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terça-feira, 30 de junho de 2009

Ora ora

Milton Pança entrou apreensivo no salão, afinal a campanha de jejum e oração por busca de avivamento havia durado dias e já estava chegando a seu fim.
- Vamos orar em línguas e deixar que o Espírito se manifeste!
Foram longos minutos de oração, gritos e choros que Milton finalizou com améns autisonantes e sucessivos.
- Pois bem, irmãos, alguém gostaria de compartilhar o que Deus lhe falou?
Alguns minutos de silêncio se seguiram.
- Será que Deus não fez nada, em nosso meio, essa noite?! Falou aquele ministro em tom de apreensão e ameaça, que foi seguido por mais alguns longos minutos de silêncio constrangedor.
Por fim, um irmão levantou a voz:
-Não, pastor, foi maravilhoso! Deus falou muito!
E todos consentiram com muitos aleluias e améns.
Pronto, a campanha tinha sido um sucesso. Milton poderia voltar para casa aliviado.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Ora, bolas

Aquino estava empolgadíssimo com sua nova vida de crente. Com sua Bíblia debaixo do braço saía de casa em casa a catequizar almas sedentas ou simplesmente, pacientes e bem educadas.
E lá estava ele doutrinando um ex-preso:
-Vamos abrir em Hebreus: "Ora, sem fé é impossível agradar a Deus".
Fez uma breve pausa. Contemplou o nada e prosseguiu.
- "Ora". O apóstolo começa nos exortando a oração. Vamos obedecer a Bíblia!
Curvou então a cabeça e começou a orar, não brevemente.

sábado, 27 de junho de 2009

Deus, elefantes, vermes e aranhas

Lendo Alysson Amorim citando Borjes:
"No centro pontual do emaranhado há Deus, a Aranha (1), o outro aprisionado."
Pensei poderia haver um paralelo no que li no Blog de nosso querido colega Clóvis citando Pink (não a cantora) (2). Ficaria algo mais ou menos assim:

"Então no centro pontual do emaranhado continuaria Deus, o verme, o outro, agora ameaçado pela pegada paquidérmica de um déspota."

Minha única conclusão só pode ser: será que estaríamos a falar da mesma Pessoa?

(1) Invocando a imagem do fogo, Edwards, espumando, trovejava do púlpito “que o Deus que vos mantém acima da entrada do Inferno, tal como mantemos a Aranha ou outro inseto repugnante acima do fogo, vos abomina, e é terrivelmente provocado; a Ira que brande contra vós queima como fogo, Ele vos considera como sem valor, dignos apenas de ser devorados pelo fogo; seus olhos tem muita pureza para suportar-vos em sua Visão, aos seus olhos, sois dez mil vezes mais abomináveis que a mais odiosa serpente venenosa o é aos vossos.”

(2) "Os homens reivindicam ser os arquitetos de seu próprio destino e os determinadores de seus próprios caminhos. Eles não sabem que suas vidas estão ao dispor do Déspota Divino. Eles não sabem que não podem frustrar os secretos conselhos de Deus, assim como um verme não pode resistir a pisada de um elefante."

sexta-feira, 26 de junho de 2009

A companhia dos mortos

Não sei exatamente quando isso teve início, mas de lá pra cá comecei a desfrutar da companhia de certos finados. Alguns deles riem para mim, outros nem sequer me encaram, mas eu os contemplo, e só o vislumbrar de suas silhuetas me alegra.
A maioria deles, se não todos, tem um incrível ar de triunfo e é uma verdadeira honra tê-los bem perto.
Meus avós maternos são sem dúvida os mais presentes. Sempre elegantes, serenos e soberanos chegam rejuvenescidos, normalmente para me apoiar em algum momento mais delicado da vida.
Outros bons camaradas que foram ceifados tenramente pela loucura de nossos transportes, vez por outra, aparecem simplesmente para lembrarem-me que a vida pode ter seu ponto final no seu auge ou num momento de maior explendor.
Com mamãe passo bons momentos. Ela não mudou nada após a morte, exceto um detalhe: fazia questão de não se tornar uma pessoa metida, mas agora ela está impossível! Ri como nunca, com um ar vitorioso e também sereno de superioridade. Não de orgulho, mas com aquela satisfação e realização que jamais teremos aqui nesse lado do além.
Outros ilustres defuntos que nem conheci em vida, dentre eles minha vovó paterna, fazem suas visitas noturnas geralmente derramam um pouco de sua vasta sabedoria, me acompanham por alguns dias, depois se vão. Para onde eu não sei. Mas a impressão que deixam, esses astuciosos defuntos, é que estão bem mais vivos do que pensamos.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Assombração

Katia Peixoto colocou seu livro de cabeceira no criado mudo, cobriu-se e apagou a luz.

Mal começara a dormir percebeu um vulto estranho no quarto a proximar-se.

Petrificada pelo medo não conseguiu sequer virar-se, para ver o que era. Apenas sentiu aquela sombra misteriosa lhe cobrindo o corpo e com mãos mórmidas em seu pescoço começar a estrangular-lhe.

Tentou gritar, mas a voz não saía.

No auge do desespero lembrou-se de Deus:

- Jesus! Escapou-lhe um grito.

Enquanto acendia novamente a luz e sentava-se na cama, percebera, pelo relógio despertador que havia dormido algumas horas.

Ainda ofegante e apavorada sem poder dizer se fora tudo real ou só um pesadelo, apagou a luz e novamente, voltou a dormir.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Conheceria Deus o futuro? (parte truco - 6)

Se Deus pode de fato prever todo o futuro, Ele é o melhor jogador de truco de toda história.

Basta perguntarmos a Abraão e seu filho Isaque, ou a Jó e sua mulher. Claro que Adão e Eva teriam algo a contar também. Caso a dúvida ainda persista, vamos aos três amigos de Daniel ou a Ester, aos apóstolos ou aos discípulos de Emaus. Chego a desconfiar que cada personagem da Bíblia, e por que não dizer da história humana, teria um causo a relatar de sua jogatina com Deus.

Não é atoa que alguns definem fé como uma jogada de alto (ou seria auto?) risco.

A libertação da estética e dá ética que segundo Kierkegaard nos levaria à esfera religiosa é a saída que nos resta nos momentos de real tensão.

Será que ao abrirmos mão de nossas lógicas e de nossas paixões, sobraria ainda algum ponto de apoio? Ao vir com sua possante Palavra, não estaria Deus atropelando a pessoalidade ou a liberdade de cada um de seus servos?

Continuo achando que existe um meio termo:

Deus nos dá a possibilidade de escolhermos e paralelamentee traça seus planos e vice-versa.

A história da humanidade e os planos de Deus é um emaranhado complexo, e se torna algumas vezes como que um jogo, às vezes divertido, às vezes trágico, de vontades e escolhas.

Em momentos oportunos Deus impôs soberanamente a sua vontade, em outros, espera uma reação do homem, já em outros momentos cede graciosamente.

O inferno então seria o lugar onde o homem não possui mais nenhuma escolha ou liberdade e Deus não interfere mais com sua boa, agradável e perfeita vontade. Seria um lugar sem brincadeiras, sem blefes, sem jogos de truco. Enfim, um lugar sem graça.

Leia também: Conheceria Deus o futuro? (parte 5)

segunda-feira, 22 de junho de 2009

A Bíblia e suas interpretações

Existem pelo menos três maneiras de se interpretar a Bíblia.
A primeira pergunta : O que Jesus (ou o autor) estava querendo dizer com isso?
A segunda afirma : Jesus (ou o autor) não estava “querendo dizer”. Ele disse o que está escrito.

Embora as duas maneiras sejam válidas, tenho visto que a primiera é com frequência a mais útil.

Já a terceira maneira é simplesmente não se preocupar em interpretá-la e deixar que ela mesmo nos interprete.

sábado, 20 de junho de 2009

Wer Bin Ich? Quem Sou Eu? (2)


Wer bin ich? Sie sagen mir oft,
ich träte aus meiner Zelle
gelassen und heiter und fest
wie ein Gutsherr aus seinem Schloß.

Wer bin ich? Sie sagen mir oft,
ich spräche mit meinen Bewachern
frei und freundlich und klar,
als hätte ich zu gebieten.

Wer bin ich? Sie sagen mir auch,
ich trüge die Tage des Unglücks
gleichmütig, lächelnd und stolz,
wie einer, der Siegen gewohnt ist.

Bin ich das wirklich, was andere von mir sagen?
Oder bin ich nur das, was ich selbst von mir weiß?
Unruhig, sehnsüchtig, krank, wie ein Vogel im Käfig,
ringend nach Lebensatem, als würgte mir einer die Kehle,
hungernd nach Farben, nach Blumen, nach Vogelstimmen,
dürstend nach guten Worten, nach menschlicher Nähe,
zitternd vor Zorn über Willkür und kleinlichste Kränkung,
umgetrieben vom Warten auf große Dinge,
ohnmächtig bangend um Freunde in endloser Ferne,
müde und zu leer zum Beten, zum Denken, zum Schaffen,
matt und bereit, von allem Abschied zu nehmen?
Wer bin ich? Der oder jener?

Bin ich denn heute dieser und morgen ein anderer?
Bin ich beides zugleich? Vor Menschen ein Heuchler
und vor mir selbst ein verächtlich wehleidiger Schwächling?
Oder gleicht, was in mir noch ist, dem geschlagenen Heer,
das in Unordnung weicht vor schon gewonnenem Sieg?
Wer bin ich? Einsames Fragen treibt mit mir Spott.
Wer ich auch bin, Du kennst mich, Dein bin ich, o Gott!

Gedicht aus: Widerstand und Ergebung von Dietrich Bonhoeffer

Traduzido aqui: Quem sou eu (1)

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Uma carta fechada sobre a banalidade do mal

A história da natureza começa pelo bem, pois é obra de Deus; a história da liberdade começa pelo mal, pois e obra do homem.

(Kant)

O assunto é capital e acende idéias. “Como uma janela da revelação o enlace não acontece no cosmo, mas dentro do coração humano”. Rubem Amorese tem razão quando aborda esse assunto e preconiza como um espetáculo. [1] Quando os protagonistas entram em cena começam as divagações humanas. A partir daí surgem os grandes conflitos da alma. Dentro dele me sinto na marginalidade, e percebo algo que o Autor somente revelará no último capítulo o grande problema do mal e sua origem. “Porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos”. (Isaias 55:9). Entretanto, ignorá-lo, expurgá-lo do pensamento ou esconjurá-lo dos problemas humanos seria insensatez; [2] pelo contrário, torna-se provocativo. Nas cadeias que prendem meus devaneios suspeito que haja uma conspiração na história. O Autor continua a escrever, e nas entrelinhas divinas nos remete indicações: De fato “Os ventos são eles mesmos invisíveis, mas o que eles fazem mostra-se a nós e, de certa maneira, sentimos quando eles se aproximam” (Sócrates). Se contasse o desfecho final o drama perderia a graça, por mais que tudo apontasse para isso. O quê? O mal em sua concepção é uma perversidade escondida no coração.

Afinal, o mal existe? Se existe, poderíamos expurgá-lo? Uma das questões mais refletidas no pensamento humano. Qual a origem do mal? Inegável. Na verdade nossa inquietação gravita em torno da eliminação. Queremos extirpá-lo, dominá-lo ou superá-lo. Contudo, “Deus não veio explicar o sofrimento; ele veio preenchê-lo com sua presença” (Jean Delumeau citando Claudel) O interessante que, por influencia, em parte, absorvemos a teoria maniqueísta – Mani, profeta do século III cuja proposta era colocar o mal em seu devido lugar, ou seja, no foco central. Para Mani o grande objetivo não pode ser, portanto, eliminar o mal, mas sim, separá-lo do bem. Essa teoria foi combatida pelos discípulos de Agostinho. (Marcos Costa, 2003) [3]

Por enquanto não tenho respostas. Meu vôo é simples e rasante. Ora, o “mal” é abstrato, possui amplas distorções e convenientes interpretações. Razão disso talvez seja a experiência pessoal de cada um. Séculos antes de Cristo Epicuro percebeu:

“Deus quer acabar com o mal, mas não é capaz?

Então não é onipotente.

É capaz, mas não o quer fazer?

Então é malévolo.

É capaz e quer fazê-lo?

Então de onde surge o mal?

Não é capaz nem quer fazê-lo?

Então por que chamar-lhe Deus?”

Quanto a isso, Andrés Torres Queiruga ironiza e trata o dilema de Epicuro como pressuposto, alerta-nos para coerência. “Nem um finito (de Voltaire a Hans Jonas), nem um deus malvado (como o insinuado por Cioran) resultam num conceito impensável”, no entanto, para nós, há razões imperscrutáveis. Deus amou o mundo de tal maneira que entregou seu filho à cruz para salvá-lo. (Queiruga, 2003, p. 131) [4]

No aspecto de liberdade, o desejo humano tem como característica atribuir, ele próprio, sua lei, e o ser humano realizar sua essência quando obedece à lei moral. Sinto um espírito teimoso impulsionando-me a fazer uma leitura romântica, porém, esbarro nos textos bíblicos e nas interpretações de séculos. Apesar de delimitado, em si mesmo, o tempo todo adjunto apontamentos que iluminam em varias direções. Não é razoável negá-lo ou expurgá-lo do mundo. Sem o mal como possibilidade “não é possível tal mundo, por a raiz última do mal, sua condição de possibilidade, situa-se na finitude”. Leibniz (Queiruga, 2003, p. 131)

Hannah Arendt, referindo-se ao tema banalidade do mal, no livro A vida do espírito, escreveu:

Será o fazer-o mal (pecados por ação e omissão) possível não apenas na ausência de “motivos torpes” (como a lei os denomina), mas de quaisquer outros motivos, na ausência de qualquer estímulo particular ao interesse ou volição? Será que se defina este estar “determinado a ser vilão” – não é uma condição necessária para o fazer-o-mal? Será possível que o problema do bem e do mal, o problema de nossa faculdade para distinguir o que é certo do que é errado, esteja conectado com nossa faculdade de pensar? Seria possível que as atividades do pensamento como tal – hábito de examinar o que quer que aconteça ou chame atenção independente de resultados e conteúdo específico – estivessem dentro das condições que levam os homens a se absterem de fazer o mal, ou mesmo que ela os “condicione” contra ele? [5]

De vez enquanto me volto para reflexões com idéias que norteiam essa investigação e se alinham a todo tempo com a liberdade do ser. Estou certo que no cristianismo esta matéria carece de uma nota distintiva. Como um trilho que segue na mesma direção a Soberania de Deus e Liberdade humana, nos conduz pela zona de convergência da moralidade e rebeldia. Isto é fato. Portanto, o bem e o mal estão enraizados na liberdade humana.


[1] Meta-historia: a história por trás da história da salvação. Soberania de Deus e Liberdade humana.

[2] De acordo com a teoria kantiana o mal é positivo “o não bem pode chamar-se mal positivo” considero necessário para o desenvolvimento humano.

[3] Maniqueísmo: História, Filosofia e Religião. Vozes, Petrópolis, 2003.

[4] Esperança apesar do mal, Paulinas, São Paulo, 2003. p.131

[5] A vida do espírito: pensar, o querer, o julgar, p. 5,6.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Wer Bin Ich? Quem Sou Eu?

Projekt1 Esse domingo passado não resisti a tentação e sai do culto antes da pregação. Peguei minha bicicleta e fui para casa. Lavei a louça que estava ainda suja na pia. Coloquei o DVD de Bonhöffer e fui passar o resto da roupa. Depois voltei para o cafezinho e um bom bate papo.

Acho que sai no lucro…

Quem sou eu? Freqüentemente me dizem
Que saí da confinação da minha cela
De modo calmo, alegre, firme,
Como um cavalheiro da sua mansão.

Quem sou eu? Freqüentemente me dizem
Que falava com meus guardas
De modo livre, amistoso e claro
Como se fossem meus para comandar.
Quem sou eu? Dizem-me também
Que suportei os dias de infortúnio
De modo calmo, sorridente e alegre
Como quem está acostumado a vencer.

Sou, então, realmente tudo aquilo que os outros me dizem?
Ou sou apenas aquilo que sei acerca de mim mesmo?
Inquieto e saudoso e doente, como ave na gaiola,
Lutando pelo fôlego, como se houvesse mãos apertando minha garganta,
Ansiando por cores, por flores, pelas vozes das aves,
Sedento por palavras de bondade, de boa vizinhança
Conturbado na expectativa de grandes eventos,
Tremendo, impotente, por amigos a uma distância infinita,
Cansado e vazio ao orar, ao pensar, ao agir,
Desmaiando, e pronto para dizer adeus a tudo isto?

Quem sou eu? Este, ou o outro?
Sou uma pessoa hoje, e outra amanhã?
Sou as duas ao mesmo tempo? Um hipócrita diante dos outros,
E diante de mim, um fraco, desprezivelmente angustiado?
Ou há alguma coisa ainda em mim como exército derrotado,
Fugindo em debanda da vitória já alcançada?

Quem sou eu? Estas minhas perguntas zombam de mim na solidão.
Seja quem for eu, Tu sabes, ó Deus, que sou Teu!

Ditrich Bonhoeffer

Tirado daqui: Poesia Evangélica.

terça-feira, 16 de junho de 2009

E a vida

E a vida será bem mais fácil se descartarmos, de uma vez por todas, a ingênua ilusão de que a vida, um dia, será bem mais fácil.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Somos um só corpo

Olhos: - Agora já vamos andando!

Pés: - Isso queremos ver!

sábado, 13 de junho de 2009

Atos na linguagem de hoje

Então Paulo caiu do seu cavalo:

- Senhor, o que queres que eu faça?

- Saulo, até agora você esteve na religião errada. Deixe de ir à sinagoga. Procure uma igreja. Lá em Damasco tem uma, eles se reúnem no domingo e há um tal de Ananias ele te ensinará as doutrinas básicas da fé em uma classe de catecismo. Quando você mostrar-se bem comportadinho (a melhor maneira de mostrar que você mudou de vida é parar de beber qualquer bebida alcoólica, corte o vinho) você poderá ser batizado, desde que me confesse como seu pessoal senhor e salvador. O Ananias vai te explicar melhor isso tudo (ou talvez não). Mas depois tente entrar para o coral é a melhor maneira de começar a servir e fazer carreira, pois no final te usarei como missionário. Mas antes disso você terá que estudar teologia… Talvez alguns dos meus discípulos possam te ajudar nisso. Afinal gastei os últimos 3 anos de minha vida com eles é de se esperar que tenham aprendido toda a ortodoxia de minha fé. Se você continuar solteiro terá melhores chances com as igrejas que exigem o celibato no ministério. No mais boa sorte!

- Ah… mais uma coisa seu público alvo são os gentios… então nada de pregar para judeus se você quiser ser eficaz!

Goiabas Roubadas

Tem poucas coisas na vida capazes de melhor nos derrubar ou nos colocar pra cima do que as lembranças do tempo de infância. Ontem, ao ver minha filhinha correndo atrás de uma bolinha na grama e feliz a chutá-la, ou me lembrando do episódio narrado por Egg e seus filhos no “fundão”, ficou-me a forte impressão de que a felicidade se esconde em outro lugar de nosso subconsciente.

Na verdade esse pensamento só me veio agora como pretexto para contar-lhes um outro causo. A luz que irradia daqueles pequeninos nesses high lights da vida clareiam em nossas almas outros “meninos, ou moleques” que costumam nos dar a mão quando as bruxas aparecem.

Então lá estava ele, como todos outros da rua, a olhar a goiabeira que crescia no barranco da casa de esquina. Só de me lembrar chega à boca o gosto azedo da goiaba pequenininha e da casca verde escura com um miolo branco e levemente rosado e duro. Até aquele dia não existia para ele goiaba madura na face da terra.

Abacate, sim. Estes vinham com fartura do quintal do vizinho. Banana era do quintal lá de casa mesmo. Mas obviamente era a fruta mais sem graça. Embora devorássemos todas in natura e processada como picolé. Outras frutas como pitanga e carambola surgiriam só mais tarde num quintal do interior. Ali em BH as opções eram mais limitadas.

Mas as goiabas... não dava para esperar madurar. Sorte o moleque tinha se conseguisse pegar uma de uns 4 cm de diâmetro. Já era lucro.

É claro que o dono da casa da esquina, um desses caminhoneiros com o braço da grossura de uma perna, proibia a rapina. O que tornava aquelas frutinhas sem graça uma delícia.

Certo dia porém, lá estava ele, o menino, com sua perna cheia de pereba, seu short meio rasgado, sua blusa encardida a olhar pelo muro a “paradeza” da rua. Sem pretensão nenhuma, avistou do outro lado, lá no barranco algo meio amarelado na goiabeira. Será? Não! Seus vários aninhos de experiência só podiam provar o contrário, daquela goiabeira não vem fruto maduro.

Por via das dúvidas desceu correndo a rampa abriu o portão da garagem e subiu desesperado o barranco se agarrando em quase tudo que via e podia com o coração a palpitar de medo. Talvez chegue o caminhoneiro mal, ou as crianças maiores (diga-se de passagem, que eram bem piores). Mas zapt! Lá estava ele com aquela goiaba madurinha, gigante e docinha nas mãos.

Pronto: de forma bruta foram escritas em minha alma verdades teológicas irremediavelmente inapagáveis, dentre elas a da eleição, da fé e da graça.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Anno 2040

Nossa Senhora! Não sei o que está acontecendo, mas enquanto tomo meu café e leio os jornais de hoje percebo que alguma coisa aconteceu de errado com meu PC: Foi no Blog que notei alguma coisa de estranha. Ao abri-lo vi que a data estava exatamente a de 31 anos atrás. 12 de junho de 2009!

Bom dia, amigos do passado!

Não sei se poderia chamar isso de PC, não é, pelo menos, nos moldes que vocês conhecem e eu conheci há três décadas. Está tudo aqui integrado na minha mesa de café. A mesa é uma grande tela de vidro transparente. Eu posso abrir e chamar qualquer canal de comunicação e posicioná-lo confortavelmente próximo a mim no tamanho que quiser. Claro que não existe mais teclado e tudo é na base do touchscreen.

Pois bem, aqui à minha esquerda, um pouco acima de minha taça e pires estão alguns jornais digitais que “folheio” displicentemente ao acariciar a mesa com meus dedos. À minha direita está meu bloco do 'Targeted', no qual digito alguns pensamentos que vão sendo publicados em diversos outros canais. Ainda mantenho meu Blog, apesar de esse já ser um canal ultrapassado. Alguns de nossos leitores já não estão aqui com a gente mais. Seria engraçado receber um comentário daquele pessoal de 30 anos atrás, quando comecei o “Teologia Livre”.

Outros insistem ainda em desfrutar da vida desse lado do universo e mantém seus “Blogs”. Eu entendo o desejo deles de permanecerem afinal a vida melhorou bastante aqui no Brasil e no mundo em geral. (Pois é, após minha aposentadoria voltei finalmente para a terrinha).

Só para vocês terem uma idéia do que falo vou listar algumas das notícias que leio aqui do lado:

1. Ao lado dos indicadores econômicos como cotação do dólar x peso (agora temos uma moeda unificada na América do Sul), bolsa, índices de inflação e desemprego e etc., temos um indicador da distribuição de renda que é monitorado pelo governo. E pasmem: a cada ano a distribuição de renda vem melhorando no Brasil e estamos em níveis bem melhores que USA ou EU. De fato não existe mais no Brasil aquela miséria de 30 anos atrás.

2. A violência não é mais tema dos jornais. Claro que existe ainda. Mas após a liberação das drogas o cartéis foram desaparecendo. Hoje não existe mais crime organizado nas “favelas”.

3. Favelas... Essas desapareceram por completo. Salvo algumas áreas, que coisa mais irônica, que foram mantidas como pequenos museus para visitação pública. Claro que não mora mais ninguém lá. Mas funcionam como uma espécie de memorial para lembrar-nos que nunca mais queremos que um ser humano viva nessas condições novamente.

4. O fantasma do aquecimento global finalmente desapareceu. Não sem deixar suas seqüelas. Há umas duas décadas mais ou menos a coisa ficou feia. A neve simplesmente não parou mais na Europa. Foi como se começasse uma nova era do gelo. Todos ficaram apavorados. Foi só então que a atenção dos USA e toda comunidade global se voltou de forma concreta para o problema. A emissão de CO2 foi reduzida drasticamente. O desmatamento na Amazonas foi finalmente freado e iniciou-se uma nova fase de reflorestamento com espécies nativas. Aos poucos o clima foi se normalizando. Só não voltei para o Brasil nessa época por causa do calor exagerado. O mar começou a subir e chegar bem perto... Hoje está tudo novamente como você conheceu há 30 anos e um pouco melhor.

5. Cada vez mais, fontes de energia limpa foram sendo desenvolvidas, implantadas e usadas pelas pessoas. A qualidade do ar e das águas está cada vez melhor e mais limpa.

6. A igreja evangélica cresceu no Brasil até ao ponto de superar o número de fiéis católicos. Depois houve um esfriamento e ambas perderam muitos adeptos. Algumas denominações simplesmente desapareceram. Hoje, apesar de alguns velhinhos insistirem em ir aos templos, que estão quase vazios, a grande maioria de cristãos se reúne em comunidades cristãs “alternativas”, a maioria sem local fixo. Tudo é muito espontâneo e sem estrutura. O pessoal se encontra virtualmente e marcam um local para estarem jutos. Lá acontece um grande “bate papo” depois reservam algum tempo para oração. Nesse “bate papo” há muitas manifestações dos dons do Espírito e algumas decisões bem práticas são tomadas para a semana. Às vezes há música, mas nem sempre, depende do clima. Não há pregações. Na verdade não poderíamos chamar isso de culto, ao moldes do que você conhece hoje, ou melhor, há trinta anos atrás. Essas comunidades tiveram um papel muito importante na erradicação da miséria no Brasil e no mundo a fora.

7. Finalmente vem a parte que eu mais gosto. O cruzeiro já foi campeão brasileiro mais 7 vezes! Foi um total monopólio, já estava quase sem graça, foi um tri-campeonato seguido e conseqüentemente 4 vezes campeão da libertadores da América. Em Tóquio ganhamos 2 vezes. Mas também com o clima congelado na Europa e o salário melhor no Brasil conseguimos manter nossos melhores jogadores.

Incrível, pois nesse dia havia postado algo sobre a tomada de decisão relacionada à faculdade de se conhecer acontecimentos futuros. Com certeza vocês já devem todos tê-lo lido. Então tomarei a liberdade de postar esse outro texto. Não sei se ele será publicado no ano de 2009... Provavelmente não. Quero ver o que acontecerá. Talvez nos comentários ficará claro o que aconteceu.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Uma outra saída

Quem quiser verdadeiramente reformar a igreja jamais será convidado a entrar pela porta da frente.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Que é, pois, o tempo?

“Se ninguém me pergunta, eu sei; mas se quiser explicar a quem indaga, já não sei. Contudo, afirmo com certeza e sei que, se nada passasse, não haveria tempo passado; que se não houvesse os acontecimentos, não haveria tempo futuro; e que se nada existisse agora, não haveria tempo presente. Como então podem existir esses dois tempos, o passado e o futuro, se o passado já não existe e se o futuro ainda não chegou? Quanto ao presente, se continuasse sempre presente e não passasse ao pretérito, não seria tempo, mas eternidade. Portanto, se o presente, para ser tempo, deve tornar-se passado, como podemos afirmar que existe, se sua razão de ser é aquela pela qual deixará de existir? Por isso, o que nos permite afirmar que o tempo existe é a sua tendência para não existir.”

santo Agostinho, em suas Confissões

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Um pouquinho de amor

É de um pouquinho de amor

é de um pouquinho de amor que eu preciso

para me manter adiante, para me manter rindo

é o amor que me faz respirar

I'm in love with the place
where I was born
Where I've lived my life in harmony
with every new dawn

I'm in love with the people
that I know
With whom I share my tears of laughter
the times I feel low

It's a little bit of love
it's a little love I need
to keep me going, keep me smiling
It's love that makes me breathe
It may be Finland, France or Spain
Berlin, Prague or Rome
It's the place where you live
where your heart feels at home

There's a world that is bigger
than my own
Where they strive to try and unify
to dull monotone

Every change that really matters
comes from within
When in love we stand together
through thick and thin

It's a little bit of love
it's a little love I need
to keep me going, keep me smiling
It's love that makes me breathe
It may be Amsterdam or Bern
Sweden or UK
where your heart is at home
you will feel OK

It's a little bit of love
it's a little love I need
to keep me going, keep me smiling
It's love that makes me breathe
It's a little bit of love
it's a little love I need
to keep me going, keep me smiling
It's love that makes me breathe

To keep us going, keep us smiling
It's love that makes us breathe

Composer, säveltäjä: Luca Genta
Text, sanoittaja: Gerrit aan't Goor

terça-feira, 2 de junho de 2009

Conheceria Deus o futuro? (parte 5)

“... nunca esqueçam que até ao dia em que Deus se dignar desvendar o futuro ao homem, toda a sabedoria humana residirá nestas palavras: Esperar e ter esperança!”

O Conde de Monte-Cristo de Alexandre Dumas

Para mantermos o raciocínio em um patamar menos abstrato peguemos um exemplo bem prático, antes de avançarmos para o nosso primeiro texto bíblico:

A crise financeira traz incertezas ao mundo empresarial. Os clientes não têm crédito para comprar. Os gerentes querem prever um volume de vendas para poderem planejar melhor as atividades da empresa e dos empregados. A crise impossibilita esse planejamento. Ao invés de esperar e ter esperança, os gerentes são assaltados pelo medo e pala angústia em relação às incertezas do futuro. A tendência humana é começar a fazer prognósticos pessimistas e através do esforço próprio tentar chegar a resultados menos pessimistas.

Teria Deus poder para saber se determinada empresa sobreviverá ou não à crise? Conheceria Ele o futuro de todas as empresas? Poderia Ele como que afirmar para empregados ansiosos, seu emprego será mantido ou você em breve estará no meio da rua?

Enquanto viajo para casa no ICE, um expresso intermunicipal entre Nurembergue e Munique, a mais de 300 Km por hora observo a paisagem lá fora. Passando pela ponte sobre o rio Danúbio observo o sol se esconder por entre algumas nuvens deixando transpassar alguns raios que ressaltam as cores vivas da primavera européia. Deus criou tudo com perfeição! Ele é mesmo todo poderoso.

Ao mesmo tempo, me lembro de uma tarde em que também viajava, aquela vez em uma Pick-up, com um querido tio meu e chegávamos a Belo Horizonte pelo anel rodoviário próximo ao bairro São Paulo. A pobreza e miséria daquelas “casas” agridem em todos os sentido (bom ou ruins) os nossos sentidos, e arrancaram uma exclamação curiosa de tio Efigênio: “É... se não existir inferno tem muita gente levando ferro...”

Trago aqui em minha reflexão esse contraste somente para lembrar a questão de choque de vontades. Algumas vezes as vontades divina e humana são perfeitamente harmônicas outras vezes não (lembremos que vontade é algo que aponta para o futuro).

Agora posso trazer à nossa mente o primeiro versículo Bíblico:

“Seja feita a tua vontade assim na terra como no céu”.

A única razão de Jesus nos ensinar a orar dessa maneira é obviamente porque a vontade divina não é feita na terra assim como ela feita no céu. No céu ela é plenamente cumprida, já aqui na terra... (talvez exista um provérbio germânico que diga: a vontade de Deus é que sua vontade seja cumprida).

Quero agora (arbitrariamente) retomar à questão da crise financeira. Tomemos a situação de um empregado qualquer que chamaremos de Joaquim. Claro que vários fatores estão envolvidos, em uma relação de causa e efeito, para poder se chegar a uma assertiva se o seu Joaquim que trabalha para a firma Silva S.A. continuará ou não empregado.

Enquanto nosso trabalhador espera e mantém a esperança, Deus mantém o seu silêncio. Quererá Deus que ele saia da empresa, pois teria algo melhor para ele? Será que o momento é de provação para permitir ao fiel mostrar sua fé? O que ele poderia ou deveria fazer? Nosso amigo se encontra em uma crise maior:

“Seja feita a tua vontade! Mas qual é ela?”

“Não seja feita a minha vontade, mas a Tua. Mas o que eu de fato quero?”

“Como será, querido, se a firma abrir falência?” - Pergunta a companheira de nosso amigo? “Eu não sei, meu bem, o que o futuro tem preparado para nós.” – responde ele paciente e pesarosamente.

A situação se agrava. Nosso amigo chega ao fim de suas forças. Tudo indica o pior.

Kierkegaard, do passado, timidamente grita para ele: “O salto, seu Joaquim, o salto!”

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segunda-feira, 1 de junho de 2009

A coisa mais importante

“A coisa mais importante é: que a coisa mais importante não deixe de ser a coisa mais importante.”

provérbio germânico.