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sexta-feira, 31 de julho de 2009

Leis espirituais

O religioso vence o jurista em sua paixão pelas leis. Quem não se lembra das quatro famosas leis espirituais? Quantos pastores não se deixaram seduzir pelas cinco "leis" ou propósitos que regem uma igreja? Se todo um conjunto da humanidade, representada pela amostra de um povo escolhido, não conseguiu achar um homem que guardasse 10 leis dadas pelo próprio Deus, como podem alguns ainda pensarem que eles mesmo conseguirão ater-se à suas regras puramente humanas
Assim a cada dia surgem leis e mais leis: jurídicas, físicas, científicas, espirituais... Para os pregadores tornou-se comum denominar qualquer setença como "princípio espiritual". Tudo é "um princípio" e não sobra lugar para tolerância e diálogo, pois obviamente os princípios são inegociáveis.
Por exemplo, a Bíblia só pode ser entendida a partir de João 3:16 - já é uma lei... Contudo, "Deus te ama e tem um plano maravilhoso para sua vida" parece não ser o que João Batista, Jesus ou os apóstolos pregavam ou viviam: pregavam arrependimento (o plano maravilhoso que "você" tem para sua vida precisa ser abortado), e a alternativa que propunham e viviam não era algo nada parecido com um plano, muito menos maravilhoso! Cruz, chicotadas, apedrejamento, fome e calúnia eram algumas das coisas que faziam parte do pacote, chamado Reino de Deus.
Esse Reino foi descrito por Jesus de forma criativa e simples. Tão simples e tão criativa que foi de mais para a humanidade: "então façamos leis que organize, sistematize, complique e enjaule esse reino! Leis são rígidas e podem ser repetidas por pessoas robotizadas. Sim! E quem tiver a patente dessas leis, tem o reino!" - a terra é mesmo um planeta engraçado, como notou o Pequeno Príncipe, onde falta fantasia às pessoas que repetem como um eco o que lhes dizem. O pior é que no meio religioso isto é insentivado e tido como virtude.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Você consegue entender isso?

Quando entrei pela primeira ou segunda vez em uma igreja evangélica, e na escola bíblica dominical, a professora, uma senhora de olhar cizento e cabelos decentmente atrapalhados vestindo algo bem cafona e familiarmente sem graça, tentou me explicar por A + B que vinho na Bíblia quer dizer suco de uva, percebi logo que aquilo ali seria uma boa diversão para os próximos anos.
Mais tarde, quando trabalhávamos com crianças e adolescentes, uma outra senhora - bem semelhante a primeira, porém com um pouco mais de graça no vestir e mais colorido no olhar - tentou demonstrar os efeitos negativos do álcool mediante uma experiência: Um ovo cru era jogado em copo com álcool de cozinha e começava a ficar branco como se estivesse cozido. O grupo era então bombardeado com frases de efeito contra a bebida alcoólica e os males que ela causa em nosso organismo.... percebi então que a brincadeira já estava passando dos limites.
A questão não é os prós ou contras do álcool, mas um compromisso ou não com a verdade e com aquilo que é de maior importância para o evangelho.
Depois de emigrado e aclimatizado com a boa cerveja alemã, não consegui ficar sem ri outro dia quando um bom irmão americano, que ajuda em vários projetos sociais no Brasil, me olhou seriamente e disse que após meditar bastante e examinar as Escrituras estava “quase” convencido de que não há nenhum mal em beber vinho...
Você consegue entender isso?!

domingo, 26 de julho de 2009

A escadaria da Graça

A princípio, o território neutro da Igreja da Graça era ocupado por adolescentes e crianças, organizando suas batalhas em tabuleiros ou cartas, à sombra de um flamboaiã. À noite, vinham empregadas em geral, providas de namorados civis e militares.
 
Mas impõe-se a descrição sumária do território: simples escada pavimentada em frente ao edifício de esquina, separando o portão de entrada da calçada, que por estar no alto de um morro e de tão lisa convidava a pousar e repousar. Os adolescentes cediam ao convite, e ali ficavam praticando sobre o tempo, sobre as mulheres, futebol, verdades e inverdades da semana. (Na parte da tarde). Os adultos não conversavam, pois outros meios de comunicação se estabeleciam naturalmente na sombra, mormente se o poste da CEMIG, que ali se alteia, falhava a seu destino iluminatório, o que era freqüente. (Na parte da noite.)
 
Nos degraus propriamente ditos, as pessoas encontravam descanso, e era uma espécie de átrio dos gentios, visto que o edifício da igreja era tido como templo. Ali pisavam tanto crentes como não crentes sem a ameaça de profanar o “santo dos santos”. Não se sabe ao certo até que ponto os transeuntes desavisados identificavam o local como um igreja evangélica, mas para a garotada ali era a “esquina” onde a turma se reunia, ou “escadaria da Graça”, nome exagerado dado à escada de meia dúzia de largos graus.
 
E assim corria a Idade de Ouro, quando começaram a surgir, no expediente noturno, alguns maltrapilhos sós ou mesmo acompanhados de toda família, para ali pernoitar. Na maioria das vezes, que não eram nem tantas assim, ficavam provisoriamente, por uma ou duas noites. Depois prosseguiam sua jornada fugindo da fome do Jequitinhonha ou outro recanto desprivilegiado em busca de alguma oportunidade em Belo Horizonte. O mais conhecido deles era um alcoólico (inicialmente anônimo), que por molecagem infantil foi apelidado de Biguilim. Chegou até mesmo a freqüentar a igreja e se converter (e desviar-se) várias vezes. Os retirantes, porém, apareciam e sumiam sazonalmente como os bem-te-vis que perambulavam e cantavam no alto da torre.
 
Bem antes dos adolescentes com seus gritos e risadas altas às altas horas da madrugada e da maré de maconha deixada por alguns dos mais ousados, os mendigos e sua falta de higiene, era sem dúvida o maior inconveniente para aquela comunidade cristã.
 
Logo as primeiras queixas começaram a surgir, sabe lá Deus na boca de quem. Talvez foi o zelador, ou o próprio pastor, ou mesmo um fiel apressado que chegava no domingo antes da escola dominical iniciar e encontrava alguém ainda por lá ou apenas os vestígios deste alguém.
 
O zelador saiu a parlamentar, e desacataram-no. A rua era pública, a igreja a casa de Deus. Na próxima noite já estavam ali novamente e logo antes do raiar do dia já desocupavam a estalagem, não faziam nada de mais. Os crentes tinham que ter caridade ou não passavam de hipócritas.
 
Caridade era coisa para espíritas ou católicos e ouvindo-se tratar de hipócritas, no santo dos santos, por trás da cortina, os crentes se indignaram. O telefone chamou a Rádio Patrulha, que foi rápida, mas os maltrapilhos ainda mais: ao chegar o carro, o zelador estava falando sozinho.
 
No dia seguinte, não houve hospedagem grátis, mas já na outra noite, meio cautelosos, eles reapareceram. A esse tempo a rua se dividira. Havia elementos solidários com os evangélicos, e outros que defendiam os descamisados; estes argumentavam que aquela gente era sofrida e precisava do apoio comunitário e não mais peso para carregar. Preferível à graduação dos casais suspeitos, que antes envergonhavam a rua.
 
Mas a Igreja da Graça tinha membros metódicos e burgueses, aos quais aquela miséria torturava; tinha também gente pobre e trabalhadora, que preferiam fugir da indigência a encará-la logo pelo domingo cedo. Por que os vagabundos não voltavam de onde vieram e iam pegar duro na enxada?
 
Como não houvesse culto administrativo, e os poucos crentes mais progressistas, já estivessem engajados em visitar a FEBEM ou em ajudar alguma ONG qualquer, o filho de uma corista assumiu a ofensiva e txááá´! Um balde de água suja “acidentalmente” conspurcou os poucos pertences daquela pobre família.
Consternação, raiva, debandada – mas na noite seguinte voltaram. E voltaram e tornaram a voltar.
 
Ontem pela manhã, um pedreiro começou a furar o cimento da calçada e paredes, e a colocar nelas uma grade de ferro, de pontas agudas. Oferta especial dos membros da igreja? Não: outra iniciativa pessoal de um deles, coronel reformado e solteirão. “Logo vi que ele não tem filho!” – comentou a mulher de um mendigo, com desprezo. “E eu, que ele não tem mãe” – emendou Bigulim com um riso de canto de boca. Mas os maltrapilhos estão desoladíssimos, e nunca mais ninguém ousará sentar na escadaria da graça – nem mesmo a turma da esquina e a criançada, nem mesmo os casais noturnos.
 
(Adaptado de "O Murinho" Carlos Drummond de Andrade e baseado em fatos reais).

sábado, 25 de julho de 2009

Não importa

Não importa o quão alto calvinistas proclamem que a humanidade está totalmente depravada. Não interessa o número de vocábulos usados por um reformado para anunciar que o homem por si só não pode exercer o livre arbítrio para escolher o bem. É totalmente insignificante nossas mais bem elaboradas teorias sobre a queda, o pecado e a maldade do ser humano. Ou até mesmo irrisórios os versículos bíblicos que afirmam não haver um justo se quer ou, a perversidade estampada diariamente nas manchetes dos jornais. Sempre haverá pais malvados dando boas dádivas a seus filhos. Sempre haverá um Jó, do qual Deus dirá, homem íntegro, reto e temente a Deus que desviava-se do mal. E sempre haverá bons samaritanos a socorrer estranhos na beira do caminho. Mais do que exceções que confirmem a regra, estes são lembranças vivas de que até as nossas mais bem amarradas ortodoxias, como o próprio ser humano, também não são totalmente confiáveis.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

O erro de Viola (1)


Às vezes chega a ser até divertido ler Frank Viola, mas na maior parte do tempo é mesmo irritante.
O cômico é que ele retrata bem e fielmente o que é a instituição igreja evangélica, ou seja, uma caricatura daquilo que a Bíblia chama de noiva do cordeiro.
O irritante é que ele pretenda a todo instante que essa caricatura fosse um belo portrait dessa noiva.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Monergismo ou Sinergismo? (2)

O Reino dos céus é como um tesouro” (Mt 13:44)

A idéia de "valor" tem um papel central nos conceitos transmitidos pelo Cristo. Tanto o tesouro como a pérola vem nos despertar o senso de algo precioso. Quanto vale? É a pergunta que ambas parábolas vem preencher.

Esse Reino está oculto, é algo raro e possuí-lo não é tarefa fácil, por isso algo de muito valor. Não devemos contudo confundir o valor intrínseco do Reino, com aquele representado pelo esforço de trabalho para achá-lo, ou alcançá-lo.

Daí o primeiro paradoxo que o envolve: Tanto graça divina, como o empenho humano operam para que sujeito e objeto se encontrem e seja encontrado. Pois por um lado a descoberta do tesouro é aparentemente fruto de mero acaso ou pura providência divina, mas por outro lado, a descoberta da pérola envolve o esforço humano, em uma busca direcionada e obsessiva.

Isso está de acordo com o ensino vetero-testamentário que afirma, “buscar-me-eis e me achareis, quando me buscardes de todo vosso coração” e contraditoriamente também diz, “fui achado por quem não me procurava”.

Continua…

Leia também: Monergismo ou Sinergismo? (1)

domingo, 19 de julho de 2009

Você morrerá (2)

“E foram todos os dias que Adão viveu, novecentos e trinta anos, e morreu.” (Gn 5:5 ).

Por alguma razão – não me pergunte qual – convencionou-se dizer – não pergunte a partir de quando – que a morte de que Deus falara era a espiritual.

Essa teoria, a da morte espiritual, não faz sentido nenhum. Um corpo sem espírito está morto. E um corpo com um espírito morto, também estaria literalmente morto.

Explica-se então que a morte de que Deus fala seria a separação. O homem estaria separado de Deus, então morto. Bobeira! O casal foi enxotado para fora do Éden, Deus continuou, contudo, presente aceitando o sacrifício de Abel e dialogando com Caim, por exemplo.

Só nos resta então uma escapatória para entendermos a afirmativa contundente do criador de que o homem morreria “no dia” em que comece do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, reforçada pelo advérbio de afirmação, “certamente”. A resposta não se encontra no como, nem no que, mas no quando! Para Deus um dia é como mil anos e mil anos como um dia (2Pe 3:8). Adão viria de fato a morrer (se ocorreria no dia ou no próximo milênio parece não ter importância), não uma morte espiritual, não de forma a ficar separado de Deus, mas a boa e velha morte que todos nós tão bem (des)conhecemos e tão bem evitamos.

Pior, porém, do que a sentença de morte  é a privação da árvore da vida. Pois o seu fruto, sim, lhe daria a imortalidade que ele não possuía, nem antes mesmo de ter sido sentenciado à pena capital.

Preste bastante atenção: nenhuma pessoa à sua volta está espiritualmente morta, nenhuma! Elas estão bem vivas, como você e eu – só não me pergunte até quando.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

A Austria, Brüno e a teologia

Ontem saí para assistir Che Guevara e acabei vendo Brüno. Excelente, hilário, perverso e revolucionário.

Se você é mais velho que Sacha Baron Cohen sugiro que assista a versão para adolescentes, a versão longa, pode não caber em seu mundo. O filme não é uma apologia ao homossexualismo mas você será o tempo todo confrontado com cenas “românticas” e bizarras entre dois machos.

Um dos momento mais divertido do filme, em um Ring de Vale Tudo, onde a platéia clama por sangue e a testosterona impregna o ar, Sacha choca todo mundo com uma cena de erotismo explícito entre dois homens. A contradição é louca, os americanos tarados por sangue pagam para ver dois homens se agarrando como animais, desde que o objetivo final seja um matar o outro, caso contrário é ultrajante - não tem como não rir da reação do público.

Brüno não perde em nada para Borat. A fórmula funcionou novamente. Sacha é o ícone da pós-modernidade. Debochando de tudo e de todos, com seu sarcasmo inglês, nenhum valor deixa de pé. Na pele de um austríaco ele ri de Hitler austríaco, dos astros do cinema e na cara de terroristas do oriente médio.

Brüno, um gay austríaco vai buscar ajuda nos americanos puritanos. Não poderia dar outra, mais uma vez o zelosos evangelicais passam ridículo, por culpa própria.

Justamente a Áustria que foi palco de escândalos sexuais dos mais absurdos nos últimos anos, é a pátria eleita por Sacha para seu personagem Brüno. Às vezes as pessoas gostam de classificar países como Áustria de pós-cristão. Não entendo porque. Quando foi mesmo que a Europa se tornou cristã? Foi quando chovia bombas nazistas, ou quando os canhões de Napoleão marchavam até Moscou? Será que foi quando a Alemanha se dividia entre protestantes e católicos, uns degolando os outros? Ou talvez quando o povo comprava lugares no céu para seus avós mortos ou quando Inocêncio regia em Roma, ou será que foi quando os Bárbaros tomavam a cidade eterna ou quando Constantino se converteu?

Não. Não vejo a Áustria mais ou menos cristã que o Brasil. É uma nação que precisa de ajuda e precisa de ajudar, tal qual nosso país tropical, ou qualquer país do globo. Se lá você vê outdoors de prostitutas pelas ruas ou sexshops a cada esquina, no Brasil as crianças são abusadas e vendidas independente da força do capital estrangeiro, lá os índices de alcoolismo e suicídio são altos e no Brasil são altos os índices de homicídio e consumo de drogas e a miséria ainda reina não por falta de recursos.

O filme é revolucionário pois agride aos valores hipócritas da sociedade burguesa. Um Che hoje seria anacrônico, mas talvez Sacha consiga mostrar de forma mais eficaz que em meio a toda podridão possa existir ainda, esperança e algo por que não lutar.

“Bruno, o filme” está previsto para estrear no Brasil no dia 14 de agosto. Clique aqui e veja o trailer do filme legendado em português.

Você morrerá (1)

"Porque no dia em que dela comer, certamente você morrerá" - (Gen 2:17)
Falar sobre morte não foi um tabu para Deus. Pobre Adão que não fazia a mínima idéia do que seu Pai queria dizer.
- Morte?? O que é isso?
Com o passar dos anos, e não foram poucos, e das incontáveis mortes, continuamos como nosso pai Adão, não temos a mínima idéia do que seja a morte.
- A morte é um mal ou um bem?
Coitado de Adão que nem essa pergunta poderia formular, afinal, faltava-lhe justamente o senso ético. "Conhecimento do bem e do mal? O que é bem? O que é mal?"
Deus, sem medo de passar por mentiroso, ou por um profeta atrapalhado, profetizou algo que não se cumpriria. Adão comeu e não morreu. Não no dia.
Aparentemente, então, foi a serpente quem conseguiu mais acertadamente conhecer o futuro: "certamente vocês não morrerão".
"Nem toques nele!" Foi a advertência divina. Ele sim, conhecedor do bem e do mal, sabia que a morte não era flor que se cheire, e tentou, em vão, impedir o primeiro par de se intoxicar com ela. Tarde demais... nhac! E a setença poderia ser prorrogada, mas já estava promulgada: "Você é pó, e ao pó voltará".
Um animal, provavelmente um cordeiro, foi quem pagou o pato, sendo sacrificado naquele dia, para oferecer sua pele ao casal transgressor, que sofria com a consciência pesada e pudor exarcebado, por terem se lambusado com o fruto proibido - marido e mulher, agora, se acanhavam até mesmo de estarem pelados um na frente do outro.
Bem vestidos, ou não, a morte iria capítulos mais tarde lhes encontrar em uma esquina qualquer do mundo, não, sem antes lhes furtar um filho pelas mãos de um outro.
(continua...)

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Cataputa!

- Catapuuuuta! Gritou Joãozinho com plenos pulmões.
- O que é isso menino? Perguntou assustada a tia que passava.
- Se eu xingar palavrões minha mãe me bate. Descobri então que posso gritar cataputa. O efeito é o mesmo e não preciso apanhar.
- Ah... entendi. E porque você está xingando agora?
- É que meu time perdeu... Cataputa, catapuuuuta!!

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Conheceria Deus o futuro? (parte 8)

Eu sei, para a quase totalidade dos poucos leitores que cativei, essa pergunta não procede, afinal o dogma já está há séculos estabelecido: Deus é onisciente.

Mas Deus é também onipotente, então como poderia a força de sua ciência anular a força de seu poder?

Se Deus conhece de antemão tudo o que acontecerá no futuro, poderia Ele ainda intervir na história? Teria Ele ainda o poder para mudar o futuro? Não. O Altíssimo estaria de mãos atadas, como mero expectador, que assiste o efeito de um dominó esbarrar no outro até que todas as pedrinhas se deitem no chão e a brincadeira se acabe.

O Deus das Escrituras Sagradas tem, porém, todo poder para mudar o futuro, seja ele qual for, e mais do que isso, à sua semelhança, nos capacita também para tal.

O fato é que crer no Pai de Jesus, o Cristo, implica necessariamente em afirmar contundentemente sua onipotência para mudar o futuro assim como sua total impotência para mudar o presente.

terça-feira, 14 de julho de 2009

O fim do verão

É muito comum ao emigrante inexperiente esquecer-se de que uma hora o calor se vai e a claridade torna-se sombria. O processo gradual e quase imperceptível da mãe natureza, faz com que pensem que o verão é eterno.
Cada estação tem seu valor e glória, mas nada se compara a uma primavera ou verão, e este, agora, contempla o seu fim.
O vigor natural atingiu o seu pico e vai entrando em declínio, logo mergulhará abaixo da linha limite daquilo que poderia-se denominar "vigor".
Cresces-te e multiplicas-te, mas chegou o tempo de começar a recolher-te.
Os fortes ventos que antes te impulsionavam e refrescavam corpo e cabelos, agora te arrancam as folhas secas e causam-lhe calafrios.
Aproveite os últimos dias longos. Nunca reclames da temperatura elevada ou da luminosidade. Goze cada raio de sol! Se puderes porventura soltar alguma folha nova, não te acanhes. Pois o outono já se instaura e em breve chegará o inverno, e então será só canseira e enfado.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Expectadores da Vida

Escrito por Alice em 6/26/2009

Somos todos expectadores.

Expectadores da vida.

Todos os dias nos sentamos confortavelmente e assistimos a mais um ato.

Um ato de amor ou de ódio, um ato de rancor ou de saudade, um ato de alegria ou vaidade, de tolice ou burrice, ...mais um ato, onde nossos próprios atos nos comprometem e nos denominam.

Abrem-se as cortinas e todos entramos em cena.

Apresentamos nossas melhores falas e usamos nossos mais poderosos olhares, somos tão fiéis aos nossos papéis e sabemos tão bem como interpretá-los que é impossível competirmos entre nós. Não haveria prêmios suficientes para todos.

Mas com o passar dos anos e dos atos apresentados, venho descobrindo que toda nossa interpretação é cada vez mais frágil e solitária, e que nunca seremos o sucesso que queremos ser.

Nós somos a platéia.

Nós somos os expectadores.

Nós nos aplaudimos ou nos vaiamos.

Nós nos emocionamos ou nos detestamos.

Todos os outros para quem pensamos mostrar algo, também estão a interpretar para si próprios.

É mesmo uma super-produção e uma caríssima e belíssima obra essa nossa vida.

Somos todos atores interpretando a nós mesmos e em busca de um final feliz e surpreendente, em busca da aprovação , do amor, do aplauso...em busca dos expectadores que nunca vem.

Então, descobrimos que todo nosso talento será esquecido, o que pensamos ser nosso legado não significará nada, nossa fortuna não será gasta por nós, e os críticos sempre estarão a postos para nos destruir, nos difamar, nos diminuir.

E em meio a esse silencio, e só se houver muito silencio mesmo, é que perceberemos Sua Presença na coxia...

E eu , que queria tanto agradar, que desejava tanto amar e ser amada, que sonhava tanto em fazer algo belo, descubro que é ELE quem tem se agradado de mim, que tenho sido muito amada por ELE , e que é ELE quem tem recebido todos os meus sonhos e cuidado de cada um deles...

Tudo foi ELE quem fez, tudo é ELE que torna agradável, e todo meu amor é DELE que vem.

E eu me silencio e me emociono com Sua doce presença e Seu olhar de amor.

E quando percebo, as luzes se ascenderam, as cortinas se fecharam, o cansaço se acabou, as dores já não existem mais e finalmente não será preciso interpretar.

Posso enfim ser apenas eu e saber que já tenho por quem esperar.

[O que logo me lembro de uma música de Martin Piper: In Deinem Licht – Na sua luz]

Na sua luz você me vê

me reconhece e me chama pelo nome

Você vê meu coração

dor e gratidão

ele está diante de ti aberto, Senhor

Todo meu ser, dia a dia

só faz sentido, quando não sou outra pessoa

Como você me vê e o que você ama em mim

isso eu quero ser e somente isso

Por isso me entrego

o que quero e o que sou

despego e adoro

Pois o seu sim para mim

me faz livre diante de ti

para ser apenas eu mesmo

domingo, 12 de julho de 2009

A escuridão destacada na claridade

Michael Jackson

"Como criança prodígio ele nunca foi uma criança real, e como adulto, em alguns aspectos permaneceu infantil; ao longo de sua vida conheceu a descontração desprendida, apesar de que a dureza da luta pela sobrevivência por último não lhe deixou muito do que rir [..] ele mostrou quase nenhuma dúvida de fé e não foi nem ateísta ou agnóstico; as pessoas partem do princípio de que ele nenhuma divina, mas também nenhuma demoníaca, mas em todos os sentidos apenas música humana escreveu, e aí, sim aí, está o Segredo dessa música, que ela torna ambas ao mesmo tempo audíveis: a claridade e a escuridão, alegria e dor, vida e morte. Ambas obviamente não estavam simplesmente postas lado a lado neutras em equilíbrio e misturadas, mas sim, a escuridão sempre destacada na claridade."

Hans Künk, sobre Mozart

sábado, 11 de julho de 2009

Os últimos dias

A Rosa Branca é contagiante. Tocou-me profundamente. Thomas Mann lia os panfletos pela BBC no período da guerra, é um excelente filme que me inspirou nos temas, Santa rebeldia, Santa Rebeldia 2.

A secretária de Hitler, que também era de Munique, e sobreviveu à guerra dá um importante testemunho em um outro filme alemão, Der Untergang: Ao visitar o monumento aos estudantes do Rosa Branca, na Universidade de Munique, ela cai na real e afirma-se indesculpável por sua própria alienação na época: sim houve uma maneira de enxergar tudo.

Os últimos dias de Sophie Scholl pode ser visto na Web com legendas em inglês

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Crítica aberta a Severo

Resolvi atender à preferência de nosso amigo Clóvis do Cinco Solas, a saber: "ver uma crítica aberta ao Severo, pois tenho minhas reservas à pessoa e ministério dele."
Já que estou pondo fim a meu ecletismo sem limites, agora que Obama venceu e não temos mais fundamentalistas alucinados no topo do poder, agora que aviões cairam e o tempo amadureceu posso gastar esse precioso tempo e espaço para colocar alguns pingos nos is.
A verdade é que fiz poucas visitas ao Blog dele, mas o suficiente para me enojar. Não só pela total falta de ética ou estética, mas pela falta de seriedade e compromisso com o evangelho, camuflados justamente de seriedade e compromisso (com causas, diga-se de passagem que nunca foram as Bíblicas, nem as do homem de Nazaré).
Acho que as melhores palavras ditas a ele foram publicadas na entrevista de Cristianismo Hoje:
  • Quixotesco (o que poderia ainda ser entendido como um elogio)
  • histrônico (que ainda tenho que olhar no dicionário o que é isso)

Mas pela fúria de seus fans nos comentários, parece que a entrevista longa, que não tive saco de ler, fez jus ao Blogueiro que por total falta de noção, torna-se mais ridículo e pecaminoso do que o suposto ridículo e pecaminoso que tenta combater.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

A pessoa muda (ou passando a régua)

A Norma finalmente mudou, por isso a pausa.
Não é nehum segredo, na Blogsfera evangélica, que ela se mostrava tão pretenciosa pretensiosa a ponto de estender suas críticas mordazes a teólogos nacionais e intenacionais, como P. Yancey, e isso sem a menor compostura.
Não é também segredo que algumas vezes nos esbarramos virtualmente, e entre um esbarrão e outro ela fez questão de debochar de minha dislexia e desvirtuar minhas ponderações. É verdade que não poucos me alertaram para não navegar por aqueles mares...
Com algum esforço mental ela conseguiu perceber que eu não sou como o Lou, Alysson ou Brabo (realmente não sou digno de desatar as sandalhas sandálias dessas feras) – Essa constatação dela chegou a quase me magoar!
Confesso também que a esculhambei, com uma fábula, quando ela e Nagel partiram para cima de Alysson. E depois até tentei me redemir redimir.
No fundo me empenhei para manter um diálogo, ao pensar que poderia extrair, de uma mente tão oposta, algo que nossa própria Weltanschauung não oferecesse. Adimirei também sua coragem e lhe disse isso abertamente. Afinal, como pode alguém escrever tantas bobagens, sem nexo nenhum com a realidade??
Por favor não me entendam mal: Seus texto sobre o cotidiano eram bem razoáveis, mas quando se aventurava por teologia, filosofia, economia ou política... irrg!
Por fim cansei de suas neuras, preferi me retirar de mansinho, sem ofensas, pois imaginei que seu psicólogo recomendaria isso, não contrariá-la. O povo até me perguntou se não era eu quem estava ficando maluco.
Não. Minha intenção era só ver alguma mudança ali.
A pessoa muda. Bom seria (para ela mesmo) se permanecesse mais tempo assim... bem muda.

Esses astuciosos defuntos

"Dizia Kierkegaard que não há ninguém mais astucioso do que o defunto. Não dispõe de nenhuma arma contra nós; entretanto nos força a nos revelarmos a nós mesmos, pela conduta que temos diante dele. O morto não é um objeto real, ensina-nos o filósofo: é apenas uma oportunidade de manifestar o que existe no vivo em contato com ele. É um teste à nossa espera: um teste de amor. Porque (ainda na lição de Kierkegaard) pensar nos mortos é o ato de amor mais desinteressado, mais livre e mais fiel, de todos que possamos conceber. Mais desinteressado, porque nem mesmo o nutre essa esperança de recompensa que os pais depositam inconscientemente no amor ao filho que vai nascer ou já nasceu: não há recompensa nenhuma a esperar de um morto; mais livre, porque o morto não está aí para nos obrigar a qualquer gesto ou sentimento, como a criança que chora, ou o pobre que nos expõe sua pobreza: podemos ingnorá-lo à vontade; e mais fiel, porque mudamos continuamente de gostos e ilusões, mas ele não muda nunca, e amá-lo sempre com o mesmo amor é uma vitória sobre nossa instabilidade sentimental."
Carlos Drummond de Andrade em Os Mortos

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Coheceria Deus o futuro? (parte 7)

Às vezes quero crer mas não consigo
É tudo uma total insensatez
Aí pergunto a Deus: escute, amigo
Se foi pra desfazer, por que é que fez?”

Vinicius de Moraes & Toquinho
Ao ver que estava na lista dos que seriam despedidos, seu Joaquim sentiu um nó seco na garganta, uma dor amarga no peito e os olhos azuis acizentados lacrimejarem de indignação.
-Agora fudeu. Desnorteava ele em seu desespero.
O consolo de que havia colegas cujo revés era mais dramático, não lhe ajudava em nada para recompor seu mundo.
O tempo passou e enferrujaram-se as molas no fundo do poço. Essas ao invés de dar-lhe novo impulso pra cima somente prestaram para lhe enroscar ao pescoço e membros, roubando-lhe qualquer eventual possibilidade de escape. Uma dessas molas foi o seguro desemprego e FGTS que, após cobrir alguns meses de aluguel e gastos, foi em parte queimado em sua busca frenética por um novo emprego, em parte, custeou alguns inúteis cursos de atualização profissional e finalmente, em parte, foi bebido no bar da esquina.
Um pensamento porém lhe embalava as noites:
-Meu filho, não se preocupe com o dia de amanhã.
-Pai, você cuidará dele pra mim, não é?
-Claro que não!
-Mas eu pensei que você cuidasse do futuro...
-Jamais te pediria algo, sem antes, eu mesmo, ser-lhe exemplo.
E seu Joaquim cobrindo-se com um ralo lençol, encolhia-se na posição fetal, até que o sono tardiamente chegasse.

Leia também:
Conheceria Deus o futuro? (parte truco - 6)

terça-feira, 7 de julho de 2009

No início era a igreja

“No início, a Igreja era um grupo de homens centrados no Cristo vivo. Então, a Igreja chegou à Grécia e tornou-se uma filosofia. Depois chegou a Roma e tornou-se uma instituição. Em seguida, à Europa e tornou-se uma cultura. E, finalmente, chegou à América e tornou-se um negócio” - Ricardo C. Halverso citado por Pe. Inácio José de Val (Professor de História da Igreja)

Monergismo ou Sinergismo? (1)

Um dos principais movimentos no tabuleiro teológico do jogo da salvação é justamente aquele que define quem dá início à partida.
O dilema apresentado está em que, dando Deus início ao jogo e assim salvando alguns, deixaria transparecer certa maldade ao mostrar-se indiferente em relação aos outros, não salvos.
Por outro lado, caso caiba ao homem o primeiro lance, não poderíamos mais falar em graça, mas sim em mérito.
Ambos extremos são, obviamente, incompatíveis com o Evangelho da cruz de Cristo.
Outra possibilidade que paira no ar é a de que a salvação seria universal. Particularmente não vejo razões nem na Bíblia nem no mundo para crer assim.
O dilema então permaneceria, não fosse nossa disposição em mudar de paradigma. Quando ousamos olhar por outra perspectiva, adotando outros modelos, ele, o dilema, se desfaz facilmente como fumaça no ar.
Jesus, o rabi do primeiro século, é quem nos expõe sua doutrina sobre o assunto. Todo seu ensino é englobado por um grande pacote denominado, por Ele mesmo, "Reino de Deus".
Sob a visão d'O Reino de Deus' pode-se compreender de forma clara os papéis humanos e divinos no processo de salvação e evitar erros doutrinários que causam eventualmente, desvios e transtornos ao desenvolvimento espiritual normal.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Heróicas lágrimas estrangeiras

A fumaça negra começava a arde-lhe e sufocar-lhe os pulmões. Trancada no 11º andar, abraçada a seus dois mais preciosos tesouros tentava, no desespero, transmitir-lhes a calma que não tinha.
Lá fora agarrado ao celular o herói protetor, sustentador resoluto e incansável, vê seu mundo sumir num pesadelo mais que real.
A morte desaba como uma noite escura sem lua ou estrelas trancafiando num porão gélido e empoeirado o coração de um pai, e arrastando com ele um pouco de todos nós, almas anônimas.
Ainda que contingente, a tragédia é debitada à engrenagem capitalista. Essa não se envergonha de mostrar seus dentes, num sorriso macabro para aqueles que insistem em empurrá-la, para por ela mesma não serem triturados.
O fato que ocorre em solo estrangeiro, londrino, vem para amargar mais ainda de forma exponencial a dor e a solidão que já eram em níveis mais que insuportáveis.
Ó solidão maldita, tu não triunfastes. A mãe partiu com o frescor doce dos bracinhos de seus filhotes e estes no regaço calmo do seio materno. E os três acalentados pelos ecos da voz daquele que, naquela exata hora, se transubistanciava em puro amor.
Para Young nesses momentos, aquele que, no início pairava sobre a face das águas, toma total controle da situação e envolve as almas aflitas e vitimadas removendo-lhes todo o horror que, nós, meros ouvintes e expectadores mudos, nem podemos suportar ou sequer imaginar.
E lá no asfalto da metrópole, no chão do mundo, mais uma vez foram entornadas as lágrimas estrangeiras de um herói, e de todos aqueles que juntamente com ele toranarm-se mais sós.

Karl Barth, a Bíblia e os seus erros

“A Bíblia contém erros, mas a nós nos cumpre crer nela assim mesmo” FS citando Karl Barth

Todos nós estamos cansados de saber que a Bíblia contém seus errinhos. Claro que não assumimos isso assim tão abertamente. Ao contrário, usamos de sofismas. Empregamos algumas adjetivos para qualificar a versão da Bíblia mais atual, sem com isso diminuir a versão anterior. Aqui vai uma lista desses adjetivos e o que eles significam em relação às outras traduções ou versões bíblicas:

Essa versão é:As demais são:
CorrigidaCheias de erros grandes
AtualizadaDesatualizada
RevistaCheia de erros pequenos
De acordo com os melhores textosDe acordo com os piores textos
Na linguagem de hojeNa linguagem de ontem
NovaArcaica
VivaMorta

sábado, 4 de julho de 2009

Essência e Existência

"Só então X compreendeu. Compreendeu que, desde a perda de suas carteiras, não existia mais. Um homem só existe pelos documentos de identidade. Seu retrato vale mais do que o corpo, um carimbo mais do que sua palavra, e um número mais
do que tudo. Iluminava-se o velho problema filosófico da essência e da existência. Kierkegaard vislumbrara a solução, ao afirmar que existente é aquele que experimenta certa intensidade de sentimentos em contato com alguma coisa fora dele. Existente é aquilo que a coisa externa faz de nós, comunicando-nos seu sopro, e sem essa coisa não podemos sequer viver, pois nosssos semelhantes não nos percebem em nós, mas em nossos símbolos civis. E o síbolo é a essência do ser."
Extraído de Carlos Drummond de Andrade em "Essência e Existência"

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Nunca só

Para sair do baixo astral
Abri o jornal

Por que me senti sozinho
Passei algumas horas com um livrinho

Para sair do tédio
Liguei o rádio

Para sair da solidão
Assisti um pouco televisão

Para ver mais gente
Naveguei na internet

De repente
Deu um apagão

Não podia mais ver
Não podia mais ler
A música sumiu
A imagem desapareceu

A mídia morreu

Mas logo depois
Descobri que éramos dois

A comunicação renasceu
O tempo todo
estávamos a sós
Você e eu

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Plano ou Contingência?

O enfrentamento Nicodemus X Gondim teve mais um “round” no “ring” cibernético, graças novamente a uma tragédia de âmbito mundial, a queda do AF447.
À semelhança do primeiro embate, por ocasião da catástrofe do Suname, o teólogo reformado Augustus Nicodemus partiu para debater as idéias propostas por outro teólogo de destaque no meio evangélico brasileiro, Ricardo Gondim. O ataque desta vez foi mais sutil, mas não menos ofensivo, no que tange os conceitos debatidos. Não menos esperto, desta vez, ele se reportou a um pseudo amigo de nome Bonfim (troque B por G e f por d e temos Gondim).
Gondim, sempre na vanguarda, colocou em seu site na internet um texto para meditação de seus leitores. Com oito parágrafos, 13 interrogações e pelo menos 12 menções diretas à idéia de “plano”, “causa” ou “objetivo”, ele discorreu sobre aquilo que chamou de “Contingência”, relacionando-a ao acidente do AF447. Ou seja, a causa última do acidente é justamente o “não plano”, a inexistência de causa inteligente ou um objetivo específico e maior. Em suas próprias palavras “um avião cai porque o mundo é contingente, não porque tenha sido vítima do destino ou de um plano de Deus”.
A reação imediata de Nicodemus, como na ocasião anterior, foi escrever um texto em seu Blog refutando a tese do pastor da Betesda. Para o chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie, o qual valeu-se de 16 parágrafos, duas interrogações e pelo menos 14 menções direta à idéia de de “causa”, “plano” ou “objetivo”, a queda do avião, não somente estava nos planos de Deus, assim como foi determinada por Ele. Em um só parágrafo o blogueiro usou nove vezes a expressão, “foi Deus quem” (ou variações desta) intercaladas com vários versículos bíblicos, numa tentativa de demonstrar que a ira de Deus seria motivadora das tragédias, as quais teriam sua causa no pecado original. Retórica essa a matar de inveja qualquer dos amigos de Jó.
Por outro lado, com suas inquietantes perguntas, um dos nordestinos mostrou que as explicações piedosas não convencem nem consolam. Impossível seria que Deus usasse deste mecanismo cruel para despertar o homem para o arrependimento. (De fato, o texto bíblico sinaliza que é a bondade de Deus que nos conduz ao arrependimento).
Já o outro nordestino, em sua estratégia sofista, começou apontando supostas fraquezas do seu destinatário fictício, como a revolta e a aflição e se dispôs a ajudá-lo. Isso não somente é uma tentativa de vencer o debate já no ínicio, fora do plano das idéias, pela desmoralização do adversário, mas reflete infelizmente uma atitude comum em líderes evangélicos, que sempre se vêem no papel de paizão prontos a ajudar crianças imaturas e assim ocultam suas próprias fraquezas e dúvidas.
Finalmente Nicodemus aponta para o misterioso plano divino em sua totalidade, onde o objetivo da tragédia em foco estaria incluído como uma forma de “desapegar o homem das coisas desta vida e levá-lo a refletir sobre as coisas vindouras”. Essa, obviamente, é outra afronta direta à teoria de Gondim que apela para um viver intenso, uma vez que essa vida é imprecisa e efêmera.
Para esse autor, a contigência foi o caminho que o Criador achou para nos proporcionar liberdade e nos fazer humanos. Sem ela seríamos meros robôs, ou quem sabe deuses ou demônios.
Para mim, que sou administrador e não teólogo fica algo bem claro de todo esse debate e acontecimento: Na TGA – teoria geral da administração – a “teoria das contigências” absorveu todas as demais e mostrou-se preponderante pois é frente aos imprevistos que o bom administrador mostrará suas competências e versatilidade, não só em planejar, mas também para organizar, para dirigir e para controlar.
Pelo visto as contigências servem não somente para revelar um bom tomador de decisões, mas também um exímio mestre da Palavra.
Que o vento do Espírito, Ele mesmo, console os parentes das vítimas desse acidente, no Brasil e no mundo afora.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Argumentação sem mestre

Vença qualquer discussão!

Aqui vão as misteriosas dicas para você derrotar seus adversários em qualquer debate teológico.

Elas vêm na forma de um pequeno texto de onde você pode extrair os assim chamados argumentos killers (que estão em vermelho).

Memorize simplesmente a metade deles e você estará preparado para, em um âmbito evangélido piedoso, defender suas idéias, sejam elas quais forem, e derrotar idéias contrárias.

Peguemos um tema qualquer como exemplo:

"A importância de vencer debates teológicos".

O diabo não quer que você vença seus debates teológicos, portanto fará de tudo para que você não escute essas palavras.

Alguns tem dito que não é importante vencer uma discussão. Se essa idéia fosse levada até as últimas consequências teríamos que abrir mão de tudo que acreditamos ou pensamos ser verdade. Mas a ciência já provou que quem vence um debate é mais feliz. Por isso o que Deus mais quer para seus filhos é que eles sejam vitoriosos.

De fato no juízo final, quando você se apresentar perante Deus, Ele te fará somente uma pergunta: "Meu filho porque te envergonhaste de minha palavra e não usaste a espada que te dei?" A Bíblia diz "quem me confessar diante dos homens..."

Muitos acham que não é importante vencer uma discussão. Infelizmente esses estão sempre tentando entender as coisas de Deus com a razão humana. A heresia de menosprezar um debate certamente foi forjada no inferno.
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Não seja portanto mais um bocó, a partir de hoje vença todas as suas argumentações.

PS: Obviamente quanto mais você falar ou escrever menos chance dará aos seus adversários de reagir. Portanto, abuse das palavras!