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domingo, 31 de maio de 2009

Educação em vez de repressão

"Agora temos uma nova administração, que é muito mais aberta do que antes. E o clima está mudando pela primeira vez em muitos anos. Até nos Estados Unidos se reconhece que há um impasse. Obama já deixou claro que ideia da guerra contra drogas não funciona"
Fernando Henrique para o Guardian.

Na opinião de FHC, a guerra contra drogas "fracassou" apesar dos enormes esforços em lugares como as Colômbia.
"As áreas de plantio de coca não estão diminuindo", disse ele.
O ex-presidente ainda destacou o sucesso do Brasil em reduzir os casos de HIV/Aids, obtido, entre outros fatores, graças à promoção do uso do preservativos.
"Isto é um exemplo de como o comportamento das pessoas pode ser alterado pela educação em vez de repressão", afirmou.


extraído da BBC Brasil

sábado, 30 de maio de 2009

Lembrança de um beijo

Remedando nosso amigo poeta, eu também sou super chorão!

Como é difícil viver longe de você. Quando te vejo, de longe, de ouço, de longe, você é a mais bela, de longe.

Que falta sinto de teus beijos, do seu carinho, do seu abraço.

Mas sei que não demora muito estaremos de novo, para sempre, bem pertinho um do outro.

Quando a saudade invade o coração da gente
Pega a veia onde corria um grande amor
Não tem conversa nem cachaça que de jeito
Nem um amigo do peito que segure o chororô

Que segure o chororô
Que segure o chororô
Saudade já tem nome de mulher
Só pra fazer do homem o que bem quer
Saudade já tem nome de mulher
Só pra fazer do homem o que bem quer
O cabra pode ser valente
E chorar
Ter meio mundo de dinheiro
E chorar
Ser forte que nem sertanejo
E chorar
Só na lembrança de um beijo
Chorar

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Conheceria Deus o futuro? (parte 4)

“Deus pode modificar o futuro, mas não pode modificar o passado.” O Conde de Monte-Cristo de Alexandre Dumas

Nosso grande erro intelectual é imaginarmos o futuro como se fosse um espaço de tempo tão estático como o passado. De certa forma nos é bem claro que tanto o passado como futuro não existem e que só temos como realidade dura e crua o presente. O passado é de certa forma real e concreto, evidentemente não existe mais, mas já existiu em outra época. Já foi visto, ouvido, sentido por alguém ou até mesmo várias pessoas. Por isso mesmo pode ser representado, ilustrado, discutido com um grau de precisão bem elevado. Bem, com o futuro a coisa muda completamente.

O futuro não foi ainda sentido ou percebido. Está em construção. No máximo ele pode ter sido pressentido. Mas, quantas vezes nossos pressentimentos nos enganam... Será que Deus teria pressentimentos mais acertados do que os nossos? Será que seus profetas teriam condições de antever esse futuro?

Penso que a observação de Tuco Egg sobre os profetas é bem pertinente para esse tema:

“Não estou falando de previsões do futuro. Quase ninguém sabe disso, mas profecias tem muito mais relação com constatações do óbvio, aqui e agora (e, evidentemente, o futuro é conseqüência do agora) que se passa debaixo de nossos narizes, do que de um futuro distante e informe.”

Esse é um dos dois modos que São Tomás de Aquino afirma que Deus tem para conhecer o futuro. “A presciência divina olha o futuro (...) em suas causas enquanto considera a ordem da causa e seus efeitos”.

Esse também é um sentido que ao homem é dado conhecer o futuro. Uma pessoa sábia, conhecedora das leis de causa e efeito tem melhores condições de prever o futuro. E como gostaríamos de ser sábios a esse ponto...

Leia também:

Conheceria Deus o futuro?
O que afinal de contas Deus não pode? (parte 2)
Conheceria Deus o futuro? (parte 3)

quinta-feira, 28 de maio de 2009

O mal existe?

Certamente a era Bush marcou o fim da era evangélica aos moldes americanos.

A era Obama irá prevalecer pintando uma nova cor para o mundo cristão, evangélico e acima de tudo para outras culturas e religiões do planeta.

A diferença entre as duas eras pode ser facilmente observada nas respostas à pergunta, se o mal existe, dadas pelos (então) candidatos à presidência americana nas últimas eleições, por ocasião do “debate” na igreja do pastor Rick Warren - aquele da “Guerra com Propósitos”, segundo Má Dico.

Rick Warren pergunta:

- O mal existe? Deve ser ignorado? Combatido?

Obama responde:

- Existe e o enxergamos a todo momento. Em Dafur e infelizmente nas ruas da cidade. Uma coisa muita importante é que devemos ter a devida humildade para saber lidar com a questão de como enfrentar o mal, pois bastante mal já foi feito justamente baseado na desculpa de estarmos confrontando o mal.

McCain responde:

- O mal precisa ser derrotado, meus amigos, como presidente dos Estados Unidos eu irei persegui-lo até os portões do inferno. Vou pegar Bin Laden e trazê-lo à justiça. O maior desafio deste século é o crescimento do extremismo islâmico. Vamos vencer a guerra e trazer nossos soldados para casa com honra e vitória e não com derrota. Isso é o que via acontecer.

Obviamente Mc Cain arrancou aplausos do público evangélico. Aliás, durante a entrevista Mc Cain conseguiu fazer os batistas da califórnia rirem por 11 vezes e aplaudí-lo 23 vezes. Não tão eufórico, Obama, por sua vez, só despertou o humor do público em 3 ocasiões e tirou 7 vezes aplausos.

Obama venceu as eleições e Mc Cain perdeu. Graças a Deus!

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Transcrição literal das falas dos candidatos:

WARREN: OK, we've got one last time -- I've got a bunch more, but let me ask you one about evil. Does evil exist? And if it does, do we ignore it? Do we negotiate with it? Do we contain it? Do we defeat it?
OBAMA: Evil does exist. I mean, I think we see evil all the time. We see evil in Darfur. We see evil, sadly, on the streets of our cities. We see evil in parents who viciously abuse their children. I think it has to be confronted. It has to be confronted squarely, and one of the things that I strongly believe is that, now, we are not going to, as individuals, be able to erase evil from the world. That is God's task, but we can be soldiers in that process, and we can confront it when we see it.
Now, the one thing that I think is very important is for to us have some humility in how we approach the issue of confronting evil, because a lot of evil's been perpetrated based on the claim that we were trying to confront evil.

WARREN: How about the issue of evil. I asked this of your rival, in the previous debate. Does evil exist and, if so, should ignore it, negotiate it with it, contain it or defeat it?
MCCAIN: Defeat it. A couple of points. One, if I'm president of the United States, my friends, if I have to follow him to the gates of hell, I will get bin Laden and bring him to justice. I will do that. And I know how to do that. I will get that done. (APPLAUSE). No one, no one should be allowed to take thousands of American -- innocent American lives.
Of course, evil must be defeated. My friends, we are facing the transcended challenge of the 21st century -- radical Islamic extremism.
Not long ago in Baghdad, Al Qaida took two young women who were mentally disabled, and put suicide vests on them, sent them into a marketplace and, by remote control, detonated those suicide vests. If that isn't evil, you have to tell me what is. And we're going to defeat this evil. And the central battleground according to David Petraeus and Osama bin Laden is the battle, is Baghdad, Mosul, Basra and Iraq and we are winning and succeeding and our troops will come home with honor and with victory and not in defeat. And that's what's happening.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

terça-feira, 26 de maio de 2009

Conheceria Deus o futuro? (parte 3)

Esse assunto é de extrema importância, pois:

1) A sociedade brasileira mais do que outras tende a acreditar demais no destino;

2) A crescente influência calvinista reforça a crença na (pré)-destinação;

3) Esses dois elementos culturais unidos paralisam o povo evangélico brasileiro impedindo-o de ser o agente modificador de sua própria história e da sociedade na qual está inserido (assista o vídeo: Entrevista Ariovaldo Ramos - Tema: Crise Ambiental).

Lembro-me de conversar certa vez com uma garota evangélica que afirmava que Deus já sabia tudo o que aconteceria em sua vida, inclusive com quem ela iria se casar. Será que Deus já sabe mesmo com quem as pessoas irão se casar?

Se pensarmos em um Deus todo poderoso e sem limites, mais parecido com um computador ou com uma força fria e impessoal capaz de calcular todos os acontecimentos, intervindo como bem lhe aprouvesse, para garantir que sua vontade sempre prevalecesse, diríamos, então, que esse deus, de fato, conhece todo futuro, de forma absoluta e plena.

Em contrapartida teríamos que dizer que ele nunca amou ou ama o ser humano que criou, pois lhe tolhe um dos dons mais precioso que Ele mesmo nos outorga, a liberdade. Nosso Deus, porém, é um Deus de liberdade.

“Onde está o Espírito de Deus aí há liberdade!”

Se você partir do ponto que os atributos primordiais de Deus são onipotência, onipresença e onisciência você jamais chegará ao Deus revelado por Jesus. Pois Jesus, para nos revelar Deus, esvaziou-se desses três atributos, não deixando, porém nunca de ser pessoal e amoroso (leia o artigo Teologia Relacional – Que bicho é esse?).

Definamos então Deus como “a pessoa” que criou tudo o que é visível e invisível e que essa pessoa é infinitamente amorosa, ao ponto de ela mesma ser “o amor” absoluto, entender isso faz-se primordialmente essencial para entendermos a relação dEle com o nosso futuro.

Livre-arbítrio versus predestinação

É comum em teologia fazermos a oposição entre as crenças do livre-arbítrio e a da pré-destinação. Interessante é que ambos os termos são exageros etimológicos. Primeiro, porque toda destinação só pode ser “pré”: Não há como darmos um destino para algo a não ser de antemão. Segundo, porque todo arbítrio é livre: Se não for livre não é arbítrio, não é escolha, é imposição.

Se reduzirmos esse antigo embate teológico aos termos “destinação” e “escolha”, veremos que no fundo ele se resume a uma só palavra: “vontade”. Vontade tem, no seu sentido ativo, tudo a ver com futuro: a vontade só pode ser voltada para o futuro: Você não teria vontade de ter ou ser algo que você realmente já é ou tem! A questão então é:

Como se relaciona a vontade divina com a vontade do ser humano? Como você e Deus encaram e determinam o futuro?

Para um debate livre de sofismas, o correto logicamente seria ficarmos, primeiramente, em um mesmo patamar de tempo (passado, presente ou futuro) e também em um mesmo patamar de ação (escolha ou determinação).

Brincando com as palavras diríamos que (pré)-arbítrio é sinônimo de livre-destinação, ainda que toda escolha também seja sempre “pré”, a destinação, essa sim, pode ser livre ou não.

Lembre-se que estamos falando aqui da vontade de duas pessoas, sendo que uma delas é perfeitamente amor, e não deve ser confundida com a vontade tirânica de um deus impessoal!

Esse é o real problema, o verdadeiro conflito:

E quando a vontade do homem e a de Deus estão em choque!?

Poderíamos para entendermos melhor essa temática passarmos por alguns textos bíblicos. Isso é o que faremos futuramente, se Deus não tiver planejado algo diferente...

Leia também:

O que afinal de contas Deus não pode? (parte 2)
Conheceria Deus o futuro? (parte 1)

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Fazendo Arte

Normalmente pensamos o que seria das artes sem o fator crença? Mas o inverso é também verdadeiro, o que seria da teologia, da fé e das crenças sem as artes?

Duas importantes reflexões sobre a arte na igreja podem ser vistas no vídeo abaixo e no texto divulgado pela Ultimato - Carta do Som do Céu, da qual transcrevemos alguns pontos:

“…Desejamos, portanto, apresentar à Igreja brasileira a Carta do Som do Céu, sintetizada em 25 pontos, que resume nossas inquietações e propõe ações práticas à Igreja de Cristo Jesus, neste início de século 21.

[…] 2. Cremos que a arte, na perspectiva da graça comum, é um presente dos céus a toda a humanidade e não está restrita aos cristãos; […]

9. As igrejas, as instituições de ensino teológico e os artistas cristãos devem combater o ensinamento equivocado e amplamente difundido de que louvor e adoração restringem-se à musica, ensinando, por demonstração e exemplo, que se trata de um estilo de vida que envolve todas as áreas da nossa existência e que a música, assim como outras formas de arte, é expressão legítima de louvor e adoração;[…]

12. Rejeitamos a dicotomia que faz separação entre o sagrado e o secular e cria espaços estanques na vida do cristão. O Senhor Jesus é soberano e governa todas as instâncias da vida, e, por isso, devemos somente a ele a nossa fidelidade, agradando-o em tudo e rejeitando tão-somente o que ofende a sua glória; […]

15. Mesmo entendendo que todo trabalho na igreja é voluntário, podemos honrar com sustento ou remuneração aqueles que se dedicam ao ministério musical, se a comunidade disponibiliza de recursos para tal; […]

sexta-feira, 22 de maio de 2009

A Bacana

a Bacana

…a porta se escancarou e diante
dele apareceu uma negra enorme e sorridente. (…) Com uma velocidade
surpreendente para o seu tamanho, a mulher atravessou a distância entre os dois e o engolfou nos braços, levantando-o do chão e girando-o como se ele fosse uma criança pequena. (…) De repente foi dominado pelo perfume que exalava da mulher, e isso o sacudiu. Era o cheiro de flores, com sugestões de gardênia e jasmim, inconfundivelmente o perfume de sua mãe que ele mantivera guardado em um vidro na latinha. O cheiro que jorrava e a lembrança que vinha junto o fizeram cambalear. Podia sentir o calor das lágrimas em seus olhos, como se estivessem batendo à porta de seu coração. A mulher percebeu.”
– William P. Young em A Cabana.

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“Na América Latina, o continente onde o pai veio de longe e ao nos estuprar nos concebeu bastardos, vivemos no vazio da imagem masculina do amor. O pai se foi, e dói em nossa alma órfã. Resgatar a imagem do pai é tarefa de nossos homens de verdade; recriar uma figura masculina não baseada nos modelos culturais corruptos que vemos todos os dias em nossos lares, mas na imagem do Deus Pai.
No entanto, o Deus-Mãe sempre vai nos ser importante. Vamos precisar dele para entender com o coração o amor transcendente. Sem a Mãe, nosso Deus não é completo, não é vivo. A misericórdia, a ternura, o carinho sempre nos chegarão do Deus-Mãe, que não saiu um dia com outra mulher, que não foi comprar cigarros para nunca mais voltar, que não foi preso, que não bebeu o seu salário em vez de nos comprar comida, que não bateu em nossa mãe e em nós no desvario do álcool.” – por Bráulia Ribeiro em Deus -- Pai ou Mãe? na Revista Ultimato 318.

Palma Ausente

Quando a brisa sopra

Do mar revolto do branco das ondas

Ouço o calor das pedras espumantes e molhadas

 

Quando as idéias me atormentam

Dos problemas sombrios sem soluções sábias

Ouço sua voz a me acalentar

 

Me viro e contemplo as palmeiras

Ah... as palmeiras...

Onde vocês se esconderam?

Ouço ainda seu diz que diz macio

 

Vejo a rua torta, quebrada,

A areia do calçamento mal feito

O eterno inacabado, que um dia se renova

 

Abro os olhos

Já é tudo nostalgicamente novo

Oculto porém por núvens sombrias

Que a brisa sofregamente tenta afastar

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Misterioso fundão

Na Alemanha hoje é dia dos pais. Então vai aí minha homenagem com o belíssimo texto roubado de Tuco Egg.

 

“Sentado na areia observo meus filhos brincando.

A praia, para eles, é lugar de mistério, fantasias espetaculares e emoções intensas. Pulando sobre ondas eles enfrentam monstros, gigantes e dragões. Cruzam oceanos sobre suas pequenas pranchas, vencendo piratas e lutando com tubarões. Castelos de areia são fortalezas intransponíveis. Muralhas erguem-se sobre eles e legiões de soldados atacam impiedosamente seus domínios como ondas. E, se as paredes são destruídas, eles mesmos se lançam sobre os vagalhões com coragem, distribuindo golpes, saltos, gritos e poses. E saem vitoriosos.

Vivi cada uma dessas aventuras um dia. E sei que nada no infinito horizonte de qualquer que seja o litoral se compara à ousadia insana de desvendar, nos braços do pai, os insondáveis mistérios do "fundão".

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Lembro-me de transpor ondas gigantescas sob o impacto violento da água. Da assustadora espuma branca, da força da corrente, do repucho traiçoeiro. A inóspita e apavorante arrebentação poderia ceifar a vida deTitãs. Por isso eu sabia que, mais do que tudo, teria que agarrar-me com todas as forças ao corpo daquele jovem herói. Ele vencia as ondas por mim. Dominava-as, feria suas cristas com o corpo esguio, sem recuar. Convicto, poderoso como Hércules, me agarrava e comprimia forte e carinhosamente em seu peito. De repente, a calmaria. Mar escuro, horizonte eterno, brisa. Ele podia agora me soltar, me jogar para cima, me ver nadando de volta. Eu estava, com ele, onde nenhuma outra criança poderia estar. Nos braços de meu pai eu havia vencido o mais impiedoso inimigo e encontrava-me agora no enigmático "fundão".
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Quando meus filhos saem das ondas correndo em minha direção, olhos fixos em mim, expectativa estampada no rosto, sei o que me espera. Conheço todas as suas emoções e sei que eles nada sabem sobre as minhas. Nem desconfiam que as gotas salgadas que escorrem dos meus olhos enquanto corto as ondas, com eles em meus braços, na direção mística do "fundão", não são água do mar.”

em A Trilha

Teologia Livre é isso, desvendar mistérios, agarrando-se aos braços do Pai, e deixar que Ele te leve para o fundão, ousada e insanamente.

terça-feira, 19 de maio de 2009

I love you more than myself

Esta é uma das melhores músicas alemã, o clip, então, é sensacional.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

O que afinal de contas Deus não pode? (parte 2)

Aproveitando a deixa de Rubinho, e de e vários outros E-mails que recebi* vamos com todo o cuidado devido pensar um pouco sobre Deus não poder certas coisas, dentre elas, conhecer um futuro que não exista.

Na cidade Dinamarquesa de Glyngøre há um miniatura do sistema solar, em uma escala de 1:1 bilhão. Ou seja, o sol foi reduzido a um tamanho mísero de 1,4 metros de diâmetro.

Se você andar 60 metros ainda na cidade encontrará o primeiro planeta, Mercúrio, com meio centímetro de diâmetro. Para manter a proporção, a terra, que dista do sol 150 milhões de Km ficou afastada 150 metros do museu da cidade onde o sol está, e mede 1,2 cm. Dentro destas mesmas proporções, você encontrará dentre outros, Saturno (foto) medindo 11 cm e o último planeta, Plutão, com 2 mm, afastado nada menos que 6 km.

E nosso sistema solar é só um… dentre quantos? De fato, não podemos encaixotar um Deus que criou todas essa grandiosidade.

Deus com todo esse poder e força não pode, todavia, fazer uma série de coisas que nós, meros mortais, fazemos tão banalmente (e até descaradamente) a saber, pecar. E aí vai uma lista: mentir, roubar, assassinar, cobiçar, adulterar, invejar…

“é impossível que Deus minta”

Para Deus é impossível mentir. Para nós é quase que nosso estado natural. Assim Ele não faz confabulações sobre o futuro. Ele promete e cumpre. Ele planeja e executa.

Nesse sentido o futuro só existe de fato em um lugar: na cabeça de Deus. A idéia de se poder ir para uma determinada época e transcender o tempo é mera ficção e não tem nada a ver com a realidade.

Como cópias do Original também temos a capacidade de projetar o futuro. E também de executá-lo. Assim, de certa forma, o futuro está também em nossos corações. “Mas a resposta dos lábios vem de Deus”.

Como cópias defeituosas temos, contudo, sempre a capacidade de transformar o que seria um dom em uma agonia. Assim quando pensamos no futuro geralmente, ou ficamos aquém do possível e ficamos ansiosos, e temerosos, ou vamos além do realizável, e nos perdemos em nossas ambições e ilusões.

Com Deus não é assim. Esse é o tipo de futuro que ele não conhece, pois não é real. Ele conhece sim, os pensamentos de nossos corações. Mas Ele não se deixa contagiar pela nossa ansiedade.

“Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos que estão no céu, nem o Filho, senão o Pai.”

O Filho, que não é menos Deus que o Pai, não poderia saber a data de seu retorno.

Deus nosso Pai tem uma agenda com muitos compromissos (a maioria importantes), mas também há muito espaço em branco e Ele nos convida para fazermos nossas anotações nela.

*{e de vários outros E-mails que recebi não consta nos melhores manuscritos}

Conheceria Deus o futuro? (parte 1)

pl040011

Claro! Claro que não conhece. Claro que sim. Ou seja, como tudo nessa vida, depende… É relativo.

Mas a relatividade desta resposta é mais simples que parece:

  • Deus não pode conhecer o futuro que não exista;
  • Deus só conhece o futuro que Ele determina.

A verdade nua e crua é que Deus não pode conhecer toda a história futura da humanidade nem de indivíduos, a não ser nos aspectos limitados que Ele mesmo já determinou.

Mas Deus não determinou tudo. No fundo, Ele determinou poucas coisas, comparado àquilo que nós mesmos temos condições (e a obrigação) de determinar. O sôfrego dilema da escolha caiu em nossas próprias mãos.

“Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar”

Deus opera. Ele vive e está agindo no mundo. Como?

Deus opera em vós. Embora o Espírito goze aparentemente de liberdade e sopre como um vento sem fronteiras, Ele tem a sua morada em vocês. E em vocês Ele está a agir na história de indivíduos e de povos, e em toda a humanidade.

“Em ti todas as nações da terra serão benditas”.

Ele quer. Ele efetua. Em vocês, através de vocês.

Há porém (como sempre) um “porém”:

“…com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar…”

Se queremos o bem, se temos um belo alvo já bem determinado, como então alcançá-lo?

Essa contradição das Santas Escrituras nos empurra para nossas próprias contradições. Será que realmente queremos? Embora a questão aqui não seja exatamente essa – pode-se ter na força de vontade a raiz do problema. Mas na verdade, existem barreiras, bloqueios que ainda nos impedem de chegar lá. Quais? Como removê-los? Será que conseguiremos?

Será que não estaria lutando com uma limitação imposta (já determinada) pelo próprio Deus? A questão aqui também não é exatamente essa, pois estamos falando de querer o bem. Mas obviamente nem todo querer nosso é tão celestial assim ou nem todo querer celestial é tão determinista e imutável assim como alguns pregam.

O grande problema com o qual temos que nos agonizar é que o querer está plenamente em ordem, mas a droga do efetuar não se efetua! Por que?

Se não se efetua agora é então somente uma questão de tempo, algo para o futuro. Será mesmo? Mas afinal quem conheceria o futuro?

segunda-feira, 11 de maio de 2009

A vida que Cristo oferece

Dois estudantes viajavam pela ponte aérea, Rio - São Paulo. Um deles pensou reconhecer no vôo o chefe espiritual de uma importante igreja, já o outro não estava tão certo assim da identidade do passageiro.

Resolveram fazer uma aposta.

“Bem e agora? Como comprovar? Só mesmo perguntando para ele.” – Disse um dos estudantes.

O outro tomou coragem, foi lá e perguntou.

O passageiro por sua vez respondeu asperamente: “Por que é que você não cuida de sua vida?” E encerrou o assunto.

“É... Então não tem jeito de saber quem ganhou a aposta...” – lamentaram os estudantes.

domingo, 10 de maio de 2009

Dia das mães

“Minha mãe, Elisa Maria da Silva, era de uma simplicidade cativante e de uma fidelidade religiosa contagiante.  Apesar de não ter nem o curso primário sabia encontrar caminhos para ajudar o meu pai  na manutenção da casa. Quando criança eu me lembro que ela  fazia de sua cozinha uma fábrica  de produção: bolos, pastéis, linguiças eram os produtos mais frequentes que ela fabricava e colocava na cesta e nos tabuleiros de seus filhos para venderem pelas ruas de Caratinga, de Governador Valadares ou de Austin, no Estado do Rio de Janeiro, lugares em que  moramos e onde a sua contribuição foi decisiva para que a família sobrevivesse com dignidade.”

- Sem ter conhecido vovó Elisa e lendo o relato acima vindo da pena de papai, de repente me encho de muitas saudades dela.

sábado, 9 de maio de 2009

A decadência do evangelicalismo

Por que já “Não me orgulho de ser Cristão”? Seria o ufanismo que insiste em me assombrar? Seria do triunfalismo que já estou enfadado?

Proclamamos em alta voz a esperança. Mas, Esperança de quem?

Precisamos urgentemente de líderes que sirvam mais e apareçam menos. Que sejam prontos no ouvir e tardios no falar. E se enquadrem mais em outras destas bobagens nada práticas que a Bíblia ensina.

Pelo visto a melhor solução para os dias de hoje é mesmo o movimento monástico interntético. Quem sabe a partir daí surja algo novo para a coletividade…

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Selo: grandes pensadores da blogosfera

Amo as regras. Elas sempre me dão a oportunidade de exercer minha santa rebeldia.

Mas algumas sempre ficam… por exemplo os Blogues que indicaram: Nani e a Teologia e Cristianismo Radical; e o selinho - afinal fui já fui um colecionador.

Os grandes pensadores versão Roger são:

E obviamente esses aqui também:

Obrigado Nani!

Obrigado Juber!

quinta-feira, 7 de maio de 2009

O Terceiro Céu e o Espinho na Carne.


Eu vi minha imagem refletida naquele espelho e por um instante viajei na silhueta projetada do meu lado. A dimensão que me envolveu naquele momento era algo transcendental, místico, algo que tocou minhas emoções, uma viagem louca que me transportou à dimensão da poesia.

Naquele lugar lindo pude encontrar as verdades que tanto procurei. A melodia que tocava lá trazia paz ao espírito. Ouvi o canto dos pássaros, senti o perfume das flores, encantei-me com os rios de águas cristalinas que brotavam das montanhas e bebi daquela fonte uma água tão deliciosa como jamais provei em toda a minha vida.

No mesmo instante comecei a ouvir vozes. Elas vinham de trás das montanhas. Muitas vozes. Não conseguia distingui-las. Todas elas diferentes entre si. Elas me atormentavam. Eram como demônios. Eram demônios da minha alma. Vozes que tentavam me escravizar. Aquilo abalou meu momento poético e me fez descer da pretensa ilusão.

No mesmo instante que subi aos céus desci ao inferno.

Tentei entender o que estava acontecendo. Tentei voltar ao lugar das delícias e tentei discernir aquelas vozes. Minhas tentativas foram em vão. Continuei perdido naquele mar de ilusão. Tentei expulsar aquelas vozes de mim ou ao menos tapar os ouvidos, mas elas me esbofeteavam, me revelavam verdades que eu não queria ouvir. Eu queria mesmo era voltar àquele jardim maravilhoso, ao lugar das delícias.

Nesse momento entendi que aquela dialética existencial era necessária ao meu crescimento. Eu necessitava desse embate de sentimentos contrários entre si para encontrar a síntese que me transmitisse a graça. Entendi que todo poder deve vir acompanhado de uma fraqueza para não se transformar num demônio em nossa existência.

Depois disso, abri os olhos e olhei a minha frente: eu ainda estava lá! Era eu naquela imagem refletida no espelho. Era eu lutando contra eu mesmo. As vozes, o inferno, o jardim, o céu: tudo estava ali, dentro de mim.

Encarei-me de frente, toquei minhas mãos no espelho, respirei fundo e clamei:

- Afasta de mim essa dor!

Então Ele me disse:

- A minha graça te basta, pois o poder se aperfeiçoa na fraqueza!

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Frágeis pensamentos sobre a verdade

Extraído de Ricardo Gondim

O pensamento precisa de espaço para pensar. Para cogitar, faz bem desembaraçar-se de censuras. Transpor valados não significa cortejar desastre. Existe vida além do horizonte. Lá, onde vivem os delinquentes também há amor. Aliás, cria melhor quem ousa visitar a trincheira dos hereges.
Quem pensa não inventa a verdade; a verdade constrói o pensador. Newton não imaginou a lei da gravidade, foi a gravidade que transformou os seus olhos. Depois que uma maçã despencou, Newton perguntou: Por que ela cai e não flutua? Dessa pergunta a humanidade descobriu a verdade que os corpos se atraem na razão direta das massas e inversamente ao quadrado da distância que os separa. A verdade já existia, mas precisava de uma mente pronta para acolhê-la.
Além da verdade empírica permanecem a estética, a mística e a ética.
Michelângelo sentiu a dor de Maria e foi capaz de expressá-la em um bloco de mármore, a Pietá; Picasso horrorizou-se com a guerra e Guernica se eternizou. Beethoven, Bach, Mozart e outros virtuoses ouviram melodias, escreveram partituras, e as orquestras passaram a encantar o mundo.
São João da Cruz, Mestre Eckhart, Teresa de Ávila e muitos místicos intuiram verdades que os Catecismos, as Confissões de Fé e as Dogmáticas não abarcaram. Repetiram que a verdade descansa no mistério, no absurdo, onde a razão não chega.
Ghandi, Martin Luther King, Madre Teresa de Calcutá, Jimmy Carter encarnaram a máxima cristã de que a vida eterna pertence a quem se curva para ajudar o caído. Os juízes e os magistrados são profetas que pelejam pelo que é justo e correto.
A verdade, porém, é maior que a capacidade humana de concebê-la. O saber de todas as bibliotecas mal arranha a superfície da complexa mecânica do universo. A beleza de todos os museus guarda meros fragmentos da criatividade do coração de homens e de mulheres. A percepção de todos os santos é incapaz de discernir o imponderável do mundo espiritual. Toda a bondade já encarnada não exaure a nobreza que ainda pode ser vivenciada no mundo.
A verdade depende da graça para não correr o perigo de ser instrumento de morte; carece de conectar-se com a vida para não ficar confinada a uma torre de marfim; precisa ser humilde para não gerar arrogância.
Toda a verdade pertence a Deus.
Soli Deo Gloria.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Indicações

Graças à bondade de nossa amiga Nani, recebemos uma indicação de um dentre os melhores Blogs da Cristandade.

Nossa indicação em contrapartida vai para…

veja ao lado: BLOGS FRATERNUS e BAIRRO NOBRE!

domingo, 3 de maio de 2009

O Reencontro

Mais uma última eu o vi:
Foi em um destes verões quentes d´aqui. Quando a noite estava ainda clara e o sol brilhava teimosamente. Resolvi dar uma passada na bilblioteca do bairro, algo que faço religiosamente, para me deixar seduzir por um daqueles tesouros de papel.
Como não tinha um alvo específico me contentei em folhear a Spiegel. Em outras ocasiões adentrava aquele templo tendo já em mãos o mapa da mina, que me guiava a Thomas Mann, Goethe, Weber ou a um outro clássico.
Foi quando o vi entrar com seu olhar sério, mas descontraído, que deixava transparecer uma ingenuidade castanha clara, típica dos seus dezoito anos.
Ele era esbelto, alto, não fraco e belo. Fiquei contemplando-o por alguns minutos num mixto de inveja e paixão. Pensei em me aproximar e puxar conversa, afinal tínhamos como mestre comum a mesma criança que nos conduzira pela mão até a adolescência. Certamente ele me ouviria com prazer. Poderia lhe alertar sobre algum perigo futuro. Talvez falasse pouco, lhe abraçaria e deixasse que ele mesmo se abrisse. Seria melhor mesmo ouví-lo.
E falei rigorosamente para ele de coisas essenciais, das quais não se deve em hipótese alguma abrir mão: do valor dos sonhos, dos santos e da amizade. Ressuscitei nele a calma e a coragem. Lhe falei algo sobre amor e perdão. Outras coisas das quais já não me lembro mais, lhe transmiti com um olhar e um forte abraço. De forma respeitosa beijei sua face com se beija a de um mestre querido.
Fiquei orgulhoso de reencontrá-lo ali, ainda que se mostrasse fraco e cheio de dúvidas. Não querendo mais atrapalhar sua leitura, peguei um romance de Alexader Dumas e me despedi com um aceno. Já estava na hora de ir para o treino de voleibol.