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sábado, 31 de janeiro de 2009

Quem quer dinheirooooo?


Um dia desses liguei a TV enquanto estendia roupas na área de serviço da minha casa. Sem saber bem em que canal o aparelho estava sintonizado, vi de relance uma platéia enorme, batendo palminhas ritmicamente. Por um breve momento pensei estar diante do programa de auditório Topa Tudo por Dinheiro que, aliás, nem sei se ainda está no ar.

Logo vi que não era o famoso programa. Não era o Sílvio nem o Lombardi, tampouco havia aviõzinhos de dinheiro voando sobre a cabeça da mulherada eufórica. Era mais um programa evangélico apresentado pelos vendedores da fé. Mas não era um culto, não! Era um show... Sim! Um show da fé!

As palminhas acertadas que vi no início logo fizeram sentido – eram os fiéis cantando as canções do pastor. Mas o que me chamou atenção e me fez parar o serviço doméstico foi o momento dos testemunhos: um irmãozinho queria testemunhar sobre a cura que Jesus lhe proporcionara. Ele bem que tentou, mas não conseguiu terminar. O missionário logo o apressou para a parte mais interessante – a fidelidade de Deus depois de uma rechonchuda oferta para a igreja (o famoso sacrifício).

A verdade é que já está ficando chato falar sobre esse tal de comércio da fé. Está tão comum e banal as presepadas desses charlatões travestidos de bispos e missionários que criticá-los já não me anima tanto como outrora.

Confesso que estou meio enjoada ao escrever estas palavras, mas o fato é: vomitar algumas idéias numa página de internet é mais curador do que permanecer com o estômago embrulhado. Se fosse propaganda de sal de frutas, eu diria: é Alívio já!

Bem, depois de assistir ao Topa tudo por dinh... ops! Quer dizer, ao Show da Fé, bisbilhotei pela internet a casa de certo bispo canastrão e, admito, minha ira duplicou-se! Não, não foi a mistureba de estilos da casa que me irou - estilo normando, barroco, neoclássico e um pouquinho de rococó (se bem que, como arquiteta isso já seria motivo suficiente para me nausear).

O que me ferveu o sangue foi ver incrustado nos móveis, no linho fino das cortinas, no lustre da sala e na cama colossal de veludo vermelho da suíte de 100m² do bispo Macedo o dinheiro de um povo cego. Sim, cego!

Às vezes me pego em dúvidas quanto ao tipo de sentimento a se ter com essa gente: não sei se sinto pena ou raiva.

Será que tá tão difícil assim distinguir o evangelho sadio - o Evangelho de Jesus Cristo - desse evangelho doente e aprisionador que tem sido pregado sem nenhuma vergonha, com a cara mais lavada do mundo, pelos lavadores de dinheiro do mundo gospel? Será que tá tão obscuro assim que ninguém vê a exploração da própria fé?

Infelizmente a resposta é SIM. Sim, está difícil distinguir esses dois evangelhos. Por quê? Bem, arrisco-me a dois palpites. O primeiro é que a maioria do povo que vive esse evangelho doente e de barganhas não está interessada em servir ao Rei, muito menos a tomar para si a cruz que Jesus exigiu de seus discípulos.

Estão mais interessados em servir aos seus próprios interesses – querem a “bença” material. Daí o interesse em permanecer num evangelho cor-de-rosa, onde mansão, carro e poupança gorda é que é sinal de benção divina, e o sofrimento é coisa do diabo, o câncer é fruto de algum pecado e o desemprego é conseqüência da infidelidade nos dízimos e nas ofertas. (Neste momento estou dando tchau pra mensagem de sofrimento e perseguição da carta de Pedro aos forasteiros da Dispersão).

O segundo palpite é que nem mesmo esses tutores (ou pais-de-santo? Sim... porque são tantas as macumbas gospel!) entenderam a mensagem do Evangelho e, se o fizeram e ainda assim continuam a armar esse circo em torno do cristianismo, é porque gostam mesmo é de encenar e tripudiar a fé dos outros.

Como cristãos precisamos ter compaixão não só pelas “almas perdidas”, mas também pelas “almas escondidas”. Almas escondidas em templos megalomaníacos, escondidas em envelopes de dízimos, escondidas em casas luxuosas, em carros importados. E ainda interceder pelos machucados de todo esse teatro grego, aqueles que ficam traumatizados por esse abuso espiritual e acabam tendo ojeriza pelo Evangelho sadio de Jesus.

A Teologia e o esterco


Esterco, se não servir para adubar a terra não presta, apenas fede. Teologia é assim também, se não servir para fertilizar os corações e a vida dos homens, não presta. Torna-se morta. Excremento do intelecto.

É assim que é; simplesmente assim. Só para esclarecer melhor as coisas, vamos continuar a conversa.

Pois bem, gosto de falar de teologia, de ler e escrever sobre; assim como tenho imenso prazer em discutir uma infinidade de coisas e assuntos numa boa roda de conversa.

Acontece que idéias não são nada sem que pessoas dispostas resolvam encará-las e encarná-las, isto é, torná-las concretas. Teoria sem aplicação prática não oferece demonstração convincente da validade do que se está teorizando.

Daí acontece de tal maneira: alguns falam do papel da teologia na libertação das classes oprimidas, dos pobres e marginalizados (Teologia da Libertação); outros, da importância de um pensamento teológico que compreenda o ser humano em sua integralidade (Teologia da Missão Integral); outros retomam o tema da poderosa ação sobrenatural de Deus por meio dos dons espirituais (Teologia Pentecostal); há também os que enfatizam a Soberania de Deus (Teologia Reformada); e por aí vai. É claro que estou simplificando demais e que estas teologias merecem uma conceituação mais detalhada e profunda, que compreenda todas as suas nuances.

Contudo, a idéia que tenho é que enquanto teologamos, estudamos os fenômenos sociais, a ação do pecado na humanidade, os pecados político-socio-estruturais de um povo, a pobreza e a miséria dos homens, eles continuam lá. Eles não se emancipam da sua condição nem são libertos do mal que lhes aflige, seja ele qual for!

Fazer teologia sem fazê-la praticável e praticada é algo semelhante a observação de cobaias em laboratório para satisfação de mero interesse de descrever a situação e os comportamentos do ser examinado em tais circunstâncias.

Jesus não era assim. Observava, sentia as situações, as reais necessidades das pessoas e agia. Ia direto ao ponto central do problema.

Não é à toa que suas palavras permanecem. Onde quer que são praticadas, ali há restauração e vida.

Gosto de plantas; e esterco é sempre muito importante, mas na terra... gerando vida!

Pra quê se cansar à toa?


Por vivermos em um mundo perdido, temos problemas. Todos nós, sem exceção! Mas falando a verdade, o problema real está na forma com lidamos com eles! Inevitavelmente, tentamos resolvê-los com nosso próprio poder. Quer saber se está tentando resolver tudo da sua própria forma, com suas próprias forças? R= Ficamos cansados o tempo todo! Um homem frustrado com sua falta de poder para resolver seus problemas sintetizou sua frustração em uma frase dizendo: “Estou doente e cansado, de tanto estar doente e cansado”. É assim que nos sentimos quando tentamos resolver tudo por conta própria. Deus quer que paremos de tentar. Isso mesmo! Quer que desistamos dos problemas e comecemos a confiar a Ele todos eles!
Não importa a situação, Deus pode revertê-la!!!!!
Não importa a desesperança que a vida pareça oferecer, Deus produz esperança. O mesmo poder que capacitou Jesus Cristo a ressuscitar dentre mortos vai permitir que você se levante acima dos seus problemas.
Em Atos 4 temos o registro da primeira oposição séria à pregação do evangelho que os apóstolos faziam em Jerusalém. Quando as autoridades os ameaçaram, eles se reuniram e oraram. Observe por que motivos oraram. Não pediram a Deus que impedisse a oposição, mas que lhes dessem ousadia sobrenatural para enfrentá-la (4.29). ELE DEU(4.31)!!!

Daniel Figueiredo (italkinabout.blogspot.com)

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Triste modo de andar

Certo é que...uma coisa me incomoda muito em alguns cristãos: A vida espiritual como um “mar-de-rosas”. Chego a ficar perplexo, extremamente chocado, quando um irmão desses me aborda. Geralmente eles chegam no momento em que mais preciso de escora, de ombro amigo, de um conforto espiritual através de conselhos na Palavra. Piora tudo. Me sinto rebaixado na esfera celestial.
Pois bem, em Mateus 7, versículo 14 diz: “porque estreita é a porta, e apertado, o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela.” Estas pessoas não condizem com o que o SENHOR diz. Apresentam a vida como se o caminho não fosse ESTREITO, TORTUOSO, DIFÍCIL. Incluo neste raciocínio um versículo que me auxilia neste aspecto, está em Atos 14:22, onde fala: “fortalecendo a alma dos discípulos, exortando-os a permanecer firmes na fé; e mostrando que, através de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus.” Ora, MOSTRAR que ATRAVÉS de MUITAS TRIBULAÇÕES, significa praticamente que, se o próprio indivíduo está “tão bem assim” é porque ele não está no rumo certo, não está caminhando em direção ao reino de Deus, pois através, por meio de...TRIBULAÇÕES, PROBLEMAS, condicionamos nosso físico, nossa mente, a lutar para vencê-los e receber o prêmio: O REINO. Além disso, ele ainda se desfaz quando não me fortalece, não me exorta a permanecer firme na fé. Serão os falsos-profetas???

Daniel Figueiredo (www.italkinabout.blogspot.com)

O que há de errado com a igreja brasileira? (2)

Os comentários agressivos recebidos devido a meu último texto me fizeram questionar de forma ainda mais contundente: o que, afinal de contas, há de errado com nossa igreja brasileira?

O clima de guerra institucional, que então mencionei, se mostrou patente nos E-mails que me enviaram. Não existe um ambiente de paz e harmonia. Repare num fato, é comum hoje as igrejas terem uma Homepage. Lá elas colocam sua história, como iniciou e sua visão. Nunca vi uma igreja que, reconhecidamente surgiu de uma divisão, se quer mencionar algum tipo de ligação com o ministério passado. Existe uma negação escandalosa.

Mas essa é nossa marca, somos os “não-católicos”. Queremos apagar nosso passado como instituição, como indivíduos e como movimento. É como se uma igreja católica nunca tivesse existido no tempo e no espaço. Não a entendemos e nem queremos entendê-la e o pouco que entendemos discordamos (afinal só estamos atentos aos pontos conflitantes).

Certa vez convidei um pastor para se encontrar com outras lideranças cristãs, onde um padre estaria presente, este pastor logo recusou o convite justificando-se: é contra isso que estamos lutando.

Meu objetivo não é defender, nem acusar, seja igreja católica ou protestante, acho que essa guerra repousa há mais de 500 anos atrás, no continente europeu, e não pertence à minha agenda.

Meu alvo, e preste muita atenção, pois não irei repetir mais, é que vivamos um cristianismo autêntico que transcenda qualquer barreira, principalmente a religiosa.

E aqui está nosso principal obstáculo, cultura é uma força que tem tanto poder para atrair como para afastar, e no centro da cultura estão os valores religiosos, com suas crenças e costumes. E é essa força que nos tem segmentado ao invés de unir.

Algumas vezes conseguimos ter uma convivência pacífica e, quando muito, toleramos e reconhecemos o outro (e sua instituição religiosa), mas o normal é levarmos vidas completamente desarticuladas como se o corpo de Cristo estivesse esquartejado, onde um membro não possuísse nenhum vínculo com outro. Quando o apóstolo nos alerta para discernir o Corpo de Cristo, isso implica em duas verdades. Normalmente nós atentamos somente para uma e negligenciamos completamente e descaradamente a outra: uma é exclusiva, mas a outra é inclusiva. Estamos muito bem atentos para quem excluímos desse Corpo, sob o medo da pena da maldição de não discernirmos bem, mas não temos temor em deixarmos de incluir boa parte do corpo, o que também é falta de discernimento, doentio e está sujeito à mesma maldição!

Esse é o mesmo erro que se incorre quando alguém levanta a vós para orar, em face de guerra, por Israel “o povo escolhido de Deus”, mas esquece que Deus é de todos e todos povos são de Deus, e não ora pelos palestinos (e, diga-se de passagem, são os que mais têm sofrido nesses últimos combates). Não é a toa que Jesus veio da Galiléia “dos gentios”! Não é por acaso que ele não poupou elogios àqueles estrangeiros que vivera em sua pátria e inúmeras vezes censurou os seus compatriotas.

Como alguém comentou, o americanismo nos atinge diretamente a começar pela música (evangélica ou não), depois pela literatura (evangélica) e finalmente pelos programas de televisão e cinema. O problema é que não somos norte americanos. Somos latinos, somos índio, somos África! Vivemos em um clima tropical, temos outra história e isso exige outra leitura da espiritualidade.

Essa espiritualidade não vai além das barreiras culturais pois está misturada com elementos estranho à nossa cultura. Eis a raíz de tanto conflito. Enquanto não baixarmos as armas e passarmos a promover o bem do outro (e sua fé) viveremos um cristianismo destinado a sucumbir e decepcionar, pois este está alienado, não somente de sua mensagem original, mas do espírito do Autor da mensagem.

Leia também:

O que há de errado com a igreja brasileira?

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Liberdade na inspiração interior e pessoal

“É esta liberdade que almejamos: a liberdade de agir ou de não agir, de falar ou de calar, de fazer isto e não aquilo, de trabalhar e de repousar, segundo a convicção que Deus nos dá. Quer sejamos pessoas de fé ou não, nós nos sentimos sempre culpados por nos deixar conduzir pelas exigências do mundo, por mais nobres que elas sejam, e não por uma inspiração interior e pessoal.”

Paul Tournier em Culpa e Graça

Confira: Rebanho de tolos

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Boas Vindas (e Feliz Aniversário)

monja10 Gabriela, muito obrigado por aceitar nosso convite e vir colaborar conosco!

Ficamos muito contentes em saber que você tem acompanhado nosso Teologia Livre (que agora também é seu) e divulgado para seus amigos de língua espanhola. Fique a vontade para postar suas ideias, as quais já temos acompanhado no TSN.

Você me escreveu que

“Também gostaria que dos participantes de Teología Livre, se estivessem interessados, pudessem escrever no blog "Teología Sem Nome", em português, e nós [vocês]estaríamos dispostos a traduzir embaixo do texto original.”

Essa é sem dúvida um boa oportunidade de intercâmbio e já estendo o convite para os colaboradores aqui.

Seja bem vinda em nosso barco sinta-se em casa, hoje estamos festejando contigo!

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

O que há de errado com a igreja brasileira?

Você já parou para pensar que em poucos anos a China será a maior nação cristã do mundo? Segundo as estatísticas de Johnstone (Oração pelo Mundo, 2003) a população cristã da China está em torno de 91 milhões e cresce a uma taxa de quase 8% ao ano. E mais, existe uma população de mais de 1 bilhão de não-cristãos. O desafio é grande, muito grande, mas está na ordem do dia.
Deixemos a China e voemos para a América do Norte, para a maior nação cristã de nosso planeta com cerca de 235 milhões de cristãos. Apesar de ser o terceiro país católico do Mundo, os Estados Unidos são preponderantemente evangélicos ou protestantes. É de lá que sai a maior parte da teologia, das ideias e das decisões que influenciam o Brasil cristão (evangélico) hoje. Não haveria nada de errado com isso se toda essa “dependência” fosse positiva, mas não é!
Aliás, o Brasil já conquistou sua independência espiritual há muito tempo, só não tomou ainda consciência disto. E essa é minha principal crítica à nossa igreja.
Existem boas diretrizes vindas dos EUA e isso nos alegra mas o que irrita é ver as pessoas no Brasil (e, diga-se de passagem, na Europa não é diferente) quererem copiar tudo de forma acrítica e literal. Não funciona. E quando funciona os resultados são ilusórios.
Isso leva à raiz de um problema típico vivido em solos brasileiros: o proselitismo. Esse é um mal insuperável entre os protestantes e a única maneira de superá-lo é tomando consciência disso. Todos precisamos saber que a passagem de Mt 23:15 nunca serviu tanto para nós evangélicos, como hoje:

“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que percorreis o mar e a terra para fazer um prosélito; e, depois de o terdes feito, o fazeis filho do inferno duas vezes mais do que vós”.

Se nós atentarmo-nos bem para a cultura americana, a começar pela história religiosa, veremos que essa estratégia de “fazer convertidos” tem sua razão de ser lá, onde a população católica e de não-cristãos competem de certa forma de igual para igual com as maiores denominações evangélicas. Mas em outros países esta estratégia é nociva.
Paul Tournier teve boa percepção sobre esse assunto ele narra um caso interessante em seu livro “Culpa e Graça” que transcrevo abaixo:

“Recentemente, reencontrei uma mulher cuja educação severa às mãos de um pai autoritário carregou-a de sentimentos de inferioridade e culpa dos quais tenho tentado libertá-la. Durante as férias ela encontrou um pastor cheio de dinamismo e se abriu com ele sobre estas dificuldades. "Você passou pelo novo nascimento?" perguntou-lhe ele. E ei-la de novo afogada em seus sentimentos de inferioridade e culpa. "E verdade", disse ela, "não passei pelo novo nascimento! Mas o que é preciso fazer para passar por ele? Outros já o experimentaram e estão libertos, no entanto isto ainda não aconteceu comigo. A prova é que eu vivo tão atormentada!"
Não contesto a mensagem evangélica do novo nascimento, nem a experiência do novo nascimento que eu mesmo tive. Na verdade, esta moça parece ter nascido de novo sem se dar conta, libertando-se pouco a pouco do mecanismo psicológico que a havia aprisionado, alcançando a liberdade espiritual.”

No fundo, toda uma questão envolvendo soterologia e poder (autoridade) está envolvida nessas guerras institucionais que deixam sua marcas no cristianismo e no culto que oferecemos a Deus em solo brasileiro. Não é de se estranhar que sejamos isolacionistas em nossa fé, que não busquemos a reconciliação, nem a unidade e nem a união.
Há muito terreno para ser percorrido. Talvez os chineses em alguns anos comecem a nos trazer boas lições nesse sentido.

Leia também:

Foto: Ruínas de Igreja dos Jesuítas - Século 17 - Guarapari

domingo, 25 de janeiro de 2009

Só hereges são autores ou pensadores originais

“…para él [Gregorio el Grande] lo que pareciera ser “original” o “novedoso” debía evitarse por todos los medios posibles, pues la tarea del maestro cristiano no es decir algo nuevo, sino repetir lo que la iglesia ha enseñado desde su mismo nacimiento, y por tanto sólo los herejes son autores o pensadores originales. […]

y procede entonces a desarrollar la doctrina del purgatorio […] la absolución sacerdotal, que confirma el perdón que ya Dios le ha otorgado al penitente. Quienes mueren en la fe y comunión de la iglesia, pero sin haber hecho penitencia suficiente por todos sus pecados, van al purgatorio, donde pasan algún tiempo antes de ir al cielo. Uno de los modos en que los vivos pueden ayudar a los muertos a salir del purgatorio es ofrecer misas en su nombre. Para Gregorio, la misa es un sacrificio en el que Cristo es inmolado de nuevo.”

Para ele ele [Gregorio o Grande] o que pareceia ser “original” ou “inovador” devia ser evitado por todos os meios possíveis, pois a tarefa do mestre cristão não é dizer algo novo, mas sim repetir o que a igreja já havia ensinado desde seu nascimento, e portanto somente os hereges são autores ou pensadores originais. […]

e então ele avança desenvolvendo a doutrina do purgatório…

Justo L. González em Historia del Cristianismo PARTE III: La era de las tinieblas

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Até que ponto nós seríamos liberais?

image Saindo agora um pouco da questão da predestinação e das possíveis interpretações que teríamos desse termo, vamos pensar um pouco em um comentário sobre nosso Blog:

“O nome de seu blog, "Teologia Livre", me parece uma contradição em termos, a menos que eu esteja enganado. Pois nele encontrei sua clara dependência de antigos teólogos liberais do século XIX e XX. É evidente que não se trata, portanto, de uma questão de antiguidade, mas de conteúdo. Você quer uma teologia livre para 2009, mas isso quer dizer livre da teologia tradicional e presa à liberal alemã, que também é antiga.”

Então eu pergunto qual teologia é a correta a tradicional ou a liberal?

Qual perfil teológico é o correto? Mas essas perguntas são falsas! Como Rubinho salientou em seu comentário estaríamos mais uma vez caindo em extremos. E a força que me arranca de um extremo é tão forte, que é capaz de me empurrar simetricamente para o outro.

Mas poderíamos pensar, até que ponto estamos de acordo com a teologia já escrita?

A fórmula é simples, calcula-se uma média aritmética, somam-se os percentuais e dividi-se por 11 (o número de teólogos). Tive o trabalho de agrupar alguns testes feitos por alguns de nossos colaboradores e amigos. No quadro abaixo vemos que essa média equivale a 54%.

Teólogos

Vítor

Roger

Lucas

Fanuel

Faustini

Nani

Totais

Schleiermacher

50

67

75

100

75

67

72%

Moltmann

33

83

92

83

58

83

72%

Anselmo

92

67

83

0

92

75

68%

Calvino

58

42

50

50

67

92

60%

Paul Tillich

42

58

33

100

75

50

60%

Karl Barth

83

50

50

17

58

67

54%

Lutero

83

42

50

33

67

50

54%

Rudolf Bultmann

17

17

50

100

50

42

46%

Agostinho

58

50

50

0

58

58

46%

Jonathan Edwards

33

42

50

33

58

17

39%

Finney

33

58

0

42

8

0

24%

 

52,91

52,36

53

50,73

60,55

54,64

54%

Com base nesta estatística poderíamos dizer que pouco mais da metade de nossas convicções teológicas fecha com a teologia acadêmica (liberal ou tradicional). Poderíamos ainda dizer que somos influenciados (não dependentes e não presos) tanto pela teologia liberal quanto pela tradicional.

Então somos livres!

Mas como já disse um gaiato, estatísticas são como biquini, mostram tudo, mas tampam o essencial. Esses número são baseados em apenas 3 perguntas por teólogo relativas aos temas centrais de seus ensinos. Quantas páginas cada um deles já não escreveu? Qual a validade daqueles escritos para os dias de hoje? Quais os temas relevantes para a atualidade? Ou seja, ainda há mares para serem navegados. E é nessa mistura de ideias, de cabeças pensando juntas, que vamos descobrindo um pouco mais de um Deus que é multiforme , que não se deixa engaiolar e que sempre tem algo novo para nos revelar, por graça.

Leia também:

- protestantismo e liberalismo no Brasil Colônia e na República
- As velhas coisas são passadas (ou respondendo Clóvis - 1)

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

As velhas coisas são passadas (ou respondendo Clóvis - 1)

Querendo dar sequência ao que Nani escreveu e ao mesmo tempo satisfazer as perguntas de Clóvis tentarei juntar as duas coisas em uma só.

a) Você crê que a predestinação é para a salvação?

Esta foi a primeira pergunta feita pelo Clóvis do Cinco Solas em meio a um bate papo que tivemos por lá.

Você crê que...?

Nani nos disse que

“Os ideais de liberdade individual [...] favoreceram a abertura constitucional a novos credos no Brasil. [...] Não só os intelectuais abraçaram o liberalismo, mas também parte do clero católico era a favor da modernidade.”

O que nos faz lembrar que estamos falando aqui nada mais nada menos sobre credos individuais.

De fato essa foi a tônica teológica de Schleiermacher, a que “se chama "Liberal" por causa de sua ênfase no direito do individuo de definir os termos de sua própria fé sem ser intimidado por nenhuma autoridade.”

Não sei se Schleiermacher advogou o direito do indivíduo de definir qualquer coisa. Sei porém que ele atrelou a fé aos sentimentos e à visão de mundo (Weltanschauung) e essas são coisas que estão em movimento, em constante mudanças, portanto difíceis de serem “definidas”. Graças a Deus!

As mudanças ocorrem. Evidentemente que o poder político na maior nação cristã e mais poderosa do planeta estava nas mãos daqueles que defendiam os valores conservadores e nada liberais, os chamados neoconservadores e os fundamentalistas religiosos. Ontem isso mudou. Uma página foi virada na história.

Basta ouvir ou ler Obama que você perceberá em seu discurso sua flexibilidade e seu respeito a essa liberdade individual. Suas respostas não são de forma alguma dogmáticas, não obstante a autoridade que agora carrega nos ombros.

Vinhos novos precisam de odres novos, pois esses são flexíveis e aguentam as mudanças que o novo vinho lhe imprime. Os "neocons" e fundamentalistas conservam o odre e perdem o vinho (novo). Enquanto que o vinho é o que precisa ser conservado!

Você já deve estar imaginando a onde quero chegar (os mais engraçadinhos dirão: já sei, a lugar nenhum! rsrs).

Não, não quero chegar de fato aos lugares manjados, batidos, às respostas fáceis e preestabelecidas. Mas tenho um alvo que é o seu próprio coração. Ali há algo novo e desconhecido a ser mostrado para o mundo e esse novo não é estático. Sua visão de mundo e seus sentimentos dirão muito a respeito de seu conceito de salvação, de destino e de tempo. Sua leitura individual e particular da Bíblia é tão importante e válida quanto foi sua escrita. Não falo de particular interpretação, mas de particular aplicação. Basta trazermos à mente questão de Israel, que é normalmente compreendido como o povo escolhido, e você entenderá então a complexidade dessas coisas.

Dou outro exemplo:

O Volney nos contagiou com um teste do perfil teológico. Após fazer este teste 2 vezes vi que após 2 dias meu perfil já tinha mudado! Então outras pessoas fizeram o teste, e quão diferentes são os resultados entre cada indivíduo! Qual perfil teológico é o correto? Essa pergunta é falsa! Mas podemos questionar, até que ponto pensamos de acordo com aquelas teologias já escritas?

A fórmula é simples, uma média aritmética, soma-se os percentuais e dividi-se por 11 (o número de teólogos). Tive o trabalho de agrupar os testes feitos por alguns de nossos colaboradores e amigos. Mas sobre esse resultado falaremos na próxima vez.

"Se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe pão para comer; e se tiver sede, dá-lhe água para beber; porque assim lhe amontoarás brasas sobre a cabeça; e o SENHOR to retribuirá." Pv 25:21,22
"Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem." Rm 12:22

Leia também:

- O teólogo que salvo engano há em mim
- Mais MOLTMANN doq nunca!!!
- Oi! Eu sou...
- protestantismo e liberalismo no Brasil Colônia e na República

- Devoto, Jimmy Carter ataca fundamentalismo religioso

domingo, 18 de janeiro de 2009

protestantismo e liberalismo no Brasil Colônia e na República

Eu já publiquei este post no meu blog, mas decidi colocá-lo aqui no Teologia Livre também para complementar o debate do artigo A postura evangélica frente à ditadura militar



Muitos evangélicos entram em pânico ao ouvir essa palavra: liberalismo. Mas foi justamente o liberalismo que possibilitou a entrada oficial protestante no Brasil.
Na época do Brasil colônia, a presença protestante sempre foi marginal:
  • de 1555 a 1560: invasão da baía de Guanabara com o objetivo de formar a França Antártica. Calvino até enviou pastores e deu orientações especiais para a expedição, que tinha uma áurea de conquista da terra prometida.
  • de 1630 a 1645: invasão dos holandeses no Nordeste, movidos nem tanto por um ideal de promessa, mas também pela exploração colonialista do açúcar e o consequente comércio pela Companhia das Índias.
  • na primeira década do século XVIII: novamente invasão francesa para a formação da França Equatorial no Maranhão.
A situação melhorou com a chegada da família real ao Brasil e a "amizade" com a Inglaterra protestante. 
Segundo Antonio Gouvêa Mendonça, em seu livro O Celeste Porvir:
O protestantismo só conseguiu implantar-se definitivamente quando condições políticas e sociais apresentaram possibilidades de neutralizar a presença protestante de modo que ela não viesse a conseguir, por conta de seu enquistamento, transformações sensíveis na cultura católica luso-brasileira.
O liberalismo foi um dos fatores para estas mudanças políticas e sociais.

Os ideais de liberdade individual e progresso do liberalismo favoreceram a abertura constitucional a novos credos no Brasil. O protestantismo, que vinha dos ricos países europeus e dos Estados Unidos, era visto na época como um motor para o progresso e o enriquecimento nacionais.
Não só os intelectuais abraçaram o liberalismo, mas também parte do clero católico era a favor da modernidade.
Unido ao espírito liberal, a crise do padroado na Igreja Católica e questões cotidianas, como a administração exclusiva de cemitérios pelos católicos, fizeram com que a Constituinte de 1823 tivesse relativa abertura ao protestantismo.
Mas, por fim, embora continuasse mantendo a religião católica como religião do Estado par excellence, e a única a ser mantida por ele, a Constituição reconhecia o Brasil como nação cristã e todas as suas comunhões e estendia os direitos políticos a todas as confissões cristãs (Antonio Gouvêa Mendonça).
O liberalismo se acentuou ainda mais no período Republicano, quando o Estado se tornou totalmente laico - o que favoreceu muito o protestantismo.
Silas Luiz de Souza (meu professor de História do Cristianismo e História do Protestantismo na América Latina) em seu livro Pensamento social e político no protestanismo brasileiro afirma
O protestantismo entrou no Brasil como uma proposta liberal de modernização do país. Essa modernização passava necessariamente pela completa separação entre Igreja e Estado e pela total laicidade deste. Todas as liberdades deveriam ser garantidas.[...] O projeto era simples: se os indivíduos fossem transformados, a sociedade seria modificada. Mas a liberdade deveria ser ampla. Somente com liberdade para pensar, agir, cultuar, aprender e mudar é que as pessoas, podendo chegar ao conhecimento da verdade, escolheriam a verdadeira religião e a melhor forma política.
Há muito mais entre protestantismo e liberalismo do que imaginamos...

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

A postura evangélica frente à ditadura militar

Já faz algum tempo que um amigo e irmão na fé presenteou-me com alguns livros. Ele os havia ganhado de um ex-pastor, contudo, não se interessando pelo tipo de literatura (livros teológicos) decidiu abrir mão deles. Logo que os recebi, dediquei-me, ainda que superficialmente, a vasculhar um por um. Logicamente, alguns títulos chamaram mais a minha atenção do que outros. Entretanto, todos me pareciam muito úteis e de prazerosa leitura.
Recordo-me bem que dentre os livros que pouco chamaram minha atenção estava um de capa muito esdrúxula (um desenho bizarro de um homem na fogueira) e de edição gráfica simples, pois fora datilografado. Com uma folheada breve, percebi que se tratava de relatos acerca de acontecimentos ocorridos no seio da Igreja Presbiteriana do Brasil, no período de ditadura que assolou nossa nação. Eu já havia ouvido pequenos comentários, em pregações, sobre a forma com que determinadas denominações evangélicas se portaram durante este período: talvez o mais tenebroso da nossa história. Porém ainda não havia me dedicado a estudar sobre.
Foi, então, assistindo o filme brasileiro Olga que me interessei em voltar a folhear as páginas de tal livro. Não sei ao certo o motivo deste interesse, mas, ao assistir sobre a luta daquela mulher, me veio à mente a lembrança deste livro e de seus relatos. Pode ser pela proximidade de data entre os acontecimentos tratados no filme e os relatados no livro (arrisco-me a dizer que uma das causas, também, pode ser o fato de que hoje sou membro de uma Igreja Presbiteriana em minha cidade).
O livro é de autoria do pastor presbiteriano Rev. João Dias de Araújo, e se chama Inquisição sem fogueiras¹. Como já mencionado, ele trata, especificamente, dos fatos ocorridos dentro da Igreja Presbiteriana do Brasil.
Reverendo João Dias relata corajosamente o que chamou de inquisitorialismo. Durante um longo período a cúpula da liderança da IPB apoiou o regime ditatorial dos militares, perseguindo severamente membros, seminaristas, presbíteros e pastores que se envolvessem com questões referentes a “justiça social e denúncia dos males estruturais da realidade brasileira.” Outras razões dignas de reprovação eram o ecumenismo e qualquer tipo de pensamento que se alinhasse com a ideologia marxista. A título de exemplificação, vale mencionar que foi expressamente vedada a participação de padres nos púlpitos presbiterianos (ainda que em silêncio); e a participação dos membros da IPB como testemunhas em casamentos realizados pela igreja católica, dentre outras coisas mais. João Dias ainda menciona o fato de que juristas presbiterianos colaboram na confecção de alguns dos atos institucionais, a favor da ditadura.
Segundo os relatos, não poucos ministros foram despojados (expulsos do ministério), e outros acusados pela Igreja de serem subversivos; como, por exemplo, Rubem Alves, que durante muitos anos foi pastor presbiteriano na cidade de Lavras/MG, e também já foi considerado um dos maiores teólogos brasileiros. Depois de ser acusado pela IPB como subversivo, decidiu retirar-se do ministério escrevendo uma carta na qual faz menção à insatisfação em relação aomodus operandi da denominação. O início e fim de sua carta são marcados pelas palavras:“Sempre entendi que o evangelho é um chamado a liberdade. ... Não encontro a liberdade na IPB. É hora, portanto, de buscar a comunidade do Espírito, fora dela”.
É enganosa, entretanto, a idéia de que tais fatos restringiram-se à IPB. Na verdade, o apoio dos conservadores protestantes ao Regime Militar foi um fenômeno que abrangeu grande parte das denominações protestantes brasileiras. Gedeon Alencar em seu livro Protestantismo Tupiniquim (pág. 95), ao citar escrito do sociólogo Paul Freston, faz menção a que um famoso líder Batista, Fanini, prestou apoio à Ditadura Militar por conveniência da concessão de um programa de TV². Intriga-me, no entanto, o fato de que tão raros líderes façam menção a este tempo obscuro do protestantismo brasileiro. Pode-se contar nos dedos os que, de uma forma ou de outra, têm mencionado em suas palestras ou em livros tais fatos. Isso talvez se deva a falta de coragem, ou , quem sabe, falta de interesse de colocar o dedo nas nossas feridas ou pouca compreensão da importância dos fatos. Apesar disso, é compreensível que não haja muitos trabalhos com ênfase especial neste assunto, afinal ele é contemporâneo demais; e quanto mais próximos estamos de um acontecimento histórico mais difícil a sua compreensão.
Não obstante, entendo ser de extrema importância olhar para este passado, ainda que nos doa saber que em nosso meio ocorreram males como estes, dignos de repúdio. A importância de olhar para trás é devido a algo simples: não repetir ou permitir que se repitam atrocidades como as ocorridas. O passado é como um mapa que pode tanto nos mostrar os caminhos que devemos continuar a percorrer como, também, aqueles dos quais devemos nos desviar.
Infelizmente a memória do brasileiro é bem curta, e a dos evangélicos parece ser mais curta ainda, talvez nem exista. Por isso mesmo trago esta reflexão, a fim de que nos voltemos para nosso passado, e isso responsavelmente. Pois é fácil olhar para trás e dizer que nada tivemos com isso. Caso alguém o diga, vale perguntar: qual seria a nossa atitude se fôssemos participantes desse período histórico?
Posso responder apenas por mim. E, com sinceridade, não sei dizer como teria agido, apenas como quero agir nestes dias de minha vida: quero ter coragem para sustentar aquilo que creio, haja o que houver, e ser fiel ao evangelho e à minha consciência, sempre!

1 - A edição do livro que tenho em mãos foi lançada pelo Instituto Superior de Estudos da Religião, em 1985. Creio que somente deva ser encontrado em sebos.
2 - Alencar, Gedeon Freire. Protestantismo tupiniquim: hipóteses da (não) contribuição evangélica à cultura brasileira. São Paulo: Arte Editorial, 2005.

Artigo escrito por Beto em 12.09.2007 para Cidadania Cristã

O Ato Institucional Nº 5 (AI-5), que deu poderes ilimitados ao governo militar do presidente Artur da Costa e Silva e que completou 40 anos ano passado, acabou servindo de "exemplo" para os golpes militares em outros países da América do Sul.

Olha, o Rubem foi pastor aqui em Lavras de 1962 a 1967. Na epoca não tinha essas idéias de hoje. Já era bem voltado para o enfoque social da igreja, o que naqueles tempos de AI5 não era muito bem visto, inclusive pela cúpula da IPB. Foi denunciado como subversivo, teve de "arrumar" um curso para fazer nos EUA. Sempre foi muito amigo de meu pessoal. (depoimento de um amgio de Lavras)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Honra a quem honra

Confesso que minha simpatia por ele, no início, ao ler suas colunas na Ultimato, não foi assim tão automática. Depois li o Artesãos de uma Nova História e comecei a entender melhor o pensamento desse nosso irmão, que tem estimulado e desafiado a alma evangélica brasileira.

Foi através de Gondim que cheguei a Brabo e foi através de Brabo que aprendi a respeitar mais Gondim. Quem afinal de contas me incentiva a ler quem, nesse jogo virtual amigo, é uma pergunta difícil de responder.

Sei que nosso amigo e colaborador Valdinei Gandra, do café teológico, teve o privilégio de em Joinville se encontrar e papear com Gondim e Paulo Brabo, por ocasião do Café Teológico.

De fato é de se respeitar que esse pastor, com todas as implicações do cargo e do ministério que exerce, tome uma atitude ousada em propor para o grupo social evangélico brasileiro uma nova visão cultural que chegue a desafiar os paradigmas vigentes. Os quais se mostram evidentemente falidos. Quem é que não tenha um mínimo de consciência cristã que também não se vê cansado com os exageros que se multiplicam por aí afora sob o nome de “evangélico”?

Dr. Russell Shedd acertou quando apontou Gondim como "o sucessor" de Caio Fábio e o “o grande nome do Evangelho no Brasil hoje” à frente do rebanho (independente de como isso seja interpretado). Ele tem sabido trilhar um caminho próprio e cristão. Sei que essa glória não é de forma alguma sua pretensão ou alvo. Nem existe um fórum para que esse "papado" seja estabelecido, como foi na época o caso da AEVB. Mas talvez em sua rede de relacionamentos tem havido um efeito multiplicador muito efetivo. Liderança é serviço e é isso que aquele irmão deixa transparecer.

Não sei, estou fora do Brasil há 10 anos, mas imagino que no mínimo em todos os seminários teológicos seu nome e pessoa seja uma referência. E em muitas igrejas também.

Deixando o contexto nacional e me voltando ao particular de minha existência, dou graças a Deus por ter achado nele a voz de quem aponta para o amor, para a paciência, para a verdade. De forma que isso vá além do corporativismo evangelical. E isso é uma grande ameaça para alguns ou até muitos, daí tantas críticas. De minha parte só tenho a agradecer!

Ano passado foi um ano especialmente difícil. Perdi minha mãe, que sofreu durante 2 ou 3 anos com demência. Estou há 3 anos desempregado, o que afeta toda minha vida, financeira, emocional, conjugal, espiritual, etc. Além disso passei há 7 anos mais ou menos por um processo traumático e complicado de desligamento da igreja que me havia enviado como missionário para Alemanha. Nessas horas as interrogações se multiplicam.

Encontrei consolo e respostas que me satisfizeram em seus escritos e vídeos. Que desbloquearam minha vida devocional e espiritual. Você me entende, não estou creditando tudo a Ricardo Gondim, mas sem dúvida ele desempenhou um papel fundamental.

Muito obrigado amigo Ricardo, quero mais uma vez, neste ano, te parabenizar pelo seu aniversário. Festeje com os seus chegados e tenha um ótimo dia, além de muiiiiiitos anos de VIDA!

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Mea Culpa

Zoo e Kleintettau 122 Querida Norma,

vamos ao meu pedido de desculpas. Aqui agora não caberão as ironias minhas nem humor o que poderia distorcer a mensagem que quero passar a você e aos outros. Falo com seriedade e sinceridade.

Há coisas para eu me desculpar em relação a você, Nagel e Nicodemus.

1) Os erros ortográficos já foram corrigidos.

2) Houve um erro de pontuação, onde eu deveria ter colocado uma vírgula e não um “e” antes de os dois Temporas. Como ficou deu a entender que me referia a você e a Nagel. Mas me referia de fato a Solano e ao Mauro. Também corrigi esse erro de pontuação.

3) Na questão do Gondim eu errei, sim, e feio. Perdoe-me!

4) No elogio que fiz aos outros Blogs... te entendo também. É mesmo desagradável o que fiz.

5) Se eu falei mentiras e não fui fino também te peço perdão.

Faço uma consideração, agora, me dirigindo a Nicodemus, sobre o tema do Post, não para me justificar, pelos erros que cometi, mas não quero perder essa oportunidade de relacionar isso ao tema relativismo X verdades absolutas (certo e errado). É o seguinte:

Se eu não tenho a disposição de relativizar, jamais conseguiria entender a Norma.

1) No primeiro ponto ela começou com uma questão bem objetiva, basta eu olhar o dicionário. Se bem que até nisso pode haver controvérsias especialmente agora com a reforma ortográfica. Mas no caso, é claro que estou errado. Há uma verdade óbvia.

2) Aqui, na pontuação, já acho mais complicado. Pois o referencial seria uma gramática da língua portuguesa, o que é mais complicado de ser consultado. Mas com boa vontade, tentando entender minha interlocutora. Percebi o deslize.

3) Agora as coisas começam, já a cair em um subjetivismo onde quase não conseguimos ver mais aquilo que é objetivo e absoluto: Gondim foi perseguido ou criticado? O que eu de fato quis dizer com o termo “perseguido”? Onde estaria a verdade? Adiantaria eu apontar para Norma minhas reais intenções, a leitura que fiz do ocorrido? Seria esse o espaço e tempo propício para tal discussão? Não. Prefiro deixar de lado minhas convicções, minhas verdades, e dar a mão a palmatória. Afinal, se ela interpretou assim, há boas chances de ser correto. E mais do que isso, o que na verdade penso é que como eu tomei as dores do Gondim nisso tudo e me posicionei ao lado dele, é óbvio que transmito isso, e se Norma se sentiu ofendida é porque algo a ofendeu. E essa, não foi absolutamente minha intenção. Provocar sim, ofender não. Mas às vezes as duas coisa são tão próximas...

4) Sei que no campo científico (teológico) as coisas são mais rígidas e menos flexíveis que nos relacionamentos interpessoais. Mas esse é novamente meu ponto, teologia é pra mim, acima de tudo o exercício de conhecer um Deus que se relaciona comigo (Ele é um sujeito e não um objeto). E nisso há margem para muita flexibilidade. Por exemplo, a questão da Bíblia, embora meu pai e minha mãe tenham escrito livros, jamais leria um livro de regras, para aprender a me relacionar com eles. E nem as cartas que me escreveram serviam para isso. O que quero dizer, voltando ao pedido de desculpas, é que tenho tanto prazer em me relacionar com essa ala, como com a outra, pois creio que somos todos irmãos em Cristo. A sensibilidade feminina da Norma me mostrou algo que talvez as outras figuras masculinas não conseguiriam mostrar. Quero que ela entenda que a amo ainda que elogie outros Blogueiros com os quais me identifico mais.

5) Usei no meu quinto pedido propositadamente o “se” e nele tudo se relativiza. Pois tenho uma consciência limpa de que não menti nem ofendi ninguém. Mas se isso foi entendido como mentiras e ofensas pela Norma, e foi, por que devo ficar prezo ao meu orgulho e à minha cabeçudice? Não, como alguém já disse, prefiro ser feliz do que ter razão. Ainda que o melhor seja ser feliz “e” ter razão, nesse caso não há escolha, abro mão da razão para ser feliz.

Esse é o relativismo que advogo, na minha maneira de aprender e fazer teologia, nos meus relacionamentos com o próximo ou com meu Deus.

Um fraterno abraço para vocês,

Roger

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terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Oi! Eu sou...

Pensei muito antes de colocar o meu primeiro texto aqui no Teologia Livre. Usar um texto já publicado no meu blog ou ir com algo inédito? Ser polêmica ou simpática? Falar sobre um tema teológico (para vocês acharem que sei alguma coisa) ou ser mais leve e correr menos riscos?
No fim, cheguei a algo básico na educação de nossa sociedade. Antes de iniciar uma conversa, você se apresenta.
Eu sou a Nani e fui convidada pelo Roger para fazer parte do time de colaboradores do Teologia Livre. Estou na blogosfera há pouco tempo, desde julho de 2008. No meio deste ano termino a minha gradução em Teologia no Mackenzie (que medo!) e só me decidi por este estudo pela aproximação de Jesus (foi o que eu decidi ser o melhor a fazer, mas eu também poderia ter virado freira na época). Não faço parte de nenhuma igreja e nem sinto de falta de uma para falar a verdade. Disse o meu "aceito" para Jesus apenas para os meus colegas de sala e me sinto muito feliz com isso.
Como estamos em um blog de teologia, vou colocar aqui o meu resultado do célebre teste já comentado pelo Roger:
Fazendo teologia no Mackenzie, não poderia dar outro resultado, não é mesmo?
Mas ainda penso muito na questão do livre-arbítrio do homem e da soberania de Deus. Como em outros temas teológicos, reflito e fico agradecida pela misericórdia de Deus, que não revelou todo o Seu plano para nós e não nos sobrecarregou com esta cumplicidade.
Então, para mim há sempre muito espaço para pensar, discutir e formular minhas próprias idéias  ideias. E devo ser uma péssima cristã, pois não faço esforço algum para convencer os outros sobre o que acredito. Aliás, tenho pavor de parecer uma crente fanática, fundamentalista, carola ou qualquer outro termo...
Esta sou eu e agradeço pela atenção de vocês.
That´s all folks!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

E você, já tomou partido?

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Primeiramente gostaria de agradecer ao convite para participar da confraria e deixar minhas humildes letras registadas nestas páginas. Parabéns pelo espaço. Já digo que espiritualidade não é bem o meu assunto, mas tentarei o melhor.

Hoje fui convidado para participar de uma manifestação popular em solidariedade a Israel na praça central de nossa cidade.

Respondi educadamente que estava mais inclinado a participar de algo semelhante em prol dos Palestinianos.

Passada a crise, melhor dizendo, os rumores da crise financeira de 2008, 2009 chegou com a guerra em Gaza. É a manchete principal dos jornais!

E evidentemente, um tema quente para Blogueiros como nós.

Ivan Lessa da BBC já sentenciou:

“Acabou aquela história de escrever palavrão nas paredes dos mictórios públicos. Blogueia-se, ao invés.“

Bloguear é uma actividade estranha.

Não consigo me livrar das palavras daquele jornalista. Talvez por isso me contenho tanto em escrever mais.

Transcrevo aqui algumas linhas para me lembrar os limites dessa actividade tão moderna na qual venho tentando adentrar.

“É blog que não acaba mais. E cada blog dá links, ou enlaces, com outros blogs. Nós olhando e eles se reproduzindo a bloguear qual besta de mil costados. Todo mundo tem opinião. E onde todo mundo tem opinião, ninguém tem opinião.

Vaidade, tudo é vaidade. Aqueles tipos estranhos, infelizes e solitários, que escreviam para os jornais e revistas “parabenizando pela reportagem” ou “indignados com a permanência na equipe do colunista Fulano de Tal”, todos têm seu blog. Alguns caprichadíssimos. Os professores de “blogueçaõ” proliferam e faturam alto.

Maravilha. Nunca o mundo foi mais democrático. Se um dos critérios da democracia é todos terem opinião sobre tudo. Ler essa opinião é mais embaixo. Bem mais embaixo.

Blogs e mais blogs. Sobre tudo. Quem é alguém, ou melhor dizendo, quem não é ninguém ou almeja ser alguém, tem seu blog.“

Mas queria escrever sobre a guerra...

Pois é, respondi a meu interlocutor que se fosse uma manifestação para nos solidarizarmos com os cariocas e tentar amenizar a violência naquela cidade, sim, isso seria assunto nosso, poderia contar comigo. Mas nessa luta no oriente médio, não, não meto meu dedo nisso não.

Fotos extraídas de: OLHAI OS LÍRIOS DO CAMPO em SOBRE A (DES)NECESSIDADE DA GUERRA

primeira: soldados israelenses choram a perda de colega em Gaza, no cemitério militar de Beersheba.

segunda: palestinos carregam os corpos de três bebês mortos durante ataques israelenses

domingo, 11 de janeiro de 2009

Os Aventureiros e os Transgressores

Em uma conversa com P. Brabo (via E-mail) e em outra com A. Nicodemos (via comentários) me vi embaraçado com estes dois rótulos: aventureiro e transgressor.

Nada como ter o privilégio de dialogar com gente, especialmente com aqueles que pensam de forma diferente da nossa! Ou não?

Não sei o que você pensa, mas eu particularmente acho interessante me aproximar de gente que galgou certo respeito na sociedade. Na minha época de militância estudantil tive a oportunidade de ter contatos relâmpagos com ministros da Educação e Deputados Federais e um ou dois artistas de fama nacional. Sempre me alegrei com isso.

O bate papo com Brabo se deu na esfera privada, como de costume, graças à sua generosidade em responder meus E-mails e sua insistência em “fechar a barraquinha” para os comentários da Bacia. Sempre é um prazer ler e dialogar com aquele monge. Desta última vez questionei a história da transgressão de Deus em A grande revelação. Será que eu havia lido errado? Pois bem, sua explicação é que não se pode confundir transgressão com pecado. E que a história teria um desenrolar que esclareceria (ou escureceria) mais ainda as lacunas abertas. Só me acalmei por completo, hoje, quando achei no meu Aurélio de Bolso uma definição de “transgredir” que casa com o caráter de nosso Deus: “passar além de; atravessar”. Achei isso fantástico, pois essa é justamente a tônica que buscamos dar a este Blog: o espírito aventureiro de ir além e atravessar as fronteiras, de transgredir.

Isso nos remete ao segundo bate papo, com Nicodemus. Se você tiver saco e interesse fiz uma sistematização abaixo, recortei e monteio-o em uma forma que, espero, não tire a autenticidade da conversa. Para sentir o tom e teor de forma mais fiel cofira a íntegra dos comentários no link fornecido.

(Em verde estão as falas de Nicodemus. Em preto e itálico, as minhas.)

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Parte do texto Postado por Augustus Nicodemus sob o título, Relativismo, Certeza e Agnosticismo em Teologia.

clip_image002[a ser publicado no site da Editora Mundo Cristão]

Tenho sempre me deparado com pastores e teólogos que acreditam que teologia boa é só aquela que está sendo feita agora. ... o relativista declara com toda autoridade e convicção que “não existe verdade absoluta, tudo é relativo”.

Não me entendam mal. Eu também acredito que a teologia é um construto humano, e como tal, imperfeito, incompleto e certamente relativo. Estou longe de adotar para com a teologia reformada uma postura similar àquela que considera a tradição aristotélica-tomista como a filosofia e/ou teologia “perene”. Eu também considero que a teologia é fruto da reflexão humana e, portanto, sempre sujeita às vulnerabilidades de nossa natureza humana decaída. Mas não ao ponto de não poder refletir com uma medida de veracidade e fidelidade a revelação de Deus nas Escrituras. O problema com essa postura relativista é que ela desistiu completamente da verdade. É agnóstica. [...]

Mas, os teólogos relativistas acreditam em que? Em tudo e, portanto, em nada. [...]

Uma última dificuldade que desejo mencionar é que essa visão, se levada às últimas conseqüências, acaba nos privando da Bíblia. [...]

Eu admiro e respeito os antigos liberais. Os de hoje, precisariam assumir o discurso relativista e levá-lo às últimas conseqüências. Pode ser que não conseguiriam absolutamente nada com isso, como acho que não vão conseguir. Mas, pelo menos, teriam o meu respeito – se é que isso vale alguma coisa.

Caro Augustus,
O teor da postagem é a mesma, da qual há tempo vínhamos conflitando-nos: relativismo X verdade absoluta.
Começarei pelo finalzinho: sem dúvida o respeito seu e de qualquer pessoa vale alguma coisa. Respeito não significa concordância e é uma das bases da tolerância que a sociedade pluralista relativista de hoje exige.

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Li todo o texto e haveria vários pontos a serem levantados, mas me limitarei a poucos:
1) Não existiria somente uma, a verdade absoluta, que é o Verbo que se fez carne?

Roger,
Respondendo a seus pontos:
1) A encarnação de Cristo é apenas uma das verdades de uma série de outras, que compõem os atos salvadores de Deus na história, que chamamos de história da salvação. Quando Cristo diz que ele é a verdade, o faz em contra-distinção à mensagem farisaica, mas não no sentido que a vinda dele ao mundo representa o único fato verdadeiro jamais ocorrido. Esses atos salvadores de Deus estão registrados nas Escrituras, que recebemos como verdade absoluta. E elas narram mais do que a encarnação do Verbo.

1) temos que distinguir “a encarnação de Cristo” de “o Cristo, o verbo encarnado”. Me refiro à segunda expressão, à pessoa de Cristo, e não somente ao fato de sua encarnação.

2) Portanto não estariam todas as outras coisas (e a percepção delas) a priori relativas ou subordinadas a essa Verdade?

2) Portanto, seu segundo ponto fica prejudicado, a não ser num aspecto, que as percepções, todas relativas, são verdadeiras à medida que refletem mais fielmente as verdades reveladas por Deus em sua Palavra.

2) O ponto então permanece. Pois não nego a veracidade dos fatos. Alguém faria isso?? O ponto é justamente a percepção e interpretação deles! Nesse sentido a verdade salvadora da Bíblia é uma verdade relativa, relativa à pessoa de Jesus (que é o Salvador). Creio que quanto a isso estamos de acordo.

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3) Se são relativas não perderiam então seu caráter absoluto? Assim até mesmo no campo ético não foi Ele quem enfatizou a maior importância daquilo que é subjetivo sobre o que é objetivo e evidente?

3) Eu não disse em lugar algum do post que existem percepções absolutas. Ao contrário, afirmei que as teologias são relativas pois são construtos humanos. O que eu estou negando é o relativismo radical imputado aos contrutos teológicos a ponto de virarmos agnósticos e desesperarmos de conhecer a verdade. Como afirmei no ponto 2 acima, a teologia, mesmo sendo incapaz de refletir perfeitamente a verdade absoluta, pode refleti-la inda que em parte, quanto mais próxima da Palavra ela for.

3) O que ressaltei neste ponto 3 foi justamente isso que você vem a afirmar “as teologias são relativas pois são construtos humanos.” E que as construções, tanto como resultado ou como processo tem valor. Mais uma vez então, acho que concordamos.

Não estamos de acordo, infelizmente. Mas, não vou gastar tempo com isso. Os leitores podem julgar e avaliar.

Assim as teologias são de fato relativas, e marcos antigos não ajudam muito aos “aventureiros”. E explorar esse oceano que ainda não foi navegado é a proposta de nosso novo Blog, Teologia Livre.

E de fato, você tem razão, marcos antigos nunca ajudaram os aventureiros, especialmente em se tratando de marcos bíblicos.[…]

* note que em meu post "aventureiros" está em itálico. Isso lhe dá um sentido especial que facilitaria o entendimento. Mas creio que percebi seu humor!rs

Continuo firme na teologia histórica da Igreja, provada e comprovada pelos séculos. Gosto de aventuras. Já tive Land-Rovers, visitei com eles o Pantanal, Lençóis Maranhenses, etc. Gosto de motos, hoje tenho uma Harley-Davidson e gosto de viajar. Mas em teologia, não gosto de aventuras. […]

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O nome de seu blog, "Teologia Livre", me parece uma contradição em termos, a menos que eu esteja enganado. Pois nele encontrei sua clara dependência de antigos teólogos liberais do século XIX e XX. É evidente que não se trata, portanto, de uma questão de antiguidade, mas de conteúdo. Você quer uma teologia livre para 2009, mas isso quer dizer livre da teologia tradicional e presa à liberal alemã, que também é antiga.

* Sob sua percepção sobre a liberalidade de nosso Blog, tenho que respeitar, com uma ressalva que, talvez, para um verdadeiro teólogo liberal nosso Blog seja por demais conservador.

Nosso (e penso que vosso também) problema está em que queremos valorizar mais o resultado da descoberta teológica do que o processo do descobrimento. Mas ambos são importantes. Os debates dos primeiros séculos sobre a trindade, se desenrolados hoje teriam outros elementos, outro tempero. Ainda que os resultados sejam semelhantes nunca seriam os mesmos! Aliás, nem sei se o termo debate caberia hoje. Mas nada impede que hoje a questão da trindade aflore no coração de indivíduos, em seu contato com o mundo islâmico, por exemplo, e isso leve a novas perspectivas da pessoa, natureza e substância divinas.

Sobre a Trindade, estou curioso para conhecer a sua nova proposta em contatos com o mundo islâmico, sobre a pessoa, substância e natureza divina. Aguardo.

* Satisfazendo sua curiosidade, a pouco tempo ouvi de um missionário brasileiro que aqui confrontou um muçulmano nessa questão. Ele usou o exemplo do sol, que se nos apresenta em três formas: a luz, o calor e o astro.

A única coisa que preciso comentar é que você está provando meu ponto, que os relativistas não têm nada novo para acrescentar. Você apresenta como "novidade" sobre a Trindade uma das mais antigas ilustrações usadas sobre a Trindade, que é essa do sol. Já era usada nos primórdios do Cristianismo.

Finalizando digo que sua postura pode parecer bem com a escola cristã de Alexandria, ao platonismo, que buscava as idéias imutáveis e as verdades eternas. Por outro lado os “progressistas” lembrariam a escola de Antioquia que queriam uma coisa mais aplicada à realidade histórica. Mas quanta distância, temporal, geográfica, cultural disto tudo...
Não a situação é hoje mesmo outra e você é um dos principais formadores de opinião no Brasil (cristão evangélico) seu respeito vale alguma coisa, sim.

Acho que você está fazendo uma confusão enorme entre as escolas. Alexandria, platônica, buscava a verdade além da letra, na alegoria, que permitia relativizar qualquer texto e abrir uma multiplicidade de sentidos ao intérprete. Eles é que eram os relativistas. Já os antioquianos, entendiam que os textos tinham apenas um sentido, que era o sentido literal, simples, do texto. Os alexandrinos é que eram, quanto à interpretação da Bíblia, relativistas e pluralistas.

*Finalmente a questão de Alexandria e Antioquia: não há confusão nenhuma. Você está correto no que diz respeito àquilo que pensavam sobre a interpretação do texto bíblico, mas não tem como fugir do fato de que, em sua busca pelas “idéias imutáveis” e as “verdades eternas” (que estavam além das sombras da caverna), os platonistas estavam buscando as verdades absolutas, as idéia imutáveis. Mas como disse, esse é um debate distante.
Saudações fraternas,
Roger

Abraço.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Lieu - Meu Lugar são também coisas

“Se alguém resolveu nunca ficar emocionado ou excitado, inclinado ou impedido por nenhuma emoção, este está a caminho de perder toda humanidade” (Santo Agostinho)


terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Mais MOLTMANN doq nunca!!!


Já conheço esse site faz alguns anos e já fiz alguns testes, para minha felicidade, MOLTMANN sempre figurou entre os 3 ou 4 primeiros da lista, e finalmente chegou a tal ponto q ele assumiu noventa e dois por cento, mas outras coisas curiosas aconteceram, Santo Agostinho por exemplo, sempre esteve como uma presença nas primeiras posições representando o período da Patrística, mas de uns 3 testes pra cá ele acabou sendo substituido por Anselmo, e eu não faço a mínima ideia de como isso aconteceu, pois não conheço nada de substancial e de maneira consciente sobre o pensamento teológico de Anselmo, outra curiosidade também foi quando Moltmann caiu na lista e acabou sendo substituido por Schleimacher, também não sei como isso aconteceu. Acredito q a coisa q mais é verdade e q mais gostei o fato de ter zero por cento de Charles Finney no meu pensamento teológico, isso é muito bom...rs

Pois é...esse é o meu EU teológico, comentem aí oq acharam.

Boas Vindas

Nani, muito obrigado por aceitar nosso convite e vir colaborar conosco!
(Por incrível que pareça não é sempre que isso acontece...)
Temos certeza que você irá trazer coisas especiais e boas para nossos bate-papos, pois o seu próprio Blog é recheado disso.
Seja bem vinda, sinta-se em casa, agora o Teologia Livre também é seu Blog.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Sadismo Pseudo-cristão

Há três passagens bíblicas que mal interpretadas e mal compreendidas podem criar uma espécie de comportamento e ideologia doentia entre os cristãos. E nesses primeiros dias de 2009, isso muito me preocupa, pois esse tipo de comportamento no sadismo. Já cansei de ouvir e ver cristãos(quando estão numa roda comentando sobre certas notícias trágicas de alcance até mesmo mundial), simplesmente comentam:"É isso mesmo! É a palavra de Deus se cumprindo".

Reamente há passagens bíblicas que preveem grandes tragédias na história da humanidade e até mesmo o próprio Cristo nos avisa que no mundo teremos aflições.

Mas em passagem alguma a Bíblia nos encoraja a sermos apáticos ou sádicos aos depararmos com esses acontecimentos. Muito pelo contrário, a bíblia nos incentiva a praticar toda forma de bem, movidos pelo amor á Deus e ao próximo.

Numa dessas passagens(I Tessalonicenses 5:18), nos incentiva a louvar a Deus em todas as circunstâncias, mas esquecemos de perceber na carta, que "todas as circunstâncias", na verdade, basicamente se resume a perseguições religiosas nas suas diversas formas na cidade de Tessalônica. Parafraseando o versículo, ele não quer dizer que:"Em todas as desgraças dai graças". Vamos fazer um exercício prático para percebermos o quão doentio pode ser encarar esse versículo dessa maneiro?

AS ENCHETES EM SANTA CATARINA: "Graças a Deus pelas enchentes em Santa Catarina e pelas pessoas que ficaram desabrigadas e perderam tudo".

ATENTADOS EM MUMBAI: "Graças a Deus pelos atentados em Mumbai e pelas pessoas que morreram graças a esse atentado".


...e finalmente...


A FOME E A MISÉRIA NA ÁFRICA: "Graças a Deus pelas pessoas que morrem de fome na África e pela situação de pobreza em que eles vivem".


Não é chocante quando nos deparamos com essas afirmativas de pseudo agradecimento a Deus?

A Bíblia não é uma cartela de bingo que você tem que vibrar cada vez que uma tragédia que ela prevê acontece.

As tragédias acontecem devido á miséria humana e o nosso dever enquanto cristãos e povo de Deus é fazer o bem das mais variadas formas e com amor. Que compaixão é essa que se vangloria porque está vendo no tempo o cumprimento das tragédias previstas na Bíblia?

Transportamos nossa apatia enquanto telespectadores de programas que só divulgam tragédias para o âmbito da leitura bíblica. As tragédoas que lá estão previstas não estão lá para que desempenhemos o papelo de meros espectadores apáticos, mas de ativistas do bem em favor do próximo, para tentar minimizar a dor daqueles que estão sofrendo com as tragédias de nosso tempo.

Que em 2009 possamos mudar de posição, que saiamos da nossa posição de espectadores apáticos e sádicos e mudemos para uma posição de agentes ativos do Reino que rumam para a construção da Nova Jerusalém, onde não haverá mais lágrimas e nem choro se ouvirá.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Teologia - mapeando novos mares

“…um homem que já viu o Atlântico da praia e depois olha um mapa do Atlântico também está trocando a coisa real pela menos real: troca as ondas de verdade por um pedaço de papel colorido […] mas se você quer ir para algum lugar, o mapa é absolutamente necessário. Enquanto você se contentar com caminhadas à beira da praia, seus vislumbres serão mais divertidos que o exame do mapa; mas […] você jamais alcançará o Novo Mundo simplesmente estudando o Atlântico dessa maneira, e [...] também não chegará a lugar algum se ficar examinando os mapas sem fazer-se ao mar. E, se fizer-se ao mar sem um mapa, não estará seguro.” - C. S. Lewis em Cristianismo Puro e Simples

Antes de ler esta bela parábola de C. S. Lewis confesso que eu pensava como um certo pastor meu que arrogava o direito de extinguir a Teologia pelo simples fato de não existir na Bíblia tal termo.

Hoje, obviamente, penso diferente. Valorizo com uma boa pitada de santa inveja aqueles colaboradores nossos que tiveram a ousadia de adentrar as portas de um seminário teológico. Esses, são bons conhecedores da cartografia disponível na cátedra.

Houve uma época porém em que nem todos os mapas haviam sido desenhados e nem todos os mares explorados. Será que já superamos essa fase?

Assim, para dar continuidade à nossa conversa em 2009 tomei a liberdade de remover os marcadores e fixar 13 categorias relativas a cada colaborador. Outros marcadores estão ainda para serem fixados na medida que nossa conversa for nos levando rumo ao desconhecido.

E esta é a ironia: Para se aventurar em novos mares, velhos mapas não nos ajudarão muito.

Em 2009 por uma Teologia livre, em busca de novas fronteiras!