem à dissimulação benevolente, como se não conseguissem penetrar nos motivos de sua conduta. ² Ou distúrbios internos não resolvidos, portanto, dominados pela supremacia do prazer individual reagem, às vezes, de forma agressiva. Na verdade, há um controle implícito. Uma amarra potencialmente perigosa. Suscetível a qualquer influência ou estímulo o qual pode ativar um comportamento nocivo.

Não obstante, indivíduos cujas ações beiram barbáries, tragédias familiares, mentes criminosas e o acúmulo de tensões nervosas que, mais tarde, explodem sob a forma selvagem. Simulacros andantes infiltrados. Um impostor. Ora, nas palavras de Brennan Manning:

“Os impostores se preocupam com a aceitação e a aprovação. Por causa da sufocante necessidade de agradar outros, não conseguem dizer não com a mesma confiança que dizem sim. Por isso fazem das pessoas, dos projetos e das causas uma extensão de si mesmos, motivados não pelo comprometimento pessoal, mas pelo medo de não atingir as expectativas dos outros. (…) O falso eu se vale de experiências externas para construir uma fonte pessoal de significado. A busca por dinheiro, poder, glamour, proezas sexuais, reconhecimento e status realça o mérito pessoal e cria a ilusão de sucesso. O impostor é o que faz.”.³

Estou ciente que o tema é amplo. Porém, sem negar a responsabilidade humana, quero apontar com muita prudência, outro aspecto. Nos tempos longínquos, antigos orientais, especificamente o Egito antigo, relatam fatos estranhos de possessão demoníaca. Além das condições psíquico-sociais, portanto, racionalmente possíveis.

De espaço a espaço, de tempos em tempos, de concessão a concessão a natureza humana , enfim, revela-se. Obscuridade! Nem sempre. Ora, a palavra diabo possui origem da raiz lançar. Ou seja, aquele que lança sobre a abertura para nos tornar quem somos. Aquele que desvia o caminho e tenta nos seduzir pelas estradas laterais da vida.

Nessa altura, não possuo resposta simples, mas diante das circunstâncias devemos perguntar quem é realmente o inimigo. Aonde está. Ou, talvez, perguntar quem é o mentor.

(1) Personagem título em Cartas do Diabo ao seu jovem aprendiz de C. S Lewis

(2) Nietzsche. Humano, Demasiado Humano.

(3) Brennan Manning, O impostor que vive em mim. Textus, p.39

O meu Deus

Se falo A Ele vem com B. Se digo B Ele fala A...

Choro e rasgo o peito por não aguentar mais minha miséria e corpoincapacidade. Ele sorri e diz que me ama e que sou muito precioso, não me deixa desanimar e diz que está comigo.

Dou pulos de alegria, estufo o peito e canto. Ele me olha meio ressabiado, pede para eu baixar a bola e manerar. Logo começa a passar a lista do dever do casa.

* O Volney é que está certo, melhor ficar em silêncio e deixar Ele iniciar a conversa.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Universo paralelo

“Um universo paralelo foi criado, um Mundo, onde não somente existem reuniões de reavivamento e cultos lotados, mas também canais de TV cristãos, rádios cristãos, universidades cristãs, editoras cristãs e diversões cristãs, e tudo isso possibilita aos crentes, ignorar a cultura de massa, exatamente como eles foram ignorados pela cultura de massa”  - Barack Obama em “A Ousadia da esperança”.

domingo, 21 de setembro de 2008

O amor, o livre arbítrio e a predestinação

O Clóvis do “5 Solas” postou um texto interessante sob o titulo “Agostinho e o livre-arbítrio”. Na verdada é um parágrafo e começa assim:

Confessamos que em todos os homens há um livre arbítrio, pois todos têm entendimento e razão naturais, inatos. Não no sentido de que sejam capazes de algo no que concerne a Deus, como, por exemplo, amar e temer a Deus de coração.”

E lá estava eu de novo confrontado com a questão razão e fé...

Que Deus é esse que não nos permite amá-lo por livre escolha?

Que pecado original é esse que é maior que o amor?

Se Deus não nos permite escolher amá-lo que é a melhor escolha da vida, então Ele não nos permite escolher nada. Pois o resto é café pequeno. Ou será que Ele nos força a amá-lo?

É verdade, o homem não pode nada por si só, sem Deus. Afinal viemos d’Ele. Somos criaturas e filhos seus. Poderíamos parar por aqui e pronto. Mas aí é que entra o tal do livre arbítrio.

Deus toma certa distância e nos deixa escolher por nós mesmos, Ele nos prova, Ele deixa-nos dar uma resposta ao seu primeiro passo de nos amar incondicionalmente. Ele também espera de nós o amor, que deve por definição ser incondicional, não é mesmo? Ainda que seja um amor imperfeito, pois só Deus é perfeito, mas um amor verdadeiro e sincero. E isso independe se já somos salvos ou não.

Poderíamos pensar que só os salvos tem a capacidade de amar a Deus. Mas será que Ele violenta o livre arbítrio de uns dando-lhes um novo coração capaz de amá-lo? Continuo descrente dessa ação tirana divina. Ou se ele faz isso por amor e graça, então que faça com todos! Não somente com uma minoria de escolhidos!

Perlen Gesamtbild 1Claro não iremos concluir aqui, hoje, esse debate de séculos! Mas o que entendo hoje foi o que conclui das parábolas da pérola e do tesouro:

Um achou por sorte, acaso ou destino (que chamaríamos de providência divina ou predestinação) o outro por determinação, escolha e convicção (que chamaríamos de livre arbítrio). Entre estes dois extremos e na interação dos dois exemplos nos encontramos todos nós que um dia achamos o Reino, o Rei e tudo que representam, e nos apaixonamos por ele.

Uns talvez pendam para o lado da predestinação (Deus colocou o tesouro no meu caminho), outros para a livre escolha (vi que a pérola era de valor e optei por ela). Talvez estas histórias representem não um momento, mas uma vida inteira, um conjunto de pequenas e grandes escolhas, um conjunto de providências divinas. Por isso às vezes é tão complicado estabelecermos nosso marco de conversão...

Mas uma coisa é certa, não importa se por livre arbítrio ou por predestinação, aquele que acha este bem de valor, seja a pérola ou o tesouro escondido passa pela cruz, entrega tudo que é e tem para obtê-lo por completo. Será que já chegamos a este ponto?

sábado, 20 de setembro de 2008

Garimpando o Fraternus (1)

Vamos devagá trazendo o fraternus pra cá. Depois eu posso apagá, tudo lá.

A revolução tem que continuÁ!

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Profetas, Jesus e a Revolução

Lá  no Blog das Very strog opnios tem um interessante texto sobre um debate entre o ilustre (pra mim) desconhecido Dr. Richard Horsley e Augustus Nicodemus, um dos autores do Blog e um dos líderes da faculdade McKenzie.

Segundo o autor do Blog, Horsley pode ser enquadrado de maneira geral "na linha social da Terceira Busca do Jesus Histórico e desenvolve seu trabalho principalmente a partir dos estudos sociológicos do mundo daquela época. Sua releitura dos Evangelhos a partir de referenciais sociais e de modelos de luta de classes entre oprimidos e opressores se assemelha em muito à hermenêutica da teologia da libertação.”

O título do Post é "Está Jesus Também entre os Profetas?". Não resisti em deixar um comentário provocativo. Quando digo que meu comentário é provocativo, entendam, por favor, no sentido de provocar as pessoas para reflexão e discussão e não a ira delas. Embora que, nesses debates apaixonados por ideais e crenças fique difícil, muitas vezes, separar uma coisa da outra. Talvez por isso meus comentários estavam sendo barrados, coisa que o autor do Blog me esclareceu e já estou tentando consertar...

Segue o meu texto:------------------------------------------------

Caro Augustus,
interessante esse Post seu. Gostei mais dos primeiros parágrafos (visto que tenho simpatia pelo socialismo). Mas, suas críticas são também importantes (não vou destacá-las aqui visto que a quase totalidade dos comentaristas se empenham nisso).
Porém deixo aqui apenas minhas ponderações, quase que costumeiras:
Sua afirmação,

"Jesus que via como sua missão principal não uma reforma social, mas uma de natureza espiritual, que buscava em primeiro lugar a reconciliação do homem pecador com Deus e o estabelecimento de uma nova comunidade, a sua igreja. O Reino pregado por Jesus era uma idéia primariamente religiosa-escatológica, com conotações sociais."
me leva aos seguintes questionamentos:

a) Até que ponto essas conotações sociais não correspondem diretamente a uma reforma social para o hoje e não somente para o porvir?
b) Reforma Espiritual e criação de uma nova comunidade não se desenvolveria paralelamente a ações nos campos psicológicos e sociais e até mesmo políticos, ou seja, a missão principal dependeria fortemente e não existiria sem as secundárias?
c) A confrontação, provocada pelos religiosos invejosos, entre Jesus e Roma (na pessoa dos governantes e soldados) não teria desempenhado um papel libertador tanto espiritual (sacrifício vicário) como social, mostrando que o poder está no amor, perdão, serviço, altruísmo e não na força, violência, burocracia e culto às personalidades e falsas divindades?
Minha conclusão é que, no ministério de Cristo, o espiritual e o social sempre andaram e andarão juntos. O que pra mim é algo lógico, uma vez que o primeiro mandamento é semelhante ao segundo e que nenhum homem é uma ilha. Em todos os sentidos Cristo foi, então, um verdadeiro profeta, mas muito mais que isso!

Saudações fraternas,
Roger
PS: Obrigado por voltar a considerar meus comentários.
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imagem: Ecce Homo ("Eis o homem"), pintura de Antonio Ciseri, representando a apresentação de Jesus Cristo por Pilatos à populaça de Jerusalém.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Que vergonha, meu Deus!

"Não me envergonho dos evangélicos, (perdão) quiz dizer, não me envergonho do evangelho."

O que o Caio fala é fato. E vale para todo tipo de ministério: livros (de ensino ou proféticos), material de evangelismo, pregações (CDs, fitas, DVDs), revistas, missões e obras de caridade e até “cultos” onde a sacolinha corre para que a máquina continue funcionando, novas filiais sejam abertas e etc. Ministério não é produto a ser vendido. O pior é que o próprio Caio já vendeu muito e de todo tipo de coisa...

Claro que as contas têm que ser pagas, mas os métodos são outros, completamente distintos dos de mercado. Quais então?

O conceito empresarial tem que ser desmantelado. Como? Primeiro, diminuir as próprias contas. Segundo, diminuir a arrecadação, parar com essa palhaçada antibíblica e anticristã de dízimo. Terceiro, acabar com essas ambições malucas de construir impérios e mini-agências eclesiásticas.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Boa religião precisa de boa ciência

0,6752,5451183-render-Y2-,00 O problema com o homo sapiens é que nós somos somente humanos. Pessoas e instituições cometem erros e os cristãos e as igrejas não são nenhuma exceção. Quando uma idéia grande e nova emerge com mudanças no modo como as pessoas vêem o mundo, é fácil sentir que todas as velhas idéias, todas as certezas, estão sob ataque e então batalha-se contra os novos insights. A igreja cometeu este tipo de erro com a astronomia de Galileu, e já percebeu sua falha. Algumas pessoas da igreja fizeram isso novamente nos idos de 1860 com a teoria de Charles Darwin sobre a seleção natural. Ora, é importante que se pense novamente sobre o impacto de Darwin no pensamento religioso, naquela época e agora – e o bicentenário do nascimento de Darwin em 1809 é uma boa oportunidade para fazer isso.
Escrito pelo Rev Dr Malcolm Brown, Diretor de Missão e Relações Públicas da Igreja Anglicana

leia o artigo completo em Inglês

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

O que estão fazendo com o nosso futuro?

Um exemplo do estado caótico de nossa sociedade

É difícil falar de moral nesse mundo sem ser taxado de moralista, ainda mais quando quem fala é um religioso. Tá bom, é verdade que tal preconceito tem seus fundamentos sólidos, afinal, o discurso dos religiosos é realmente moralista (que é diferente de discurso moral) e geralmente é hipócrita e insensível. Pregamos uma moralidade utópica que não praticamos, colocamos um fardo sobre os outros que nós não movemos com nem com um dedo. Além disso, quando um "crente" expõe sua moral, este geralmente o faz sobre bases metafísicas altamente especulativas, não que seja errado alguém orientar sua moralidade em torno de um príncipio absoluto sobrenatural, mas quando se trata da vida social e política, essa moralidade tem que ser traduzida em termos comuns a todos os cidadãos, ou seja, se somos contra a homossexualidade (que é diferente do homossexual) não podemos usar de nosso livro sagrado para fazer com que todos concordem conosco, antes devemos traduzir essa nossa crença em uma exposição racional e fundamentada para sustentar nossa posição.

É necessário sim falarmos de moral sem medo de sermos taxados de moralistas, um teólogo que evita falar de moral provavalmente é um alienado da situação em que o mundo se encontra. Me refiro à vivência no meio no qual a filosofia liberal é vista na prática. O convivio social entre os jovens é um exemplo, um exemplo prático que eu testemunho diariamente e que evita com que eu me seduza por toda essa ladainha que o liberalismo promete.

Mas onde eu quero chegar exatamente com toda essa enrolação é num fato que me chocou e indignou na semana passada ao zapear os canais de TV e parar naquilo que um dia até foi um canal interessante de se ver, a MTV. Se você quer testemunhar a situação em que a juventude atual se encontra, principalmente a norte-americana, basta um dia assistindo MTV, isso se você suportar tamanha futilidade.

Um programa especifíco que eu assisti na quinta-feira passada na MTV, foi A Shot At Love com Tila Tequila. Tila Tequila é uma modelo e cantora vietnamita de orientação bissexual - até ai nada que escandalize, afinal, se alguém ainda se escandaliza com bissexualismo está precisando se atualizar. O que me chocou foi o conteúdo do programa que até agora eu reluto em acreditar que o ser humano tenha chegado a tal ponto de imbecilidade. A Shot At Love é um reality-show onde a tal modelo decide entre 16 homens e 16 mulheres com quais ela vai "namorar "(namorar? preciso me atualizar!). As 32 pessoas ficam na casa da Tila Tequila (Tequila?) competindo em diversas provas ,das mais imbecis que se possa imaginar, para conquistar o "coração" da modelo. É aí que vemos o festival de idiotices, imbecilidades, futilidades etc e tal... Cada prova vale alguns momentos a sós com Tila, nos quais sobram sexualidade, "pegação" e sacanagem. Todos os 32 idiotas fazem coisas idiotas em nome do que eles chamam de amor (???). Somente no programa desta quinta-feira tive o desprazer de ver mulheres tatuando (isso, tatuagem definitiva) o nome da tal modelo no corpo como prova de amor (amor???). O outro em meio a juras de amor, prova seu sentimento andando descalço sobre cacos de vidro! É chocante testemunhar tamanha idiotice por um motivo ainda mais idiota! Mas que ráios fizeram com essa maltratada palavra "amor"? Isso foi apenas em menos de 1 hora de programa! Como não enxergar o futuro negro da nossa sociedade se é esse tipo de lixo que enfiam na cabeça dos adolescentes? As crianças hoje crescem sem o menor senso moral, sem o menor referencial moral, espiritual, de nada! Será que é muito falar que isso não passa de pura sacanagem? "Deus está morto" proferem os pensadores modernos, e é por isso que o mundo inteiro hoje fede, é o cheiro de um cadáver cósmico. Moralidade, por mais que os liberais não queiram assumir, sempre acompanhou a ascensão das grandes civilizações antigas e, da mesma forma, a imoralidade sempre acompanhou o declínio dessas mesmas civilizações.

A TV faz uma violenta apologética ao bissexualismo e qualquer um que ouse questionar os valores morais da nossa sociedade é taxado de moralista, problemático, recalcado - Freud se contorceria no túmulo se ouvisse o que fizeram com sua teoria. A supressão sexual, que é o controle consciente dos impulsos sexuais diferente do recalque (ou repressão), é necessária à nossa saúde física, emocional e espiritual e era exatamente esse o pensamento Freudiano. Pelos menos nós, cristãos, não deveríamos nos render à esses valores e idéias criados por uma sociedade cujo intento, pelo menos parece, é se auto-destruir.

Vale a pena ler esse trecho do livro Deus em Questão: C.S.Lewis e Freud debatem Deus, Sexo, Amor e o Sentido da Vida.

O impulso de oferecer flores

Flores Percebi desde minha adolescência que se um homem, que eu nunca vi na vida, de repente me oferecesse flores (ou no mínimo fosse gentil e puxasse conversa), isso não era impulse[*]!

A coisa estava clara na minha mente: ou o cara era gay ou crente. Naquela época, pelos idos dos anos 80, era difícil imaginar um crente gay, ou um gay crente. E evitava tanto estes como aqueles (por razões óbvias).

Mas como ambos sempre mostravam a mesma gentileza, quase que esbarrando na ingenuidade (características próprias dos sedutores profissionais), nutria certa compaixão com aqueles sujeitos. Independentes de suas intenções, eu sabia que eles tinham o mesmo problema, carência emocional e afetiva.

A solução para o gay era para mim, a mais fácil. Afinal não era nenhuma tarefa difícil convencer a grande maioria dos meus amigos de minha faixa etária, ou os mais velhos, das vantagens incomparavelmente superiores da atratividade nata do corpo de uma mulher. Então, mais cedo ou mais tarde o cara cairia na real. Como estava "convicto de minhas convicões" a conversa girava em torno de outros assuntos e qualquer que fosse a hipótese o meu amigo desconhecido era (para mim) um homem heterosexual como eu e deveria ser assim tratado.

Com o crente já era diferente... Não conhecia muito ou quase nada sobre os evangélicos - acho que esse termo ainda nem existia. Mas sabia que se um se aproximasse e puxasse assunto, a coisa mais cedo ou mais tarde terminaria numa pregação. O que não era necessariamente ruim, afinal de contas também era um cristão. E jogávamos no mesmo time. E justamente por causa dos meus amigos da mesma faixa etária, o ser cristão não era tarefa das mais fáceis para ninguém. Então tentava me solidarizar com o crente. Acho que nunca pensei que eles precisassem se converter ao “meu” catolicismo, simplesmente queria que eles entendessem que eu também não precisaria me converter ao “seu” ‘crentinismo’.

Mas um dia me converti. E lá estava eu, de repente, pela rua, pela escola, pelo trabalho, no ônibus oferecendo flores para gente que eu nunca tinha visto antes: para homens, para mulheres e também para gays.


[*] Esse era um tema da propaganda de um desodorante feminino

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Introdução ao Cânon do Novo Testamento


Essa é uma cópia de um texto que um amigo meu pediu para eu escrever sobre a questão da canonicidade do NT, e por ser pertinente ao blog eu aproveito e posto aqui. Fiquem livres para debater, já que eu não domino o assunto.

Certamente, uma das questões mais polêmicas e controversas quando falamos da fé cristã é a questão da formação do cânon neotestamentário. Apesar do fato de nenhum grande acadêmico do novo testamento, independente de sua (des)crença, acreditar ou corroborar as questões que o público leigo levanta, como aquelas levantadas pelo O Código Da Vinci, ainda assim paira uma nuvem de dúvida na cabeça de todos: Como se deu a formação do Cânon do Novo Testamento? Porque foram 4 os evangelhos aceitos e não mais (ou menos)? Porque Marcos, Mateus, Lucas e João e não Maria Madalena, Filipe ou Tomé?

Quando alguém, com aquele ar de triunfo na face, levanta tais questões eu gosto de fazer três perguntas:

1) Você já leu os Evangelhos?
2) Você já leu os Textos Apócrifos?
3) Porquê você acha que os Textos Apócrifos deveriam entrar no Cânon Neotestamentário?

A resposta dificilmente será positiva para as 2 primeiras questões e para a 3º no máximo será um incômodo silêncio. Isso por si só já é suficiente para revelar as bases fragéis sobre as quais repousam essas críticas e também revela que o motivo para rejeitar o Novo Testamento e a fé cristã tem suas origens mais na vida emocional do incrédulo leigo, ou seja, na sua rebeldia contra o Cristianismo, do que em formulações intelectuais.

A questão é que quando as pessoas levantam tais questões elas sequer sabem do que estão falando! Quem faz a afirmação é que detêm o ônus da prova mas, para essa questão faltam argumentos sólidos e sobram "achismos" e divagações infundadas.

Mas vamos assumir o ônus da prova e apresentar fatos.

O consenso no meio acadêmico é que os textos do Novo Testamento foram todos escritos entre 59 - 90 d.C. alguns ainda colocam o Evangelho de Marcos no ano 40 d.C., ou seja, apenas 7 anos após a morte de Cristo. Esse período de tempo é muito breve para que os textos se tornem vitimas de desenvolvimento legendário ou que os fatos históricos se deturpem a ponto de perderem sua valor histórico. Só como comparação, a biografia de Alexandre, O Grande foi escrita 300 anos após sua morte e justamente por esse longo espaçamento de tempo sua biografia apresenta um alto nível de desenvolvimento legendário. Mas com Cristo não, sua primeira biografia foi escrita entre 10 a 30 anós após a sua morte, em outras palavras, estamos falando de um documento de altissimo valor histórico por ser incrivelmente próximo dos fatos impossibilitando qualquer deturpação substancial.

É isso que faz com que os textos do Novo Testamento sejam historicamente confiaveis de modo que sua confiabilide não têm paralelos com nenhum outro texto antigo seja de Platão, Aristóteles, Homero, Flávio Josefo etc...

Mas e o Evangelho de Maria Madalena? Filipe? Tomé? Pedro? Todos eles datam de meados do século II, ou seja, de 150 d.C. em diante. Aproximadamente 120 anos após o fatos. Tardios demais para descreverem os fatos com precisão e relevância para o conhecimento histórico. Além do fato de que é impossível que os autores a quem se atribui a autoria de tais "evangelhos" ainda estivessem vivos. Quando o Cânon Neotestamentário foi decidido pela Igreja um dos principais critérios de canonicidade era a apostolicidade ou seja, ter sido escrito por um dos apóstolos (Mateus, João, Paulo...) ou por alguma pessoa próxima destes (Marcos, Lucas...) critério que nenhum texto apócrifo pôde resistir. Deveríamos inclui-los no cânon? Seria uma incrível besteira colocarmos textos tão historicamente pobres ao mesmo lado dos textos do Novo Testamento. Curiosamente, segundo os historiadores da era antiga, as lendas costumam se desenvolver a partir de 2 gerações (80 anos) após a ocorrência dos fatos, ou seja, exatamente o período em que começaram a surgir os textos apócrifos! Eles não passam de lendas. Mas não pára por ai, diferentemente dos Evangelhos Canônicos que apresentam inúmeras citações de locais geográficos, sacerdotes, pessoas importantes, detalhes que podem ser comprovados a partir do estudo da histórica antiga, os Textos Apócrifos são apenas coleções de idéias de mestres do gnosticismo do segundo século, não há nada que possa ser comparado com o que conhecemos da história antiga, nenhuma citação de local ou de alguma figura pública da época, nada. E, talvez o mais importante, diferente do que se imagina esses livros jamais foram aceitos pelos cristãos antigos como alguns acreditam, nem sequer por líderes eclesiásticos ou algum dos Pais da Igreja. Não temos citações desses livros nos escritos dos Pais da Igreja (90 - 180 d.C.) mas temos inúmeras citações dos textos canônicos, para ser mais preciso, praticamente 95% do NT é citado pelos Pais da Igreja. O Fragmento Muratório, que é um papiro datado de 180 d.C., é uma das primeiras tentativas de estabelecer o Cânon das Escrituras Neotestamentárias, nele encontramos 22 livros contidos no nosso NT atual, incluindo os 4 Evangelhos. É possível que algum outro texto seja citado mas pela deterioração do manuscrito não é possível saber, mas a grande questão é cadê os textos apócrifos? Não aparecem...

Para selar de vez a sepultura dos textos apócrifos aqui vai uma citação do Evangelho de Tomé:

"Simão Pedro disse a eles: 'Maria deveria deixar-nos, pois as mulheres não são dignas da vida'. Jesus disse: 'Eu a guiarei para fazer dela homem, de modo que também ela possa tornar-se espírito vivo semelhante a vocês homens. Pois toda mulher que se tornar homem entrará no reino do céu".

Em outras palavras, a menos que as mulheres se tornem homens elas terão como destino eterno o inferno.

Recapitulando, os textos do Novo Testamento têm um valor histórico muito maior do que qualquer texto apócrifo por serem mais próximos dos fatos, terem sido escritos por testemunhas oculares ou pessoas próximas a estas, apresentarem inúmeros dados que podem ser acessados através da história e desde sempre terem sido aceitos pelos cristãos primitivos. Já os textos apócrifos não resistem a nenhum desses critérios. Por que deveríamos atribuir historicidade à tais textos? Não resta motivo algum.

Caciquismo Evangélico

Não é novidade o fato de que durante muito tempo a vida política brasileira foi fortemente influenciada por coronéis e caudilhos. Também não é novidade que, embora este tipo de influência hoje seja menor, estas figuras manipuladoras de opinião acabaram por dar lugar ao que hoje chamamos de “caciques” políticos.

O caciquismo, assim como o coronelismo e o caudilhismo, remonta ao tempo do Brasil Imperial. No entanto, esta figura sofreu, de certa forma, uma espécie de evolução.

Hoje, o cacique se impõe em determinada comunidade, cidade ou região valendo-se das muitas artimanhas herdadas do coronelismo e do caudilhismo. Dos coronéis, herdou as formas de imposição de sua autoridade pelo medo aos seus subordinados, já dos caudilhos, herdou a jeito astucioso de dominar as massas pelo seu carisma e espírito de liderança autoritário (possui em seu discurso forte apelo emocional). Poderia mencionar vários nomes destes “caciques”, porém isto não se faz necessário, visto que, apresentando estas características básicas, fica fácil discerni-los na sociedade.

Entretanto, o que realmente quero tratar aqui não é a existência e características deste tipo de gente em nossa sociedade. Mas, sim, o fato de que, infelizmente, este traço cultural tem sido recepcionado por muitas denominações evangélicas. A ignorância cultural do povo e a herança da tradição sacerdotal católica, na qual o padre é uma grande figura dotada de poder dominador sobre a sua comunidade, têm favorecido o surgimento de poderosos “caciques” político-religiosos em meio evangélico.

Outro fator que tem corroborado para a existência deste tipo de fenômeno é o ávido interesse (por parte dos evangélicos) de participar da política e galgar posições, quando nela já estão inseridos. Na realidade, o interesse pelo poder político fomentou muitos líderes a assumissem características do “caciquismo”.

O que é dito aqui é comprovado pela forma de fazer política de muitas das denominações brasileiras. Suas práticas podem ser vistas claramente em época de eleições: afirmando que tal pessoa (geralmente um candidato oficial da denominação) será “luz” no congresso nacional, na camara dos deputados estaduais ou na câmara dos vereadores, algumas denominações têm encabrestado seus membros (votos). Há suspeita de, até mesmo, vendas de votos de seus membros para candidatos corruptos. Nestas igrejas, em tempos de eleição, é muito comum ouvir coisas do tipo:

“Vamos orar para que Deus eleja o Fulano!”

“Quem dentre os que aqui estão se comprometem com a candidatura de Cicrano?”

“Quem é do ‘corpo’ vota em quem é do ‘corpo!’ ”


"É preferível errar votando em irmão do que em ímpio!"


Estes são apenas alguns dos chavões existentes dentro destas denominações para encabrestar os membros/eleitores. São realizadas também várias pregações, nas quais se utiliza a vida de José, Daniel, Neemias, dentre vários outros personagens bíblicos, para fundamentar o ardente desejo da liderança da igreja de possuir influência política . E ai de quem se opor à visão da liderança da igreja; este torna-se imediatamente um rebelde.

Infelizmente, este tipo de coisa trás conseqüências drásticas à igreja, dentre várias, eis algumas:

-A falta de interesse por parte dos líderes de proporcionar o crescimento e amadurecimento integral dos membros: uma vez crescidos, maduros e com consciência cristã de seu papel na sociedade, estes se tornariam “problemáticos”, pois, certamente não se deixariam fazer parte de “currais” eleitorais.

-abandono do modelo bíblico quanto a forma de manifestar a igreja. O retorno ao modelo sacerdotal veterotestamentário de liderança: o líder se torna o canal exclusivo da mensagem divina (o porta-voz de Deus): sendo desta maneira mais fácil impor sua autoridade sobre a comunidade de crentes. Havendo, também, com isso, o impedimento do exercício do sacerdócio universal e dons dos crentes.

-adoecimento da igreja. Uma igreja na qual seus membros não exercem o sacerdócio universal (cada crente um ministro), na qual o evangelho não é pregado integralmente, onde os membros não exercitam seus dons é uma comunidade que caminha fragilmente dentro de uma sociedade tomada pelo pecado e que dificilmente se manterá saudável.

-abandono do modelo bíblico de liderança. Segundo o modelo bíblico neotestamentário, o líder não é aquele que subjuga o rebanho para se aproveitar dele, mas, sim, aquele que doa sua vida ao rebanho e o serve. Então, o modelo bíblico de liderança é o do líder-servo (1º Pe 5-2,3).

É imprescindível que levemos a sério esta questão. Talvez, nas comunidades das quais façamos parte esta não seja a realidade vigente, no entanto, se somos mesmo um só corpo, devemos nos importar e batalhar pela saúde da igreja. Podemos fazer isto orando, vivendo a igreja como ela é descrita na Bíblia, pregando e ensinando a fé que uma vez foi entregue aos santos!

Deus nos ajude!

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Como orar?

Certa vez, Jesus se encontrava num cantinho orando. Mal havia terminado, foi surpreendido com uma solicitação: “Senhor, ensina-nos a orar”. Esse pedido surgiu de uma ansiedade: querer ser igual aos outros. Sim! Os discípulos de João sabiam orar, mas aqueles/as que andavam com o Mestre ainda não. Ao abrir sua Bíblia no livro de Lc 11,1-4, você verá que oração não é imitação. Não há fórmulas sobre o que dizer e o que não dizer quando se fala com Deus.

Há pessoas que dizem que não sabem orar. Não há problema nisso. Elas não são diferentes de ninguém. Se quem andava com Jesus precisou aprender, quanto mais a gente! Não importa o tempo de igreja, todos somos e sempre seremos analfabetos em oração.

Só que as palavras do nosso Salvador não foram para resolver o sentimento ansioso no coração dos seus seguidores. Eles não estavam ali para competirem com os discípulos de João Batista. Pouco aprenderam, aliás, sobre o relacionamento entre os dois, Jesus e João, que era fruto da amizade entre suas mães, Maria e Isabel. Por isso, o Senhor vai retirar o foco de sua ansiedade e colocar seus olhos no Pai.

A partir daí, daquele que iguala todos nós à condição de filhos e filhas, aprendemos que nosso objetivo é glorificar o seu nome paterno, tendo esperança na chegada de seu reino. Seja qual for o nosso problema, nada pode nos impedir de esperar em Deus, de acreditar que o futuro está nas suas mãos. Dizer “venha o teu reino” é o mesmo que dizer “eu acredito num amanhã melhor”.

Então, Jesus mostra onde os olhos dos discípulos/as deveriam estar: no pão de cada dia. E aqui ele nos ensina que o nosso trabalho é uma graça divina. Não merecemos nada, é ele quem nos dá tudo. Se há uma coisa que deveríamos fazer todos os dias, isto é agradecer pelas atividades que podemos realizar, através das quais recebemos o nosso sustento.

De nossa parte, no entanto, sempre falhamos. E assim pedimos perdão. Precisamos fazê-lo principalmente quando deixamos de perdoar uns aos outros. É justamente este mal, da falta de perdão, que faz o mundo perigoso, já que corremos o risco de cair na tentação de não ter interesse em transformar a realidade em que vivemos, ignorando toda a maldade que há ao nosso redor.

Se deixarmos Deus nos ensinar a orar, com certeza seremos livres de tamanha tragédia. Afinal, oração é aprender com Jesus. Não adianta querer falar palavras bonitas só para imitar o discurso de alguém. Não adianta usar a língua se não houver ouvidos. Sem os ensinamentos do Senhor é impossível orar. Nossa vida é a nossa oração!

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Para início de conversa

Vou usar o Rubinho, e a velha questão da “fé e da dúvida”, levantada em seu Blog como gancho para dar início a esse novo espaço.

Fé é a certeza, a Bíblia deixa isso claro. Logicamente não existe espaço para dúvida, em se tratando de fé.

O problema todo se localiza em que nem toda certeza é fé, ou mais sério ainda, nem toda certeza é realmente certa. Daí o antigo debate teológico e filosófico entre a fé e a razão.

Dúvida e razão casam-se bem. Normalmente a dúvida é o sinal de fome do intelecto. (Exatamente hoje cientistas europeus estão dando início a uma pesquisa no valor de US$ 8.000.000.000, tida como o experimento mais caro do mundo, para satisfazer essa fome de saber).

Teria a fé um elemento intelectual? Evidentemente sim. Mas também é óbvio que ela não para só no intelecto, se não seria puro saber, e não fé. Além disso, sabemos que a fé se aventura em assuntos, lá não muito racionais para boa parte das pessoas. A fé tem um forte elemento espiritual. Assim como o amor é espiritual.

A fé exige, certas vezes, uma confiança incondicional. Quanto mais forte, firme e maior a fé, maior é essa confiança e essa incondicionalidade.

Pensemos agora no Evangelho, onde a fé entra como princípio, doutrina básica: À luz do relato bíblico vemos que a confiança que Deus exige do ser humano é bem variada com elementos variados. Todavia, o básico, a característica comum associada a essa fé, está sempre em crermos na existência de (um/o) Deus e em sua bondade infinita. Fora isso a pregação do Evangelho mostra-se bem diversa. Por exemplo: João e Jesus pregaram que o povo se arrependesse e cresse no Evangelho. Mas esse “Evangelho” não poderia ser o mesmo que Paulo pregou da “cruz de Cristo”, pois Cristo não havia ainda sido crucificado, nem o da ressurreição, pois Ele ainda não havia ressurgido.

Outro exemplo: os primeiros discípulos (como Tomé) creram em Jesus ressuscitado, pois eles tiveram uma experiência empírica com o Senhor ressurreto. Ou seja, uma fé, naquilo que viram e experimentaram. Não uma fé irracional. Com certeza aqueles primeiros discípulos não exigiam que outros que não tiveram a mesma experiência que eles, cressem assim cegamente. Afinal eles mesmos não acreditaram no início... Por isso, segundo o Novo Testamento, os milagres acompanharam a pregação, como confirmador (empírico) da mensagem.

É verdade, certas experiências com Deus produzem uma fé, que não deixa mais espaço para a dúvida (em determinada área). Mas como não somos oniscientes, permanecem ainda muitos pontos de interrogação em outras áreas. E boa parte dessas dúvidas é saudável. Algumas de fato não levam a lugar nenhum e outras podem até mesmo levar ao tropeço.

Porém o maior perigo não está na dúvida, mas na certeza. Pois os certos, geralmente não mudam de opinião. E correm o risco de também não mudarem de assunto, tornando-se assim em perfeitos fanáticos. De gente assim, seitas de todo tipo, em todo mundo, estão cheias.