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sexta-feira, 31 de outubro de 2008

A internet é instrumento de Deus ou do Diabo?

29413_chaplin400 Pastor e o filho quase adolescente conversam sobre o uso da internet:

- Meu filho você tem ficado tempo de mais na internet! 

- Sim papai mas aqui tenho feito amigos...

- Esse é o meu medo, faça amigos aqui na vizinhança, não no mundo virtual.

- Mas me identifico mais com os meus amigos virtuais e tenho também amigos aqui na vizinhança e você já se queixou deles também...

- Filho, já conversamos sobre isso: você acha que a internet é usada mais por Deus ou pelo Diabo?

- Papai, eu acho que ela é mais usada pelas pessoas...

Baseado em Quinhoar

Foto: Charles Chaplin brincou de diabo, fazendo chifres com os próprios dedos. A foto marca a despedida do cineasta dos Estados Unidos, quando o país perseguia os comunistas.

Cobertura espiritual, instituições e revolta (1)

image Ninguém  como Rubem Alves em seu livro "A Alegria de Ensinar" expressou e traduziu melhora minha outrora "Tristeza de Estudar".

Fui educado em bancos de escola pública em época de ditadura militar debaixo de um legalismo positivista que pensava nos conduzir a "Ordem e Progresso" na base da força. A escola era mera instituição alienada de sua comunidade, onde o diretor era o homem que mais chingava palavrões que eu já cohecera.

As professoras e supervisoras todas vindas de berços católicos, não se diferenciavam em quase nada (segundo meus colegas do colégio batista narravam) das protestantes. Éramos obrigados a rezar o pai nosso e ave marias e pedir ajuda a santos e anjos todos os dias antes das aulas. Coisas da cultura mística brasileira... Não havia muito espaço para a razão, para o livre arbítrio ou liberdade.

Poucas vezes em raros dias sentíamos-nos ali amados. Na época nem fazia idéia do salário de uma professora. Hoje tenho melhor noção do que era o amor delas pela profissão. Com o passar dos anos as greves foram tornando-se mais freqüentes.

Também não éramos pefeitos, nem anjinhos. Eu especialmente não. Como Rubem Alves, Fernando Sabino também traduziu extraordinariamente bem esta revolta (que não deixa de ter seu lado mesquinho e orgulhoso) que aflige uma alma presa a uma instituição opressora, conservadora e reacionária.

"Odiava o Ginásio, o regulamento, a disciplina, a sujeição aos professores. [Eduardo] Prometeu a si mesmo vingar-se daquele lugar — não sabia bem de quê — no último dia em que viesse ali, quebrando o globo de iluminação da entrada. Sentia-se diferente de todos, superior, privilegiado, único. Olhava com desprezo a massa ignara dos colegas, seres vulgares, relaxados, não sabiam se vestir, andavam despenteados, suados, sujos, jogavam bilhar, preocupavam-se com os exames — passar nos exames era tão fácil!

(...)

Eduardo deixava aquele lugar sem saudade. Não chegou a ter outra conversa com o diretor: pouco tempo depois o padre morria, nem houve solenidade de formatura por causa disso.
No último dia não chegou a quebrar o globo de luz da entrada principal.

(...)

O prédio, assim fechado, pareceu-lhe triste e envelhecido — não havia alunos, estavam em férias. Havia um poste de iluminação à entrada principal, o globo não fora quebrado. Agachou-se, apanhou uma pedra e atirou-a. Errou o alvo e foi-se embora, envergonhado, temendo que alguém tivesse visto."

Fernando Sabino em O encontro marcado

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

A Reforma é anti-bíblica (2)

Dietrich_Bonhoeffer

2) Menos fé – “a fé não costuma falhar” cantou Gilberto Gil, mas falha, principalmente se está baseada só na vontade humana, se está fora da palavra de Deus, ainda que para se justificar use de textos bíblicos. Milagres prometidos e não realizados têm frustrado pessoas e comunidades inteiras. Por questões de fé, ao longo da história, pessoas têm matado umas às outras. A “reforma” declarou que a salvação é só pela fé, assim ninguém precisa e nem pode comprar os céus, seja por meio de indulgências ou das obras. Mas há poucas décadas atrás, Bonhoeffer já nos advertia sobre os perigos de uma fé sem obras, baseada numa graça barata (bareteada). Advertência esta que se encontra de forma explícita em nosso livro sagrado. Mas deixemo-lo um pouco na prateleira e vamos agora praticar coerentemente aquilo que temos lido e aprendido lá, para que possamos de fato aprender a lição.

(continua…)

Leia também A Reforma é anti-bíblica (1)

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

A Reforma é anti-bíblica (1)

image

Biblicamente falando, o objetivo de Deus, a grande ênfase de gênesis a apocalipse, sempre foi um novo começo e não reformar o velho. Por exemplo, Deus não reforma o coração humano, mas lhe dá um novo. Deus não reformou o judaísmo, mas deu início a uma nova forma de culto e adoração. Deus não reformou o tabernáculo, mas construiu um novo templo. Deus não esteve preocupado em reformar a igreja (instituição), mas ao longo da história promove novos movimentos autônomos. Por isso os chamados reformadores nunca existiram. Não existe igreja reformada. No máximo existem novas igrejas que preservam elementos antigos.

Os paradigmas da “Reforma”, o modelo que ela propunha, a ênfase que levantou no valor das escrituras, da e da graça (Cristo e Deus adicionalmente) não teriam mais sentido hoje, na medida que estes pontos, até mesmo na igreja “católica” romana se tornaram enfáticos.

Por isso dói muito para nós que crescemos nos orgulhando desta grande descoberta de mais de 500 anos, de repente, ver-nos forçados a abandoná-la. A ênfase nas Escrituras, na Salvação pela fé e pela graça somente vem se tornando tão exagerada que para nos aproximarmos da vontade divina e da verdade revelada precisamos apelar para o outro extremo: menos Bíblia, por favor! Menos fé! Menos graça! Menos “Jesus”! Menos "glória" a Deus, pelo amor de Deus.

Vejamos separadamente cada ponto:

1) Menos Bíblia – Será que precisaria ser dito algo mais a esse respeito? Por um lado estamos todos nós fartos da hipocrisia dos doutores da lei evangélicos, do legalismo crente, do uso abusivo das escrituras que a melhor coisa a se fazer é dar férias aos livros sagrados e deixar que eles assumam novamente seu valor de sagrado. Por outro lado, há tanta riqueza na cultura secular que foi desprezada, banida, excomungada e queimada em praça pública (ou púlpito) que já passou da hora de valorizarmos o santo naquilo que Deus por graça deixou à humanidade não santa, por graça.

domingo, 26 de outubro de 2008

A Eleição

O Ego é um sujeito muito estranho.

Normalmente vários egos convivem muito bem em um só espaço até que um deles se infla, então todos os outros se sentem ameaçados.

Existem Blogs onde o autor mima seu próprio ego. Isso não é nada incomum e até certo ponto aceitável. O Blog pertence ao ego de quem o criou.

Já em Blogs coletivos, como esse se propõe a ser, as ameaças egoístas são mais perigosas.

Quando me interessei pelo assunto, Blog, e decidi criar um, logo imaginei precisar de um mecanismo para manter o Sr. Ego sobre controle. E abrir a porta para outros foi a melhor saída que encontrei.

Agora entremos no tema título: eleição. Algumas pessoas foram “eleitas” para o grupo de colaboradores. O senhor Ego logo protestou: “se teremos parceiros, EU então os escolherei”.

Fomos bisbilhotar no Blog Visão Integral. E sugeri então convidarmos o Beto. O Ego se contorceu um pouco, fez cara feia, mas acabou concordando. Hoje ele (o Ego) me agradece por isso. Tem sido mesmo enriquecedor esse relacionamento virtual com nosso amigo de Pouso Alegre.

Me lembro da dica do Brabo sobre o Três de Paus e chegamos no Alyson, e no saudoso Hitoleu...

Depois vieram outros o Vítor, o Felipe, o Chagas, a Jaqueline. Tínhamos um pacto lá no Fraternus, quem comentasse recebia a senha para ser colaborador.

Um dos últimos a chegar foi o Alex que como outros foram descobertos pelos seus textos na Ultimato.

Com tanta gente boa no pedaço o Ego começou logo a andar de salto alto: “olha só quanta gente boa EU achei...”.

Mostrei então pra ele que existia um nível superior na Blogesfera, o bairro nobre. Aquela turma com aura santa que às vezes aparecem como estrelas no céu de uma grande cidade em noites de blackout.

O Ego então entendeu o lugarzinho dele. E viu que mais que um eleitor ele sim é que estava sendo eleito, por simples graça, por um gesto de nobreza e camaradagem.

E o que isso tem a ver com teologia? (O Ego já sussurrou aqui: “Aquele que tem ouvidos para ouvir, ouça”.

sábado, 25 de outubro de 2008

Pais e filhos

image"Se perguntarem-me qual é o relacionamento mais profundo que se pode imaginar, muitas pessoas dirão é o romântico, ou entre marido e mulher. O caso pode ser esse, de qualquer forma, da perspectiva cristã, nenhum relacionamento é mais misterioso e mais maravilhoso, e ainda algumas vezes mais turbulento, do que aquele entre pais e filhos. A profundidade e a maravilha começa com tudo o que conhecemos sobre o relacionamento de Deus o Pai e Deus o Filho, enquanto o aspecto problemático origina-se da queda. Considere a rebelião da Absalão contra o rei Davi no velho testamento..."

[Introdução de Os Guinness à sua resenha sobre Crazy for God de Frank Schaeffer um bom texto que alerta sobre o nepotismo no meio eclesiástico. Além, é claro, de trazer um pouco mais de luz sobre as sombras que vem pairando sobre essa personalidade do passado evangelical recente.]

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

As aves (e as denominações) que aqui gorjeiam...

por Robson Cavalcanti

image Recentemente, ao iniciar uma palestra em uma conferência teológica, saudei a platéia “em nome daquela Igreja que não foi fundada por Henrique VIII, e nem é comandada pela Rainha da Inglaterra”. Estava me referindo ao lamentável fato de que seminários teológicos evangélicos, em suas aulas de história do cristianismo, repetem clichês que não fazem justiça aos fatos.
No caso do anglicanismo, há um silêncio sobre os séculos da Igreja Celta autônoma e não se trabalha a complexidade da Reforma Inglesa, que começa com John Wycliffe e vai até a Revolução Gloriosa de Guilherme e Maria de Orange. Não se destaca o papel das Universidades de Cambridge e Oxford, ou o gênio do Arcebispo de Cantuária Thomas Cranmer, ou que após Henrique VIII a Inglaterra voltou ao catolicismo romano, passou por uma ditadura presbiteriana com Oliver Cromwell, pelo estabelecimento Elizabethano, por novas tentativas de volta a Roma, e que, somente com a Revolução Gloriosa, tanto o anglicanismo quanto o parlamentarismo vieram a ser consolidados. Ou seja, a Reforma Inglesa viria com Henrique, sem Henrique ou contra Henrique, que, no fundo, foi um personagem menor nesse conjunto de fatores.
Representantes das igrejas orientais têm semelhante queixa, quando afirmam: “Os seminários protestantes dão uma versão católica romana sobre a separação entre ocidente e oriente”. Normalmente, o conhecimento das lideranças protestantes sobre o cristianismo do oriente é perto de zero. Como falar que o oriente se separou de Roma, quando os seus patriarcados autocéfalos são anteriores, ou, no caso das Igrejas Pré-Calcedônicas, estas nunca poderiam ter se desligado de algo com a qual nunca foram ligadas?
A antropologia nos ensina que uma das nossas limitações é o etnocentrismo: tendemos a ver o mundo a partir do nosso lugar e a história a partir do nosso tempo, o que gera grandes distorções.
Outro dado interessante é que denominações diversas têm posições diversas em lugares diversos e em épocas diversas. Enquanto, por exemplo, os congregacionais são, em geral, ortodoxos no Brasil, eles encabeçaram o liberalismo nos Estados Unidos (inclusive criando a Igreja Unitariana Universalista), e defendiam a teologia da libertação na Suécia. Batistas podem ser conservadores no Brasil, ou no Sul dos Estados Unidos, mas não o são, necessariamente, no Norte ou no Reino Unido. Presbiterianos tendem a ser teologicamente conservadores no Brasil, mas nos Estados Unidos (PCUSA) já autorizaram, oficialmente, a chamada “solução local” (decisões de presbitérios) para a realização de ritos sobre uniões do mesmo sexo.
Enquanto os presbiterianos estão em declínio na Escócia, crescem, e muito, na Coréia. As igrejas luteranas estão virando museus vivos na Escandinávia, mas conhecem um crescimento fenomenal na Etiópia e na Tanzânia.
Veja o caso do anglicanismo. Quase todo mundo evangélico brasileiro é alimentado pela leitura dos nossos autores, como John Stott, C.S. Lewis, J.I. Packer, Michael Greene, Os Guiness, Alister McGrath, N. T Wright, e tantos outros. Mas, a quase totalidade das editoras esconde a identidade desses autores, “com vergonha” porque eles são anglicanos, e com medo de terem prejuízo na comercialização das obras. E por quê? Além do preconceito anti-litúrgico do nosso protestantismo “anabatistizado”, o anglicanismo no Brasil é principalmente representado pela Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) — que não lê aqueles autores — de linha católico-liberal, alinhada com a Igreja Episcopal (dos EUA), mas que integra uma reduzida minoria no conjunto da Comunhão Anglicana.
Tenho afirmado que dos 164 países onde o anglicanismo se faz presente, em 150 não se encontra um liberal nem para se fazer um chá. Na Conferência de Lambeth de 1998, a maioria ortodoxa — que é a verdadeira cara do anglicanismo mundial — aprovou com mais de 80% a Resolução 1.10 sobre Sexualidade Humana, consentânea com as Sagradas Escrituras e a herança apostólica e reformada.
De fato, temos no Brasil de hoje um “anglicanismo de gene Robinson”, representado pela IEAB, e um “anglicanismo de John Stott”, representado pela Diocese do Recife.
Nenhum ramo do cristianismo, portanto, tem o monopólio da virtude ou do pecado, embora, de lugar para lugar, e de época para época, a virtude ou o pecado possa prevalescer.
Ler mais, dialogar mais, viajar mais, até que ajuda. Ou, sempre relembrando o poeta pátrio: “As aves (e as denominações) que aqui gorjeiam, não gorjeiam (nem se posicionam) como lá!”.
Dom Robinson Cavalcanti é bispo anglicano da Diocese do Recife e autor de, entre outros, Cristianismo e Política -- teoria bíblica e prática histórica e A Igreja, o País e o Mundo -- desafios a uma fé engajada.
www.dar.org.br
* Publicado originalmente em “Reflexão Episcopal” da Diocese do Recife — Comunhão Anglicana, com o título NEM TODOS OS GATOS SÃO PARDOS -- Compreendo “nós” e “os outros"

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Para refletir

O mistério que cerca a realidade revela que Deus está mais próximo das coisas do que elas de si mesmas.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Teologia: " A morte de Deus!"

A morte de Cristo não é entendida por muitos. Outros rejeitam à interpretação apresentada. Trata-se de um paradoxo! Ora, não existe lógica na teologia do sacrifício. Apenas aceitação. Isto requer motivação e confiança nas promessas. Do contrário, o sofrimento e sacrifício perdem o sentido. Temos nossas causas, dores, sofrimentos, lutas e injustiças. Afinal, quem clamaria por um Deus derrotado, fraco e morto? Deus abriu espaço abdicou de seu poder e se fez fraco, “…isto é o meu corpo que é partido por vós;… E por amor, Ele se aproximou de nós. De fato, é uma questão expressiva e necessária para nossa compreensão:

Para iluminar nosso entendimento, podemos dizer que estamos diante de nosso primeiro elemento:

De acordo com Dietrich Bonhoeffer, em suas cartas da prisão, falando acerca da “morte de Deus”, (devido expressões estranhas de: Ludwig Feuerbach - Deus é alienação, de Laplace – Deus é uma hipótese desnecessária e de Nietzsche - Deus morreu! Deus continua morto! E nós o matamos!!,) Bonhoeffer argumenta… “…na direção da autonomia do homem… completou-se, de certa forma, em nossa época. O homem aprendeu a lidar com todas as questões de importância sem recorrer a Deus como uma hipótese funcional… Cada vez torna mais evidente que tudo funciona normalmente sem Deus. Já se admite que o conhecimento e a vida são perfeitamente possíveis sem ele.” Dietrich Bonhoeffer, Cartas da Prisão,Nova York: Mc Millan 1962, 208

Pois bem, nosso segundo elemento e primeira tentativa encontra força no argumento do teólogo Juan Segundo, citando Santo Agostinho:

“Pode, assim, recolher a citada frase de Paulo (Qual? II Coríntios 5:15,16) - E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou. Assim que daqui por diante a ninguém conhecemos segundo a carne, e, ainda que também tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo agora já não o conhecemos deste modo.) (inserção e grifo meu). Sobre o duplo conhecimento de Cristo e levar esta notável asserção até as últimas conseqüências, numa das frases mais radicais escritas a propósito do condicionamento humano assumido pelo Deus-verdade com uma Encarnação: “O próprio Senhor, enquanto se dignou ser nosso caminho, não quis nos reter, apenas quis passar” Para que nós caminhássemos, era, pois, necessário que ele se perdesse de vista…”

Nestas conjunções e articulações, Jon Sobrinho traz uma contribuição para nossa segunda tentativa:

“O negativo da história não pode ser aprendido sem mais no horizonte de uma história universal, pois a negatividade é precisamente o que impossibilita a compreensão totalizante da história. Não se pode incluir o negativo na totalidade como se fosse um elemento a mais, mas é na superação do negativo concreto que se vai abrindo a história, sem poder decidir de antemão em que consiste a totalidade. Enquanto houver a dor, a miséria e a injustiça a história não pode ser compreendida em sua totalidade, a não ser ao modo de esperança contra a esperança, e isso inclusive depois da ressurreição de Jesus. Pretender conhecer a totalidade ignorando eficazmente o clamor da negatividade não é possível na teologia cristã.” (grifo meu).

O apóstolo Paulo em (I Coríntios 15:28,31) escreveu: “E, quando todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então também o mesmo Filho se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos. Eu protesto que cada dia morro, gloriando-me em vós, irmãos, por Cristo Jesus nosso Senhor.”

Neste ponto, preciso confessar que alegro meu coração: Pois, segundo Brian Mclaren, “Paulo abandona a descrição clara em forma de prosa e lança mão novamente da metáfora da colheita. Este corpo terreno de carne e sangue, diz ele, é plantado na morte como uma semente no solo. O ‘corpo celestial’ que cresce da semente é tão diferente (ainda que estejam relacionados) de nosso corpo atual como um pé de trigo é diferente (embora também relacionado) da semente da qual germinou. Existe continuidade, mas também existe continuidade. O que é perecível, desonroso e fraco, é ressuscitado imperecível, glorioso e poderoso”. Mclaren, D. Brian. A Mensagem Secreta de Jesus. Rio de Janeiro: Thomas Nelson, 2007.

Pois bem, firmamos nossas convicções de conciliar o sofrimento, a frustração e a derrota com a esperança de um final feliz. A ressurreição é um acontecimento escatológico irrevogável. Paul Tillich disse que “A Cruz é um fato altamente provável, a ressurreição é uma experiência misteriosa de uns poucos” A história se reorganiza porque Deus continua ativo… Isto é, fundamental, pois justamente na ressurreição Jesus responde nossas dúvidas. Então, mesmo sendo contraditório, acreditamos nAquele que morreu para, enfim, vivermos. Na Cruz, vimos Jesus em fraqueza por amor aos filhos de Deus. Inclusive, foi predito pelo profeta (Isaías 52:13) – “Eis que o meu servo procederá com prudência; será exaltado, e elevado, e mui sublime.”

Amém.

Chagas,francisco. Vibrações da alma, Icthus. p.137

É necessário "sentir a presença de Deus" para que a oração seja eficaz?

Há poucos dias ouvi, pela Internet, uma mensagem do Pr. Ed René Kivitz, por sugestão de um amigo e irmão em Cristo. O pastor discorreu sobre o texto de Sl 34.8, especialmente sobre a frase "Provai e vede que o SENHOR é bom", e, com bastante propriedade, falou acerca da falsa idéia que temos de experimentar Deus, sentir Deus como se fosse um objeto, como experimentamos uma comida. É que pensamos em provar Deus em termos sensoriais. "Provar", segundo o referido pastor, não é verificar se Deus vai dar resultado, mas, no processo da vida com Deus, perceber que Ele é verdadeiramente bom, conhecer o Seu caráter.
Aproveitando essa reflexão, outra me ocorreu: será que me sinto desmotivado a orar porque nem sempre sinto a presença de Deus? Aliás, o que é "sentir a presença" de Deus? Isso é tão enfatizado em minha igreja - e vem associado a emocionar-se, com ou sem o acompanhamento de línguas estranhas - que pelo menos para mim, que não sou de me emocionar facilmente, a exortação para sentir a presença de Deus se torna algo deveras desafiador!
Será que devo sempre me emocionar? Será que minha oração, para ser eficaz, tem que trazer emoção, aquela comoção que algumas vezes senti em determinado momento na conversa com Deus?
Olha, não se trata de que os pentecostais digam que a oração só vale quando a gente sente a presença de Deus. Não é isso. Todavia, parece-me que a ênfase no sentir acaba sendo tão grande que o cristão se vê obrigado a se pautar pela emoção, pelo sensorial, pela experiência mística. E, quando isso não acontece, vem a desmotivação, a frustração e o desgaste, conjunto este que precede uma solução de continuidade na disciplina da oração.
Em seu ensino, Jesus não disse nada sobre sentir a presença de Deus durante a oração. Por exemplo, em Mt 6.6-8, o Mestre diz que a) devemos orar em secreto, de porta fechada, dirigindo-nos ao Pai, "que vê em secreto" e que "recompensará"; b) não devemos orar com "vãs repetições", como os gentios - ah, os gentios também oravam? c) e devemos ter certeza de que nosso Pai sabe daquilo que precisamos, antes que lhe venhamos a pedir.
É certo que existe a oração no culto público, a oração coletiva, e não preciso detalhar esse caso. O que quero dizer é que no ensino de Jesus a orientação é para que estejamos convictos de que nosso Pai "vê em secreto". Não precisamos esperar uma sensação especial, um falar em línguas, que, se acontecer, terá sido glorioso, mas não essencial à oração.
Orar é dialogar com o nosso Pai. Ele nos vê e ouve. Também fala conosco. A Trindade atua na oração: o Pai ouvindo (Mt 6.9), o Filho mediando (Jo14.13), e o Espírito intercedendo com "gemidos inexprimíveis", porque "não sabemos orar como convém", e nos ajuda "em nossa fraqueza" (Rm 8.26).
Em suma: não precisamos de provas de que Deus está nos ouvindo. Ou cremos ou não cremos. Ou será que não temos a confiança recomendada em I Jo 5.14 e Hb 4.14-16. Jesus é nosso Grande Sumo Sacerdote! Tenhamos confiança diante do trono da graça!

sábado, 18 de outubro de 2008

Pelado, peladinho, peladão isso sim ou isso não?

E Deus disse: Quem te mostrou que estavas nu? (Gn 3:11)

MW20070818_01.jpg O Beto nos chamou a atenção essa semana para algo que aconteceu no Brasil esses dias: o discurso polêmico de Pedro Cardoso sobre a pornografia na TV brasileira.

Alguém comentou que o discurso de Pedro Cardoso foi exagerado, justamente para contrastar com o exagero que está por aí. Concordo.

Minha ilusão é que isso seja o início de uma nova era. Um discurso como esse que visa primordialmente conter a obrigatoriedade do nu, não intentou de forma alguma proibi-lo. E nisso há uma grande diferença.

O falso puritanismo

Esses dias, em que estou envolvido em decifrar alguns dos escritos de Francis Schaeffer, tido como um dos pais da direita evangélica americana me vem à mente esse exagero do pudor evangélico americano, com suas vertentes brasileiras. (Engraçado que normalmente nos Estados Unidos, ao contrário do Brasil, os católicos é que são vistos como pessoas que levam uma vida sexual mais regrada).

Todos nós sabemos graças à moderna psicanálise que a repressão de certos impulsos sexuais acabará causando efeitos colaterais indesejáveis. Dos piores deles é a própria vazão desses impulsos na hora errada, da forma errada e com a pessoa errada.

Como em um ambiente puritano sexo é tabu, tais situações são negadas, camufladas e tudo é varrido para debaixo do tapete. Esse é o problema.

O homem nu

Como na história do cronista mineiro, Fernando Sabino, por um simples descuido todo mundo, um dia, se vê nu, trancado fora de casa. Não há como fugir, como esconder. Deus nos vê como somos. E muitas pessoas enxergam aquilo que tentamos tampar.

Já ouvi um causo de uma família que no dia do batismo trocava de roupas atrás de um biombo, lá na frente da congregação, quando por descuido alguém esbarrou na armação, que caiu, e todo mundo viu o que não era pra ser visto. Após aquele abençoado culto, o casal teve que achar nas redondezas outra igreja para participar.

postei certa vez de como aqui na Alemanha a nudez é até certo ponto considerada algo normal pela sociedade. Uma amiga minha, casada com alemão, tinha que explicar pra ele que em Copacabana não se pode tirar a sunga na frente de todo mundo para vestir a calça. Aqui isso é normal.

O problema é que nossa cultura é nesse aspecto carregado de muita malícia. Nossos “melhores” palavrões, para xingarmos políticos safados, o martelo que acertou em cheio nosso dedo ou motoristas barbeiros, são os apelidos populares de nossos órgãos sexuais ou atividades sexuais lícitas ou ilícitas. Não sou de praguejar. Até acho bem pior quando ouço um alemão usando a palavra, crucifixo, para amaldiçoar algo. Mas por que damos uma conotação tão negativa ao nosso corpo e ao sexo?

No fundo acho que esses ativistas (que devem ser discípulos de Isaias - Is 20:3) prestam um serviço à sociedade ao usar a nudez como arma de protesto. É como se a essência de todo protesto fosse: olhe, somos contra esses abusos (ecológicos, bélicos, econômicos) e tiramos a roupa para mostrar que a humanidade (diante desses abusos) continua a mesma ao ser expulsa do Éden. Todos nós carecemos de ser vestidos de forma verdadeira e não colar máscaras e tamparmos nossa vergonha de forma hipócrita.

A liberdade

Mas uma coisa é castigar toda nudez e outra bem diferente é denunciar todo o abuso da nudez. E nisso Pedro Cardoso está certo. Muito do que acontece no cinema e TV é constrangedor para o público e para o artista (que como ele aponta, não pode dizer não). Ambos não têm opção de dizer não, sem que com isso seja penalizado. E tudo se torna mais imoral quando os interesses por trás não são nada artísticos, mas simplesmente atrair público, propagar certo produto, enfim, econômicos.

Voltamos então à questão de conservadorismo e liberalismo. Será que alguém deseja um retorno da censura? Como as liberdades individuais e coletivas poderiam achar um ponto de equilíbrio nessa área?

Queremos decência, mas não queremos repressão nem hipocrisia. Queremos arte e transparência, mas não queremos pornografia e banalização da sexualidade. Talvez o discurso de Pedro Cardoso pode está nos ajudando a caminhar nessa direção.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

A graça que salva

Nossa situação hoje

SU_22.01.05_Voegel_AllensbaSe você é cristão, sabe muito bem o tamanho do desafio que enfrentamos hoje como igreja. As dificuldades são muitas, em nível local e micro e também em nível global e macro. A crise de identidade é um problema básico: são tantas linhas, denominações, instituições, escolas teológicas e correntes, que, não só nossa unidade como povo de Deus, se vê ameaçada, como também perdemos, como indivíduos, o senso de integridade cristã. O que afinal é ser cristão?

Paralelo a essa força destrutiva interna (que é na verdade uma falta de força, uma fraqueza) existe uma externa: o sistema mundano, sem Deus, avança afoito gerando muitas misérias (social, econômica e ambiental), muita confusão religiosa, muita depravação sexual e conseqüentemente, muita tristeza. O conforto, os avanços científicos e tecnológicos beneficiam (ou afogam) somente uma parcela da população, enquanto que a grande maioria continua entregue à tirania da natureza.

A Saída

Jesus Cristo pregou a chegada do Reino de Deus, o qual é a única alternativa para estas ameaças internas e externas. Contra aquilo que nos rouba a identidade e integridade humanas em nossa alma e contra aquilo que externamente ameaça nossa existência seja como sistema econômico ou natural, o Rei apresentou-nos uma solução justa, pacífica e alegre com a chegada de seu reinado.

O Desvio

Ao longo de 2000 anos de cristianismo era de se imaginar que a expansão desse Reino fosse falsificada ou dissimulada por outras propostas que confundissem a mensagem original trazendo ao invés de salvação, perdição para a humanidade. Conseguir reencontrar o Rei e seu Reino em meio ao labirinto institucional da presente era não é tarefa nada fácil. O sinal indicando o caminho para a pureza, a perfeição, a salvação e as maravilhas celestiais pode levar à porta de uma seita de fanáticos. Ainda que a porta não seja de uma seita, basta que a pessoa que lidera a “igreja” ou “denominação” seja um maluco religioso para que todo o projeto eclesiástico se veja seriamente comprometido - tais líderes não entram e não deixam outros entrarem.

O Evangelho da Graça

Plantar igrejas e fazer a receita crescer não eram as tarefas de Jesus Cristo. Freqüentador assíduo das sinagogas e do templo, Jesus era muitas vezes expulso destas casas de oração e devoção sob ameaças de morte. E levava consigo muitos. Nos lugares que passou, não estabeleceu lideranças, não passou a sacolinha, não construiu prédios, não começou seminários.

Jesus fez (após os seus 30 anos de idade) basicamente duas coisas: ensinou e curou. Curou, porque as pessoas estavam doentes. Ensinou, porque elas queriam aprender.

Antes disso, Jesus de Nazaré, viveu uma vida puramente normal, ou seja, esteve com sua família paterna, trabalhou, seguiu sua religião (o judaísmo) conviveu com as pessoas e com seu Deus, seu Pai.

Embora nunca mencionasse essa palavra, Jesus foi uma pessoa que irradiava graça. Ele se dava para as pessoas. Foi tão gracioso que se submeteu até o ponto de suportar ser tratado como um criminoso, ser condenado à pena de morte e sofrer cruelmente em uma cruz.

Jesus ressurgiu, continuando assim a fazer  aquilo que mais lhe dava prazer: viver! Viver junto de seu Pai e junto de seus amigos, agora irmãos.

A guinada

A igreja que o Senhor está edificando possui essa característica primordial: lugar de vida, vida amorosa, vida normal, vida graciosa. Onde é este lugar? Em qualquer lugar, porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles (Mt 18:20).

O retorno que a cristandade hoje precisa fazer, urgentemente, é assumir o caráter pessoal, individual e privado do “ser cristão” e exercê-lo nos relacionamentos sociais mais próximos, família, trabalho e vizinhança. Foi assim que Jesus e os apóstolos viveram o Reino. Essa é a tradição que nos foi passada, originalmente. É nesse resgate e reforço de identidade que reencontraremos nossa unidade a qual nos dará a força necessária para que o Reino de Deus continue oferecendo graciosamente a este mundo justiça, paz e alegria no Espírito Santo, em outras palavras: Salvação.

“Ali estava a luz verdadeira, que ilumina a todo o homem que vem ao mundo.”

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Conservadores ou liberais? (3)

O DEBATE entre conservadores e progressistas é mais complicado do que imagina nossa vã filosofia.

Quais são suas origens, para além de querermos ser simpáticos com feministas, minorias diversas, pobres, jovens, ateus ou religiosos? O termo "conservador" nasce francês, no início do século 19. Referia-se aos simpatizantes da "carta" que o britânico Edmund Burke escrevera a um intelectual francês logo após a revolução de 1789. (...)

Num primeiro momento, "conservar" seria preservar as instituições políticas em funcionamento e as intuições morais e religiosas que sustentariam uma condição civilizada sempre em risco. Não se mexe com seres humanos sem temor. De onde viria esse temor? Sua carta ficou conhecida como "Reflexões sobre a Revolução na França". Lê-la nos tira da banalidade nesse debate.(...)

Infelizmente reduzimos rudemente esta herança a dois dos sentidos que ela adquiriu ao longo dos séculos 19 e 20. Os únicos conhecidos pelo senso comum.

O primeiro é o "amor ao mercado" (e atualmente, com a crise americana, o ruído volta na esteira da batalha entre democratas e republicanos). O segundo é o "amor à religião". Fora do seu contexto filosófico, esses traços viram caricaturas ridículas. Hume, Burke e Tocqueville não são sinônimos de "Bush pai, Bush filho e cristãos americanos fanáticos". Não é "coisa" de gente careta com medo de sexo, ciência e insensíveis à pobreza, fundamento racional da moral. Para ele, nossa ação é movida por hábitos ancestrais e pelo afeto (senso moral) e não porque "conhecemos" racionalmente o Bem e o Mal. A razão é escrava das paixões. Hume considerava "fanáticos" tanto os racionalistas (crentes na razão) quanto os religiosos radicais.(...)

Conservar o quê? A dúvida para com as soluções racionais e "científicas" apressadas, e as fórmulas políticas de "gabinete". Conservar a consciência da longa experiência humana com sua própria loucura.

Isso não implica em recusar mudanças, implica sim em prudência com as ilusões de que os humanos sejam facilmente racionais, belos e bons

Luiz Felipe Pondé, na Folha de S.Paulo.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Conservadores ou liberais? (2)

As bases vagas dessa enquete dizem respeito ao substantivo que esses adjetivos qualificam:

Seria a política, a economia ou a teologia?

Os cristãos são politicamente conservadores ou mais liberais? Qual a opinião em geral relacionada à união civil de homossexuais? Qual a posição frente ao aborto, eutanásia, pesquisa com células tronco? Existe uma tendência em se reforçar a liberdade individual, ou em fomentar o controle do estado sobre a coletividade?

Seríamos economicamente liberais ou mais conservadores? Sei que conservadorismo não se aplica assim tão diretamente às ciências econômicas, mas o liberalismo é claro: menos intervenção do estado! Deixe que o mercado se regule por ele mesmo! A atual crise mostra que isso é uma ilusão... Talvez nunca existisse um liberal puro. Até que ponto quereria um estado forte que interviesse na distribuição de renda? Sei que isso não é ser conservador, mas gostaria de entender esse termo assim: um estado como agente econômico em prol do povo. O que nós evangélicos anelamos, uma economia livre ou uma estatizada?

E nossa teologia? Liberal ou conservadora? O que interfere em nossa teologia colocando limites a ela mesma? O que a conservaria em moldes rígidos impedindo-a de se desintegrar? Nossas lógicas e teses e hipóteses relativas à religião e a Deus estão baseadas na Bíblia, na interpretação da Bíblia, na tradição ou na experiência? O que tem nos desafiado a buscar novos horizontes e romper paradigmas? Ou o que tem nos chamado aos primórdios, ao retorno para o Evangelho original e puro? Elas tem nos feito mais liberais ou mais conservadores?

E você? Em quais aspectos ou situações você se consideraria mais conservador ou mais liberal?

domingo, 12 de outubro de 2008

Conservadores ou liberais? (1)

Então falemos um pouco mais sobre a enquete do Blog.

O Beto já deu um bom pontapé inicial na discussão (Os conservadores, os liberais e os alienados). Ele chama a atenção que existe uma massa de alienados, que não sabem nem o que são.

Até hoje, nossa enquete mostra que metade é liberal e os “restantes” 69% dos evangélicos são conservadores. Ou seja, 19% jogam nos dois times de acordo com as conveniências!

Um pouco de matemática nos mostraria que 50 – 19 = 31% é puramente liberal e outros 69 – 19 = 50% seria puramente conservadora. Ou seja, o grupo conservador é predominante!

Claro que quem participou da enquete, um grupo seleto de 26 pessoas, que visitou o Blog e se importou em registrar sua visão foi uma minoria na massa. Em poucas palavras, a nata das cabeças pensantes do mundo evangélico atual, pessoas credenciadas para avaliar de forma sensata a situação!

O que significaria “conservadorismo” ou “liberalismo”? Com já comentei no Post do Beto, a enquete foi propositadamente construída sobre bases vagas.

ALFJr. Nos chamou a atenção que tais rótulos são movimentos reais que tiveram endereço certo na história. Mas hoje pouco servem como referencial para explicar crenças e atitudes dentro da igreja. Vitor Grando  nos lembrou da importância de nos concentrarmos em sermos evangélicos e fugirmos do perigo dos extremos. Celso Oliveira lamenta a multidão de alienados e preferiria que houvesse então somente dois grupos, liberais e conservadores, mas convictos.

O Fanuel fez uma ótima análise do assunto, que vale a pena ser lida em seu comentário. Mas resumindo ele chama a atenção para se saber diferenciar as idéias das pessoas.

Tarefa essa que eu particularmente acho muito difícil, mas não impossível.

(continua)

sábado, 11 de outubro de 2008

G12, discipulado e os legalistas

Depois de sua experiência com os 12 discípulos de classe duvidosa, 3 anos de treinamento árduo, horas investidas em um contato mais pessoal especialmente com 3 deles, Deus parece abandonar o plano inicial e recomeçar tudo de novo, tentar uma nova tática, e escolhe para isso um fariseu, um homem da elite. Não dedica nenhuma hora de discipulado com ele, pois parece que aquele camarada de Tarso era autodidata. Afinal, Paulo mesmo considera como merda tudo que era e aprendera ao pés de Gamaliel. Tudo isso me leva a crer que o nosso Deus de ordem tem um q de anarquismo e de indisciplina. Afinal, qual esquema religioso poderia enjaulá-lo? Ou quem poderia governar sobre Ele?

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Crentes: verdadeiros objetos convercíveis (2)

ernte

“Converte-nos a ti, SENHOR, e seremos convertidos” Lm 5:21ª

Somos todos cristãos nominais. Pense bem, no Brasil 91,4% da população é cristã. Um percentual bem acima do mundial que está em torno de 32,5%. Na Alemanha os cristãos são 69,5% e nos USA correspondem a 84,5% da população. Como saber quais destes são cristãos reais e quais só são apenas no nome?

Acho engraçada a atitude daqueles mais afoitos que dizem que o número de novos nascidos (Born-agains) na Alemanha, por exemplo, correspondem a 5%! Cinco por cento da população alemã são 4 milhões. Isso significa 4 milhões de salvos e 76 milhões de perdidos. A mesma atitude pode ser vista no Brasil com seus 20% de evangélicos e o restante de mais ou menos 160 milhões condenados ao inferno.

Alguns, com a maior frieza, sem titubear, como se estivessem resolvendo um assunto muito banal e lógico sentenciam: irão para o inferno! E citam uma série de versículos para justificarem a si mesmo e condenarem os outros.

Confesso que também assumo, às vezes, essa atitude, quando alguém me irrita no trânsito, me trata mal em uma repartição pública, ou sofro Mobbing no trabalho. A primeira sensação que tenho é de agradecimento a Deus por ter criado o inferno para mandar pra lá o diabo, seus anjos caídos e pessoas mal educadas que pisaram no meu calo.

Mas quando a raiva passa e podemos observar com mais calma as pessoas, em suas lutas diárias, seus dilemas, seus sofrimentos, sua dignidade e honradez em meio a um mundo perverso, vemos que o coração pulsando por vida é bem parecido em todos nós.

Especialmente observando as crianças com suas fraquezas e inocência frente ao mundo adulto (entre si às vezes são tão perversas quanto a gente) e os velhinhos já desfeito de ambições e vivendo no cansaço e na canseira da idade, sou levado a concluir que a misericórdia de Deus é bem maior que nossa vã capacidade de julgar e sede de vingança.

Não sou universalista. Claro que alguns vão queimar nos quinto dos infernos. E não serão poucos. Tem que no final haver justiça. Tem que haver um juízo moral. E cada um dará conta de si mesmo. Mas o que não posso aceitar é nossa capacidade de imaginar que Deus possa salvar 5% da população mundial, jogar 95% fora como se fossem um subproduto qualquer, lixo, escória, gente ruim que não prestou. Não deram certo. Deleta. E o pior que não serão deletados, mas ficarão condenados ao sofrimento eterno. E olha que de fato acredito no inferno. Esse também não é o problema.

Mas somos miseráveis demais, pães-duros, na hora de contabilizar as almas salvas. Isso deve produzir algum tipo de satisfação pessoal: “pertencer a uma minoria privilegiada”, “ser melhor que todo mundo”. Mas e aí? Como me disse certa vez um amigo: “não teria o diabo ganho a batalha, se conseguiu levar tanta gente para a perdição?” E eu me pergunto, “que deus é esse que condena 95% da população mundial ao inferno, sem nenhum drama de consciência? Como será esse céu, com esse deus, sabendo que uma multidão infinitamente maior está queimando lá embaixo?” humm.....

Prefiro então pensar é que nós, os 5%, é que precisamos urgentemente ser convertidos.

"Porque Deus encerrou a todos debaixo da desobediência, para com todos usar de misericórdia". Rm 11:32

Veja também: Crentes: verdadeiros objetos convercíveis 1

Divagações oníricas

Sonhar é tão brasileiro quanto comer arroz com feijão. O sonho de muitos que estão dentro das igrejas evangélicas é que o Brasil que está fora da igreja “se renda” a Jesus. Pois bem, como bom brasileiro, eu também sonho, com o dia em que esta rendição aconteça num domingo à noite, da porta para dentro, com os que costumam sonhar pregação após pregação, semana após semana...

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

O problema da graça barata

O problema da graça barata foi tratado por Bonhoeffer em seu livro Discipulado. Eu resumiria que é uma forma de seguir a Cristo sem nenhum compromisso. E classificaria como uma forma de “graça barata” uma teologia muito liberal que, por exemplo, negue a ressurreição de Cristo.

Na Bíblia vemos Judas tratando desse assunto, ao condenar aqueles que “convertem em dissolução a graça de Deus, e negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo” - Jd 1:4. Eu arriscaria dizer ainda que Judas Escariotes foi um que barateou a graça. Por quê?

Porque a pessoa que “segue” a Cristo sem compromisso está na verdade buscando satisfazer primordialmente seus próprios interesses. Quer pegar carona na igreja, quer tirar vantagens. E foi isso que Judas fez. Será que não haveria hoje muitos agindo assim? Como ao longo destes dois milênios não houve?

Como lidar com essas pessoas?

Sempre me admiro com a maneira como Jesus tratou com Judas Escariotes. Ele não o excluiu. Ele foi até mesmo quem o escolheu para ser um dos doze. Jesus até mesmo deixou que ele cuidasse das finanças. Jesus o tolerou, no melhor sentido dessa palavra. E sofreu o dano, pois Judas, seu amigo, o traiu. Tenho certeza que o Senhor o escolheu com o mesmo objetivo que escolheu os outros 11 e não já com uma finalidade de ser um "Judas"!

Assim, com a mesma tolerância, devemos admitir aqueles que dentro das igrejas tem barateado a graça. Na epístola de Judas há três dicas para agirmos nessa situação:

  1. Conservai-vos a vós mesmos no amor de Deus – ou seja, nossa atenção está voltada para nós mesmos e não para o outro. Deus é o Juiz, deles e nosso.
  2. E apiedai-vos de alguns, usando de discernimento – alguns podem realmente se converterem e mudar de atitude. Isso exige uma dose extra de misericórdia e discernimento.
  3. E salvai alguns com temor, arrebatando-os do fogo – se alguns estiverem dispostos a mudar é nosso papel estender-lhes a mão.

Veremos, porém, no próximo ensaio que a atitude em relação aos legalistas é completamente diferente.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Uma questão de autoridade

Quero trabalhar um pouco mais essa idéia do contraste “graça barata” X “legalismo”.

Estou aqui apenas a escrever um ensaio, como o Alex bem expressou em um de seus textos.

Pesemos alguns pontos práticos, como:

  1. Pregar o evangelho em meio a uma cultura pós-moderna
  2. Viver o evangelho nessa cultura
  3. Preservar a unidade da igreja na igreja
  4. Convívio com outras religiões e crenças

A graça barata é uma clara deturpação do estilo de vida levado por Jesus de Nazaré que convivia com pecadores, ia à procura deles e não estava ali a condená-los, mas, pelo contrário, a perdoá-los.

O legalismo, por outro lado deturpa um estilo de vida mais rígido, mais regrado onde temos em João Batista um dos melhores exemplos. Pelo fato de João Batista viver separado da sociedade, no deserto, e abster-se de vinho e uma série de outras coisas, seu estilo de vida pode muito bem ser (falsamente) interpretado como "o" ideal de vida santa. E o segredo (interpretado de maneira falsa) dessa santidade estaria nessa disciplina rígida, abstenção de prazeres e autocontrole.

Apesar de terem estilos de vida quase que opostos, tanto Jesus como João eram homens que possuíam autoridade, a qual era reconhecida pelas multidões, mas não pelos lideres judeus. Eles tinham autoridade, pois tinham a unção do Espírito, pois levavam uma vida coerente entre discurso e prática, pois Deus confirmava essa autoridade mostrando aos seus seguidores os resultados verdadeiros de seus discursos e ações.

Como aquela sociedade conhecia somente a lei, o legalismo mostrava-se uma barreira especialmente difícil de transpor. E foi fortemente combatido por Jesus. Em contrapartida os legalistas estavam a todo tempo atacando o mestre.

A graça, como era um elemento novo, não sofreria ainda tantos abusos. Não obstante já até houvesse casos isolados mas escandalosos de barateamento da graça, como o de Judas Escariotes, Ananias e Safira e outros. Também vimos que Jesus começou a ser mal interpretado e blasfemado com base em sua atitude mais graciosa.

Parece-me que a maneira de se tratar com esses dois extremos é também bem oposta. E isso veremos em outros ensaios.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Natureza versus Graça

imageSegundo Francis Schaeffer a Natureza devorou a Graça a partir da Renascença.

A idéia seria mais ou menos o seguinte: inicialmente os povos bárbaros europeus não conheciam nada da Graça Divina, após sua cristianização e o domínio da Igreja Católica Romana eles permaneceram sobre o controle das autoridades eclesiásticas, então todo elemento “contrário” à Graça, ou até mesmo suspeito, era banido, condenado e “queimado em praça pública”. Até que a renascença deu um basta a isso!

Mas será que a renascença voi assim tão determinante nisso tudo? E essa briga entre "natureza" X "graça" só teve início tão tarde no século XV?

Podemos ver que antes de Constantino declarar o cristianismo como religião oficial, a Natureza já “devorava” literalmente a Graça, não nas artes ou filosofia, mas nas arenas e nos circos.

Após o cristianismo tornar-se religião oficial por volta dos séculos III e IV e daí por diante, o que veremos é a “natureza” e a “graça” começarem a conviver juntas na sociedade. Muitos cristãos, logo reagiram e decidiram sair do convívio pernicioso com aquele cristianismo light, e foram para o deserto, onde se deu início ao movimento Monástico. Que marcou a igreja por séculos e tem grande influência ainda hoje.

O Engraçado disso tudo

Quando penso no Brasil de hoje, onde os crentes já não são mais como eram antigamente, quando penso no pietismo, no puritanismo, ou num fundamentalismo americano onde existe uma lista de faça e não faça, quando penso na Europa liberal, me pergunto se as raízes de nossos problemas não continuam sendo as mesmas vividas por aquela gente do passado tão remoto? E se a melhor expressão desse conflito não se resumiria no medo dos extremos “graça barata” x “legalismo”?

Mais uma vez vivemos e repetimos a história. Se voltarmos ainda mais no tempo, às origens, ao útero do cristianismo, veremos que esse conflito é personificado em dois estilos de vida, em dois homens. Veremos que ele existe muito mais na cabeça dos não crentes do que no coração dos filhos da sabedoria.

"Porquanto veio João, não comendo nem bebendo, e dizem: Tem demônio. Veio o Filho do homem, comendo e bebendo, e dizem: Eis aí um homem comilão e beberrão, amigo dos publicanos e pecadores. Mas a sabedoria é justificada por seus filhos". Mt 11: 18-19

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Fig.Andrea del Verrocchio and Leonardo da Vinci. The Baptism of Christ. Detail, beleived to be painted by Leonardo. c.1472-1475. Oil and tempera on wood. Uffizi Gallery, Florence, Italy.

sábado, 4 de outubro de 2008

Estamos sem igreja e angustiados e agora?

image Só te digo uma coisa, se você está sem igreja e isso aconteceu por acaso: mudança ou algo do gênero, APROVEITE!!!!

Aproveite para fazer aquilo que você não fazia em horários de culto, ensaio ou outras programações: vá ao cinema, a um museu, leia um livro, visite parentes, amigos, vá a igrejas de outras linhas outros ajuntamentos sociais. E tudo isso sem ter que explicar nada pra ninguém. Sem ter que no domingo seguinte ver aqueles dentes sorridentes com um ar de controle te dizer, senti a falta da irmã no domingo passado. Sendo que tal irmão "tão atencioso" nunca te visitou ou telefonou e não por falta de convite.

Não sei qual denominação você é ou era, mas a coisa é mais ou menos igual na grande maioria das igrejas evangélicas. Então aproveite. Aproveite para curtir a solidão da vida com Deus. Vá a um parque, a um lugar retirado e tire um tempo só para você e o Pai.

Se a consciência doer, e sentir que falta algo, aquela falta do cotrole, da hierarquia ou da autoridade eclesiástica, assista um culto pela internet ou TV - talvez, dependendo do que você assistir até se sentirá aliviada de estar em casa!

Aproveite principalmente para se associar aos não crentes, talvez você possa ir com alguma amiga a missa, a um centro espírita, ao clube, a um bar. Com certeza no horário que você estava na igreja eles estavam fazendo alguma coisa interessante.

Quando você sentir que não dá mais, reúnam-se você e seu amado, onde dois ou mais... Ele estará com vocês!

Em último caso, procure a igreja mais próxima de sua casa. Isso é muito prático, economisa tempo e tudo mais (pense bem o dia que o culto tiver monótono é só ir pra casa e se o marido não quiser ele poderá ir depois). Sendo vizinha da igreja você poderá servir de várias maneiras. Aproveite para conhecer as pessoas e deixar-se conhecer. Comece a frequentá-la, como visitante.  Como membro, metade das coisas boas que listei acima já terão que pular fora da agenda. Então atenção, só entre na membresia quando não tiver mais jeito.  Dê prioridade para a informalidade.

Enfim, curta essa fase, e lembre-se que você é templo do Espírito de Deus! Ele mora em você, pra sempre.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Crentes: verdadeiros objetos convercíveis

image Temos que ser honestos, geralmente os não-crentes são vistos como objetos conversíveis quando na verdade nós é que necessitamos de conversão.

Quem está acostumado com meu estilo sabe que eu começo meus textos provocando. Não intenciono provocar somente os outros, mas também a mim mesmo. Sou crítico. Mas sempre a pessoa que mais critiquei foi a mim mesmo. Depois as pessoas mais chegadas. Meu ambiente social, minha igreja, meu estado, meu país e etc.

Adoro ouvir uma piada de mineiro, me divirto com elas - desde que me seja contada por outro mineiro.

Sou autocrítico e isso dentro de padrões normais é muito saudável. Por isso quando faço alguma crítica à igreja estou pensando primeiramente em mim, na minha impossibilidade de mudar a situação, meu dever de orar sobre isso e também de falar sobre minhas impressões. E é bom quando recebo feedbacks positivos de pessoas que percebem da mesma maneira e nutrem o mesmo ideal que o meu. E mais ainda que estejam dispostas a colocar a mão na massa para construir um futuro melhor para a cristandade e para o mundo ao nosso redor.

Pois bem, olhamos o não evangélico indo para o trabalho e pensamos a melhor estratégia para trazê-lo para nossa igreja, para ganhá-lo para Jesus ou movê-lo da sua indiferença em relação a Deus. Meros preconceitos...

De fato, nunca vi Jesus dizendo que deveríamos ganhar pessoas para Ele. Me intriga a sua frase que diz: segue-me e farei de você pescador de homens. Não tenho conhecido muitos pescadores. Muito menos de homens.

O proselitismo, como escreveu Felipe Fanuel, é um mal difícil de se curar no meio das igrejas evangélicas. Proselitismo vê-se bastante, mas isso nunca será pregar as boas novas.

Vítor Grando nos lembra em seu artigo que a pregação do Evangelho, ou o sistema de salvação cristão, possui um cerne, uma raiz que está baseada na remissão dos pecados. Nesse sistema a lei mosaica desempenha um papel importante, o qual equilibrado com a graça revelada em Jesus Cristo nos aponta a porta pela qual deve-se entrar para ser salvo. Mas mais do que isso ele nos mostra o caminho que devemos percorrer nesse processo de estar sendo salvo e santificado. Um processo que ocorre de dentro para fora.

Com um pouco de auxílio da gramática veremos que o não crente não pode ser visto como objeto (primeiro erro), mas sim como um sujeito da conversão. E não um sujeito passivo, não somos nós que o convertemos e nem muito menos Deus. Ele é ativo em sua própria conversão.

Gosto da figura do nascimento, o novo nascimento. Pois no nascimento natural há um esforço coletivo, inclusive o do próprio bebê, sem o qual ele dificilmente chegaria ao mundo. Mas estamos acostumados com as cesarianas. Abrimos a barriga da mãe e tiramos o garoto (ou guria) de lá. Costura-se, pronto.

Esse processo pode ser muito útil certas vezes, mas não é o padrão, pois não pode ser repetido muitas vezes com a mesma mãe.

(continua)

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

O caráter pessoal do Evangelho

A religião cristã é estritamente pessoal. Não há absolutamente nenhum valor numa espiritualidade "cristã" meramente doutrinária, dogmática, confessional, cognitiva. É preciso mais do que isso.
As religiões do mundo são sistemas normativos de crença e conduta com vistas ao sobrenatural, mas de baixo para cima, enquanto o Cristianismo Bíblico é a religião da Pessoa de Cristo com o Homem renascido, a reconciliação (religação) do Homem com Deus (II Co 5.18,19).
Deus é pessoal - três Pessoas. Sua relação com o Ser Humano é comunicativa, dialógica. Há conversa, acordo, proposta e resposta. Há bilateralidade, escolhas, conseqüências. Isso é comunhão, relação interpessoal, pessoalidade.
O Deus que foi amigo de Abraão e falou com Moisés face a face aprecia o contato pessoal. Ele visitava o primeiro casal (Gn 3.8) porque gostava deles, sem a intenção de fiscalizar seus passos, como se fosse um deus policial, retratado em mentes estreitas. O tabu adveio do pecado (Gn 3.10,11).
O Evangelho é diferente de tudo: o SENHOR procurando servos dentre os seres humanos, o Criador adotando filhos dentre suas criaturas, o Deus de todo o Universo, e de fora do Universo, procurando adoradores "em espírito e em verdade" (Jo 4.24).
Por meio de Jesus Cristo, o Espírito Santo, em Pessoa, vem habitar o coração do salvo. Isso vai muito além de assentimento intelectual.
Se entendêssemos verdadeiramente o caráter pessoal do Evangelho, nossas divisões internas se aplacariam. Refiro-me à Igreja. Isso não significa que abandonaríamos as confissões de Fé. Jamais proporia uma coisa dessas, pois devemos estar enraizados no que é fundamental. Mas é necessário dizer que tudo o que é fundamental se resume a Cristo, Sua Pessoa e Obra. Nas demais doutrinas, pode haver alguma divergência, mas é imperioso que formemos consenso quanto à natureza e caráter de Deus em Cristo.

The Way of The Master - Ray Confort



Asssisti a esse vídeo há uns dois anos atrás e desde então eu nunca mais enxerguei Lei e Graça da mesma forma e isso mudou minha forma de ver o sacrifício de Cristo e a evangelização. O vídeo não ensina nada novo, apenas o que já foi praticado há muito tempo, pelos apóstolos e pelos grandes evangelistas da história. Infelizmente, poucos crentes têm essa compreensão tão básica da Salvação. Esse vídeo têm o poder de transformar uma Igreja. Primeiro a acusação da Lei, aí sim compreendemos o dom da Salvação. Sem Lei não há Evangelho. Ray Confort faz uma interessante analogia sobre o método de evangelização que a Igreja muitas vezes utiliza e o modelo de evangelização pela Lei. Imagine que você está num avião e a comissária de bordo se dirige a você com um pára-quedas e lhe diz "Vista esse pára-queda e sua viagem será muito mais confortável e gostosa". Então o passageiro coloca aquela mochila grande nas costas e em pouco tempo repara que sua viagem não está nada confortável mas sim muito pior e incômoda. Os passageiros ao seu redor começam a rir de sua cara até que uma hora o passageiro se revolta, tira o pára-quedas e o joga no chão. É assim que apresentamos Jesus hoje. Como alguém que pode tornar nossa vida mais fácil e confortável. Quando isso não se cumpre as pessoas renegam a Cristo e o "jogam no chão". Por outro lado, imagine que esta comissária se dirija ao passageiro dizendo "O avião está prestes a cair, vista esse pára-quedas...." Não é preciso responder qual será a atitude do passageiro em relação ao pára-quedas. Assista ao vídeo, vale a pena!

Este outro vídeo é sobre o mesmo assunto:
http://video.google.com/videoplay?docid=-815413473552516092&ei=CejkSNLBDIqCrQLlxtycCw&q=hell%27s+best+kept+secre


O pecado não faz parte da verdadeira humanidade

A frase "errar é humano" só pode ser admitida como correta se considerarmos a humanidade decaída, degenerada.
Antes da Queda, o Homem era "reto", como está escrito em Ec 7.29. Depois de ter criado o Homem, Deus disse que era "muito bom" (Gn 1.26-31). A isso se chama "estado de inocência".
O pecado não fazia parte do Jardim do Éden. Adão e Eva não precisavam pecar, essa não era uma necessidade física, psíquica nem espiritual. Por isso, quando Deus lhes permitiu comer de toda árvore do jardim, exceto da árvore da ciência do bem e do mal (Gn 2.16.17), não se tratava de uma tortura, pois não se tortura ninguém privando-o de algo desnecessário ou mortífero. É como se Deus dissesse: Vocês podem comer de tudo, menos do que é venenoso. Ora, privar alguém do veneno é efetivamente dar-lhe a vida!
O engano da serpente partiu de uma interpretação negativa do que Deus dissera. Em vez de enfatizar o aspecto positivo do "de toda árvore do jardim comerás livremente" (Gn 2.16), a serpente perguntou: "É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim"? (Gn 3.1). Trata-se de uma forma de manipulação da Palavra de Deus, um jogo de palavras que confunde.
A astúcia do diabo, que usava a serpente, foi seduzir o primeiro casal com a idéia de que se tornariam eles como Deus por meio da desobediência. Além disso, o tentador lançou a semente de que Deus é um torturador, e de que o pecado é não só necessário como atraente e fundamental para alguém se tornar como Deus.
Hoje a estratégia da antiga serpente é a mesma. As pessoas no mundo acham realmente que é impossível viver sem pecar ou sem o prazer do pecado. Cientistas de formação naturalista acreditam que o sexo é necessidade meramente instintiva, como entre os animais, e que a partir da influência dos hormônios na puberdade é impossível o adolescente não se masturbar. Outros dizem que a mentira é necessária ao desenvolvimento nacional. A sociedade ensina a sonegação fiscal, o adultério, a "lei do mais forte", a infidelidade em todos os setores, como se esses pecados fossem inerentes à natureza humana.
Ora, no princípio não foi assim. O pecado não faz parte do plano original de Deus. E foi por isso mesmo que Jesus não pecou, isto é, Ele fez tudo o que tem que ver com a natureza humana, mas não pecou porque isso não foi programado por Deus inicialmente.
Da mesma forma, o pecado não foi planejado para mim nem para você. Podemos renunciar a uma vida de pecado, esse é o convite de Cristo.

As Boas Novas

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

O Sistema de Salvação Cristão

A Cruz: A Única Esperança da Humanidade


Escrevi esse texto após a leitura de O Evangelho Maltrapilho do badalado Brennan Manning. Ricardo Gondim e Ed René Kivitz colocam esse livro como bibliografia essencial para um bom cristão. Philip Yancey cita Manning como o escritor cristão mais profundo da atualidade. De fato, é um bom livro, embora eu creia que profundo mesmo é Philip Yancey, quem ainda não leu O Jesus Que Eu Nunca Conheci deve fazê-lo imediatamente. Apesar do livro do Yancey não ser explicitamente sobre o amor e agraça de Deus, como o do Manning, falar de Jesus é o mesmo que falar de amor e graça, é como se fossem sinônimos. Depois da leitura me inspirei a escrever algo sobre o meio de salvação do cristianismo que, teoricamente, é sabido por todos nós cristãos. Acredito que a falta de compreensão do que realmente o cristianismo diz sobre salvação é a causa de muitas confusões, como o acalorado debate que tivemos aqui nesse blog entre pluralismo e exclusivismo. Na minha opinião, todo homem deve ter a oportunidade de ouvir essa mensagem, nada é mais importante do que o que segue nesse texto, não pelas minhas palavras, evidentemente, que não conseguem expressar toda a grandeza de tal assunto, mas pela importância do próprio assunto.


Nada causa mais confusão e escândalo no Cristianismo do que a doutrina da graça e ainda assim nada é mais importante do que isso. Quando falamos de vida cristã dois erros são comuns. O legalismo exacerbado ou, com o mesmo exagero, o liberalismo no outro extremo. As pessoas costumam se colocar entre um ou outro extremo. Ou não pode nada ou "libera geral'. É verdade que a lei não justifica ninguém, mas não é verdade que podemos ignorar qualquer mandamento em nome da graça. A graça salva aqueles que pecam sim, mas não salva aqueles que pecam e não estão nem ai para isso. Devemos evitar tanto o universalismo quanto o particularismo sectário e, o que é raro no meio desse povo da "graça" que adora tacar pedra na Igreja, e devemos ter cautela dobrada para não permitir que nossas perturbações emocionais e amarguras causadas por uma determinada Igreja ou religião influencie esse assunto. Me parece que alguns criticos da religião evangélicas estão mais preocupados em destruir o trabalho dos outros do que exortar em amor. Voltando ao assunto da graça, não devemos ignorar o pecado por vivemos na graça, não devemos aceitar comportamentos pecaminosos como conduta moralmente correta e saudável (vide cristãos da "graça" que apoiam e aceitam comportamentos claramente anti-biblícos). Usemos a graça para amar e abraçar aqueles que pecam, afinal, que atire a primeira pedra quem jamais pecou... Mas não podemos fazer uso da "graça" para abraçar de forma conivente aqueles que pecam e dizermos "É isso ai, continue assim, Deus te ama e o criou assim e é assim que você deve ficar". Jesus não disse apenas "vá", Ele continuou e disse: "... e não peques mais" (Jo 8). O perdão foi possível pois a mulher já tinha consciência do seu crime perante a Lei. A graça não salva aqueles que tentam se justificar na Lei, mas também não salva aqueles que se recusam a enxergar a realidade de Lei e reconhecer que a infringiram. A graça salva somente pecadores conscientes de seu pecado. Não salva qualquer um, até porque Deus não coage ninguém.

Mas esse Evangelho da graça não pode ser compreendido sem ter Cristo como seu centro. Alguns pontos que eu acredito serem de suma importância têm que ser compreendidos.

(1) O Deus do Novo Testamento continua odiando e se irando contra o pecado. Afinal, Ele é justo e, portanto, Deus se ira e odeia sim, por mais fora de moda que seja falar isso.

(2) A Lei continua ativa (Mt 5.17) , nos culpando e nos condenando ao inferno (por mais fora de moda que esteja o inferno) (Rm 3.19, Rm 6.23).

Nada dessas coisas mudaram do Antigo para o Novo Testamento, o que mudou foi a inclusão de uma peça fundamental para se compreender o Amor de Deus - Jesus, o Cristo. Ele, O Cristo, não aboliu a Lei, mas sim a cumpriu (Mt 5.17). Lembra do ódio e da ira de Deus, da culpa e da condenação? Pois é, Cristo saciou tudo isso. Todas as exigências da Justa Lei de Deus. Então todo o ódio e a ira de Deus contra o nosso pecado de ontem, hoje e amanhã; foi, é e será desviado para Cristo. E é essa a Boa-Nova. Aqueles que pecam podem ser salvos. E por isso, Deus não nos vê mais como pecadores, imperfeitos, injustos, impuros (apesar de ainda sermos até o fim de nossas vidas), agora Ele nos vê como santos em Cristo, perfeitos em Cristo, justos em Cristo, puros em Cristo. Ele vê Cristo em nós, criaturas pecadoras. Todo o ódio de Deus que justamente merecemos é desviado para o calvário e isso nos permite acesso a outra face desse Deus justo, a face do Amor. Portanto, sem Cristo continuamos perdidos, mas n'Ele cumprimos todas as exigências de Deus e aquela merecida condenação já não mais existe para quem está em Cristo (Rm 8.1). N'Ele e somente n'Ele.

Portanto, é claro como a água que sem Lei jamais compreendemos o amor de Deus. O perdão à mulher adúltera só foi possível porque ela já tinha consciência do seu crime perante a Lei do Justo Juiz, caso contrário, ela precisaria, antes, ser acusada. A realidade e impiedade da Lei jamais podem ser subenfatizadas na pregação. Spurgeon dizia que devemos pregar 90% Lei e 10% graça. Sem Lei não há a menor necessidade de Cristo. Afinal, se não há condenação, Cristo nos salvou do quê? Temos que alertar às pessoas da condenação da Lei. Diferente do que comumente é crido, o sistema de salvação cristão não é diferente do sistema de salvação de outras religiões que dizem que temos que ser bons para sermos salvos. Temos sim que ser bons para sermos salvos, a Lei mostra isso. É ai que está a grande revelação de Deus em todas as culturas e religiões. Todas elas exigem cumprimento de regras para que se alcance a salvação, até o ateu tem seu próprio código de conduta contra o qual ele "peca" frequentemente. A diferença é que o sistema de salvação cristão reconheceu que tal feito é simplesmente impossível e, por isso, Deus resolveu esse problema saciando sua própria justiça n'Ele mesmo. Toda Lei, de qualquer religião que for, revela que é impossível para o homem satisfazer todas suas exigências. Sem Cristo, todo esse papo de amor de Deus é mentira e somos os mais perdidos dos homens pois, como dizem todas as religiões, temos que ser bons para sermos salvos. Mas a perfeição da Lei nos deixa impossibilitados disso (vide Mt 5.48). Com isso em mente, quando alguém sente culpa por achar que não pode satisfazer as exigências de Deus, tal culpa é real, boa e verdadeira, não é neurose, mas sim sinal de saúde espiritual. Aliviar tal culpa dizendo simplesmente que Deus é amor e não exige nada dela é heresia, mentira e só serve para recalcar o sintoma de culpa. O que essa pessoa precisa é conhecer àquele que levou toda sua culpa e saciou todas as exigências - Cristo. N'Ele a culpa vai embora. O que Deus exige é, realmente, um fardo impossível de se carregar, pois Ele é perfeitamente justo. Mas Ele próprio descobriu um meio de solucionar esse dilema. Em Cristo sim, o fardo se torna leve!

Somente com a consciência viva da nossa injustiça, da nossa culpa perante Deus, e da nossa condenação é que podemos seguir ao segundo passo, conhecer o caminho de Cristo que saciou tudo aquilo que era exigido de nós. N'Ele sim, nós pecadores justamente condenados, somos santos justamente salvos. Cristo é nossa justiça. N'Ele, cujo fardo é leve, podemos embarcar na verdadeira jornada de crescimento moral e espiritual que durará até o fim de nossas vidas. Como disse C.S.Lewis, nós caimos num buraco e somente alguém fora do buraco pode nos salvar - só o Deus-Homem, Jesus Cristo. Para aqueles que acham que ser salvo pelos méritos de outrem é injusto cabe a tarefa de desenvolver um meio mais apropriado e, boa sorte na tentativa. Eu prefiro confiar em Cristo, já para aqueles que são fortes o suficiente poderão escolher pagar por si mesmos o preço do seu pecado sem a necessidade de recorrer à Cristo, é isso mesmo. Pregando no Leadership Summit de 2006, Bill Hybels disse que quando chegarmos no céu será feita apenas uma pergunta para nós:

Quem pagará pelo seu pecado?


Aqueles que aceitaram a Cristo em vida poderão responder que não conseguiram, mas que Cristo pagou por eles. Já para aqueles que não aceitaram, se recusaram a se submeter ao senhorio de Cristo e resolveram pagar pelos próprios pecados, à estes foi destinado um lugar especial em que poderão pagar por todos os seus pecados, cada um deles, por si mesmo e sem Cristo. A minha escolha já foi feita.

N'Ele em quem toda justiça foi satisfeita
Vitor Grando